agosto 02, 2009

GRAÇA E DEPENDÊNCIA PLENA DE DEUS VIII


I Rs. 17: 4 e 6 - "E há de ser que beberás do ribeiro; e eu tenho ordenado aos corvos que ali te sustentem. E os corvos lhe traziam pão e carne pela manhã; como também pão e carne à noite; e bebia do ribeiro." Em alguns segmentos religiosos, quando alguém se acha pressionado por dívidas, doenças e desespero, imediatamente faz uma promessa. Segundo esta crendice, sendo a graça alcançada, paga-se a promessa ou o voto. Bem, primeiramente demonstra-se profunda falta de fé genuína, pois Deus dá dons e bênçãos sem nada exigir em troca. Secundariamente, não se trata de graça no sentido bíblico, pois se foi condicionada ao cumprimento de algum tipo de esforço em troca já não é mais graça, mas uma negociata.
O profeta Elias acabara de se envolver em um confronto de natureza espiritual contra o rei Acabe e sua iníqua mulher Jesabel. Por causa da idolatria e maldade destes governantes, Deus resolvera cessar a chuva e trazer disciplina àquela região. Então, para proteção do profeta Deus ordenou ao mesmo que se retirasse para o oriente e ali habitasse, sendo dessedentado pelas águas do ribeiro de Querite e os corvos o alimentariam com pão e carne duas vezes ao dia. Assim, o profeta Elias se retirou para aquele lugar crendo na Palavra de Deus e não nas possibilidades circunstanciais. Ficou ali até que o ribeiro secou, então, recebeu nova ordem para se retirar para Sarepta, em Sidon, no que é hoje o Líbano. Ali Deus ordenarara a uma viúva que tinha apenas um filho, um punhado de farinha e um fundo de botija sujo de azeite. Esta era toda a provisão da mulher que Deus escolhera para sustentar o profeta. Esta palavra mostra o que de fato é graça, como dom de Deus, e o que é dependência plena do que a Palavra d'Ele diz e não o que os olhos e sentidos humanos podem perceber e aperceber. Este é o padrão de fé verdadeiramente bíblico, pois não é ver para crer, mas crer para ver.
Nos versos 14 a 16 diz: "porque assim diz o Senhor Deus de Israel: a farinha da panela não se acabará, e o azeite da botija não faltará até ao dia em que o Senhor dê chuva sobre a terra. E ela foi e fez conforme a palavra de Elias; e assim comeu ela, e ele, e a sua casa muitos dias. Da panela a farinha não se acabou, e da botija o azeite não faltou; conforme a palavra do Senhor, que ele falara pelo ministério de Elias." Dependeram exclusivamente da Palavra de Deus e não das possibilidades naturais e sensoriais. É este padrão de fé que não se vê nos tempos atuais, nem mesmo entre os mais "fervorosos" crentes que propalam aos quatro ventos do mundo a sua suposta fé. O homem em seu estado decaído não pode crer por conta própria, e, por isso, não recebe a graça plena de Deus. A religião, no máximo, produz crendice e dependência nos esforços com base na justiça própria e nos méritos humanos.
Sola Fide!
Sola Scriptura!

GRAÇA E DEPENDÊNCIA PLENA DE DEUS VII


I Sm. 2: 6 a 9 - "O Senhor é o que tira a vida e a dá; faz descer à sepultura e faz tornar a subir dela. O Senhor empobrece e enriquece; abaixa e também exalta. Levanta o pobre do pó, e desde o monturo exalta o necessitado, para o fazer assentar entre os príncipes, para o fazer herdar o trono de glória; porque do Senhor são os alicerces da terra, e assentou sobre eles o mundo. Os pés dos seus santos guardará, porém os ímpios ficarão mudos nas trevas; porque o homem não prevalecerá pela força." O mundo entregue aos sistemas religiosos, com base em suas crenças humanistas, filosóficas, sociológicas não aceita as Escrituras como válidas, porque elas veem para desmontar toda uma tese de autoendeusamento do homem. Quando alguém concorda com o fato que Deus é soberano, geralmente, o faz por tradição, por retórica, ou mesmo para ser aceito como uma pessoa engajada aos costumes e valores supostamente cristãos. No geral os homens, especialmente, aqueles que professam religiões, não confessam as coisas que estão escritas no texto que abre este artigo. Quando o fazem, fazem-no como mera declaração e não como confissão que expressa a real fé obtida de Deus no nascimento espiritual.
O conteúdo do retromencionado texto é essencialmente baseado na graça, a qual procede da misericórdia divina; foi Deus quem levou o Seu Filho Unigênito à cruz, para nela, tirar a Sua vida, para que, no terceiro dia trazê-la de volta na ressurreição; foi Deus quem empobreceu o Seu Unigênito Filho, fazendo-o descer ao mundo desprovido de Sua Deidade, conformando-o à condição humana, para depois exaltá-lo elevando-o à destra do seu sublime trono; é Deus quem realiza, tanto o querer, como o efetuar segundo a Sua santa vontade. Esta é, portanto, a dimensão e a abrangência da soberania d'Ele. O homem, por mais reto, íntegro, temente e que se desvie do mal, não pode alterar a morte, a miséria, a pobreza, e o pecado por si mesmo.
Tudo o que existe no universo é regido pela soberna e monérgica graça de Deus, recebendo isto ou não o homem. Porque, independentemente, das ilações e injunções humanas com base em seus sistemas contaminados pelo pecado, Deus permanece o mesmo, ontem, hoje e eternamente. Esta é a razão de o pecador não ser consumido e extinguido da face da Terra. As misericórdias de Deus se renovam a cada manhã, precisamente, porque a natureza pecaminosa no homem é abundante na produção de atos pecaminosos. Por esta mesma razão é que o nascido de Deus leva o morrer diário de Cristo. Ele foi crucificado com Cristo para destruição do corpo do pecado, para dar fim à natureza do primeiro Adão. A natureza adâmica foi incluída na morte de Cristo para retirar o primeiro homem e ganhar a natureza do segundo, pois aquele é terreno, enquanto este é celeste. Para Cristo todas as coisas se convergem, porque Ele é tudo em todos os eleitos. Por fim, Cristo pessoalmente restaurará todas as coisas e o universo voltará ao supremo propósito do Pai, o qual deseja formar para si uma família. Esta é, portanto, a extensão da graça de Deus: trazer à vida abundante, o homem que estava morto em delitos e pecados; enriquecer espiritualmente o homem necessitado e pobre de espírito; criar no homem feito do pó, não só a imagem, mas também a semelhança de Cristo; tornar o homem destituído da glória de Deus, co-herdeiro da glória junto ao trono do Grande Rei; guardará os pés dos seus eleitos e regenerados para sempre e eternamente.
Sola Gratia!

