março 08, 2011

FÉ E OBRAS: OPOSIÇÃO OU COMPLEMENTO IV?

Tg. 2:21 a 24 - "Porventura não foi pelas obras que nosso pai Abraão foi justificado quando ofereceu sobre o altar seu filho Isaque? Vês que a fé cooperou com as suas obras, e que pelas obras a fé foi aperfeiçoada. E se cumpriu a escritura que diz: e creu Abraão em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça, e foi chamado amigo de Deus. Vedes então que é pelas obras que o homem é justificado, e não somente pela fé."
A leitura das Escrituras não depende apenas da capacidade intelectual ou do domínio das línguas originais, hebraico e grego. Tais aspectos são importantes para um mero assentimento lógico e racional, mas não produz os efeitos espirituais necessários. O bom entendimento é fundamental, porém se não for unido à fé, que é dom de Deus, de nada adianta conforme Hb. 4:2 - "
Porque também a nós foram pregadas as boas novas, assim como a eles; mas a palavra da pregação nada lhes aproveitou, porquanto não chegou a ser unida com a fé, naqueles que a ouviram." Então vê-se que a pregação do evangelho pode até ser coerente e correta, mas se não for eficiente e eficaz pela ação da fé, não produz salvação.
Ao ler as primeiras sentenças declarativas do texto que abre este artigo, tem-se a impressão de que Tiago está afirmando que a salvação depende das obras. Ele utiliza o exemplo de Abraão como forma de expressar sua prédica. Todavia, os versículos mostram o que de fato é a justificação pela fé, não se tratando de uma postulação com base nas obras, mas com base na fé. Em Galatas 3 e Romanos 4 Paulo menciona o caso de Abraão. Porém, o apóstolo afirma que o homem é justificado pela fé, não por obras. Tiago faz referência a Gn. 22, enquanto Paulo faz referência a Gn. 15. No texto referência de Paulo, Deus prometeu a Abraão que lhe daria um filho por meio do qual se constituiria uma grande nação, e, por ela viria o Salvador do mundo. Abraão creu apenas nessa palavra inicialmente, e ainda quando, o mesmo Deus exigiu o sacrifício do filho da promessa, Isaque ele continuou crendo. Por isso, não foi a obra de Abraão que o justificou, mas a fé que Deus lho concedeu. Abraão possuía todos os motivos para não crer na promessa de Deus, pois era muito idoso, não tinha tido filhos antes, sua esposa já havia cessado de menstruar e era também idosa. Entretanto, Abraão creu no que Deus disse! Então o ato de oferecer o filho da promessa em holocausto foi uma obra resultante da fé e não da falta dela. Abraão creu que o mesmo Deus que lhe dera um filho, o poderia restituir mesmo tendo sido sacrificado. Em Gn. 15 a justificação de Abraão estava relacionada a seu filho, o que se tornara um tipo da justificação do pecador no Filho Unigênito de Deus, a saber, Cristo. De igual modo em Gn. 22, a justificação de Deus para Abraão estava relacionada a seu filho. Em Gn. 15 Abraão não tinha filho, mas creu no poder da palavra de Deus.
Rm. 4:17 - "... como está escrito: por pai de muitas nações te constituí perante aquele no qual creu, a saber, Deus, que vivifica os mortos, e chama as coisas que não são, como se já fossem." Então este texto confirma o nível de fé que teve Abraão ao realizar a obra, logo o que o justificou foi a fé e não as obras. Abraão creu que, mesmo Isaque morrendo, Deus o ressuscitaria dos mortos. E antes ele creu apenas na promessa de um filho, ou seja, creu no invisível. Isso é fé dada por Deus!
Não há nenhuma contradição entre Tiago e Paulo, ao contrário, se complementam no sentido de confirmar que a justificação do pecador é pela fé e não por obras. Ao arminiano ou ao homem apenas religioso, poder-se-ia confirmar que Paulo fala da justificação pela fé e Tiago da justificação pelas obras. Entretanto, Tiago não afirma em instância alguma que o pecador não é justificado pela fé. Ele confirma que as obras vivas são o resultado da vida justificada pela fé.Tiago mostra que a oferta de Isaque foi uma obra de Abraão, e que tal obra mostrou visivelmente a fé de dele na promessa de Deus. Paulo enfatiza a justificação, enquanto Tiago enfatiza o modo operacional da fé pelas obras de Cristo no nascido do alto. Logo, não se pode dizer o que o texto bíblico não diz só para satisfazer a base de crença própria ou de alguém. Isso é desonesto e diabólico.
Sola Scriptura!

março 01, 2011

FÉ E OBRAS: OPOSIÇÃO OU COMPLEMENTO III?

