março 20, 2011

O PECADO, OS PECADOS E O PECADOR II

Rm. 3:23 - "Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus."
No outro texto falou-se em terminologia religiosa que nada tem a ver com a verdade do evangelho e que isto determina uma descrença generalizada no cristianismo. Entretanto, é necessário reafirmar que tal terminologia é utilizada por quem não conhece a verdade, e, que, o tal cristianismo referido não é o que Cristo ensinou. Assim, há uma profunda diferença entre o que se vê como religião e o que é a verdade cristalina vinda de Deus para o homem a fim de redimi-lo. A questão básica é que o homem impuro toma o que é puro e contamina-o para a sua própria satisfação, logo, Deus não está nisto. A religião em si pode até ser boa, produzir bons resultados materiais, comportamentais e reformar o homem moralmente. Porém, isto não pode salvá-lo, porque a salvação é de outra dimensão, a saber, da esfera espiritual e é uma ação de Deus em direção ao pecador e não do pecador em direção a Ele. A isto dá-se o nome de salvação monérgica, enquanto a salvação oferecida pela religião é uma "salvação" sinérgica.
O texto que abre este artigo é claro ao afirmar que "todos pecaram", logo, não há exceções. Também é igualmente claro ao afirmar que estes que pecaram "estão destituídos da glória de Deus." Assim, algo ou alguém que foi destituído, não possui mais qualquer ligação ou associação com a coisa, ou pessoa da qual foi destituído. Esta separação do homem em relação a Deus é chamada de morte no texto bíblico. Desta maneira, o pecado fez o homem morrer espiritualmente para Deus, determinou as práticas pecaminosas na vida humana, e estabeleceu a morte eterna do pecador na condenação pela culpa do pecado. Ao ler este texto de abertura muita gente, por inexperiência espiritual, por presunção e arrogância pode pensar que não está destituída da glória de Deus só porque professa alguma religião, porque se submeteu a alguns rituais religiosos, porque não comete crimes, adultérios, prostituições, roubos, etc. Todavia, estas coisas são atos pecaminosos e não o pecado que destitui o homem de Deus.
Como foi dito no outro artigo, há muitos artifícios para distanciar o homem pecador de Deus e fazê-lo senhor de si mesmo, num suposto reino justo e igualitário na Terra. Uma das formas de se conseguir isto é modificando ou suavizando o sentido das palavras. Então, muitos hoje atribuem ao pecado como sendo apenas um distúrbio de origem endocrinológica. Reduzem o mal espiritual a um mero problema de ordem hormonal ou bioquímico. Entretanto, o pecado é uma realidade e mal moral é perceptível no dia-a-dia da humanidade e tende a se agravar exponencialmente.
No texto neotestamentário há diversas palavras para a palavra pecado. Por isso, muita gente faz confusão e tende a reduzir todas a uma só significação, ou inventar e reinventar pecados, classificando-os em escala de valores diferenciados, tais como, pecados veniais, pecados mortais, etc. E o que acontece é que a cultura civilizatória assimila estas fórmulas como válidas e elas se tornam aceitáveis sem serem confrontadas com a verdade. As palavras na língua grega 'koinê' em que o novo testamento foi escrito variam de acordo com o sujeito, o objeto, o gênero, o número, o grau e o tempo. Assim, quando o texto fala do pecado original, ou pecado por princípio, é utilizada a palavra [hamartano] e suas derivadas de acordo com as declinações exigidas pelo contexto. Por exemplo, em Hb. 10:6 - "...não te deleitaste em holocaustos e oblações pelo pecado." Assim, o texto diz que Deus não se alegrou com ofertas de sacrifício pelo pecado original, porque a palavra utilizada foi 'hamartia', significando 'errar o alvo'. Então, o pecado como estado, princípio ou natureza levou o homem a errar o alvo. Se alguém erra o alvo é porque há outro alvo a ser, ou que foi atingido. Acertou-se um outro alvo e não o alvo verdadeiro. Então há o pecado, os pecados e o pecador.
O pecado é o que o homem é por natureza, por herança adâmica, por princípio e não por escolha. O pecado é o que o homem é, e não o que ele pratica de errado ou ruim. Tais práticas são consequência do pecado e não causas. Como este pecado foi inoculado no primeiro casal ancestral, ele passou a todos os seus descendentes. O homem faz o que é mau, porque o pecado o leva e o inclina a isto. Este pecado é a incredulidade e Jesus Cristo deixa isso claríssimo em Jo. 16:8 e :9 - "E quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo:do pecado, porque não crêem em mim." Então, "... do pecado" [peri hamartias] e não de um determinado pecado específico, ou de diversos pecados é a afirmação de Jesus, sendo a palavra no original relacionada ao pecado original e não a atos e atitudes errôneas.
É este pecado que Jesus veio aniquilar na cruz conforme Hb. 9:26 - "...mas agora, na consumação dos séculos, uma vez por todas se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo." Novamente a palavra grega para o pecado é [hamartias].
Solo Christus!

