outubro 10, 2009

A SÍNDROME DE JÓ IV


Jó 6: 1 a 5 - "Então Jó respondeu, dizendo: oh! se a minha mágoa retamente se pesasse, e a minha miséria juntamente se pusesse numa balança! Porque, na verdade, mais pesada seria, do que a areia dos mares; por isso é que as minhas palavras têm sido precipitadas. Porque as flechas do Todo-Poderoso estão em mim, cujo ardente veneno suga o meu espírito; os terrores de Deus se armam contra mim. Porventura zurrará o jumento montês junto à relva? Ou mugirá o boi junto ao seu pasto?" Neste ponto começam aparecer sinais de desesperança em Jó. Evidentemente que se deve considerar, o imenso sofrimento físico e almático dele. Jó se declara magoado e miserável. Atribui a sua miserabilidade a ação de Deus, embora não a entenda e não a receba. Alega, por metáfora, que se as coisas estivessem boas, não haveria motivos para reclamar.
Esta é de fato a realidade humana: está sempre aberto a receber apenas o bem com gratidão. Entretanto, as Escrituras ensinam que se deve dar graças em tudo conforme I Ts. 5:18 - "Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco." A vontade de Deus é em Cristo Jesus e não com base em pressupostos de justiça própria do homem. Não é muito fácil dar graças na hora da provação e da angústia, entretanto, esta é a exigência de Deus. A questão é principiológica, porque a alma que dá graças em tudo, possui a mente de Cristo. Logo, fica evidente a natureza que domina o homem que vive da fé e da graça.
Nos versos 7 a 9, Jó desejou que Deus o matasse para aliviar a sua dor. Este tem sido o mesmo comportamento do homem, quando está tudo bem, quer viver e tirar proveito da vida, quando está tudo ruim deseja a morte para fugir à realidade. Nos versos 10 a 13, Jó afirma-se como alguém que não tem fé, pois vê apenas o seu fim e não a misericórdia e a graça de Deus. Este tem sido o problema do pecado no homem, não confia em Deus plenamente. Confiança parcial não é confiança! Sabendo que confiança provém de dois vocábulos: com e fiar, ou seja, ter fé. Jó reclama da perda dos seus recursos, mostrando que o homem põe muito a sua confiança no que tem e não no que não pode ver e tocar. O princípio da fé genuína é crer para ver e não ver para crer. Isto tem produzido muita desconfiança em religiosos e viciados em igrejas institucionais. Esperam muito do que não pode oferecer nada.
Jó reclama veementemente dos seus amigos, porque estão tratando-o com dureza. Afirma que não pediu nada para eles e que não via em que havia errado para ser assim tratado. Reivindica um juízo mais exato sobre a sua causa e que espera deles a afirmação da sua justiça conforme verso 29. Afirma que não há iniquidade em suas palavras. Todavia, desconhece que a iniquidade do homem está no seu coração e não nas suas palavras. As palavras apenas refletem aquilo de que o coração está cheio.
Normalmente as pessoas julgam que só é pecado o que o homem fala ou faz. Entretanto, o pecado é a natureza humana contaminada pela natureza adâmica, denominada nas Escrituras de velho homem, ou corpo do pecado. Enquanto isto tudo não é destruído na morte com Cristo continua no homem, por mais ético e comportado que ele seja. Para extirpar o pecado só há um lugar: a cruz.
Jó só conheceu esta verdade após passar por todo o processo de regeneração produzido por Deus conforme fica registrado no último capítulo do livro que leva o seu nome.
Sola Fide!