Tg. 2: 15 a 18 - "Se um irmão ou uma irmã estiverem nus e tiverem falta de mantimento cotidiano, e algum de vós lhes disser: ide em paz, aquentai-vos e fartai-vos; e não lhes derdes as coisas necessárias para o corpo, que proveito há nisso? Assim também a fé, se não tiver obras, é morta em si mesma. Mas dirá alguém: tu tens fé, e eu tenho obras; mostra-me a tua fé sem as obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras."
Há somente duas formas de se relacionar com Deus: a primeira é a relação morta ou decaída; a segunda é a relação vivificada ou regenerada. No primeiro caso, o homem está separado de Deus, por conta da sua natureza pecaminosa. Isto foi devidamente avisado ao ancestral comum, Adão, quando Deus disse: "...porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás." A expressão hebraica traduzida por "certamente morrerás", entretanto, é no texto original "morrer, morrendo" [tûmAGt tôm]. Isto determina diversas consequências, dentre elas, a separação entre a criatura e o Criador, como também o processo de degenerescência até a morte física. Em princípio tal expressão não se refere apenas à morte biológica, mas também à morte para Deus. A palavra morte em qualquer idioma traz significação de separação ou desligamento. No segundo caso, o homem é regenerado da sua morte espiritual e recebe a garantia de uma restauração plena, a saber, corpo, alma e espírito, na ressurreição final. Neste caso ele será novamente recomposto ao estado original de Adão, quando então possuía plena ligação com o Criador.
Assim, para o homem que está morto para Deus, ainda que o busque como um religioso, a sua adoração é morta, bem como as suas obras são mortas para Ele. Podem até ser obras interessantes sociologicamente, mas não podem salvá-lo, pois estão comprometidas pela sua natureza decaída e morta. Contrariamente o homem regenerado, ou nascido do alto, adora de modo ressurrecto e vivo, porque foi vivificado na ressurreição juntamente com Cristo conforme Cl. 3:1 - "Se, pois, fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentando à destra de Deus." Igualmente as obras desse homem são vivas e não mortas, porque elas foram preparadas por Deus de antemão para que os seus eleitos andem nelas. Porém, isto não o torna perfeito e imune aos dilemas da existência neste mundo.
Então, Tiago está tratando da natureza das obras mortas expressas por uma fé igualmente morta. Ele está se referindo àquelas pessoas que afirmam ter fé em Deus, e não a fé de Deus. Estas pessoas creem que ao despedir o faminto e o nú em paz proferindo fé para eles, de alguma maneira, os tais serão agraciados no que necessitam. Está é uma fé morta, pois não produz os efeitos desejados ou necessários. Não é a fé de Deus, porque esta se expressou na ação concreta d'Ele enviando o Seu Filho para concretamente morrer na cruz real, justificando os pecadores eleitos. Ele viu que o homem decaído estava nú espiritualmente, faminto de justiça, cego da verdade, e pobre de vida. Assim, Cristo veio para tornar os pecadores fartos de justiça e vestidos de vestes brancas. A fé morta lida com as possibilidades do homem, mas a fé viva lida com as concretudes e o poder real de Deus.
Tiago está desafiando este homem que afirma ter fé, mas os seus atos não são da fé viva, mas de uma categoria de fé morta. Ele não está doutrinando sobre ter ou não ter fé, mas de uma natureza de fé apenas por palavras. Também não está falando de obras para quem tem a fé viva, mas das obras mortas dos que dizem ter fé. No texto de Tiago 2, trata-se das obras dos que se dizem cristãos, e não das obras de cristãos. Ele diz: ..."se alguém diz..." e não "... se algum cristão diz..." No verso 14 ele reitera: "pode acaso semelhante fé salvá-lo?" O que se pode deduzir da expressão "... semelhante fé..."? Quer dizer que se tal fé não pode salvá-lo, ela poderá o que então? Logo, fica evidente que Tiago não está falando de fé viva, a saber, fé como dom de Deus aos nascidos do alto. Ora, se a fé que se busca não pode salvar o pecador, não é necessário pregar o evangelho, pois a fé vem pelo ouvir, e o ouvir da palavra de Deus. Afirmar que se tem fé em Deus não é o mesmo que ter a fé de Deus. Até porque, é a fé que possui o pecador para regenerá-lo, e não o pecador que possui fé para salvar-se.
Sola Scriptura!

fevereiro 22, 2011

FÉ E OBRAS: OPOSIÇÃO OU COMPLEMENTO II?

Tg. 1: 22 a 27 - "E sede cumpridores da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos. Pois se alguém é ouvinte da palavra e não cumpridor, é semelhante a um homem que contempla no espelho o seu rosto natural; porque se contempla a si mesmo e vai-se, e logo se esquece de como era. Entretanto aquele que atenta bem para a lei perfeita, a da liberdade, e nela persevera, não sendo ouvinte esquecido, mas executor da obra, este será bem-aventurado no que fizer. Se alguém cuida ser religioso e não refreia a sua língua, mas engana o seu coração, a sua religião é vã. A religião pura e imaculada diante de nosso Deus e Pai é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas aflições e guardar-se isento da corrupção do mundo."
Nos últimos versos do capítulo da carta doutrinária de Tiago ele está tratando da relação entre o que a pessoa afirma crer e o que ela de fato faz. É uma confrontação entre a fé que alguém afirma possuir e os atos de sua vida. Ele está tratando de religião, pois mostra que alguns devem cumprir a Palavra de Deus e não apenas ouvi-la. Saber acerca das Escrituras, de Teologia, Religião, ou mesmo acerca de Deus, Cristo e o Espírito Santo, não promove ninguém ao patamar de elevada espiritualidade. Trata-se, portanto, de uma forma de enganar-se a si mesmo. É um culto do homem ao próprio homem, por isso é uma religião humana, porque supostamente pretende fazer uma religação deste ao Criador, mas são só impressões, assentimentos e imagens dos próprios atos.
Na sequência, Tiago dá alguns exemplos práticos das características dos que estão de fato religados ao Criador: refreiam a língua, atenta bem para a lei da liberdade e persevera nela, não esquece do que ouve de Deus, executa as obras d'Ele.
Tiago também demonstra o que é a religião vazia e a religião oriunda na ação monérgica de Deus, porque é praticada na presença de Deus. Ninguém tem inclinação natural para visitar órfãos, viúvas, e guardar-se da corrupção do mundo por conta própria. É Deus quem opera no eleito e regenerado, tanto o querer, como o efetuar segundo a Sua boa vontade. Nele nos movemos, existimos e respiramos por meio do Justificador, Jesus Cristo. Uma coisa é tentar religar-se a Deus, outra é ter sido religados a Ele.
Então, antes de tratar da questão da fé e das obras, Tiago trata de religião e comportamentos humanos, atitudes e atos humanitários e não de justificação e fé. Ele menciona no capítulo 2 a justificação exemplificada em Abraão e Raabe, mas como consequência da fé que Deus moveu estas criaturas, e não como causa dela.
No verso 14 do capítulo 2: "meus irmãos, qual é proveito, se alguém disser que tem fé, mas não tiver obras?". Tiago não afirmou que tal pessoa tem fé, mas diz que este alguém afirma ter fé. Entretanto, os atos reais desta referida pessoa não condiz com a fé que afirma ter. É uma pergunta retórica e não uma sentença afirmativa. Tiago também não afirma que o referido "alguém" é crente ou não! Apenas diz que o tal afirma ter fé. Na verdade ninguém possui fé, ao contrário, a fé é que possui alguns. Fé não é uma virtude natural do homem, é antes, um dom de Deus. Além do que, os que ganharam fé, igualmente recebem o seguinte ensino em Rm. 14:22 - "A fé que tens, guarda-a contigo mesmo diante de Deus."
Tiago não afirma igualmente que aquele que diz ter fé é justificado, porque ninguém é justificado somente por fazer tal afirmação. A justificação é uma ação monérgica e não sinérgica como a maioria dos religiosos presume. O fato é que muitos homens, tendo ou não a fé se gabam, são orgulhosos de si mesmos, porque não cometem determinados atos errôneoas, são soberbos e amam o ser glorificados pelos outros homens. O apóstolo Tiago não está tratando de fé espiritual, nem de obras perfeitas realizadas em Deus conforme Ef. 2:10 - "Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus antes preparou para que andássemos nelas." Verifique que as "boas obras" foram preparadas por Deus antes mesmo do homem, logo, boas obras são de Deus e não dos homens. Os homens andam nelas e elas andam nos homens eleitos e regenerados pela graça. Tiago está tratando das obras dos homens e não das obras preparadas por Deus de antemão para que os seus andem nelas.
Sola Scriptura!