O PECADO, OS PECADOS E O PECADOR I

Rm. 5:12 - "Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram."
O corolário da terminologia religiosa traz muitas palavras, termos, jargões, e clichês repetidos e reproduzidos desde o início da fé cristã. Em muitos casos tais discursos ou teses nada têm a ver com a verdade pura do evangelho. São ideias e concepções puramente dogmáticas seja de grupos, pessoas, ou denominações que se dizem cristãs. Por conta desta triste realidade muitas pessoas vivem na completa cegueira espiritual, praticando sua religião puramente humanista. Outros, porém, preferem se distanciar de tudo o que tem associação com o cristianismo histórico. É mesmo desanimador ver a grande distância entre o que as Escrituras ensinam e o que praticam alguns cristãos nominais. Chegou-se a um ponto em que muitas pessoas se sentem envergonhadas por serem identificadas com o cristianismo. Todavia, nem os que se auto-denominam cristãos têm o direito de dizer o que bem entendem sobre a fé cristã, nem os que se envergonham da fé evangélica têm o direito de negá-la por conta dos maus exemplos. No primeiro caso, porque não têm conhecimento espiritual sobre o que é de fato a fé genuína; no segundo caso, porque ninguém é digno por si mesmo, a ponto de envergonhar-se do Cristo e da sua mensagem. O fato de haver erros humanos, não anula a verdade do evangelho, pois ele nada tem a ver com o falseamento da verdade produzido pelo homem decaído.
Há na atualidade um enorme esforço para declarar o homem um ser justo, bondoso, capaz de produzir um mundo melhor, mais equilibrado, mais inclusivo, mais igualitário com base apenas no humanismo. Prevalecem no mundo, os sistemas os quais buscam recompensar os desníveis socioeconômicos com programas ou políticas afirmativas. O malgrado marximo tenta agora se apoderar da dinâmica capitalista, dizendo que o capitalismo pode ser mais justo, sem necessariamente, haver uma revolução sangrenta para implantar o socialismo. É a conquista do poder pelas massas e seus salvadores da raça humana. Isto implica em que o homem está procurando salvar-se a si mesmo com base no que concebe como o que é justo aos seus olhos. Isto elimina a justiça da cruz para aniquilação do pecado, do tratamento dos pecados por Cristo, para redenção plena do pecador. A proposta humanista nada mais é do que tentar produzir o paraíso na Terra sem a participação de Cristo crucificado no processo, porque julgam que o cristianismo falhou em sua proposta original e que ele não passou de uma fantasia de pessoas ignorantes. Neste sentido o Diabo está tendo grandes avanços e enorme sucesso com os seus filhos, pois o objetivo dele é exatamente o de exaltar o homem com a natureza pecaminosa interiorizada. Contrariamente, a proposta de Cristo é a de humilhar o homem portador da natureza pecaminosa, para salvá-lo de si mesmo e depois reconstruir um mundo perfeito, justo e igualitário habitado por novas criaturas à imagem e à semelhança de Deus.
Este processo de melhorar o homem com o pecado interiorizado, dando-lhe poderes, prazeres, progressos, conhecimento intelectual e científico é patrocinado pelo Diabo. Ele quer produzir um reino para si com os homens fieis e obedientes a ele por causa da natureza por ele mesmo inoculada neles conforme Gn. 3:4 e 5 - "Disse a serpente à mulher: Certamente não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que comerdes desse fruto, vossos olhos se abrirão, e sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal." A serpente do Éden era um animal admirável e andava sobre duas patas, também era um ser alado e reluzente. Ela foi incorporada por Satanás para que ele pudesse se expressar audível e visivelmente à mulher e pudesse dialogar com ela. Satanás contradisse a palavra de Deus que afirmava que se o homem comesse daquele fruto morreria. Ele usa de uma negação para induzir no homem a ideia de que estava sendo passado para trás por Deus. Nisto gerou-se a incredulidade na palavra de Deus, mas gerou a fé na palavra do Diabo. Este foi então o pecado que fez o homem cair, morrer ou ser desligado de Deus. Satanás mostrou falsamente ao homem a possibilidade de ser como um deus, porque as palavras hebraicas são [yEvèdOy £yihÈl'EÐk], ou seja, [sereis como deuses], tendo pleno conhecimento do bem e do mal e com a capacidade de estabelecer juízos. É este princípio que rege o homem até hoje, conforme o texto que abre este artigo.
Sola Scriptura!

março 13, 2011

FÉ E OBRAS: OPOSIÇÃO OU COMPLEMENTO V?

Tg. 2:25 e 26 - "E de igual modo não foi a meretriz Raabe também justificada pelas obras, quando acolheu os espias, e os fez sair por outro caminho? Porque, assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem obras é morta."
No texto o apóstolo Tiago está trabalhando com um outro exemplo acerca de fé e obras. Ele lança mão de um episódio doVelho Testamento cuja personagem central é uma prostituta chamada Raabe. É bom lembrar que, para os padrões do povo hebreu e da lei mosaica, Raabe não era uma mulher honrada, porque não era hebréia, era prostituta e, finalmente, não seguia a lei de Moisés. Isto precisa ser dito, não para denegrir a sua memória, mas para mostrar que, com base em boas obras, ela não serviria como modelo para quase nada. Também é bom lembrar que esta mesma meretriz, Raabe, faz parte da genealogia de Jesus conforme Mt. 1:5.
Ainda de Raabe se diz o seguinte em Hb. 11:31 - "
Pela fé Raabe, a meretriz, não pereceu com os desobedientes, tendo acolhido em paz os espias.
" Vê-se que a obra de Raabe foi, primeiramente, pela fé e não por justiça própria ou mérito. Tiago diz que a obra de Raabe a justificou, mas que obra operou ela? Na verdade, a sua maior obra foi a mentira, pois sendo ela nativa daquela terra espionada pelos hebreus, os acolheu, protegeu e mentiu para as autoridades de Jericó. Logo, o que Tiago está dizendo é que, ao deixar aqueles dois espias fugirem, porque acreditava que Deus estava com o povo de Israel, isto lhe foi imputado para justiça. Raabe simplesmente creu no que foi dito sobre as obras grandiosas de Deus para com o povo hebreu conforme Js. 2: 9 a 13 - "... e disse-lhes: bem sei que o Senhor vos deu esta terra, e que o pavor de vós caiu sobre nós, e que todos os moradores da terra se derretem diante de vós. Porque temos ouvido que o Senhor secou as águas do Mar Vermelho diante de vós, quando saístes do Egito, e também o que fizestes aos dois reis dos amorreus, Sion e Ogue, que estavam além de Jordão, os quais destruístes totalmente. Quando ouvimos isso, derreteram-se os nossos corações, e em ninguém mais há ânimo algum, por causa da vossa presença; porque o Senhor vosso Deus é Deus em cima no céu e embaixo na terra. Agora pois, peço-vos, jurai-me pelo Senhor que, como usei de bondade para convosco, vós também usareis de bondade para com a casa de meu pai; e dai-me um sinal seguro de que conservareis em vida meu pai e minha mãe, como também meus irmãos e minhas irmãs, com todos os que lhes pertencem, e de que livrareis da morte as nossas vidas."
A obra de Raabe foi colocar a sua vida e o seu futuro em jogo ao se por contra os interesses do seu próprio povo, protegendo o invasor. Entretanto, isto ocorreu porque ela simplesmente creu no que ouviu sobre Deus ter dado a terra de Canaã aos hebreus. Ela não duvidou disto e, portanto, esta atitude é decorrente de fé e não de obras. A obra de Raabe foi apenas a expressão da sua fé e não o contrário como presumem os religiosos, especialmente, os arminianos. Muitos teólogos e interpretes das Escrituras fazem eixegese dos textos e não exegese. Isto é, colocam palavras inexistentes na boca dos que escreveram os textos. O correto é extrair do texto o que o profeta ou escritor disse inspirado por Deus, e não acrescentar o que não há no texto. Raabe agiu primeiramente por fé, porque os muros de Jericó eram altos e os portões fortificados com ferrolhos, logo, como ela pode crer que um povo errante pelo deserto poderia conquistar aquela cidade fortificada? Ora, sabe-se que a fé é dom de Deus e não de obras humanas conforme Ef. 2: 8 e 9 - "Porque pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie."
Sola Fidei!