outubro 06, 2009

A SÍNDROME DE JÓ III


Jó 2: 1 a 7 - "E, vindo outro dia, em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor, veio também Satanás entre eles, apresentar-se perante o Senhor. Então o Senhor disse a Satanás: donde vens? E respondeu Satanás ao Senhor, e disse: de rodear a Terra, e passear por ela. E disse o Senhor a Satanás: observaste o meu servo Jó? Porque ninguém há na Terra semelhante a ele, homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desvia do mal, e que ainda retém a sua sinceridade, havendo-me tu incitado contra ele, para o consumir sem causa. Então Satanás respondeu ao Senhor, e disse: pele por pele, e tudo quanto o homem tem dará pela sua vida. Porém estende a tua mão, e toca-lhe nos ossos, e na carne, e verás se não blasfema contra ti na tua face! E disse o Senhor a Satanás: eis que ele está na tua mão, porém guarda a sua vida. Então saiu Satanás da presença do Senhor, e feriu a Jó de úlceras malignas, desde a planta do pé até ao alto da cabeça."
Na primeira experiência de Jó, Deus permitiu a Satanás que retirasse todos os seus bens, porque o maligno levantou a prosperidade como sendo uma âncora que faz do homem um ser fiel a Deus. Jó perdeu absolutamente tudo o que possuía, como também os seus dez filhos. Até aí Jó não pecou com os lábios contra Deus conforme os versos 20 a 22 do capítulo 1, assim o demonstram: "Então Jó se levantou, e rasgou o seu manto, e rapou a sua cabeça, e se lançou em terra, e adorou. E disse: nu saí do ventre de minha mãe e nu tornarei para lá; o Senhor o deu, e o Senhor o tomou: bendito seja o nome do Senhor. Em tudo isto Jó não pecou, nem atribuiu a Deus falta alguma."
Na segunda experiência foi permitido ao maligno tocar o corpo de Jó e ferir-lhe com chagas, ou úlceras malígnas desde a planta do pé até a raíz do cabelo. Ainda assim, não pecou Jó contra Deus, conforme o relato do capítulo 2, versos 9 a 10 : "E Jó tomou um caco para se raspar com ele; e estava assentado no meio da cinza. Então sua mulher lhe disse: ainda reténs a tua sinceridade? Amaldiçoa a Deus, e morre. Porém ele lhe disse: como fala qualquer doida, falas tu; receberemos o bem de Deus, e não receberíamos o mal? Em tudo isto não pecou Jó com os seus lábios." O pecado que desligou o homem de Deus não foi por palavras ou atos falhos, estes são consequências do pecado que fez o homem perder a comunhão com Ele. Esta é a confusão que as religiões e seitas ditas cristãs fazem na cabeça dos seus seguidores: confundem atos pecaminosos com o pecado.
Há pessoas capazes de suportar intenso sofrimento e muitas provações por algum tempo, porque acreditam em uma teologia da purificação pela dor. Pelo menos por palavras não dizem desatinos ou murmurações, porém há profunda diferença entre pecar por palavras, por atos e no coração com a natureza pecaminosa. Estas atitudes aparentemente resignadas são subproduto de um senso de justiça própria e de bondade desenvolvido pela religião e pela cultura moral em que a pessoa é submetida desde a mais tenra idade. Ela está focada no homem e seus pressupostos e não na centralidade do amor de Deus. Desta forma o homem se submete por algum tempo para comover o coração de Deus a lhe ser favorável, depois utiliza isto como argumento para reivindicar algo de Deus. É diferente ter o temor de Deus e buscar o temor de Deus. No primeiro caso a ação é monérgica, no segundo é sinérgica. Agir dessa forma pode ser uma boa atitude sociológica e antropológica, mas não necessariamente uma boa atitude espiritual. Isto porque só há um que é bom, a saber, Deus. O verdadeiro regenerado não possui a bondade, a bondade de Deus é que o possui.
No capítulo 3, Jó começa perder a sua elegância e paciência. Quando viu que a sua aparente serenidade não superava a crise, amaldiçoou o dia do seu nascimento. Aí que começou a expor o que de fato estava no íntimo da sua natureza adâmica decaída. Começou a falar e conforme o texto sagrado afirma, "na multidão de palavras não falta pecado, mas o que modera os seus lábios é sábio."
Em todo o capítulo três Jó derramou o que estava de fato em seu coração amargurado pela dor e pela perda. Não economizou palavras para expressar a sua indignação contra o que estava passando. Não é assim entre os religiosos e os homens, em geral? Quando está tudo bem, tudo é aceitável, tolerável e maravilhoso. Basta algum desequilíbrio para a velha natureza mostrar a sua real face. A desconfiança de que Deus abandonou o barco e que os seus esforços e dedicação foram em vão levam o homem a revelar a sua real situação pecaminosa. É neste ponto que surge a ira do louco que o destrói e o zelo do tolo que o mata conforme Elifaz, amigo de Jó, ensina no capítulo 4.
Sola Fide!