agosto 01, 2009

GRAÇA E DEPENDÊNCIA PLENA DE DEUS VI


II Sm. 4:4 e 9:1 a 13 - "E Jônatas, filho de Saul, tinha um filho aleijado de ambos os pés; era da idade de cinco anos quando as novas de Saul e Jônatas vieram de Jizreel, e sua ama o tomou, e fugiu; e sucedeu que, apressando-se ela a fugir, ele caiu, e ficou coxo; e o seu nome era Mefibosete. E disse Davi: há ainda alguém que tenha ficado da casa de Saul, para que lhe faça benevolência por amor de Jônatas? E havia um servo na casa de Saul cujo nome era Ziba; e o chamaram à presença de Davi. Disse-lhe o rei: és tu Ziba? E ele disse: servo teu. E disse o rei: não há ainda alguém da casa de Saul para que eu use com ele da benevolência de Deus? Então disse Ziba ao rei: ainda há um filho de Jônatas, aleijado de ambos os pés. E disse-lhe o rei: onde está? E disse Ziba ao rei: eis que está em casa de Maquir, filho de Amiel, em Lo-Debar. Então mandou o rei Davi, e o tomou da casa de Maquir, filho de Amiel, de Lo-Debar. E Mefibosete, filho de Jônatas, o filho de Saul, veio a Davi, e se prostrou com o rosto por terra e inclinou-se; e disse Davi: Mefibosete! E ele disse: eis aqui teu servo. E disse-lhe Davi: não temas, porque decerto usarei contigo de benevolência por amor de Jônatas, teu pai, e te restituirei todas as terras de Saul, teu pai, e tu sempre comerás pão à minha mesa. Então se inclinou, e disse: quem é teu servo, para teres olhado para um cão morto tal como eu? Então chamou Davi a Ziba, moço de Saul, e disse-lhe: tudo o que pertencia a Saul, e a toda a sua casa, tenho dado ao filho de teu senhor. Trabalhar-lhe-ás, pois, a terra, tu e teus filhos, e teus servos, e recolherás os frutos, para que o filho de teu senhor tenha pão para comer; mas Mefibosete, filho de teu senhor, sempre comerá pão à minha mesa. E tinha Ziba quinze filhos e vinte servos. E disse Ziba ao rei: conforme a tudo quanto meu senhor, o rei, manda a seu servo, assim fará teu servo. Quanto a Mefibosete, disse o rei, comerá à minha mesa como um dos filhos do rei. E tinha Mefibosete um filho pequeno, cujo nome era Mica; e todos quantos moravam em casa de Ziba eram servos de Mefibosete. Morava, pois, Mefibosete em Jerusalém, porquanto sempre comia à mesa do rei, e era coxo de ambos os pés."
Comumente nos círculos religiosos, especialmente, os de cunho arminiano, quando se fala de graça, nunca é plena e conforme as Escrituras. Sempre adicionam os esforços humanos para dar-lhe mais brilho e falsa espiritualidade. Ora, qualquer ato ou atitude as quais dependem de esforços, já não é graça no sentido escriturístico desta. Se a graça é um dom da exclusiva competência de Deus, logo, não pode haver de forma alguma a participação ativa do homem na sua consecução. É fundamental entender a diferença entre graça e barganha!
É notório, todavia, que a graça de Deus seja invariavelmente destinada aos desgraçados, desvalidos, deserdados pela sociedade, recriminado pelos valores positivos de uma civilização imediatista. É precisamente isto que torna a graça um ato soberano e monérgico, pois se o objeto dela pudesse ser digno de recebê-la, certamente esta não seria dom, mas uma mera recompensa ou salário.
A forma que o mundo, especialmente, o mundo religioso recebe a graça é, no mínimo, curiosa, pois veem-na apenas como um benefício do qual se pode obter alguma ou muitas vantagens segundo a vontade e o interesse do homem. É como algo que lhe chega como resultante da sua dedicação, fidelidade, tempo de banco de igreja, tempo de oração, jejum e serviços à igreja. Esta é uma modalidade de graça resultante da teologia elaborada pela mente humana absolutamente fora do que preconizam as Escrituras.
O texto que vem de ser lido na abertura deste artigo, coloca as coisas no seu devido lugar em matéria de graça bíblicamente ensinada. Mefibosete cujo nome significa vergonha destruidora era o filho de Jônatas, e neto do rei Saul, ambos mortos. Tornou-se aleijado de ambos os pés aos cinco anos, quando da fuga de sua babá, por ocasião da notícia da derrota e morte do seu pai e do seu avô em batalha. Mefibosete é o tipo do homem em sua queda e restauração diante da santidade de Deus. Em toda extensão das Escrituras se vê o uso de tipos e símbolos. Este é apenas mais um utilizado na doutrina da verdade bíblica.
Vinte anos depois, quando já não se ouvia falar mais em Saul ou quaisquer dos seus descendentes, o rei Davi, perguntou se havia algum descendente dele, para que pudesse usar-lhe da graça de Deus. A palavra utilizada por Davi no texto hebraico foi 'hessedh', isto é, graça, benevolência, amor, bondade ou misericórdia. Isto porque, quando Jônatas ainda vivia houve um acordo entre ele e Davi conforme I Sm. 15: 13 a 17.
A misericórdia busca exatamente aquele que não tem méritos. Mefibosete foi apontado como alguém inserido naquilo a que se propunha o rei Davi, posto ser neto de Saul, e filho de Jônatas. Era coxo dos pés e vivia longe do centro de poder. Foi neste cenário que apareceu Ziba, um antigo servo de Saul como a pessoa que poderia localizar Mefibosete. Legalista, e, quando indagado, respondeu ao rei: sim há um descendente de Saul que ainda vive, porém é aleijado. O rei sem tergiversar sobre a deficiência de Mefibosete indaga: onde está? Ziba diz: está em casa de Maquir, na terra de Lo-Debar. Maquir significa em hebraico, vendido como escravo, e Lo-Debar significa, terra árida e sem pasto. Ora, tudo isto é uma simbologia do homem e da sua situação após a queda, se tornando aleijado espiritualmente, perdendo a graça e a comunhão, tendo sido vendido como escravo do pecado e expulso do paraíso. A atitude do rei Davi representa a ação graciosa de Deus buscando o homem pecador, e restaurando-lhe a graça por misericórdia, bondade e amor.
A atitude de Mefibosete, como o tipo do homem desgraçado, foi a de se colocar na perspectiva do pecador que se rende ante a graciosa e soberana vontade de Deus. Se reconheceu desprovido de qualquer mérito conforme os versos 6 e 8 - "eis aqui o teu servo... cão morto" - Assim, foi restituída a nobreza e o convívio de Mefibosete que, continuou coxo, porém sob a graça do rei. Quanto a Ziba, o legalista e que vinha explorando os bens de Saul sem partilhar os resultados ao verdadeiro herdeiro foi colocado pelo rei no seu devido lugar, a saber um servo.
Por símile, Mefibosete viveu até os cinco anos no palácio real, porém o julgamento errôneo de sua ama, imaginando que este seria morto pelo novo rei, fê-lo cair na pressa da fuga; Satanás, por seu turno fez o homem, o qual vivia no paraíso de Deus supor que não morreria comendo do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, fê-lo cair no pecado da incredulidade e, por isso, morreu para Deus sendo vendido ao pecado e levado para o deserto árido da vida sem a graça.
Soli Deo Gloria !