FÉ E OBRAS: OPOSIÇÃO OU COMPLEMENTO I?

Tg. 2:14 a 25 - "Que proveito há, meus irmãos se alguém disser que tem fé e não tiver obras? Porventura essa fé pode salvá-lo? Se um irmão ou uma irmã estiverem nus e tiverem falta de mantimento cotidiano, e algum de vós lhes disser: ide em paz, aquentai-vos e fartai-vos; e não lhes derdes as coisas necessárias para o corpo, que proveito há nisso? Assim também a fé, se não tiver obras, é morta em si mesma. Mas dirá alguém: tu tens fé, e eu tenho obras; mostra-me a tua fé sem as obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras. Crês tu que Deus é um só? Fazes bem; os demônios também o crêem, e estremecem. Mas queres saber, ó homem insensato, que a fé sem as obras é inútil? Porventura não foi pelas obras que nosso pai Abraão foi justificado quando ofereceu sobre o altar seu filho Isaque? Vês que a fé cooperou com as suas obras, e que pelas obras a fé foi aperfeiçoada. E se cumpriu a escritura que diz: e creu Abraão em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça, e foi chamado amigo de Deus. Vedes então que é pelas obras que o homem é justificado, e não somente pela fé. E de igual modo não foi a meretriz Raabe também justificada pelas obras, quando acolheu os espias, e os fez sair por outro caminho?"
O homem é um ser religioso por natureza, porque está sempre, direta ou indiretamente, procurando se ligar ou religar-se a alguma ordem de força sobrenatural. Entretanto, o processo de religação originário no homem jamais poderá religá-lo à verdade, porque todos estão mortos espiritualmente por conta da natureza pecaminosa decaída. Primeiramente se faz necessário que o Eterno vivifique o pecador, para soe então, ele receberá a vida 'zoê'. Para receber a verdadeira vida, necessário é que se perca a vida almática ou 'psiquê'.
Todas as vezes que alguém se levanta e prega que a salvação é pela graça mediante a fé, logo surgem os interpeladores dizendo: mas a epístola de Tiago afirma que a fé sem as obras é morta. Estas pessoas julgam que Paulo diz uma coisa e Tiago diz outra, porque em Romanos o assunto central é a justificação pela fé, enquanto em Gálatas se afirma que a justificação não é pelas obras. Ora, não há a menor contradição, pois o tema é o mesmo: a justificação do pecador. Porém, em Romanos Paulo diz que é pela fé e em Gálatas ele diz que não é pelas obras. Acontece que todas as epístolas foram escritas com um assunto central, e, Paulo escreveu estas duas cartas doutrinárias com a finalidade de falar sobre como o pecador é justificado. Logo, as duas cartas se complementam e não se conflituam, pois o assunto é a justificação e não a fé e as obras.
Tiago escreveu a sua carta doutrinária com um assunto em pauta, a saber, misericórdia aos que sofrem. Ele está enfocando a questão da ajuda humanitária e não a questão da justificação. Na hermenêutica há um princípio que ensina o seguinte: se há pontos aparentemente divergentes em um determinado assunto, verifica-se qual é o ponto mais frequente e toma-o como o mais significativo. Assim, o assunto frequente em Tiago 2 é a misericórdia pelos outros como expressão visível da fé que é invisível. Tiago está dizendo que a fé produz misericórida e que as obras expressam isto materialmente. Ele não está doutrinando, em nenhum momento, que a justificação é garantida ou obtida pelas obras, mas sim que as obras acompanham a fé.
No verso 6 do capítulo 2 da carta de Tiago diz: "entretanto, vós outros menosprezais o pobre. Não são os ricos que vos oprimem, e não são eles que vos arrastam aos tribunais? Não são eles os que blasfemam o bom nome que sobre vós foi invocado? Se vós, contudo, observais a lei régia segundo a Escritura: amarás o teu próximo como a ti mesmo, fazeis bem; se todavia, fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado, sendo arguidos pela lei como transgressores. Pois qualquer que guarda toda a lei, mas tropeça em um só ponto, se torna culpado de todos..." No mesmo verso Tiago diz: "porque o juízo é sem misericórdia para com aquele que não usou de misericórdia.A misericórdia triunfa sobre o juízo."
Assim, em Tiago o assunto central é a misericórdia e não a justificação. Ele fala sobre Abraão e Raabe como quem houvera sido justificados pelas obras. Entretanto, ao atentar-se para as obras dessas duas personagens bíblicas verifica-se claramente que não são obras justificadoras do pecado, mas que justificam a fé que haviam recebido naquelas circunstâncias dentro do supremo propósito do Eterno.
Sola Scriptura!