outubro 05, 2009

A SÍNDROME DE JÓ II


Jó 1: 1 a 5 - "Havia um homem na terra de Uz, cujo nome era Jó; e era este homem íntegro, reto e temente a Deus e desviava-se do mal. E nasceram-lhe sete filhos e três filhas. E o seu gado era de sete mil ovelhas, três mil camelos, quinhentas juntas de bois e quinhentas jumentas; eram também muitíssimos os servos a seu serviço, de maneira que este homem era maior do que todos os do oriente. E iam seus filhos à casa uns dos outros e faziam banquetes cada um por sua vez; e mandavam convidar as suas três irmãs a comerem e beberem com eles. Sucedia, pois, que, decorrido o turno de dias de seus banquetes, enviava Jó, e os santificava, e se levantava de madrugada, e oferecia holocaustos segundo o número de todos eles; porque dizia Jó: talvez pecaram meus filhos, e amaldiçoaram a Deus no seu coração. Assim fazia Jó continuamente."
Jó cujo nome significa, "voltado sempre para Deus", era um semita da terra de Uz, o que hoje corresponde à Arábia Saudita. Há frágeis indícios de que Jó tenha vivido entre os séculos XVII e XVI a. C. Era possuidor de um perfil socialmente aceitável, pois dele se diz que era reto, íntegro, temente e evitava o mal. Tinha dez filhos, milhares de cabeças de gado e muitos empregados estava a seu serviço. Em termos materiais e morais era tido como maior entre todos os homens do Oriente.
Verifica-se pelo texto, que Jó era profundamente religioso, pois antes mesmo de os filhos se reunirem para banquetear e celebrar, se preocupava em sacrificar a Deus preventivamente. Jó entendia que se poderia obter uma sentença favorável, ajuizando uma medida cautelar, no caso de os seus filhos cometerem algum pecado. Queria uma proteção sobrenatural sobre a sua prole, ainda que para tanto, isto lhe custasse sacrifícios de holocaustos noturnos de contínuo. Neste ponto, Jó almejava ser mais justo que o Justo Juiz.
Jó é um tipo, a saber, uma tipificação do homem decaído que supõe poder conduzir Deus à realização da sua vontade. Ainda que politicamente correto, o homem não pode positivar, validar e normatizar a vontade de Deus. Salvo, quando Deus solicita e determina alguma ação humana na Terra, o homem não Lhe pode mover ou demover em nada.
À ação isolada ou coletiva do homem na direção e no sentido de mover e comover Deus dá-se o nome de religião. É uma luta inglória de chegar a Deus por meio de suas próprias expensas. A religião é uma ação sinergística, pois envolve o esforço do homem em suposta cooperação com a ação monergística de Deus. Neste sentido, uma anula a outra, pois se há duas forças atuando em sentidos opostos, uma prevalecerá sobre a outra. Elas são conjuntas apenas na aparência e no desejo do homem. Porém, em sua natureza são opostas, porque Deus é Santo, Justo e Puro, enquanto o homem é pecador, injusto e impuro. É esta condição que o qualifica como decaído e depravado, portanto, carente da graça redentora, não sendo o seu autor e promotor.
O braço de Deus é movido, tão somente quando Ele concede o dom da fé ao homem e o vivifica para crer. Conforme ensinam as Escrituras, tanto a graça, como a fé são dons de Deus, logo o homem não é o autor da ação resultante destes dons.
Na suposição de agradar a Deus em seu coração, o homem pecador cria um maior abismo entre si e o Criador. Isto fica claro em Is. 1:13 - "Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para mim abominação, e as luas novas, e os sábados, e a convocação das assembleias; não posso suportar iniquidade, nem mesmo a reunião solene. As vossas luas novas, e as vossas solenidades, a minha alma as odeia; já me são pesadas; já estou cansado de as sofrer." A questão fundamental é que o homem religioso se preocupa com o continente e não com o conteúdo; se importa com o culto e não como o cultuado; se importa com a forma e não com a essência. A questão posta no texto acima é que toda a solenidade do culto era contaminada pelas iniquidades. Os religiosos buscam objetivos no culto e não objetividade do Deus cultuado. Restando, por isso, apenas adoração sem o adorado!
Soli Deo Gloria!

outubro 04, 2009

A SÍNDROME DE JÓ I


Jó 42: 1 a 6 - "Então respondeu Jó ao Senhor, dizendo: bem sei eu que tudo podes, e que nenhum dos teus propósitos pode ser impedido. Quem é este, que sem conhecimento encobre o conselho? Por isso relatei o que não entendia; coisas que para mim eram inescrutáveis, e que eu não entendia. Escuta-me, pois, e eu falarei; eu te perguntarei, e tu me ensinarás. Com o ouvir dos meus ouvidos ouvi, mas agora te vêem os meus olhos. Por isso me abomino e me arrependo no pó e na cinza."
Uma síndrome, no sentido e na extensão que interessa aqui, se define como um conjunto de características ou de sinais associados a uma condição crítica, suscetíveis de despertar reações de temor e insegurança. Este personagem bíblico, cuja existência real já foi questionada por alguns segmentos teológicos, é um típico caso de síndrome.
Pouco importa se Jó foi um personagem fictício ou real. O que de fato conta é que o relato da sua experiência é um ensino profundo da graça e da soberania de Deus, da realidade do Diabo, e da condição pecaminosa do homem. Jó foi um dos poucos homens elogiados diretamente por Deus. Dele foi declarado que era reto, íntegro, temente e desviava-se do mal. Apesar da referendada declaração de Deus diante dos seus anjos e de Satanás, Jó ainda era portador da síndrome do falar do que não conhecia, como se conhecedor fosse. Deste mesmo mal todos os homens decaídos sofrem.
A questão da síndrome é endêmica na natureza humana. Tal natureza é portadora do pecado, sendo este definido por Cristo em Jo. 16: 9, como sendo a incredulidade. De fato foi por incredulidade que Adão caiu no conto da serpente. Deu crédito à pregação do Diabo, e desprezou a pregação de Deus. Foi seduzido pelo desejo de ser, como Deus, conhecedor do bem e do mal. As Escrituras mostram com profunda clareza que a queda do homem o atingiu totalmente e não parcialmente como pretendem os religiosos pelagianos e arminianos, entre outros deslizes teológicos.
A ordem de Deus em Gn. 2:17 utiliza a expressão hebraica "môth tamuth", isto é, 'morrer morrendo.' Trata na língua semítica de um verbo no infinitivo absoluto. Em português corresponde a uma locução adverbial expressa como: "certamente morrerás." Assim, quando o homem caiu, ele morreu, não imediatamente no aspecto físico, mas para Deus e, consequentemente, foi morrendo fisicamente. Assim, como o pecado de Adão passou a todos os homens, porque ele era, não apenas o primeiro homem, mas o representante de toda a humanidade, todos os seus descendentes morreram para Deus. É aparentemente paradoxal dizer que alguém vivo está morto, mas no sentido bíblico é exatamente isto que acontece. O homem nasce vivo biologicamente, mas morto espiritualmente. A sua natureza está contaminada pelo pecado original e, portanto, morta para Deus. A morte espiritual significa separado ou destituído da natureza de Deus.
A solução para tal morte, isto é, separação entre o homem decaído e Deus é apenas uma: morrer para o pecado, sendo incluído na morte de Cristo e na sua consequente ressurreição. Deus mata a morte do homem, na morte de Cristo e o traz da morte para a maravilhosa vida de Cristo na ressurreição. Isto se dá por fé e não por atos.
Jó era um homem sociologicamente admirável, pois reto, íntegro, temente e procurava evitar o mal. Como a sociedade moderna carece de homens assim! Entretanto, era portador da síndrome do desconhecimento de Deus. Isto foi declarado por ele mesmo no texto que abre este artigo. É admirável como Deus agiu no caso de Jó e o fez ver com os próprios olhos a sua condição miserável espiritualmente e o mesmo foi levado ao verdadeiro arrependimento.
Sola Gratia!