julho 25, 2009

GRAÇA E DEPENDÊNCIA PLENA DE DEUS V


Jd. v. 4 - "Porque se introduziram alguns, que já antes estavam escritos para este mesmo juízo, homens ímpios, que convertem em dissolução a graça de Deus, e negam a Deus, único dominador e Senhor nosso, Jesus Cristo." Falam-se em duas categorias de graça: a) a graça atual que é o conjunto das inspirações e moções trasitórias concedidas por Deus a uma pessoa, grupo ou situação; b) a graça habitual que é o estado de benevolência ou dom permanente que estabelece a paz com Deus. Desta forma, independentemente dos feitos e efeitos do homem, Deus concede dons ou carismas, porque Ele é amor. Não são as disposições dos homens que forçam a graça de Deus, mas a graça de Deus que altera as disposições do coração empedernecido do pecador. Por isso, as Escrituras mostram como esta graça é operada em Ez. 36:26 e 27 - "E dar-vos-ei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne. E porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis os meus juízos, e os observeis." A ação é absolutamente de Deus, pois é Ele quem concede, tanto o coração novo, como também coloca o espírito novo. Logo, tudo é por misericórdia e graça d'Ele e não dos esforços humanos, por mais bem intencionados que sejam.
Converter em dissolução a graça de Deus é exatamente tentar atribuir ao homem aquilo que é da exclusiva competência soberana de Deus. A dissolução da graça, isto é, misturar a ela as ações humanas tem como efeito a negação da soberania de Deus e do domínio de Jesus, o Cristo. Neste sentido, as igrejas ditas cristãs estão repletas de dissolutos e ímpios, pois direta ou indiretamente elas estão cheias de homens, lideres, pregadores e mestres que ensinam doutrinas que colocam o foco no homem e não na cruz. A doutrina mais absurda que se propaga no seio da cristandade nominal é a do "livre arbítrio". Confundem eles, a autonomia apostatada de fazer escolhas naturais, com liberdade e arbítrio. Se todos foram encerrados debaixo do pecado, logo quem é livre?
II Pd. 1:2 - "Graça e paz vos sejam multiplicadas, pelo conhecimento de Deus, e de Jesus nosso Senhor." A graça produz a pacificação, pois após a justificação já não há nenhuma condenação. A graça realiza uma multiplicação por meio do conhecimento de Deus e de Cristo. A esta iluminação dá-se o nome de processo de santificação ou de produção da santidade de Cristo na vida do regenerado. Ela não é exterior e não é para servir de referência aos homens, mas é uma experiência espiritual que só se discerne espiritualmente. Contrariamente, os diluidores da graça de Deus buscam exteriorizar suas experiências sensoriais como se espirituais fossem, justamente porque não compreendem o que é a verdadeira graça.
II Pd. 3:18 - "Antes crescei na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo. A ele seja dada a glória, assim agora, como no dia da eternidade. Amém." crescer na graça não é prioritariamente cair na aceitação dos outros homens, mas conhecer mais e mais ao Senhor e Salvador Jesus, o Cristo. O texto mostra que é a Ele que se deve dar glória, agora e no dia da eternidade. Em um mundo onde os homens, inclusive os religiosos, buscam glória para si mesmos e recebem a glória dos outros homens, como poderia a graça de Deus ser compreendida?
Enquanto a natureza humana contaminada pelo pecado não é substituída pela natureza santa de Cristo, o pecador não pode conhecer a graça e, por esta mesma razão, não pode depender plenamente de Deus. Ou Cristo é o foco e a cruz a centralidade, ou o homem é o produtor de sua prória verdade. Não há espaço para diluir a graça de Deus com uma criatura morta para o Espírito Santo e viva para si mesma.

julho 24, 2009

GRAÇA E DEPENDÊNCIA PLENA DE DEUS IV


At. 20: 24 e 32 - "Mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira, e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus. Agora, pois, irmãos, encomendo-vos a Deus e à palavra da sua graça; a ele que é poderoso para vos edificar e dar herança entre todos os santificados." A graça dá a devida dimensão do que o homem regenerado é, e de quem Deus de fato é. Este, absolutamente soberano, enquanto aquele, absolutamente dependente. O evangelho é a expressão concreta da graça de Deus, porque Ele mesmo se doou na cruz para conceder a maior doação ao pecador, a saber, a salvação. A palavra de Deus, ou seja, as Escrituras são a verbalização eloquente da Sua graça. É Deus quem santifica o homem decaído e o faz herança Sua na construção da semelhança de Cristo em sua vida.
O pecado é ausência de fé na Palavra de Deus, tendo sido inciado no Éden quando o primeiro homem não deu crédito a ela. Preferiu, outrossim, dar crédito à palavra do maligno, porque desenvolveu o desejo de ser independente de Deus. Neste ponto o seu espírito foi desligado do Espírito de Deus, causando-lhe a morte espiritual, a qual não significa destruição do espírito. A partir da sua expulsão do Paraíso, foram sendo desenvolvidos os atos pecaminosos com base na natureza destituída da glória de Deus. A graça concretizada historicamente na morte de Cristo e decidida antes dos tempos eternos pelo próprio Deus que imolou o Cordeiro antes da fundação do mundo. Por isso, a doutrina bíblica afirma: "...e havendo riscado o escrito de dívida que havia contra nós nas suas ordenanças, o qual nos era contrário, removeu-o do meio de nós, cravando-o na cruz." O pecado original foi cravado na cruz, e, para tanto, o pecador também foi incluído na morte de Cristo, para com Ele também ressuscitar e ganhar a Sua vida eterna. Isto se apropria por fé conforme a definição de fé escriturística e não mística.
Esta é, portanto, a mais alta instância da graça de Deus, executando a sentença contra o pecado em Seu Filho Unigênito para justificar o pecador sem méritos e sem justiça própria. Este é, portanto, o verdadeiro ensino das Escrituras sobre dependência plena da graça de Deus. Não é ensino religioso, o qual coloca o homem portador da natureza pecaminosa como cooperador na obra da redenção. Enquanto graça é dádiva de Deus ao que nada merece, misericórdia é Ele não dando ao desgraçado, exatamente o que ele merece como tal, a saber, a condenação eterna. São termos intercambiáveis, pois ambos conduzem à plena dependência do pecador em relação a Deus. Por esta razão, a melhor significação para misericórdia é compaixão para com a miséria dos outros. Neste sentido, Deus olha para os seus eleitos conforme a impossibilidade deles em se redimir, e segundo a Sua superabundante graça, a qual cobre todo pecado, exceto o pecado da incredulidade que é o pecado contra o Espírito Santo.
A graça é ambígua, pois causa profunda decepção ao homem cheio de sua falsa autonomia edificada sobre a falsa doutrina do livre arbítrio, porém é a mais elevada expressão da bandade de Deus. Como ser absoluto e soberano que é, Deus poderia simplesmente não salvar ninguém, e isto, não Lhe causaria qualquer diminuição ou injustiça. O inusitado e maravilhoso é Ele usar de misericórdia e graça para com os que quer conforme Rm. 9:18 - "Logo, pois, compadece-se de quem quer, e endurece a quem quer."
A Ele, pois, honra, força e majestade eternamente!