março 08, 2011

FÉ E OBRAS: OPOSIÇÃO OU COMPLEMENTO IV?

Tg. 2:21 a 24 - "Porventura não foi pelas obras que nosso pai Abraão foi justificado quando ofereceu sobre o altar seu filho Isaque? Vês que a fé cooperou com as suas obras, e que pelas obras a fé foi aperfeiçoada. E se cumpriu a escritura que diz: e creu Abraão em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça, e foi chamado amigo de Deus. Vedes então que é pelas obras que o homem é justificado, e não somente pela fé."
A leitura das Escrituras não depende apenas da capacidade intelectual ou do domínio das línguas originais, hebraico e grego. Tais aspectos são importantes para um mero assentimento lógico e racional, mas não produz os efeitos espirituais necessários. O bom entendimento é fundamental, porém se não for unido à fé, que é dom de Deus, de nada adianta conforme Hb. 4:2 - "
Porque também a nós foram pregadas as boas novas, assim como a eles; mas a palavra da pregação nada lhes aproveitou, porquanto não chegou a ser unida com a fé, naqueles que a ouviram." Então vê-se que a pregação do evangelho pode até ser coerente e correta, mas se não for eficiente e eficaz pela ação da fé, não produz salvação.
Ao ler as primeiras sentenças declarativas do texto que abre este artigo, tem-se a impressão de que Tiago está afirmando que a salvação depende das obras. Ele utiliza o exemplo de Abraão como forma de expressar sua prédica. Todavia, os versículos mostram o que de fato é a justificação pela fé, não se tratando de uma postulação com base nas obras, mas com base na fé. Em Galatas 3 e Romanos 4 Paulo menciona o caso de Abraão. Porém, o apóstolo afirma que o homem é justificado pela fé, não por obras. Tiago faz referência a Gn. 22, enquanto Paulo faz referência a Gn. 15. No texto referência de Paulo, Deus prometeu a Abraão que lhe daria um filho por meio do qual se constituiria uma grande nação, e, por ela viria o Salvador do mundo. Abraão creu apenas nessa palavra inicialmente, e ainda quando, o mesmo Deus exigiu o sacrifício do filho da promessa, Isaque ele continuou crendo. Por isso, não foi a obra de Abraão que o justificou, mas a fé que Deus lho concedeu. Abraão possuía todos os motivos para não crer na promessa de Deus, pois era muito idoso, não tinha tido filhos antes, sua esposa já havia cessado de menstruar e era também idosa. Entretanto, Abraão creu no que Deus disse! Então o ato de oferecer o filho da promessa em holocausto foi uma obra resultante da fé e não da falta dela. Abraão creu que o mesmo Deus que lhe dera um filho, o poderia restituir mesmo tendo sido sacrificado. Em Gn. 15 a justificação de Abraão estava relacionada a seu filho, o que se tornara um tipo da justificação do pecador no Filho Unigênito de Deus, a saber, Cristo. De igual modo em Gn. 22, a justificação de Deus para Abraão estava relacionada a seu filho. Em Gn. 15 Abraão não tinha filho, mas creu no poder da palavra de Deus.
Rm. 4:17 - "... como está escrito: por pai de muitas nações te constituí perante aquele no qual creu, a saber, Deus, que vivifica os mortos, e chama as coisas que não são, como se já fossem." Então este texto confirma o nível de fé que teve Abraão ao realizar a obra, logo o que o justificou foi a fé e não as obras. Abraão creu que, mesmo Isaque morrendo, Deus o ressuscitaria dos mortos. E antes ele creu apenas na promessa de um filho, ou seja, creu no invisível. Isso é fé dada por Deus!
Não há nenhuma contradição entre Tiago e Paulo, ao contrário, se complementam no sentido de confirmar que a justificação do pecador é pela fé e não por obras. Ao arminiano ou ao homem apenas religioso, poder-se-ia confirmar que Paulo fala da justificação pela fé e Tiago da justificação pelas obras. Entretanto, Tiago não afirma em instância alguma que o pecador não é justificado pela fé. Ele confirma que as obras vivas são o resultado da vida justificada pela fé.Tiago mostra que a oferta de Isaque foi uma obra de Abraão, e que tal obra mostrou visivelmente a fé de dele na promessa de Deus. Paulo enfatiza a justificação, enquanto Tiago enfatiza o modo operacional da fé pelas obras de Cristo no nascido do alto. Logo, não se pode dizer o que o texto bíblico não diz só para satisfazer a base de crença própria ou de alguém. Isso é desonesto e diabólico.
Sola Scriptura!

março 01, 2011

FÉ E OBRAS: OPOSIÇÃO OU COMPLEMENTO III?