setembro 27, 2009

ESPÍRITOS ENGANADORES E RELIGIÕES ENGANADAS XX


I Jo. 2:18 - "Filhinhos, esta é a última hora; e, conforme ouvistes que vem o anticristo, já muitos anticristos se têm levantado; por onde conhecemos que é a última hora." O substantivo anticristo possui o sentido de tudo o que se opõe a Cristo, aos cristãos e ao Cristianismo. Todavia, também significa aquele ou aquilo que presume tomar o lugar de Cristo. O vocábulo utilizado no texto que abre esta instância, é no grego neotestamentário, 'antichkristós', resultando da junção do prefixo 'anti' que é uma preposição, podendo significar: "face a face, oposto a, em frente de, no lugar de". Acrescido do título "Christós" que significa: Ungido, Escolhido, Enviado. Assim, a expressão 'anticristo' significa "que supõe tomar o lugar de Cristo, em substituição a Cristo, no lugar de Cristo."
Cumpridas as devidas exigências semânticas, passemos às considerações ao texto. O apóstolo João está mostrando que há uma profecia do advento do anticristo, mas que muitos homens já havia se levantado nesta condição, pois em suas heresias pretendiam tomar o lugar de Cristo na primazia do evangelho e da justificação do pecador. O ensino joanino é que estes acontecimentos e comportamentos na Igreja eram indicações de que o tempo do fim havia começado desde o primeiro século da era cristã.
Estes anticristos, os quais têm surgido e insurgido ao longo dos séculos desta última hora são doutrinadores, pregadores, professores de teologia, missionários, líderes religiosos. Os tais pretendem quebrar toda a revelação compendiada nas Escrituras para inserir seus métodos para a salvação do homem decaído. As Escrituras mostram que o homem decaído e absolutamente depravado, não possui capacidade alguma para crer no evangelho e para cumprir a lei moral; que a eleição divina é por graça e não por mérito, sendo, portanto, soberana, irresistível e incondicional. Os pecadores achados pela graça recebem fé para crer e para serem justificados mediante esta fé; que a obra remidora de Cristo teve como alvo a salvação dos eleitos e não de todos os homens; que a obra do Espírito Santo é a de conduzir os pecadores à fé por meio do convencimento da justiça, do juízo e do pecado; e que os eleitos regenerados são guardados nesta fé recebida e na graça pelo poder de Deus até que cheguem a glória eterna.
Desta forma uma das primeiras manifestações dos anticristos protótipos do anticristo final é a da negação destas verdades. Eles não conseguem alcançá-las por conta própria, porque as tais resultam da misericórdia e da graça livre de Deus, por isso, se rebelam contra elas criando uma religião paralela e de segunda mão.
Rm. 9:16 - "Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus que usa de misericórdia." Então, a salvação não depende do querer do homem, nem tão pouco do esforço humano, mas de Deus que usa de misericórdia. Isto é considerado pelos espíritos enganados pelos espíritos enganadores como uma humilhação e uma injustiça de Deus. O espírito do engano religioso age sempre desta forma: se não podem crer, então não é verdadeiro.
Pelágio foi um desses, que, não podendo compreender a real existência da natureza pecaminosa, anterior e determinante dos atos pecaminosos, preferiu negar que houvesse o pecado original. Depois dele, tantos outros assim também procederam em suas crenças em arrepio às Escrituras. Dentre eles, um merece destaque pela importância a que a ele foi atribuída como grande virtuose, grande avivalista e grande pregador. Trata-se de Charles G. Finney. As Escrituras afirmam que o pecado original de Adão passou a todos os seus descendentes, porque ele era não apenas o pai ancestral, mas também o representante da raça humana. Por isso, no texto original hebraico ele é chamado de "cabeça federal de raça". Estava Adão em uma relação de pacto com Deus e com os seus descendentes. Como Adão pecou, transmitiu por culpa legal as consequências do pecado a todos os seus representados. Por isso, Deus encerrou tudo e todos debaixo do pecado para usar de misericórdia para com todos conforme Gl. 3:22 - "Mas a Escritura encerrou tudo debaixo do pecado, para que a promessa pela fé em Jesus Cristo fosse dada aos que crêem." Finney afirmou que tais ensinos das Escrituras eram absurdos e que o pecado, tal como ele o entendia, era resultado da livre escolha do homem. Assim, nasceu a falsa doutrina do "livre arbítrio". Finney estava baseado no sistema filosófico de Imanuel Kant, o qual afirma: "se eu devo, eu posso." Para Finney a doutrina do pecado original era uma subversão do evangelho e repulsiva à inteligência humana. Pelágio negava a graça como necessária à salvação, enquanto Finney admitia a ajuda do Espírito Santo para tanto, porém com a cooperação do homem pecador. Atropelou capítulos inteiros das Escrituras para sustentar isso apenas com base em cogitações filosóficas, lógica forense e senso de justiça própria para um pecador destituído da glória de Deus. Este Charles Finney foi um pobre enganado e um tolo enganador. Como a religião enganada aprecia o engano, ele é tido como grande avivalista ainda hoje.
Assim, de fato, muitos anticristos se têm levantado e se levantarão outros tantos ainda. Cada nova geração de anticristos será mais enganada e mais enganadora que a anterior. Isto ocorrerá até que venha o Anticristo final, o qual o Senhor dos Senhores e o Rei dos Reis destruirá como o sopro da sua boca.
Então fica o que reza I Tm. 1:17 - "Ora, ao Rei dos séculos, imortal, invisível, ao único Deus sábio, seja honra e glória para todo o sempre. Amém."