GRAÇA E DEPENDÊNCIA PLENA DE DEUS III


Ex. 33: 12, 13, 16 e 17 - "E Moisés disse ao Senhor: eis que tu me dizes: faze subir a este povo, porém não me fazes saber a quem hás de enviar comigo; e tu disseste: conheço-te por teu nome, também achaste graça aos meus olhos. Agora, pois, se tenho achado graça aos teus olhos, rogo-te que me faças saber o teu caminho, e conhecer-te-ei, para que ache graça aos teus olhos; e considera que esta nação é o teu povo. Como, pois, se saberá agora que tenho achado graça aos teus olhos, eu e o teu povo? Acaso não é por andares tu conosco, de modo a sermos separados, eu e o teu povo, de todos os povos que há sobre a face da terra? Então disse o Senhor a Moisés: farei também isto, que tens dito; porquanto achaste graça aos meus olhos, e te conheço por nome."
A graça é algo que se acha, logo, não é inata ao homem. Ela não é o resultado dos esforços, penitências, renúncias e sacrifícios de alguém, pois neste caso seria uma negociata. Deus conhece o homem não apenas pelo nome, mas principalmente pelo que ele é. A certeza de estar incluído na graça de Deus é o fato d'Ele andar com o homem. Não são os pecadores que escolhem andar com Deus. Eles não possuem natureza para tanto, ao contrário, toda a inclinação do homem decaído é contrária à natureza divina. Portanto, este só se inclina para Deus, quando Ele o faz achar a graça diante dos Seus olhos.
Ao tempo em que Cristo andou pela Terra, especificamente em Israel, verificava-se uma profunda religiosidade. Julgavam serem os únicos guardiões dos oráculos de Deus e povo exclusivo. Agiam em relação aos outros povos com profundo desdém e aparteísmo. Cumpriam inumeráveis ritos e leis morais e cerimoniais. Entretanto, Jesus afirmou por repetidas vezes a seguinte expressão: "...vendo as multidões teve compaixão deles, porque eram como ovelhas que não têm pastor." Vê-se, portanto, que não é religiosidade, tradição e heranças rituais que faz Deus se curvar ao homem para lhe dar a graça. Como já foi exposto em outra instância, graça para ser de fato graça é um dom imerecido. É de Phllip Yancey a assertiva largamente adotada por alguns cristãos: "graça é Deus fazendo tudo por quem nada merece."
É bastante comum ouvir religiosos expressarem um sentimento de gratidão ou de ternura quando ouvem uma pregação sobre a graça. Todavia, na maior parte dos casos, estes desenvolvem um entendimento errôneo sobre o que ela de fato é. Imaginam que estão cobertos pela graça em função do que fazem. Colocam-na na esfera das ações compensatórias à semelhança dos procedimentos jurisforenses e constitucionais. A graça não é uma ação resultante de esforços, quaisquer que sejam eles. Não é pelo agir corretamente, ser reto, íntegro, temente e desviar-se do mal que torna o homem objeto da graça. Em Ex. 34:9, Moisés teve a real dimensão do que é a graça após Deus ter-lhe revelado os Seus propósitos - "E disse: Senhor, se agora tenho achado graça aos teus olhos, vá agora o Senhor no meio de nós; porque este é povo de dura cerviz; porém perdoa a nossa iniquidade e o nosso pecado, e toma-nos por tua herança." Deus foi e é gracioso com aqueles a quem Ele decide ser, segundo a Sua misericórdia e soberania, independentemente da dureza, iniquidade e pecado. Este é o aspecto que deixa o religioso arminiano fora da graça, pois ele julga que possui o controle da soberania de Deus.