fevereiro 13, 2011

DURA COISA É SER ABALIZADO PELO PRUMO DO ETERNO


Am. 7: 1 a 17 - "O Senhor Deus assim me fez ver: e eis que ele formava gafanhotos no princípio do rebentar da erva serôdia, e eis que era a erva serôdia depois da segada do rei. E quando eles tinham comido completamente a erva da terra, eu disse: Senhor Deus, perdoa, peço-te; como subsistirá Jacó? Pois ele é pequeno. Então o Senhor se arrependeu disso. Não acontecerá, disse o Senhor. Assim me mostrou o Senhor Deus: eis que o Senhor Deus ordenava que por meio do fogo se decidisse o pleito; o fogo, pois, consumiu o grande abismo, e também queria consumir a terra. Então eu disse: Senhor Deus, cessa agora; como subsistirá Jacó? Pois ele é pequeno. Também disso se arrependeu o Senhor. Nem isso acontecerá, disse o Senhor Deus. Mostrou-me também assim: eis que o senhor estava junto a um muro levantado a prumo, e tinha um prumo na mão. Perguntou-me o Senhor: que vês tu, Amós? Respondi: um prumo. Então disse o Senhor: eis que eu porei o prumo no meio do meu povo Israel; nunca mais passarei por ele. Mas os altos de Isaque serão assolados, e destruídos os santuários de Israel; e levantar-me-ei com a espada contra a casa de Jeroboão. Então Amazias, o sacerdote de Betel, mandou dizer a Jeroboão, rei de Israel: Amós tem conspirado contra ti no meio da casa de Israel; a terra não poderá suportar todas as suas palavras. Pois assim diz Amós: Jeroboão morrerá à espada, e Israel certamente será levado cativo para fora da sua terra. Depois Amazias disse a Amós: vai-te, ó vidente, foge para a terra de Judá, e ali come o pão, e ali profetiza; mas em Betel daqui por diante não profetizarás mais, porque é o santuário do rei, e é templo do reino. E respondeu Amós, e disse a Amazias: eu não sou profeta, nem filho de profeta, mas boieiro, e cultivador de sicômoros. Mas o Senhor me tirou de após o gado, e o Senhor me disse: vai, profetiza ao meu povo Israel. Agora, pois, ouve a palavra do Senhor: tu dizes: não profetizes contra Israel, nem fales contra a casa de Isaque. Portanto assim diz o Senhor: tua mulher se prostituirá na cidade, e teus filhos e tuas filhas cairão à espada, e a tua terra será repartida a cordel; e tu morrerás numa terra imunda, e Israel certamente será levado cativo para fora da sua terra."
O prumo é um instrumento utilizado pelos construtores para determinar a verticalidade e o ponto de uma parede. É formado de uma peça metálica maciça e pesada presa à extremidade de um fio metálico ou em uma base fixa, servindo para determinar a direção vertical. No sentido figurado, prumo quer dizer prudência, tino, cautela; agudeza, penetração.
Amós era boiadeiro e agricultor de sicômoros, atividades nada em comum com pregação de mensagens espirituais. Porém, em um dado momento, o Eterno o tomou e lhe mostrou o que pretendia fazer a Israel em função da dureza de coração e da idolatria do povo e do rei. O Senhor mostrou primeiramente que destruiria totalmente as plantações e arruinaria a colheita por meio de gafanhotos. Amós, então suplicou perdão pelo povo. Foi atendido! Na segunda visão, o Senhor mostrou que destruiria tudo a fogo. Amós, novamente suplicou em favor do povo, sempre mostrando que a casa de Israel, ou a descendência de Jacó era muito pequena e que dela não sobraria nada se o juízo fosse executado. Deus recuou novamente! Na terceira vez, o Eterno decidiu retirar-se pessoalmente do meio de Israel, mas colocou um prumo no meio do povo para servir de direção e abalizamento da retidão dos seus atos. O muro levantado a prumo, no texto, é uma referência à perfeita retidão da lei do Senhor oferecida ao povo de Israel como base de conduta moral, até que chegasse o tempo da perfeita e última redenção por meio de Cristo. O prumo é a medida ou modelo da retidão exigida para pertencer a família eterna do Senhor. Quem não é achado reto, é extirpado e rejeitado. A retidão é Cristo nos eleitos, a esperança da Glória. Somente quem está em Cristo passa pelo prumo.
O resultado da visão e o anúncio dela por Amós foi uma brutal reação do sacerdote e do próprio rei. O líder religioso de Betel acusou Amós de ser um profeta contrário aos interesses de Israel e um conspirador contra o rei. O sacerdote Amazias sugeriu que Amós fugisse para Judá e que lá vivesse, porque se tornou persona non grata em Betel. Amós foi rejeitado, porque anunciou o que Deus disse. Ao sacerdote, ao rei e ao povo, interessavam manter Betel como centro dos interesses humanos e não divinos. Ao que respondeu Amós: eu não sou profeta, apenas cuido de gado e planto sicômoros, mas o Senhor me tomou e me falou estas coisas. Isto mostra que o Eterno se revela e usa a quem quer, como quer, onde quer e para o que quer. Não é exigi nenhum curso de teologia, nem título de doutor em divindades. Tudo o que existe no universo serve ao Senhor querendo ou não. Amós era homem simples, cuidando de atividades comuns!
Os religiosos de hoje são piores do que os do tempo de Amós, porque não suportam ouvir a sã doutrina e ajuntam para si doutores segundo os seus desejos de ouvir o que lhes agrada; não gostam de ouvir a verdade; maltratam e afugentam os que preferem as Escrituras. Dão muito valor às confabulações entre si acerca de suas próprias verdades humanizadas. Por isto, o Eterno está pondo o Seu prumo no meio das igrejas institucionais e humanas, elas estão se mundanizando para não perder o 'time' da história. O preço é o exílio da verdade escriturísticas. Morrerão em suas doutrinas e declarações de princípios segundo os preceitos de homens e não segundo a soberana vontade do Eterno Senhor. O Senhor Jesus Cristo está do lado de fora destas instituições horizontais, pois elas amam mais as suas doutrinas do que a Ele.
Sola Scriptura!