ESPÍRITOS ENGANADORES E RELIGIÕES ENGANADAS XIX


Ef. 2: 19 a 22 - "Assim que já não sois estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos dos santos, e da família de Deus; Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina; No qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para templo santo no Senhor. No qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus em Espírito." O texto indica que os eleitos e regenerados são edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, isto é, no ensino doutrinário pregado por eles. Jesus Cristo é a principal pedra da esquina, sendo esta uma analogia aos construtores de grandes estruturas da época, quando os edificadores encaixavam uma pedra em forma de cunha nos ângulos, a qual dava todo o equilíbrio à massa total do prédio. Retirando esta pedra angular, toda estrutura se desmoronava. Então é n'Ele, Cristo, que todo o edifício, ou seja, a Igreja devidamente ajustada, cresce para servir de templo santo no Senhor. Os eleitos e regenerados são partícipes neste edifício, sendo que o próprio Deus em Espírito neles habita.
A questão fundamental a ser colocada aqui e que se contrapõe à proposta escriturística do texto vertente é que as religiões institucionais optaram por um caminho de relevância com base na satisfação das necessidades e anseios do homem. Querem e buscam um conjunto de manifestações que possam atestar o poder, tanto espiritual, como temporal os quais coloquem a igreja em alto relevo. Querem retirar a igreja da obscuridade e da marginalidade a que foi submetida ao longo dos séculos a fim de torná-la notável, poderosa e importante. Neste sentido, buscam o método que toma por referência o homem, satisfazendo-lhe as carências e até mesmo os caprichos. Assim, permanece a idéia subjacente que pessoas satisfeitas permanecem na igreja e trazem outras pessoas a ela, criando aparência qualitativa, gerando recursos financeiros e tecnológicos, tornando assim estas igrejas importantizadas no contexto do mundo moderno. Mero engano que engana e dá bases aos enganadores! Estas igrejas são repletas de pessoas azedas, maledicentes, invejosas, contenciosas e cheias de veneno. Nelas não se vê o perfume de Cristo, mas o azedume da alma soberba.
Acontece que muitas das possíveis necessidades humanas são produzidas em seu inconsciente por meio de artifícios subliminares. Não são necessidades, mas apenas desejos. Por isso, o texto sagrado previne em Is. 55: 1 e 2 - "Ó vós, todos os que tendes sede, vinde às águas, e os que não tendes dinheiro, vinde, comprai, e comei; sim, vinde, comprai, sem dinheiro e sem preço, vinho e leite. Por que gastais o dinheiro naquilo que não é pão? E o produto do vosso trabalho naquilo que não pode satisfazer? Ouvi-me atentamente, e comei o que é bom, e a vossa alma se deleite com a gordura." Enquanto Deus oferece a sua maravilhosa graça, os homens buscam satisfação almática.
Tomam desejo por necessidade e, com isso, as consideram legítimas apenas porque são sensoriais. Nunca se falou tanto em auto-estima, auto-confiança, auto-satisfação, felicidade, alegria, paz e vitória, como nos dias atuais. Há inumeráveis livros escritos para dar respostas a perguntas que jamais serão feitas. A necessidade de satisfação de desejos ou necessidades tem primazia sobre a necessidade de ser justificado da natureza pecaminosa. Não dão importância ao ato misericordioso da graça de Deus aceitando o pecador em Cristo, mas dão importância à cura, à vitória sobre questões financeiras, dentes de ouro, prosperidade, reconhecimento e consulta sobre assuntos do mundo.
Os meios de comunicação criam constantemente novas necessidades, gerando no subconsciente dos homens uma permanente insatisfação. Isto acontece para que se tornem presas fáceis às novas experiências de consumo. É este tipo de pessoas que vão buscar nas igrejas institucionais os mesmos estímulos e as mesmas respostas. Ingressam numa igreja sem evangelho, onde um Deus do tipo "resolve tudo" se inclina a eles para lhes satisfazer todas as suas exigências, sem extirpar-lhes a natureza pecaminosa. É uma religião sem justiça na cruz, sem pecado e sem inferno. Coitados! Morrerão em seus pecados conforme Jo. 8:24 - "Por isso vos disse que morrereis em vossos pecados, porque se não crerdes que eu sou, morrereis em vossos pecados."
Nestes corações enganados pelos espíritos enganadores prevalecem os "cuidados deste mundo e a fascinação das riquezas."
A Cristo, pois glória e majestade eternamente!