GRAÇA E DEPENDÊNCIA PLENA DE DEUS II


Rm. 5:20 - "Veio, porém, a lei para que a ofensa abundasse; mas, onde o pecado abundou, superabundou a graça." Graça é um significante com diversos significados. No contexto a que se destina este estudo, traz sempre a ideia de favor imerecido, benevolência, amor, bondade, mercê, dádiva. O texto bíblico acima informa que a lei, isto é, as regras, preceitos e princípios morais e cerimoniais vieram para expor o pecado ou a ofensa do homem. Todavia, o mesmo texto mostra, que, onde o pecado abundou, a graça foi mais abundante, superando-o. Logo, a graça é maior que o pecado, justamente para ter o 'munos' de eliminá-lo. Do contrário, este jamais poderia ser aniquilado nos moldes de Hb. 9: 26 - "De outra maneira, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo. Mas agora na consumação dos séculos uma vez se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo."
A morte substitutiva e inclusiva de Cristo na cruz é o aspecto supremo da graça. Porque, n'Ele, tanto o pecado, como os atos pecaminosos são aniquilados. Aquele, no ato da justificação na morte de Cristo, e estes, no processo de santificação na vida d'Ele até a restauração final.
Desta forma, a graça se constitui em superabundante,  precisamente porque o dom de Deus é superior à ofensa pecaminosa do homem. Sabe-se que a justiça humana é em sua essência distributiva, ou seja, a cada um segundo o que lhe é de direito. Entretanto, a justiça de Deus é retributiva, isto é, a cada ofensa, a graça é retribuída em superioridade ao agravo. Este é o maior paradoxo para o homem religioso, pois a sua mente reage com base na justiça forense e não na justificação graciosa. Deus age retributivamente, porque é ciente que, pela lei, isto é, pelo cumprimento de normas, regras e preceitos, nenhum homem poderá obter salvação. Assim, Ele retribui ao pecado de modo desproporcional em graça. Porém, não deixa de executar a sua justiça contra o pecado ao destruir a natureza pecaminosa do homem, incluindo-o na morte de cruz conforme Jo. 12: 32 e 33 - "E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim. E dizia isto, significando de que morte havia de morrer."
Paradoxalmente a graça é um dom muito difícil de ser recebido pelo homem, especialmente o religioso. Isto porque a sociedade e, sobretudo, a religião cria na mente humana uma lei compensatória. Configura-se esta norma no princípio da recompensa, ou seja, quanto mais o homem fizer, mais merecedor se tornará; quanto mais se esforçar, maior o seu sucesso; quanto maior a sua eficiência e desempenho, maior a eficácia e recompensa; quanto mais realizar e operar, mais será aceito e reconhecido. Por isso, embora todos concordam que graça é uma boa coisa, todos querem produzi-la por seus próprios esforços, méritos e justiças próprias. Não é este o padrão da graça ensinada nas Escrituras. O que das sagradas letras se pode depreender é que a graça verdadeira, gera como contraponto a plena dependência de Deus. Ou é Ele o operador e o operacionalizador da graça, ou o homem viverá com base na lei. Sabe-se, entretanto, que pela lei nenhuma carne se salva consoante a pena do apóstolo Paulo.
Em alguns aspectos as práticas político-administrativas e judiciais tomam a graça por base. É o caso, por exemplo, do poder executivo brasileiro, usa figura jurídica que toma a graça como um ato de clemência do poder público, que favorece individualmente um condenado em definitivo por crime comum ou por contravenção, extinguindo-lhe, reduzindo-lhe ou comutando-lhe a pena. Neste caso, houve uma anistia, clemência ou indulto.