Tg. 2: 15 a 18 - "Se um irmão ou uma irmã estiverem nus e tiverem falta de mantimento cotidiano, e algum de vós lhes disser: ide em paz, aquentai-vos e fartai-vos; e não lhes derdes as coisas necessárias para o corpo, que proveito há nisso? Assim também a fé, se não tiver obras, é morta em si mesma. Mas dirá alguém: tu tens fé, e eu tenho obras; mostra-me a tua fé sem as obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras."
Há somente duas formas de se relacionar com Deus: a primeira é a relação morta ou decaída; a segunda é a relação vivificada ou regenerada. No primeiro caso, o homem está separado de Deus, por conta da sua natureza pecaminosa. Isto foi devidamente avisado ao ancestral comum, Adão, quando Deus disse: "...porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás." A expressão hebraica traduzida por "certamente morrerás", entretanto, é no texto original "morrer, morrendo" [tûmAGt tôm]. Isto determina diversas consequências, dentre elas, a separação entre a criatura e o Criador, como também o processo de degenerescência até a morte física. Em princípio tal expressão não se refere apenas à morte biológica, mas também à morte para Deus. A palavra morte em qualquer idioma traz significação de separação ou desligamento. No segundo caso, o homem é regenerado da sua morte espiritual e recebe a garantia de uma restauração plena, a saber, corpo, alma e espírito, na ressurreição final. Neste caso ele será novamente recomposto ao estado original de Adão, quando então possuía plena ligação com o Criador.
Assim, para o homem que está morto para Deus, ainda que o busque como um religioso, a sua adoração é morta, bem como as suas obras são mortas para Ele. Podem até ser obras interessantes sociologicamente, mas não podem salvá-lo, pois estão comprometidas pela sua natureza decaída e morta. Contrariamente o homem regenerado, ou nascido do alto, adora de modo ressurrecto e vivo, porque foi vivificado na ressurreição juntamente com Cristo conforme Cl. 3:1 - "Se, pois, fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentando à destra de Deus." Igualmente as obras desse homem são vivas e não mortas, porque elas foram preparadas por Deus de antemão para que os seus eleitos andem nelas. Porém, isto não o torna perfeito e imune aos dilemas da existência neste mundo.
Então, Tiago está tratando da natureza das obras mortas expressas por uma fé igualmente morta. Ele está se referindo àquelas pessoas que afirmam ter fé em Deus, e não a fé de Deus. Estas pessoas creem que ao despedir o faminto e o nú em paz proferindo fé para eles, de alguma maneira, os tais serão agraciados no que necessitam. Está é uma fé morta, pois não produz os efeitos desejados ou necessários. Não é a fé de Deus, porque esta se expressou na ação concreta d'Ele enviando o Seu Filho para concretamente morrer na cruz real, justificando os pecadores eleitos. Ele viu que o homem decaído estava nú espiritualmente, faminto de justiça, cego da verdade, e pobre de vida. Assim, Cristo veio para tornar os pecadores fartos de justiça e vestidos de vestes brancas. A fé morta lida com as possibilidades do homem, mas a fé viva lida com as concretudes e o poder real de Deus.
Tiago está desafiando este homem que afirma ter fé, mas os seus atos não são da fé viva, mas de uma categoria de fé morta. Ele não está doutrinando sobre ter ou não ter fé, mas de uma natureza de fé apenas por palavras. Também não está falando de obras para quem tem a fé viva, mas das obras mortas dos que dizem ter fé. No texto de Tiago 2, trata-se das obras dos que se dizem cristãos, e não das obras de cristãos. Ele diz: ..."se alguém diz..." e não "... se algum cristão diz..." No verso 14 ele reitera: "pode acaso semelhante fé salvá-lo?" O que se pode deduzir da expressão "... semelhante fé..."? Quer dizer que se tal fé não pode salvá-lo, ela poderá o que então? Logo, fica evidente que Tiago não está falando de fé viva, a saber, fé como dom de Deus aos nascidos do alto. Ora, se a fé que se busca não pode salvar o pecador, não é necessário pregar o evangelho, pois a fé vem pelo ouvir, e o ouvir da palavra de Deus. Afirmar que se tem fé em Deus não é o mesmo que ter a fé de Deus. Até porque, é a fé que possui o pecador para regenerá-lo, e não o pecador que possui fé para salvar-se.
Sola Scriptura!

fevereiro 22, 2011

FÉ E OBRAS: OPOSIÇÃO OU COMPLEMENTO II?