ESPÍRITOS ENGANADORES E RELIGIÕES ENGANADAS XVIII


Mt. 13:18 a 23 - "Escutai vós, pois, a parábola do semeador. Ouvindo alguém a palavra do reino, e não a entendendo, vem o maligno, e arrebata o que foi semeado no seu coração; este é o que foi semeado ao pé do caminho. O que foi semeado em pedregais é o que ouve a palavra, e logo a recebe com alegria; Mas não tem raiz em si mesmo, antes é de pouca duração; e, chegada a angústia e a perseguição, por causa da palavra, logo se ofende; E o que foi semeado entre espinhos é o que ouve a palavra, mas os cuidados deste mundo, e a sedução das riquezas sufocam a palavra, e fica infrutífera; Mas, o que foi semeado em boa terra é o que ouve e compreende a palavra; e dá fruto, e um produz cem, outro sessenta, e outro trinta." Uma parábola é por força da sua natureza estilístico-literária uma 'narração alegórica na qual o conjunto de elementos evoca, por comparação, outras realidades de ordem superior'. Provém do gênio da língua grega 'parabolé', isto é, falar por curvas, ou por meio de sobreposição de imagens e idéias. O fato de alguém falar por parábolas não retira a verdade do conteúdo daquilo que se diz. É apenas um recurso de comunicação e de retórica.
A parábola de Jesus, objeto deste estudo, coloca em epígrafe quatro categorias de ouvintes da Palavra do reino: a) os que ouvem, mas não entendem; b) os que ouvem, mas não se aprofundam; c) os que ouvem, mas têm outras prioridades neste mundo; d) e os que ouvem e compreendem, resultando em reprodução geometricamente progressiva.
Observa-se que a semente semeada é a mesma, porém os tipos de solos são diferentes. A ordem à proclamação do evangelho é fato incontestável, porém a recepção do mesmo não é comum a todos. Se a semente que cai em boa terra germina e se multiplica, é por conta da excelsa qualidade da terra, ou porque o agricultor eterno a preparou para receber a semente? Jo. 15:1 - "Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o lavrador." Primeiramente a semente deve proceder de uma matriz verdadeira, a saber, Cristo, do qual se obtém as sementes. o Pai é o viticultor ou agricultor, pois é Ele quem prepara tanto a terra, como a semente. Assim, o fato de religiosos e igrejas denominacionais andarem semeando pelo mundo não implica necessariamente em que a semeadura e a colheita sejam garantidas. Depende da semente que está sendo semeada e da terra que recebe a semente. Se ambas não forem na centralidade de Cristo na cruz, é semear em rochedos espalhados em meio à terra árida.
Ez. 36: 26 e 27 - "E dar-vos-ei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne. E porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis os meus juízos, e os observeis." Quem dá o coração novo e o espírito novo é Deus e não a postura comportamental e moral do homem. Assim, o Agricultor Eterno é quem prepara a terra para receber a divina semente. É Deus quem retira o coração esclerosado pelo pecado e coloca um coração maleável pela Palavra. É Deus quem retira o espírito morto nos delitos e pecados e coloca o Seu próprio Espírito. É Deus quem faz que os eleitos e regenerados andem nos estatutos, a saber, nos ensinos. Onde está a participação voluntária e livre do homem neste ensino? Por que enganadores, continuam enganando os enganáveis sobres estas questões? Porque os tais estão à beira da estrada, em pedregais e em espinheiros cheios de si mesmos e porque não acharam a graça diante de Deus para serem regenerados. Nestas condições é que espíritos enganadores semeiam as suas abominações em nome de Cristo, porém ele continua a lhes afirmar: "nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade."