fevereiro 04, 2011

O FALSEAMENTO DA TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO


Jo. 8: 34 a 36 - "Replicou-lhes Jesus: em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é escravo do pecado. Ora, o escravo não fica para sempre na casa; o filho fica para sempre. Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres."
O mundo não necessita de teologias. O mundo necessita da verdade. A verdade não é uma concepção filosófica, mas uma pessoa, a saber, Cristo. Ele declara isto solenemente em Jo. 14: 6 - "Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim." Na estrutura deste texto, é utilizado o artigo definido, implicando isto na unicidade da declaração de que é Ele, e somente Ele, a verdade. O mundo busca verdades conceptuais e relativizadas. Porém, a verdade é uma pessoa e não uma concepção abstrata e filosófica.
A famigerada "teologia da libertação" não é, nem teologia, porque não tem origem em Deus, e, muito menos da libertação, porque não liberta o homem naquilo que lhe é essencial ser libertado, isto é, do pecado. Ela propõe uma libertação horizontal e não vertical. O que adianta alguém possuir elevado padrão de vida, se estiver espiritualmente morto para Deus, para si mesmo e para a eternidade? Cristo responde a esta indagação com as seguintes palavras: "... o que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro se perder a sua alma, ou o que dará ele em troca da sua alma?"
A malversada "teologia da libertação" tem a sua origem em três teses fundamentais: a) o Evangelho Social das igrejas norte-americanas, trazido ao Brasil pelo missionário e teólogo presbiteriano Richard Shaull; b) a Teologia da Esperança, do teólogo reformado Jürgen Moltmann; c) e a Teologia Política exposta pelo teólogo católico Johan B. Metz, na Europa, e o teólogo batista Harvey Cox, nos Estados Unidos. Vê-se claramente um teor absolutamente humanista e o foco nos interesses do homem e não na pessoa de Cristo. Isto nos remete à afirmação do próprio Cristo em Mc. 8: 33 - "Mas ele, virando-se olhando para seus discípulos, repreendeu a Pedro, dizendo: Para trás de mim, Satanás; porque não cuidas das coisas que são de Deus, mas sim das que são dos homens." Jesus não chamou Pedro de Satanás, mas afirmou que as suas cogitações eram de Satanás, exatamente porque o Diabo tem grande interesse em exaltar o homem para mantê-lo no pecado. Faz o pecador acreditar que é o redentor se si mesmo e que é possível uma sublimação do seu estado de miséria e pobreza por meio de uma vida vitoriosa e repleta de realizações. Acontece que a natureza pecaminosa no homem o leva a crer que esta é uma verdade indefectível. De fato, enquanto o homem cogita ou cuida de seus próprios interesses materiais ou espirituais ele está frontalmente negando o único e Todo-suficiente Salvador, Cristo. Neste sentido, os defensores das teologias humanistas e horizontalizadas discordam veementemente, afirmando que Deus é amor; que Ele não gosta da miséria, do sofrimento, da pobreza e que tais coisas resultam das injustiças e desigualdades entre os homens. Isto também é uma mentira, pois sendo Deus Soberano, é Ele quem decide quem enriquece e quem empobrece, quem é exaltado e quem é humilhado, quem ganha a vida e quem desce à sepultura. É Ele quem retira o mendigo do lixo e o põe nos palácios. É Ele quem estabelece os reis e quem os retira dos seus tronos. Acreditar que as injustiças e desigualdades socioeconômicas estão fora do controle de Deus é também negar a Sua Soberania. É como se Deus fosse apanhado de surpresa pelas atitudes egoístas dos homens e não pudesse fazer nada para mudar a realidade. Acontece que o tempo de Deus não é o tempo do homem; os juízos d'Ele não são os juízos humanos. Este é o maior problema das teologias querer fazer Deus se curvar às cogitações humanas. Humanizam Deus, e deificam o homem portador de uma natureza decaída. Isto sim, é ridículo!
A falida e falsa "teologia da libertação", não é teologia, e não liberta o homem da sua condição decaída. É, antes, uma corrente supostamente teológica que abrange diversas pseudo-teologias, também supostamente cristãs surgidas no "Terceiro Mundo" ou nas periferias pobres do "Primeiro Mundo" a partir dos anos 70 do século passado. Baseadas na chamada "opção preferencial pelos pobres contra a pobreza e pela sua libertação" teve o seu berço inicial na América Latina.
Tais teologias artificializadas partem de uma reflexão acerca da situação de pobreza e de exclusão social à luz da fé cristã. Acusam estas situações de terem a sua origem nas estruturas econômicas e sociais injustas. Esta é claramente uma mera influência das ciências sociais, notadamente da "teoria da dependência" na América Latina, que é de inspiração marxista. Assim, religiosos que cogitam das coisas do homem e não das que de Deus, se curvaram às teses de um ateu para reparar os erros e injutiças. Tudo à revelia da Soberania de Deus.
Entretanto, a alma que não nasceu do alto pela vontade Deus ama estas teologias e deposita nelas toda a sua base de crença religiosa.
A Ele, pois toda honra!!!