Tg. 1: 22 a 27 - "E sede cumpridores da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos. Pois se alguém é ouvinte da palavra e não cumpridor, é semelhante a um homem que contempla no espelho o seu rosto natural; porque se contempla a si mesmo e vai-se, e logo se esquece de como era. Entretanto aquele que atenta bem para a lei perfeita, a da liberdade, e nela persevera, não sendo ouvinte esquecido, mas executor da obra, este será bem-aventurado no que fizer. Se alguém cuida ser religioso e não refreia a sua língua, mas engana o seu coração, a sua religião é vã. A religião pura e imaculada diante de nosso Deus e Pai é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas aflições e guardar-se isento da corrupção do mundo."
Nos últimos versos do capítulo da carta doutrinária de Tiago ele está tratando da relação entre o que a pessoa afirma crer e o que ela de fato faz. É uma confrontação entre a fé que alguém afirma possuir e os atos de sua vida. Ele está tratando de religião, pois mostra que alguns devem cumprir a Palavra de Deus e não apenas ouvi-la. Saber acerca das Escrituras, de Teologia, Religião, ou mesmo acerca de Deus, Cristo e o Espírito Santo, não promove ninguém ao patamar de elevada espiritualidade. Trata-se, portanto, de uma forma de enganar-se a si mesmo. É um culto do homem ao próprio homem, por isso é uma religião humana, porque supostamente pretende fazer uma religação deste ao Criador, mas são só impressões, assentimentos e imagens dos próprios atos.
Na sequência, Tiago dá alguns exemplos práticos das características dos que estão de fato religados ao Criador: refreiam a língua, atenta bem para a lei da liberdade e persevera nela, não esquece do que ouve de Deus, executa as obras d'Ele.
Tiago também demonstra o que é a religião vazia e a religião oriunda na ação monérgica de Deus, porque é praticada na presença de Deus. Ninguém tem inclinação natural para visitar órfãos, viúvas, e guardar-se da corrupção do mundo por conta própria. É Deus quem opera no eleito e regenerado, tanto o querer, como o efetuar segundo a Sua boa vontade. Nele nos movemos, existimos e respiramos por meio do Justificador, Jesus Cristo. Uma coisa é tentar religar-se a Deus, outra é ter sido religados a Ele.
Então, antes de tratar da questão da fé e das obras, Tiago trata de religião e comportamentos humanos, atitudes e atos humanitários e não de justificação e fé. Ele menciona no capítulo 2 a justificação exemplificada em Abraão e Raabe, mas como consequência da fé que Deus moveu estas criaturas, e não como causa dela.
No verso 14 do capítulo 2: "meus irmãos, qual é proveito, se alguém disser que tem fé, mas não tiver obras?". Tiago não afirmou que tal pessoa tem fé, mas diz que este alguém afirma ter fé. Entretanto, os atos reais desta referida pessoa não condiz com a fé que afirma ter. É uma pergunta retórica e não uma sentença afirmativa. Tiago também não afirma que o referido "alguém" é crente ou não! Apenas diz que o tal afirma ter fé. Na verdade ninguém possui fé, ao contrário, a fé é que possui alguns. Fé não é uma virtude natural do homem, é antes, um dom de Deus. Além do que, os que ganharam fé, igualmente recebem o seguinte ensino em Rm. 14:22 - "A fé que tens, guarda-a contigo mesmo diante de Deus."
Tiago não afirma igualmente que aquele que diz ter fé é justificado, porque ninguém é justificado somente por fazer tal afirmação. A justificação é uma ação monérgica e não sinérgica como a maioria dos religiosos presume. O fato é que muitos homens, tendo ou não a fé se gabam, são orgulhosos de si mesmos, porque não cometem determinados atos errôneoas, são soberbos e amam o ser glorificados pelos outros homens. O apóstolo Tiago não está tratando de fé espiritual, nem de obras perfeitas realizadas em Deus conforme Ef. 2:10 - "Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus antes preparou para que andássemos nelas." Verifique que as "boas obras" foram preparadas por Deus antes mesmo do homem, logo, boas obras são de Deus e não dos homens. Os homens andam nelas e elas andam nos homens eleitos e regenerados pela graça. Tiago está tratando das obras dos homens e não das obras preparadas por Deus de antemão para que os seus andem nelas.
Sola Scriptura!

FÉ E OBRAS: OPOSIÇÃO OU COMPLEMENTO I?

Tg. 2:14 a 25 - "Que proveito há, meus irmãos se alguém disser que tem fé e não tiver obras? Porventura essa fé pode salvá-lo? Se um irmão ou uma irmã estiverem nus e tiverem falta de mantimento cotidiano, e algum de vós lhes disser: ide em paz, aquentai-vos e fartai-vos; e não lhes derdes as coisas necessárias para o corpo, que proveito há nisso? Assim também a fé, se não tiver obras, é morta em si mesma. Mas dirá alguém: tu tens fé, e eu tenho obras; mostra-me a tua fé sem as obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras. Crês tu que Deus é um só? Fazes bem; os demônios também o crêem, e estremecem. Mas queres saber, ó homem insensato, que a fé sem as obras é inútil? Porventura não foi pelas obras que nosso pai Abraão foi justificado quando ofereceu sobre o altar seu filho Isaque? Vês que a fé cooperou com as suas obras, e que pelas obras a fé foi aperfeiçoada. E se cumpriu a escritura que diz: e creu Abraão em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça, e foi chamado amigo de Deus. Vedes então que é pelas obras que o homem é justificado, e não somente pela fé. E de igual modo não foi a meretriz Raabe também justificada pelas obras, quando acolheu os espias, e os fez sair por outro caminho?"
O homem é um ser religioso por natureza, porque está sempre, direta ou indiretamente, procurando se ligar ou religar-se a alguma ordem de força sobrenatural. Entretanto, o processo de religação originário no homem jamais poderá religá-lo à verdade, porque todos estão mortos espiritualmente por conta da natureza pecaminosa decaída. Primeiramente se faz necessário que o Eterno vivifique o pecador, para soe então, ele receberá a vida 'zoê'. Para receber a verdadeira vida, necessário é que se perca a vida almática ou 'psiquê'.
Todas as vezes que alguém se levanta e prega que a salvação é pela graça mediante a fé, logo surgem os interpeladores dizendo: mas a epístola de Tiago afirma que a fé sem as obras é morta. Estas pessoas julgam que Paulo diz uma coisa e Tiago diz outra, porque em Romanos o assunto central é a justificação pela fé, enquanto em Gálatas se afirma que a justificação não é pelas obras. Ora, não há a menor contradição, pois o tema é o mesmo: a justificação do pecador. Porém, em Romanos Paulo diz que é pela fé e em Gálatas ele diz que não é pelas obras. Acontece que todas as epístolas foram escritas com um assunto central, e, Paulo escreveu estas duas cartas doutrinárias com a finalidade de falar sobre como o pecador é justificado. Logo, as duas cartas se complementam e não se conflituam, pois o assunto é a justificação e não a fé e as obras.
Tiago escreveu a sua carta doutrinária com um assunto em pauta, a saber, misericórdia aos que sofrem. Ele está enfocando a questão da ajuda humanitária e não a questão da justificação. Na hermenêutica há um princípio que ensina o seguinte: se há pontos aparentemente divergentes em um determinado assunto, verifica-se qual é o ponto mais frequente e toma-o como o mais significativo. Assim, o assunto frequente em Tiago 2 é a misericórdia pelos outros como expressão visível da fé que é invisível. Tiago está dizendo que a fé produz misericórida e que as obras expressam isto materialmente. Ele não está doutrinando, em nenhum momento, que a justificação é garantida ou obtida pelas obras, mas sim que as obras acompanham a fé.
No verso 6 do capítulo 2 da carta de Tiago diz: "entretanto, vós outros menosprezais o pobre. Não são os ricos que vos oprimem, e não são eles que vos arrastam aos tribunais? Não são eles os que blasfemam o bom nome que sobre vós foi invocado? Se vós, contudo, observais a lei régia segundo a Escritura: amarás o teu próximo como a ti mesmo, fazeis bem; se todavia, fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado, sendo arguidos pela lei como transgressores. Pois qualquer que guarda toda a lei, mas tropeça em um só ponto, se torna culpado de todos..." No mesmo verso Tiago diz: "porque o juízo é sem misericórdia para com aquele que não usou de misericórdia.A misericórdia triunfa sobre o juízo."
Assim, em Tiago o assunto central é a misericórdia e não a justificação. Ele fala sobre Abraão e Raabe como quem houvera sido justificados pelas obras. Entretanto, ao atentar-se para as obras dessas duas personagens bíblicas verifica-se claramente que não são obras justificadoras do pecado, mas que justificam a fé que haviam recebido naquelas circunstâncias dentro do supremo propósito do Eterno.
Sola Scriptura!