setembro 20, 2009

ESPÍRITOS ENGANADORES E RELIGIÕES ENGANADAS XVII


At. 1: 1 a 8 - "Fiz o primeiro tratado, ó Teófilo, acerca de tudo o que Jesus começou, não só a fazer, mas a ensinar, até ao dia em que foi recebido em cima, depois de ter dado mandamentos, pelo Espírito Santo, aos apóstolos que escolhera; aos quais também, depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas e infalíveis provas, sendo visto por eles por espaço de quarenta dias, e falando das coisas concernentes ao reino de Deus. E, estando com eles, determinou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, que, disse ele, de mim ouvistes. Porque, na verdade, João batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias. Aqueles, pois, que se haviam reunido perguntaram-lhe, dizendo: Senhor, restaurarás tu neste tempo o reino a Israel? E disse-lhes: não vos pertence saber os tempos ou as estações que o Pai estabeleceu pelo seu próprio poder. Mas recebereis o poder do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra."
É inegável que há uma crise na humanidade. Entendendo crise como o contexto em tela exige, pode-se dizer que há um conflito e uma enorme tensão nas relações intrapessoais e interpessoais. O pecado gerou um permanente estado de crise, visto que este é iniquidade, a saber, uma falta de equidade. Ele causa permanente estado de desequilíbrio entre corpo, alma e espírito no homem. Além, obviamente, de ter causado profundo desequilíbrio nas relações entre os homens e destes para com o Criador.
A principal crise da igreja institucional é que ela está na contramão do evangelho. Há uma ideia generalizada que a igreja tornou-se irrelevante e entediante, porque não oferece os atrativos desejados pela alma humana. Neste ponto, a situação se agrava, uma vez que, ao invés de o homem pecador se curvar à verdade, quer que esta se lhe curve aos caprichos e desejos contaminados pela natureza pecaminosa.
Prevalece na igreja histórica e nominal uma forte cultura do sucesso como um estilo garantidor de bem-estar espiritual. Praticam um culto do tipo, obtenha os resultados que o mundo deseja, ou então, Deus não está aqui. Colocam em xeque, o poder de Deus diante dos apelos do mundo e vão construindo cada vez mais, uma religião de segunda mão. Exigem um Deus que satisfaça plenamente os desejos dos homens sem que estes tenham qualquer experiência nas Escrituras, na cruz, e em Cristo. Esta igreja capenga e soberba prega um evangelho de conveniências e não o evangelho da graça plena.
Assim, a crise por que passa a denominada cristandade é uma crise de poder. Não o poder tal como doutrinado em Atos 1. Mas, um poder que garanta a satisfação ao homem portador da natureza pecaminosa. Reagem ao mundo espiritual como se estivessem numa loja de departamentos cuja propaganda reza o seguinte: "sua satisfação garantida, ou vá para o concorrente." Neste sentido confundem poder material com poder espiritual. Enquanto aquele se apropria por meio de coisas e sinais sensoriais, este se recebe como dom de Deus. O que o texto de Atos ensina é que o poder do alto é para capacitar o crente ao testemunho e não para obter coisas como se vê nestes tempos difíceis. O que buscam estes religiosos não é o poder espiritual, mas capacidade para realizar sinais e maravilhas. Imaginam eles que isto é o suficiente para demonstrar Deus e obter d'Ele algo. No final acabam por estabelecer alianças com espíritos enganadores e se tornam igrejas enganadas e enganadoras. Deus é Espírito e recebe adoração em espírito. Sinais, prodígios e maravilhas são para incrédulos e não para crentes. Os nascidos de Deus são como o vento que sopra onde quer e ninguém vê. Não são norteados por sinais, mas pela fé dom de Deus.
O texto acima, mostra que o único poder conferido por Deus aos seus eleitos é para ser testemunhas em Jerusalém (igreja local), em Judéia e Samária (igreja regional) e nos confins do mundo (igreja universal). Lembrando-se que no grego neotestamentário, testemunha é o mesmo que mártir e não aproveitador e explorador do poder divino, como se Deus pudesse ser manipulado pelo pecador.

ESPÍRITOS ENGANADORES E RELIGIÕES ENGANADAS XVI


II Pd. 1: 16 a 21 - "Porque não vos fizemos saber a virtude e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, seguindo fábulas artificialmente compostas; mas nós mesmos vimos a sua majestade. Porquanto ele recebeu de Deus Pai honra e glória, quando da magnífica glória lhe foi dirigida a seguinte voz: este é o meu Filho amado, em quem me tenho comprazido. E ouvimos esta voz dirigida do céu, estando nós com ele no monte santo; E temos, mui firme, a palavra dos profetas, à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma luz que alumia em lugar escuro, até que o dia amanheça, e a estrela da alva apareça em vossos corações. Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo." Não há dúvida alguma que persiste um profundo engano no seio das igrejas institucionais. Prevalece nas religiões humanizadas uma profunda secularização e uma indefectível humanização.
Entende-se por secularização a crescente utilização da tecnologia disponibilizada pelo presente século para obter resultados espirituais. Também, e por extensão de sentidos, a secularização é uma conformação do religioso aos padrões aceitos e praticados pela sociedade. Por humanização se pode entender a crescente centralidade no homem e suas carências e necessidades. Tais critérios estão substituindo as Escrituras que devem ser o norte do que é  chamado de espiritual.
O texto do apóstolo Pedro afirma com profunda solenidade que o conhecimento de Cristo é com base na experiência vivenciada e por meio da Palavra de Deus audível e escrita. É esta essencialidade que a igreja secularizada e humanizada perdeu. Tais igrejas dão mais valor ao culto exterior, à estética do templo, aos preceitos definidos pelos líderes das denominações religiosas. Cristo está do lado de fora destas igrejas, porque ele não atrai os interesses de uma sociedade corrupta, corruptível e corrompida.
O apóstolo doutrina sobre a necessidade de estar atento à palavra dos santos profetas e mostra que a Palavra de Deus não é de particular interpretação e que a profecia nunca foi produzida por homem algum. É esta doutrina que falta nas igrejas humanistas e humanizadas. Elas estão amplamente e profundamente arraigadas aos princípios estranhos ao evangelho da graça apresentado por Jesus, o Cristo. Neste ponto é que se tornam igrejas enganadas e verdadeiros serpentários de espíritos enganadores. Isto porque dão ouvidos às fábulas judaizantes, valorizam a lei e não a graça, dão ouvidos às falsas profecias baseadas na lógica humana. São cristãos sem Cristo, regenerados sem novo nascimento, igrejas sem comunhão.
A conjuntura religiosa da atualidade é muito favorável às influências de enganos, enganados e enganadores. Há uma profunda crise de identidade na igreja institucional, pois os grupos chamados tradicionais se dilaceraram em sub-grupos com doutrinas esdrúxulas; profunda decepção com o que se convencionou chamar de evangélico; ausência de líderes de notável saber bíblico com revelação do alto; extremo pessimismo em relação ao futuro dos crentes; grande crescimento numérico e quantitativo, mas profundo impacto negativo e qualitativo na vida dos religiosos; isolamento cultural, porque a erudição intelectual definiu a atual era como sendo pós-cristã; e substituição do ensino da sã doutrina pelas soluções políticas e metodológicas. Estão, portanto, combatendo o que é espiritual com armas humanas e materiais, nunca encontrarão a vitória verdadeira sem Cristo.
As perspectivas apresentadas não são bíblico-escriturísticas e a ministração do evangelho se transformou em ativismo e evangelicalismo barato. Entretanto, Deus está no comando, porque nada Lhe escapa no universo. A Ele, pois honra, glória e majestade em Cristo.