janeiro 02, 2011

O FALSEAMENTO DA VERDADE NA TEOLOGIA DA PROSPERIDADE


I Sm. 2: 6 a 9 - "O Senhor é o que tira a vida e a dá; faz descer ao Seol e faz subir dali. O Senhor empobrece e enriquece; abate e também exalta. Levanta do pó o pobre, do monturo eleva o necessitado, para os fazer sentar entre os príncipes, para os fazer herdar um trono de glória; porque do Senhor são as colunas da terra, sobre elas pôs ele o mundo. Ele guardará os pés dos seus santos, porém os ímpios ficarão mudos nas trevas, porque o homem não prevalecerá pela força."
De todas as falácias pseudo-teológicas, a cognominada "teologia da prosperidade" é a mais atraente, porque busca satisfazer os desejos 'do ter' inerente ao homem decaído. A natureza pecaminosa, após a queda, criou, desenvolveu e aperfeiçoou no homem uma imensa necessidade de ter coisas. A substituição da ausência de Deus pela presença do bem-estar artificializado e garantido pela posse de bens, engana a alma no sentido de reproduzir o paraíso perdido. A vida paradisíaca e sem a necessidade de ter, pois tudo lhe pertencia gratuitamente, deixou um imenso vazio na alma humana. Foi a substituição da graça pelo esforço! Entretanto, ao fim de tudo, não se tem nada, nem graça, nem riquezas.
O atual quadrante da história é caracterizado por muito humanismo e pouca humanidade; muita teologia e pouca verdade; muita religião e pouco evangelho. Neste cenário, os religiosos perdidos em suas postulações dogmáticas, constroem e reconstroem os fundamentos de uma teoria própria sobre Deus, a salvação, a vida, a morte, e a ética. Há superficialidade em quase tudo, exceto no tocante à exaltação de si mesmo como senhor do seu próprio destino. Desde a renascença que se insiste na tese de que o homem é a medida de todas as coisas. De modo sutil o cristianismo histórico e nominal foi se adequando às novas determinações, e, quando chamado à encruzilhada para tomar uma posição, prefere aderir aos modernismos. Reformula-se em suas bases doutrinárias, mas mantém os costumes antiquados. Entretanto, a adesão às novas propostas da ciência e da tecnologia levou a abrir mão do evangelho essencial. Isto é feito com a maior sinceridade e afirmando ser em nome da salvação do homem perdido. Nada mais mentiroso e falseado que estas teologias do conchavo e do politicamente correto.
A natimorta teologia da prosperidade é uma teoria humanista que vai de encontro aos mais altos valores da verdade divina, a saber, a soberania e a graça. No afã de se dar bem materialmente, o homem se afirma nesta linha de falseamento teológico, dizendo que os crentes podem e devem exigir progresso e prosperidade, porque, sendo Deus rico e dono de todas as coisas está obrigado a conceder bênçãos aos seus "filhos". Acrescentam ainda que, o progresso material é um sinal de vitória e de comunhão entre a criatura e o Criador. É como se, ao se tornar rico, automaticamente se torna mais próximo de Deus. Isto contraria totalmente o que Cristo afirma em Mt. 19: 23 e 24 - "Disse então Jesus aos seus discípulos: em verdade vos digo que um rico dificilmente entrará no reino dos céus. E outra vez vos digo que é mais fácil um camelo passar pelo fundo duma agulha, do que entrar um rico no reino de Deus." Há ricos no reino dos céus, obviamente que sim, porém são aqueles que a graça de Deus os fez amar mais a Deus que as riquezas.
O texto de abertura mostra com clareza meridiana que é Deus quem decide quem será pobre, e quem será rico, como também quando estas situações são invertidas. É Ele quem concede e quem retira a vida; quem exalta e quem humilha; quem levanta do pó da terra e quem derruba das alturas; quem guarda os pés dos seus eleitos e santificados e quem deixa o ímpio emudecido nas trevas do pecado. E, finalmente, fica evidente que a vontade do homem não prevalece sobre a vontade do Todo-Poderoso.
Ora, primeiramente é necessário acabar com essas posições generalizadas e sem nenhuma base escriturísticas, tais como afirmar que todos são filhos de Deus. O único filho d'Ele é Jesus, o Cristo conforme At. 13:33 - "... a qual Deus nos tem cumprido, a nós, filhos dele, levantando a Jesus, como também está escrito no salmo segundo: tu és meu Filho, hoje te gerei." Paulo está recordando que os regenerados são filhos, porque foram gerados de novo em Cristo que é o Filho Unigênito de Deus. Logo, não é qualquer um que pode reivindicar qualquer vantagem, porque se julga filho de Deus. Na verdade, nem mesmo os filhos podem exigir nada d'Ele, mas tão somente serem gratos por tudo o que foi realizado na cruz. Os eleitos e regenerados são feitos filhos de Deus conforme o registro de Jo. 1:12 e 13 - "Mas, a todos quantos o receberam, aos que creem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus."
Vê-se que a filiação é, primeiramente, pela fé no nome do Filho de Deus, e, secundariamente é recebida e não conquistada pela justiça própria, por merecimentos ou pelo esforço próprio. Aos que recebem pela fé o dom de Deus são feitos ou se tornam filhos d'Ele. Não resultando este processo da ascendência étnica, nem da vontade da alma, nem do ato sexual reprodutivo, mas apenas da vontade de Deus.
Logo, ninguém tem o direito e refundar qualquer teologia para exigir absolutamente nada de Deus.
A Ele, pois, honra, glória, força e poder para sempre!

dezembro 30, 2010

O FALSEAMENTO DA TEOLOGIA DA DETERMINAÇÃO


Is. 46:10 - "...que anuncio o fim desde o princípio, e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam; que digo: O meu conselho subsistirá, e farei toda a minha vontade..."

Enganam-se e são igualmente enganados os defensores destas teologias esdrúxulas que vão surgindo por meio de movimentos encabeçados por homens de pequena fé. Afirmam alguns destes semipelagianos e arminianos por natureza e por princípio, que Deus está obrigado a cumprir todas as suas promessas, porque a Sua Palavra não pode falhar. Por este mesmo falso fundamento, afirmam ainda que, por vias de consequências, os crentes podem determinar que Deus faça cumprir as Suas promessas. A essa asneira dão o nome de Teologia da Determinação. Assim, homens dissolutos cujas naturezas não foram crucificadas e ressuscitadas com Cristo, saem por aí dando ordens ao Senhor Absoluto e Soberano do Universo.
Tornaram-se loucos e adoram mais a criatura que o Criador que é bendito eternamente consoante o registro de Paulo aos Romanos, em sua epístola do mesmo nome, no capítulo 1. Por esta razão foram e estão sendo entregues às suas paixões infames e desonram-se entre si, inflamando-se em toda sorte de atos pecaminosos decorrentes da natureza pecaminosa residente e permanente neles. É como diz o texto: "... farei toda a minha vontade." Não é Deus que existe pela vontade do homem, mas o homem que existe pela vontade d'Ele. Aliás, Deus sequer existe, Ele é.
O texto de abertura deste artigo apresenta o Deus que não se curva à criatura para receber dela ordens. Ele vê e executa o fim desde o início e o seu conselho subsiste para sempre. Para Ele, as variáveis tempo e espaço não sofrem quaisquer alterações. Portanto, tudo o que Ele prometeu em Sua Palavra, ou se cumpriu, ou está se cumprindo, ou ainda, se cumprirá cabalmente. Independe de qualquer determinação proveniente da criatura, pois todos os fatos futuros já foram preordenados no pretérito. Por isso, Ele, e somente, Ele conhece o fim desde o início. O homem decaído, ainda que religioso, mal conhece o que vive no presente, porque o príncipe deste século cegou-lhe o entendimento conforme o texto de II Co. 4:4 - ".... nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus." Estes pseudo-teólogos buscam luz própria segundo os princípios do gnosticismo e não segundo o evangelho da verdade.
Os religiosos classificam todos os homens que não pertencem aos seus sistemas de crenças como sendo incrédulos. Isto é primeiramente estúpido, e, secundariamente presunçoso, pois Deus mantém a Sua Santa Semente espalhada em terra fértil. Os eleitos e regenerados estão espalhados pelo mundo vivendo da graça e misericórdia de Deus, à margem destes sistemas comprometidos com o modelo controlado pelo 'deus' deste século.
Dn. 4: 16 e 17 - "Seja mudada a sua mente, para que não seja mais a de homem, e lhe seja dada mente de animal; e passem sobre ele sete tempos. Esta sentença é por decreto dos vigias, e por mandado dos santos; a fim de que conheçam os viventes que o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens, e o dá a quem quer, e até o mais humilde dos homens constitui sobre eles." Esta foi a sentença de Deus sobre o rei da Babilônia. Ele se tornou como animal por sete anos, pastando relva, andando de quatro e dormindo ao relento com os animais do campo. Tudo isto foi para tomar o homem mais poderoso da Terra naquele tempo e humilhá-lo a fim de que, não apenas ele, mas todos os homens soubessem que Deus é soberano e absoluto em todo o universo. Portanto, Ele concede as suas promessas a quem lhe aprouver e não a quem lhe ordena ou presume ter qualquer direito e mérito. Não são as práticas morais e religiosas que fazem Deus se curvar ao homem, mas o homem convertido pelo evangelho da verdade é que se curva incontinenti e incondicionalmente diante do trono da graça.
Seja Deus engrandecido e exaltado eternamente!