fevereiro 13, 2011

DURA COISA É SER ABALIZADO PELO PRUMO DO ETERNO


Am. 7: 1 a 17 - "O Senhor Deus assim me fez ver: e eis que ele formava gafanhotos no princípio do rebentar da erva serôdia, e eis que era a erva serôdia depois da segada do rei. E quando eles tinham comido completamente a erva da terra, eu disse: Senhor Deus, perdoa, peço-te; como subsistirá Jacó? Pois ele é pequeno. Então o Senhor se arrependeu disso. Não acontecerá, disse o Senhor. Assim me mostrou o Senhor Deus: eis que o Senhor Deus ordenava que por meio do fogo se decidisse o pleito; o fogo, pois, consumiu o grande abismo, e também queria consumir a terra. Então eu disse: Senhor Deus, cessa agora; como subsistirá Jacó? Pois ele é pequeno. Também disso se arrependeu o Senhor. Nem isso acontecerá, disse o Senhor Deus. Mostrou-me também assim: eis que o senhor estava junto a um muro levantado a prumo, e tinha um prumo na mão. Perguntou-me o Senhor: que vês tu, Amós? Respondi: um prumo. Então disse o Senhor: eis que eu porei o prumo no meio do meu povo Israel; nunca mais passarei por ele. Mas os altos de Isaque serão assolados, e destruídos os santuários de Israel; e levantar-me-ei com a espada contra a casa de Jeroboão. Então Amazias, o sacerdote de Betel, mandou dizer a Jeroboão, rei de Israel: Amós tem conspirado contra ti no meio da casa de Israel; a terra não poderá suportar todas as suas palavras. Pois assim diz Amós: Jeroboão morrerá à espada, e Israel certamente será levado cativo para fora da sua terra. Depois Amazias disse a Amós: vai-te, ó vidente, foge para a terra de Judá, e ali come o pão, e ali profetiza; mas em Betel daqui por diante não profetizarás mais, porque é o santuário do rei, e é templo do reino. E respondeu Amós, e disse a Amazias: eu não sou profeta, nem filho de profeta, mas boieiro, e cultivador de sicômoros. Mas o Senhor me tirou de após o gado, e o Senhor me disse: vai, profetiza ao meu povo Israel. Agora, pois, ouve a palavra do Senhor: tu dizes: não profetizes contra Israel, nem fales contra a casa de Isaque. Portanto assim diz o Senhor: tua mulher se prostituirá na cidade, e teus filhos e tuas filhas cairão à espada, e a tua terra será repartida a cordel; e tu morrerás numa terra imunda, e Israel certamente será levado cativo para fora da sua terra."
O prumo é um instrumento utilizado pelos construtores para determinar a verticalidade e o ponto de uma parede. É formado de uma peça metálica maciça e pesada presa à extremidade de um fio metálico ou em uma base fixa, servindo para determinar a direção vertical. No sentido figurado, prumo quer dizer prudência, tino, cautela; agudeza, penetração.
Amós era boiadeiro e agricultor de sicômoros, atividades nada em comum com pregação de mensagens espirituais. Porém, em um dado momento, o Eterno o tomou e lhe mostrou o que pretendia fazer a Israel em função da dureza de coração e da idolatria do povo e do rei. O Senhor mostrou primeiramente que destruiria totalmente as plantações e arruinaria a colheita por meio de gafanhotos. Amós, então suplicou perdão pelo povo. Foi atendido! Na segunda visão, o Senhor mostrou que destruiria tudo a fogo. Amós, novamente suplicou em favor do povo, sempre mostrando que a casa de Israel, ou a descendência de Jacó era muito pequena e que dela não sobraria nada se o juízo fosse executado. Deus recuou novamente! Na terceira vez, o Eterno decidiu retirar-se pessoalmente do meio de Israel, mas colocou um prumo no meio do povo para servir de direção e abalizamento da retidão dos seus atos. O muro levantado a prumo, no texto, é uma referência à perfeita retidão da lei do Senhor oferecida ao povo de Israel como base de conduta moral, até que chegasse o tempo da perfeita e última redenção por meio de Cristo. O prumo é a medida ou modelo da retidão exigida para pertencer a família eterna do Senhor. Quem não é achado reto, é extirpado e rejeitado. A retidão é Cristo nos eleitos, a esperança da Glória. Somente quem está em Cristo passa pelo prumo.
O resultado da visão e o anúncio dela por Amós foi uma brutal reação do sacerdote e do próprio rei. O líder religioso de Betel acusou Amós de ser um profeta contrário aos interesses de Israel e um conspirador contra o rei. O sacerdote Amazias sugeriu que Amós fugisse para Judá e que lá vivesse, porque se tornou persona non grata em Betel. Amós foi rejeitado, porque anunciou o que Deus disse. Ao sacerdote, ao rei e ao povo, interessavam manter Betel como centro dos interesses humanos e não divinos. Ao que respondeu Amós: eu não sou profeta, apenas cuido de gado e planto sicômoros, mas o Senhor me tomou e me falou estas coisas. Isto mostra que o Eterno se revela e usa a quem quer, como quer, onde quer e para o que quer. Não é exigi nenhum curso de teologia, nem título de doutor em divindades. Tudo o que existe no universo serve ao Senhor querendo ou não. Amós era homem simples, cuidando de atividades comuns!
Os religiosos de hoje são piores do que os do tempo de Amós, porque não suportam ouvir a sã doutrina e ajuntam para si doutores segundo os seus desejos de ouvir o que lhes agrada; não gostam de ouvir a verdade; maltratam e afugentam os que preferem as Escrituras. Dão muito valor às confabulações entre si acerca de suas próprias verdades humanizadas. Por isto, o Eterno está pondo o Seu prumo no meio das igrejas institucionais e humanas, elas estão se mundanizando para não perder o 'time' da história. O preço é o exílio da verdade escriturísticas. Morrerão em suas doutrinas e declarações de princípios segundo os preceitos de homens e não segundo a soberana vontade do Eterno Senhor. O Senhor Jesus Cristo está do lado de fora destas instituições horizontais, pois elas amam mais as suas doutrinas do que a Ele.
Sola Scriptura!