setembro 06, 2009

ESPÍRITOS ENGANADORES E RELIGIÕES ENGANADAS XV


Ef. 2: 1 a 3 - "Ele vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados, em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência. Entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também." Antes do nascimento espiritual, nascimento do alto, regeneração, ou finalmente novo nascimento, todos os homens são portadores da natureza pecaminosa. Esta é a base "legal" utilizada pelo Diabo para controlar e manter sob controle o homem decaído. Isto aconteceu, porque houve incredulidade do primeiro homem à Palavra de Deus no Éden, a qual o levou a supor que poderia viver absolutamente independente de Deus.

O curso deste mundo, o príncipe das potestades do ar e o espírito que opera nos filhos da desobediência são as conquistas diabólicas geradas pela natureza pecaminosa inoculada no homem. Satanás adquiriu direitos sobre o homem e sobre a Terra por causa do pecado que provocou a queda, isto é, a morte para Deus.
As consequências e as evidências de tal conquista de terreno dos espíritos enganadores são os desejos da carne, a vontade da carne e dos pensamentos e a natureza degenerada objeto da ira de Deus. Estas não são apenas consequências comportamentais, morais e éticas. Elas são parte da natureza humana por inseminação satânica por meio do pecado original. Os atos e atitudes antiéticos, imorais ou comportamentais são os reflexos externos e perceptíveis resultantes da natureza decaída.
A carne a que se refere o texto grego 'koiné' não é apenas o corpo físico. O termo utilizado é 'sarkikós', ou seja, a natureza não regenerada, a natureza animal, a fraqueza, a corruptibilidade e o perecimento físico e intelectual. Isto implica em um conjunto de sintomas que debilita e desabilita o homem diante da santidade de Deus. Neste sentido, ele está absolutamente sob o controle dos espíritos enganadores comandados pelo príncipe das trevas, a saber, Satanás.
Este estado de carnalidade inclui a natureza humana com a alma, o corpo e o espírito morto para Deus. É o homem em aparteísmo à natureza divina, e, portanto, inclinado naturalmente aos atos pecaminosos opostos a tudo o que se refere a Deus. Não quer dizer que o homem nesta condição seja malvado, grosseiro, bruto e agressivo todo o tempo e ostensivamente. Ele pode ser reto, íntegro, temente e que se desvia do mal moral. O que conta, neste caso, é a essência e não apenas a aparência exterior do homem decaído. Este é o domínio da natureza pecaminosa, da natureza adâmica, ou do velho homem enfocado por Paulo em Rm 6. Envolve, segundo Melanchthon, a inteira natureza humana, isto é, sensibilidade, razão e corpo sem a presença do Espírito de Cristo.
É neste ponto que muitos confundem obras de justiça própria, comportamentos éticos e morais com espiritualidade. Um homem pode ser um bom cidadão, uma boa pessoa, um excelente religioso e, ainda assim, não ser regenerado. A natureza pecaminosa busca o auto-endeusamento do homem. Para isso, desenvolve boas coisas, geralmente com base em códigos comportamentais e religiosos. Neste sentido é que Cristo recriminou aqueles religiosos de Mt. 7, os quais profetizavam, curavam e expulsavam demônios. Estas são boas coisas, porém feitas àparte da natureza santa e justa de Deus. Por isto, foi-lhes dito que Ele nunca os havia conhecido. Também foi-lhes declarado que se apartassem d'Ele, porque estavam praticando iniquidades.
É fundamental entender que o mal espiritual nunca se apresenta como o mal moral, pois desse modo, haveria uma enorme reação contra ele. Apresenta-se sempre como algo aceitável e recomendável como espiritual. Porém, cabe ao regenerado ter pleno conhecimento a qual espírito pertence segundo Lc. 9:55 - "Voltando-se, porém, repreendeu-os, e disse: vós não sabeis de que espírito sois."
Afinal, de que espírito você é? do Espírito Santo, do espírito maligno, ou do espírito do homem apenas?