O FALSEAMENTO DA VERDADE NA TEOLOGIA DO PROCESSO


Gn. 1:1 - "No princípio criou Deus os céus e a terra."

Estas poucas palavras em forma de sentença dão o tom e o diferencial entre verdade e mentira teológica. É uma sentença declarativa peremptória, não deixando espaço para quaisquer tergiversações. É uma afirmação literal e sem possibilidades de interpretação.
No princípio dos tempos, isto é, antes que houvesse qualquer coisa criada, Deus criou os céus e a Terra. Isto implica, por exclusão, que Ele é vida não criada. Desta forma, e por lógica simples, se vê que Deus é anterior a tudo o que foi criado. Então, Ele é vida não criada e todas as demais realidades foram criadas por Ele. A criação dos céus e da Terra não alterou em absolutamente nada a realidade não criada de Deus. Ele subsiste por toda a eternidade, independentemente de todas as coisas existentes e criados por Seu eterno poder. Caso Deus resolvesse dar fim a todas as coisas criadas, ainda assim, ele seria completo, absoluto, Justo e Soberano, bastando-se a si mesmo.
Hb. 11:3 - "Pela fé entendemos que os mundos foram criados pela palavra de Deus; de modo que o visível não foi feito daquilo que se vê." A questão fundamental no entendimento da verdade é a fé, porque é da categoria do intangível. Na esfera da fé, ou se crê, ou não se crê. A fé não permite qualquer experiência empírica, sendo a sua experimentalidade a posteriori. Primeiramente se crê, para, depois ver os efeitos da fé. No senso comum, se dá o oposto, primeiramente se vê para, só então, crer. Então, os mundos criados apenas pela palavra de Deus são a soma de todas as coisas reais e possíveis naquilo que convencionalmente se chama de universo. Todas estas esplendentes realidades foram criadas apenas pela pronúncia da Palavra de Deus. Ele disse: "haja luz, e houve luz." Não defendeu uma tese, utilizando-se da física óptica ou mesmo quântica.
Na famigerada Teologia do Processo, a insanidade religiosa de raízes arminianas, tenta ingloriamente subjugar o próprio Criador à Sua criação, como se este fosse um inconsciente e insensato que depende dos processos desenvolvidos no universo para garantir a Sua continuidade. É a ideia que o universo contém e mantém Deus, e não d'Ele contendo e mantendo o universo por Ele mesmo criado antes de qualquer coisa vir à lume. Como soe acontece aos que lançam suas próprias luzes sobre si mesmos, tais teólogos, estão invertendo a verdade em mentira e seguindo as suas naturezas pecaminosas decaídas à revelia da verdade simples do evangelho. Estão produzindo outro evangelho segundo os homens, supostamente com base nas Escrituras. A vida auto-existente e imutável não pode ser refém da vida criada e mutável.
Ap. 4:11 - "Digno és, Senhor nosso e Deus nosso, de receber a glória e a honra e o poder; porque tu criaste todas as coisas, e por tua vontade existiram e foram criadas." Deus, não somente é o autor e consumador da vida, como também é o mantenedor de tudo o que criou pelo Seu eterno poder. Portanto, apenas Ele é digno de receber toda honra, glória e poder. Ele criou todas as coisas como quis e para o que quis e nada foge ao Seu controle, posto que é soberano. Neste sentido, até mesmo os conceitos de bem e de mal perdem-se no emaranhado das teorias religiosas humanas, porque tudo o que existe e acontece, estão debaixo do soberano controle de Deus. Logo, não é a criação relativizada que determina qualquer coisa ao Criador absoluto, mas Este que planejou e executou tudo, antes mesmo delas existirem conforme Is. 45:7 - "Eu formo a luz, e crio as trevas; eu faço a paz, e crio o mal; eu sou o Senhor, que faço todas estas coisas." Vê-se que o que foi formado foi a luz, quanto as trevas foram criadas; igualmente, o mal foi criado, sendo usado como elemento disciplinador em relação aos pecadores. Este mal não é o mal moral, mas os males naturais que são utilizados para mostrar ao homem que ele não é nada. Todas as coisas foram feitas pela vontade de Deus, e nada Lhe escapa ao controle. A visão maniqueísta de que o bem é de Deus, e o mal é do Diabo provém da mente humana relativizada e escravizada pela religião de segunda mão. No controle de Deus, bem e mal perdem absolutamente o sentido moral atribuído pelo pecador. Tudo nas mãos de Deus é o bem, não importando o que os homens pensem ou façam.
A Teologia do Processo é mais um movimento do 'homus religio' em sua crise existencial e almática pelo falseamento da verdade. Por esta razão, Deus o entrega aos seus próprios caprichos a fim de lhe evidenciar o que é o pecado e a natureza pecaminosa conforme Rm.1:18 - "Pois do céu é revelada a ira de Deus contra toda a impiedade e injustiça dos homens que detêm a verdade em injustiça. Porquanto, o que de Deus se pode conhecer, neles se manifesta, porque Deus lho manifestou. Pois os seus atributos invisíveis, o seu eterno poder e divindade, são claramente vistos desde a criação do mundo, sendo percebidos mediante as coisas criadas, de modo que eles são inescusáveis; porquanto, tendo conhecido a Deus, contudo não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes nas suas especulações se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu. Dizendo-se sábios, tornaram-se estultos, e mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis. Por isso Deus os entregou, nas concupiscências de seus corações, à imundícia, para serem os seus corpos desonrados entre si; pois trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram à criatura antes que ao Criador, que é bendito eternamente."
Seja Deus engrandecido e adorado de eternidade em eternidade!