Na Primeira Guerra Mundial um soldado foi executado, porque acendeu fogo em sua trincheira durante a noite. Isto, segundo o código de guerra, permitiria aos inimigos localizar e atacar as bases dos aliados. Imagine se Deus fosse tratar com o homem pecador nas mesmas bases da justiça distributiva?

GRAÇA E DEPENDÊNCIA PLENA DE DEUS I


Gn. 6:8 - "Noé, porém, achou graça aos olhos do Senhor." A graça é um dom de Deus distribuído a quem nada merece. Contrariamente à mentalidade comum, a qual imagina que a graça é uma doação apenas a quem possui méritos, Deus a dispensa aos que não têm merecimento algum. Isto porque, do contráro, a graça já não seria graça, mas uma recompensa com base no desempenho humano. Entretanto, o homem enquanto pecador, não possui outra coisa a apresentar diante da face Deus, a não ser a sua natureza pecaminosa e as mazelas dela decorrentes e inerentes. No texto que abre este estudo vê-se que a graça é achada aos olhos de Deus e não uma propositura com base no homem e seus pressupostos de justiça e mérito. Deus não viu qualquer mérito em Noé para lhe conceder graça em recompensa, Noé achou a graça diante de Deus, porque é somente lá que ela é achada.
Circula na rede mundial de computadores um texto que algumas pessoas enviam no intuito de encorajar uns aos outros. Do referido texto destaca-se o fato que Deus usou exatamente os menos prováveis. Contrariamente à ética situacional e circunstancial, Deus vê o homem pela perspectiva da sua misericórdia e graça. Assim, os instrumentos usados por Ele eram pessoas cujas características não seriam exaltadas nas colunas sociais. Seus currículos não seriam selecionados e aprovados como pessoas notáveis. Os tais jamais seriam aceitos, porque não seriam aceitáveis, segundo o curso deste mundo em sua louca busca pelo auto-endeusamento. Em uma sociedade onde prevalece a busca pela glória de si mesmo e pela aceitação dos outros, estas pessoas arroladas abaixo jamais teriam grandes chances:
ABRAÃO: era demasiadamente velho para ter um filho que originasse uma nação. Além de ser de uma família de idólatras.
SARAH: era estéril e não estaria apta a gerar o filho da promessa. Além de empurrar Hagar para o marido para servir de concubina e gerar descendentes.
JACÓ: foi trapaceiro e suplantador do próprio irmão e do sogro.
LÉIA: era feia e zarolha para ser escolhida como esposa.
JOSÉ: era um sonhador e mimado pelo pai.
MOISÉS: tinha problemas de disfonia e de dislalia, isto é, era fanhoso e gago. Além de ter sido criado no palácio de faraó e de ter recebido toda cultura idólatra dos egípcios.
RAABE: era prostituta e não serviria para entrar na genealogia de ninguém. Porém, faz parte da genealogia de Jesus, o Cristo.
DAVI: foi um assassino, adúltero e sanguinário.
SALOMÃO: foi mulherengo, vaidoso e cheio de conflitos existenciais.
ISAÍAS: tinha lábios impuros e era conivente com uma sociedade impura.
JEREMIAS: era muito jovem para se dedicar as coisas de Deus.
ELIAS: teve medo de falsos profetas e do sistema político dominante. Refugiou-se em uma caverna e reclamou de ter ficado sozinho.
JONAS: fugiu de Deus o quanto pode, além de ser pirracento e cheio de justiça própria.
NOEMI: era viúva e abandonada à sua própria sorte catando espigas de trigo. Mendigando em plantações de Boaz.
PEDRO: negou a Cristo por mais de uma vez, além de rude.
MARIA MADALENA: foi adultera.
MARTA: preocupava-se apenas com as coisas do dia a dia e não com a palavra de Cristo.
TOMÉ: era incrédulo e cheio de dúvidas.
ZAQUEU: era usurpador, réprobo e improbo.
PAULO: era demasiadamente religioso e legalista.
TIMÓTEO: tinha úlcera.
LÁZARO: estava morto há mais de quatro dias.
No entanto, estas pessoas acharam a graça diante dos olhos de Deus e foram usadas, cada uma a seu tempo.