fevereiro 04, 2011

O FALSEAMENTO DA TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO


Jo. 8: 34 a 36 - "Replicou-lhes Jesus: em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é escravo do pecado. Ora, o escravo não fica para sempre na casa; o filho fica para sempre. Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres."
O mundo não necessita de teologias. O mundo necessita da verdade. A verdade não é uma concepção filosófica, mas uma pessoa, a saber, Cristo. Ele declara isto solenemente em Jo. 14: 6 - "Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim." Na estrutura deste texto, é utilizado o artigo definido, implicando isto na unicidade da declaração de que é Ele, e somente Ele, a verdade. O mundo busca verdades conceptuais e relativizadas. Porém, a verdade é uma pessoa e não uma concepção abstrata e filosófica.
A famigerada "teologia da libertação" não é, nem teologia, porque não tem origem em Deus, e, muito menos da libertação, porque não liberta o homem naquilo que lhe é essencial ser libertado, isto é, do pecado. Ela propõe uma libertação horizontal e não vertical. O que adianta alguém possuir elevado padrão de vida, se estiver espiritualmente morto para Deus, para si mesmo e para a eternidade? Cristo responde a esta indagação com as seguintes palavras: "... o que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro se perder a sua alma, ou o que dará ele em troca da sua alma?"
A malversada "teologia da libertação" tem a sua origem em três teses fundamentais: a) o Evangelho Social das igrejas norte-americanas, trazido ao Brasil pelo missionário e teólogo presbiteriano Richard Shaull; b) a Teologia da Esperança, do teólogo reformado Jürgen Moltmann; c) e a Teologia Política exposta pelo teólogo católico Johan B. Metz, na Europa, e o teólogo batista Harvey Cox, nos Estados Unidos. Vê-se claramente um teor absolutamente humanista e o foco nos interesses do homem e não na pessoa de Cristo. Isto nos remete à afirmação do próprio Cristo em Mc. 8: 33 - "Mas ele, virando-se olhando para seus discípulos, repreendeu a Pedro, dizendo: Para trás de mim, Satanás; porque não cuidas das coisas que são de Deus, mas sim das que são dos homens." Jesus não chamou Pedro de Satanás, mas afirmou que as suas cogitações eram de Satanás, exatamente porque o Diabo tem grande interesse em exaltar o homem para mantê-lo no pecado. Faz o pecador acreditar que é o redentor se si mesmo e que é possível uma sublimação do seu estado de miséria e pobreza por meio de uma vida vitoriosa e repleta de realizações. Acontece que a natureza pecaminosa no homem o leva a crer que esta é uma verdade indefectível. De fato, enquanto o homem cogita ou cuida de seus próprios interesses materiais ou espirituais ele está frontalmente negando o único e Todo-suficiente Salvador, Cristo. Neste sentido, os defensores das teologias humanistas e horizontalizadas discordam veementemente, afirmando que Deus é amor; que Ele não gosta da miséria, do sofrimento, da pobreza e que tais coisas resultam das injustiças e desigualdades entre os homens. Isto também é uma mentira, pois sendo Deus Soberano, é Ele quem decide quem enriquece e quem empobrece, quem é exaltado e quem é humilhado, quem ganha a vida e quem desce à sepultura. É Ele quem retira o mendigo do lixo e o põe nos palácios. É Ele quem estabelece os reis e quem os retira dos seus tronos. Acreditar que as injustiças e desigualdades socioeconômicas estão fora do controle de Deus é também negar a Sua Soberania. É como se Deus fosse apanhado de surpresa pelas atitudes egoístas dos homens e não pudesse fazer nada para mudar a realidade. Acontece que o tempo de Deus não é o tempo do homem; os juízos d'Ele não são os juízos humanos. Este é o maior problema das teologias querer fazer Deus se curvar às cogitações humanas. Humanizam Deus, e deificam o homem portador de uma natureza decaída. Isto sim, é ridículo!
A falida e falsa "teologia da libertação", não é teologia, e não liberta o homem da sua condição decaída. É, antes, uma corrente supostamente teológica que abrange diversas pseudo-teologias, também supostamente cristãs surgidas no "Terceiro Mundo" ou nas periferias pobres do "Primeiro Mundo" a partir dos anos 70 do século passado. Baseadas na chamada "opção preferencial pelos pobres contra a pobreza e pela sua libertação" teve o seu berço inicial na América Latina.
Tais teologias artificializadas partem de uma reflexão acerca da situação de pobreza e de exclusão social à luz da fé cristã. Acusam estas situações de terem a sua origem nas estruturas econômicas e sociais injustas. Esta é claramente uma mera influência das ciências sociais, notadamente da "teoria da dependência" na América Latina, que é de inspiração marxista. Assim, religiosos que cogitam das coisas do homem e não das que de Deus, se curvaram às teses de um ateu para reparar os erros e injutiças. Tudo à revelia da Soberania de Deus.
Entretanto, a alma que não nasceu do alto pela vontade Deus ama estas teologias e deposita nelas toda a sua base de crença religiosa.
A Ele, pois toda honra!!!