dezembro 04, 2010

A ORAÇÃO SEGUNDO AS ESCRITURAS X


Lc. 18:1 - "Contou-lhes também uma parábola sobre o dever de orar sempre, e nunca desfalecer."
Orar é um diálogo entre duas pessoas que possuem afinidades e relação de confiança. É um exercício de comunhão, e não uma briga de convencimento e persuasão unilateral, na qual o suplicante lança mão de expedientes mirabolantes para convencer o suplicado a deferir-lhe sentença favorável. Orar não é um desafio, pois o suplicado não é alguém inconsciente ou inconsequente, e que não tem conhecimento de causa. Orar não é uma mera prática retórica pela qual se espera enganar o suplicado a fim de extrair-lhe benefícios. Ele não vê o suplicante e não ouve as suas palavras diretamente, ainda que sejam eloquentes. Ele ouve a intercessão do Espírito Santo e considera a petição meritocrática do "Advogado Divino", Cristo, conforme I Jo. 2:1 - "Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; mas, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo."
Quando George Muller viajava de navio, para uma série de pregações no Canadá, o navio ficou retido pelo nevoeiro a uma certa altura do curso do rio São Laurenço. Então, Muller convidou o capitão a orar, pois tinha data e horário de chegada ao seu destino. Então, o capitão começou a sua súplica como se fora um longo discurso político, visando convencer Deus a retirar a névoa. George Muller, o interrompeu, e tomando da palavra, disse: "Senhor, tu sabes que tenho de estar em tal lugar, tal dia e tal hora para pregar. Agradeço desde já em nome de Jesus, amém!" Quando ambos abriram os olhos o ar atmosférico estava limpo como um cristal. Não houve ali nenhum teatro, mas apenas disse objetivamente que reconhecia o fato de que Deus já sabia da sua necessidade de estar onde deveria estar, no horário em que deveria estar. Isto é orar sem hipocrisia!
O texto de Lucas 18 é iniciado com uma sentença afirmativa acerca do dever ou da necessidade de orar sempre. Não se deve orar apenas quando as circunstâncias são desfavoráveis, ou contrárias. Orar sempre é o mesmo sentido do texto que diz: 'incessantemente orai." A expressão 'orar sempre' equivale dizer que se deve orar por todas as coisas, em todas as ocasiões, e em quaisquer circunstâncias, não importando o julgamento que se possa fazer delas. Comumente o homem ora fervorosamente quando está feliz por achar que Deus lhe concedeu algo em função da sua capacidade de orar, ou de cumprir normas, regras e preceitos. Outras vezes, o homem ora desesperadamente em função de um sofrimento por considerar que Deus lhe é contrário, desfavorável ou adversário, porque deixou de fazer algo. Entretanto, o dever de orar tem a ver com o suplicante e não com o suplicado. É o homem quem necessita de orar para desenvolver a fé, a dependência, a esperança e o entusiasmo. O necessitado e carente é o homem, e não Deus, como parece nas rodas de orações das diferentes religiões humanas.
Na parábola que Jesus contou aos discípulos em Lucas 18, é acrescentado o seguinte: "E não fará Deus justiça aos seus escolhidos, que dia e noite clamam a ele, já que é longânimo para com eles?" A justiça é feita aos eleitos de Deus, não por que são eleitos, mas porque Aquele que a opera é o Justo. É Deus quem é longânimo para com os seus eleitos, sendo este Seu longo ânimo, fruto da Sua justiça e não de quaisquer méritos que alguém julga ter. Aos eleitos de Deus cabe apenas clamar de dia e de noite como consequência das suas fraquezas e da necessidade de orar sempre. Na realidade, se os eleitos vivessem da fé, como ensinam as Escrituras, sequer necessitariam de orar por qualquer coisa.
Há duas razões básicas pelas quais muitos não veem os resultados das suas orações: não reconhecem a oração como diálogo entre a criatura e o Criador; e não buscam Deus como o Pai que ama o filho, ou seja, não O buscam de todo o coração. Isto é ensinado em Jr. 29: 12 e 13 - "Então me invocareis, e ireis e orareis a mim, e eu vos ouvirei. Buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes de todo o vosso coração." Invocar é chamar alguém em quem se deposita toda confiança, orar é falar com alguém em quem se põe toda esperança. Entretanto, os homens não confiam em Deus, porque Ele é invisível. Não o buscam porque não O podem tocar! Alguém por mais crédulo que pareça ser invocará, irá, orará e buscará ao Senhor, quando o seu coração - alma e espírito - estiverem plenamente reconciliado com Deus por meio da sua morte, na morte de Cristo e na consequente ressurreição juntamente com Ele. Tudo isto se apropria pela fé que é, primeiramente, dom de Deus, e depois, invisível aos olhos e imperceptível à carne.
Sola Gratia!
Sola Fide!
Sola Scriptura!
Solo Christus!
Soli Deo Gloria!