julho 21, 2009

A SÍNDROME DE JABEZ


I Cr. 4: 9 e 10 - "E foi Jabez mais ilustre do que seus irmãos; e sua mãe deu-lhe o nome de Jabez, dizendo: porquanto com dores o dei à luz. Porque Jabez invocou o Deus de Israel, dizendo: se me abençoares muitíssimo, e meus termos ampliares, e a tua mão for comigo, e fizeres que do mal não seja afligido! E Deus lhe concedeu o que lhe tinha pedido." Jabez era da casa de Recabe, da clã dos queneus, da linhagem de Hamate. Jabez recebeu este nome por conta das dores a que o seu parto causou à sua mãe. Assim, era um homem marcado pelo estigma da dor.
A oração de Jabez, a qual, muitos pregadores tomam como modelo a fim de justificar a ação sinérgica, é uma clara expressão da posição do homem que supõe aproximar-se de Deus com base apenas no que d'Ele pode obter e não com base no que Ele de fato é.
Jabez introduz a sua petição fundada no condicionamento circunstancial, isto é, caso Deus faça isso ou aquilo, eu o crerei. Também é notório que Jabez tenha apelado ao superlativo, impondo a dimensão quantitativa da bênção que esperava obter. Ele desejava uma grande bênção e que do incremento dela, resultasse na ampliação das suas posses. Esta tem sido a tese da nefasta teologia da prosperidade. Justificam os que advogam tal teologia, que, sendo Deus o senhor absoluto de todas as coisas, não se deve pedir-Lhe pouco, pois isto Lhe pareceria falta de fé no Seu poder. Nestas filosofias de para-choques de caminhões se lê a seguinte afirmação: "não sou o dono do mundo, mas sou filho do dono do mundo." Este é, de certa forma e em certo grau, o fundamento ou o princípio da retromencionada e famigerada teologia, como também da falsa, e, não tão menos negreganda teologia da determinação. Esta pseudoteologia afirma que o homem deve ordenar a Deus que faça cumprir as suas promessas, pois sendo Ele fiel, não poderá negar-Se a Si mesmo. Pressupõe que, sendo Ele o que fez as promessas se obriga a cumpri-las em favor dos que as solicita.
Acrescenta-se que Jabez ajunta à sua petição o favor de contar com a proteção da mão de Deus e da libertação da opressão das aflições do mal. Na essência, Jabez queria obter absolutamente o 'sumo bono' de Deus. Neste sentido, Jabez se constitui o tipo do homem decaído que deseja obter o que há de melhor nesta vida, contando com o poder irrestrito da mão de Deus e da sua absoluta proteção contra o mal. Ora, qual homem não deseja o mesmo e um tanto mais? Até aqui nenhuma estranheza há na oração de Jabez. É o que peticionaria qualquer homem, independentemente de sua crença. O querer e o desejar coisas é parte inerente da natureza humana. Entretanto, tais posturas nada têm de espirituais.
O que Jabez pediu se reduz a coisas. E, coisas, Deus concede a qualquer homem todos os dias, sem que este, sequer, o saiba ou Lhe seja grato. Mt. 5:45 - "Porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos." Estas são bênçãos fixas e oriundas da natureza graciosa e providencial de Deus. Estas bênçãos não acrescentam ao homem qualquer grau de espiritualidade. Alguém pode ser abundantemente abençoado com coisas nesta vida e, ainda assim, morrer incrédulo.
É fundamental que se entenda definitivamente que, a concepção de bem e mal é apenas moral e humana. Deus está acima do bem e do mal, posto que é inatingível por estes valores. Ele não tem coisas para dar, tem apenas Cristo. Quem recebe a vida de Cristo recebe absolutamente tudo de Deus, porque Cristo é tudo em todos. Todavia, para ter o tudo de Deus é necessário que o "eu" seja diminuído conforme Jo. 3:30 - "É necessário que ele cresça e que eu diminua." Assim, Deus não tem amor para dar ao homem, Ele mesmo é Amor; Deus não tem porções de justiça para dar, Ele mesmo é a Justiça; Deus não tem momentos de salvação para dar, Ele mesmo é a salvação. Esta mania de fatiar Deus em doador de coisas é própria do homem tipificado na pessoa de Jabez. Deus é Ele mesmo a doação e o doador na pessoa do Seu Filho Unigênito, a saber, Cristo.
Não é admirável apenas o fato de Deus ter concedido o que Jabez Lho pediu, porque Ele é um Deus soberano que tudo pode conforme a Sua vontade. Entretanto, a concessão de bênçãos não torna o homem salvo para a bem-aventurança eterna. Neste sentido, a religião tem produzido inumeráveis Jabezes dentro e fora das igrejas nominais e denominacionais.