janeiro 02, 2011

O FALSEAMENTO DA VERDADE NA TEOLOGIA DA PROSPERIDADE


I Sm. 2: 6 a 9 - "O Senhor é o que tira a vida e a dá; faz descer ao Seol e faz subir dali. O Senhor empobrece e enriquece; abate e também exalta. Levanta do pó o pobre, do monturo eleva o necessitado, para os fazer sentar entre os príncipes, para os fazer herdar um trono de glória; porque do Senhor são as colunas da terra, sobre elas pôs ele o mundo. Ele guardará os pés dos seus santos, porém os ímpios ficarão mudos nas trevas, porque o homem não prevalecerá pela força."
De todas as falácias pseudo-teológicas, a cognominada "teologia da prosperidade" é a mais atraente, porque busca satisfazer os desejos 'do ter' inerente ao homem decaído. A natureza pecaminosa, após a queda, criou, desenvolveu e aperfeiçoou no homem uma imensa necessidade de ter coisas. A substituição da ausência de Deus pela presença do bem-estar artificializado e garantido pela posse de bens, engana a alma no sentido de reproduzir o paraíso perdido. A vida paradisíaca e sem a necessidade de ter, pois tudo lhe pertencia gratuitamente, deixou um imenso vazio na alma humana. Foi a substituição da graça pelo esforço! Entretanto, ao fim de tudo, não se tem nada, nem graça, nem riquezas.
O atual quadrante da história é caracterizado por muito humanismo e pouca humanidade; muita teologia e pouca verdade; muita religião e pouco evangelho. Neste cenário, os religiosos perdidos em suas postulações dogmáticas, constroem e reconstroem os fundamentos de uma teoria própria sobre Deus, a salvação, a vida, a morte, e a ética. Há superficialidade em quase tudo, exceto no tocante à exaltação de si mesmo como senhor do seu próprio destino. Desde a renascença que se insiste na tese de que o homem é a medida de todas as coisas. De modo sutil o cristianismo histórico e nominal foi se adequando às novas determinações, e, quando chamado à encruzilhada para tomar uma posição, prefere aderir aos modernismos. Reformula-se em suas bases doutrinárias, mas mantém os costumes antiquados. Entretanto, a adesão às novas propostas da ciência e da tecnologia levou a abrir mão do evangelho essencial. Isto é feito com a maior sinceridade e afirmando ser em nome da salvação do homem perdido. Nada mais mentiroso e falseado que estas teologias do conchavo e do politicamente correto.
A natimorta teologia da prosperidade é uma teoria humanista que vai de encontro aos mais altos valores da verdade divina, a saber, a soberania e a graça. No afã de se dar bem materialmente, o homem se afirma nesta linha de falseamento teológico, dizendo que os crentes podem e devem exigir progresso e prosperidade, porque, sendo Deus rico e dono de todas as coisas está obrigado a conceder bênçãos aos seus "filhos". Acrescentam ainda que, o progresso material é um sinal de vitória e de comunhão entre a criatura e o Criador. É como se, ao se tornar rico, automaticamente se torna mais próximo de Deus. Isto contraria totalmente o que Cristo afirma em Mt. 19: 23 e 24 - "Disse então Jesus aos seus discípulos: em verdade vos digo que um rico dificilmente entrará no reino dos céus. E outra vez vos digo que é mais fácil um camelo passar pelo fundo duma agulha, do que entrar um rico no reino de Deus." Há ricos no reino dos céus, obviamente que sim, porém são aqueles que a graça de Deus os fez amar mais a Deus que as riquezas.
O texto de abertura mostra com clareza meridiana que é Deus quem decide quem será pobre, e quem será rico, como também quando estas situações são invertidas. É Ele quem concede e quem retira a vida; quem exalta e quem humilha; quem levanta do pó da terra e quem derruba das alturas; quem guarda os pés dos seus eleitos e santificados e quem deixa o ímpio emudecido nas trevas do pecado. E, finalmente, fica evidente que a vontade do homem não prevalece sobre a vontade do Todo-Poderoso.
Ora, primeiramente é necessário acabar com essas posições generalizadas e sem nenhuma base escriturísticas, tais como afirmar que todos são filhos de Deus. O único filho d'Ele é Jesus, o Cristo conforme At. 13:33 - "... a qual Deus nos tem cumprido, a nós, filhos dele, levantando a Jesus, como também está escrito no salmo segundo: tu és meu Filho, hoje te gerei." Paulo está recordando que os regenerados são filhos, porque foram gerados de novo em Cristo que é o Filho Unigênito de Deus. Logo, não é qualquer um que pode reivindicar qualquer vantagem, porque se julga filho de Deus. Na verdade, nem mesmo os filhos podem exigir nada d'Ele, mas tão somente serem gratos por tudo o que foi realizado na cruz. Os eleitos e regenerados são feitos filhos de Deus conforme o registro de Jo. 1:12 e 13 - "Mas, a todos quantos o receberam, aos que creem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus."
Vê-se que a filiação é, primeiramente, pela fé no nome do Filho de Deus, e, secundariamente é recebida e não conquistada pela justiça própria, por merecimentos ou pelo esforço próprio. Aos que recebem pela fé o dom de Deus são feitos ou se tornam filhos d'Ele. Não resultando este processo da ascendência étnica, nem da vontade da alma, nem do ato sexual reprodutivo, mas apenas da vontade de Deus.
Logo, ninguém tem o direito e refundar qualquer teologia para exigir absolutamente nada de Deus.
A Ele, pois, honra, glória, força e poder para sempre!