julho 20, 2009

FATOR RECABITA


Jr. 35:1 a 13 - "A palavra que do Senhor veio a Jeremias, nos dias de Jeoiaquim, filho de Josias, rei de Judá, dizendo: vai à casa dos recabitas, e fala com eles, e leva-os à casa do Senhor, a uma das câmaras e dá-lhes vinho a beber. Então tomei a Jazanias, filho de Jeremias, filho de Habazinias, e a seus irmãos, e a todos os seus filhos, e a toda a casa dos recabitas; E os levei à casa do Senhor, à câmara dos filhos de Hanã, filho de Jigdalias, homem de Deus, que estava junto à câmara dos príncipes, que ficava sobre a câmara de Maaséias, filho de Salum, guarda do vestíbulo; e pus diante dos filhos da casa dos recabitas taças cheias de vinho, e copos, e disse-lhes: bebei vinho. Porém eles disseram: não beberemos vinho, porque Jonadabe, filho de Recabe, nosso pai, nos ordenou, dizendo: nunca jamais bebereis vinho, nem vós nem vossos filhos; não edificareis casa, nem semeareis semente, nem plantareis vinha, nem a possuireis; mas habitareis em tendas todos os vossos dias, para que vivais muitos dias sobre a face da Terra, em que vós andais peregrinando. Obedecemos, pois, à voz de Jonadabe, filho de Recabe, nosso pai, em tudo quanto nos ordenou; de maneira que não bebemos vinho em todos os nossos dias, nem nós, nem nossas mulheres, nem nossos filhos, nem nossas filhas; nem edificamos casas para nossa habitação; nem temos vinha, nem campo, nem semente. Mas habitamos em tendas, e assim obedecemos e fazemos conforme tudo quanto nos ordenou Jonadabe, nosso pai. Sucedeu, porém, que, subindo Nabucodonosor, rei de Babilônia, a esta terra, dissemos: vinde, e vamo-nos a Jerusalém, por causa do exército dos caldeus, e por causa do exército dos sírios; e assim ficamos em Jerusalém. Então veio a palavra do Senhor a Jeremias, dizendo: assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel: vai, e dize aos homens de Judá e aos moradores de Jerusalém: Porventura nunca aceitareis instrução, para ouvirdes as minhas palavras? diz o Senhor."
Os recabitas representam aquela estirpe de pessoas as quais recebem e obedecem instruções que lhes são repassadas pelos que sobre elas têm ascendência. Tais pessoas tomam um princípio como base de suas vidas e dele não se aparta. Elas não são, como a maioria, suceptíveis a uma ética situacional, dobrável e maleável de acordo com a oferta posta diante de si. O mundo nunca careceu tanto de recabitas, como nos dias que transcorrem. Neste tempo presente, pessoas passam de uma disposição à outra por razões as mais torpes e, em certos casos, sem uma coerência razoável. Estas considerações não possuem caráter legalista, no sentido religioso do termo, mas são o resultado de uma constatação de cunho puramente prático. Por analogia, Deus está comparando a postura dos recabitas à impostura dos que ouviam as instruções da Sua Palavra e não as cumpriam.
No campo da relação homem-Deus, o "Fator Recabita" não encontra a menor possibilidade de se desenvolver sem o concurso da graça. O religioso é, em média, a criatura mais instável que se pode ver! Bastam os acontecimentos lhes serem desfavoráveis e lá se vai ele atrás da elaboração de uma "teologia do fracasso". Entra em conflito e esgotamento "espiritual" pelas razões mais simplistas. Raciocina de modo linear e raso: o bem provém invariavelmente de Deus e o mal provém invariavelmente do Diabo. Assim, se as coisas vão bem, Deus está aprovando e coroando os seus atos; se as coisas ocorrem em arrepio aos seus interesses atribui-se isto ao Diabo e tratam de se mover em uma direção alternativa. Entretanto, o ensino das Escrituras coloca todas as coisas subordinadas à soberana vontade de Deus. Quer sejam boas, quer sejam más, todas elas ocorrem com a aquiescência d'Ele, porque Ele é absolutamente soberano. Nem mesmo Satanás age sem que lhe seja permitido, intentando fazer o que é mal, acaba por ser usado para o tratamento da natureza humana na pedagogia de Deus. Este foi o caso de Jó!
Bem e mal são conceitos puramente morais e reduzidos à esfera das limitações humanas presas à vala da natureza pecaminosa. O entendimento do ensino de Paulo aos Romanos mostra que o homem regenerado foi liberto da culpa do pecado, está sendo liberto da influência do pecado e será totalmente liberto da presença do pecado na restauração final. Neste sentido, o mal pode ser um instrumento para disciplinar e o bem pode ser um instrumento para condenar.
Bem fazem os que, como os recabitas, recebem a instrução do Senhor Deus por meio da Sua soberana e monérgica vontade. Estarão sendo aperfeiçoados para o dia de Cristo.