terça-feira, 23 de abril de 2013

SOBRE O FIM DOS TEMPOS XXIV

Ap. 2:18 a 29 - "Ao anjo da igreja em Tiatira escreve: isto diz o Filho de Deus, que tem os olhos como chama de fogo, e os pés semelhantes a latão reluzente: conheço as tuas obras, e o teu amor, e a tua fé, e o teu serviço, e a tua perseverança, e sei que as tuas últimas obras são mais numerosas que as primeiras. Mas tenho contra ti que toleras a mulher Jezabel, que se diz profetisa; ela ensina e seduz os meus servos a se prostituírem e a comerem das coisas sacrificadas a ídolos; e dei-lhe tempo para que se arrependesse; e ela não quer arrepender-se da sua prostituição. Eis que a lanço num leito de dores, e numa grande tribulação os que cometem adultério com ela, se não se arrependerem das obras dela; e ferirei de morte a seus filhos, e todas as igrejas saberão que eu sou aquele que esquadrinha os rins e os corações; e darei a cada um de vós segundo as suas obras. Digo-vos, porém, a vós os demais que estão em Tiatira, a todos quantos não têm esta doutrina, e não conhecem as chamadas profundezas de Satanás, que outra carga vos não porei; mas o que tendes, retende-o até que eu venha. Ao que vencer, e ao que guardar as minhas obras até o fim, eu lhe darei autoridade sobre as nações, e com vara de ferro as regerá, quebrando-as do modo como são quebrados os vasos do oleiro, assim como eu recebi autoridade de meu Pai; também lhe darei a estrela da manhã. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito dia às igrejas."
As Escrituras possuem textos literais e textos simbólicos. Ao interprete cabe discernir pelo espírito e não pelo intelecto, onde está cada caso. A aplicação literal ao que é literal e a aplicação simbólica ao que é simbólico. O fato de um texto ser simbólico não o desqualifica como verdade, ao contrário, as metáforas visam fortalecer a verdade que o texto ensina. Há expositores das Escrituras que colocam os textos simbólicos como se fossem apenas banalidades ilustrativas. Nada nas Escrituras pode ser banalizado àquele que as recebe como Palavra de Deus e não como mitos ou manual de religião.
Esta é a única carta do Apocalipse em que Jesus, o Cristo é identificado como o "Filho de Deus". Em outros contextos é identificado como o "Filho do Homem" e o "Cordeiro". Desta forma, a sabedoria de Deus aponta o sentido da verdade aos eleitos e regenerados, pois prevalece em muitas seitas e religiões espiritistas o ensino gnóstico que Jesus, o Cristo é apenas um dos filhos de Deus, já que defendem que todos são filhos de Deus. Engano puro! Jesus, o Cristo é o único filho legítimo de Deus e forma uma unidade com o Pai e o Espírito Santo. É a chamada triunidade de Deus, visto que Deus não é o seu nome, mas apenas um substantivo concreto da triunidade divina. Os eleitos e predestinados são feitos filhos de Deus por adoção por meio de  Cristo, pelo qual recebem vivificação. Jo. 1:12 e 13 - "Mas, a todos quantos o receberam, aos que creem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus." Ora, 'todos quantos' é uma locução adverbial que indica um número de pessoas e não todas as pessoas. Tal limitação fica mais evidente quando aparece a expressão 'aos que creem no seu nome', visto que não são todos os que creem da forma que o evangelho ensina. Finalmente, a estes "todos" eleitos é dado o poder de se tornarem filhos de Deus. Termina o texto, ensinando, que, tal filiação não foi por herança genética ou étnica, por reprodução sexual ou pela vontade almática do homem. Cabe soberanamente a Deus eleger e predestinar os que deseja como sua família para eternidade. 
Os olhos como chama de fogo e os pés como latão reluzente são símbolos do poder de ver tudo e estar além da aparência, do exterior e do tempo. Por isto, o Cristo conhece as obras, o amor, a fé, o serviço e a perseverança daquela Igreja. Entretanto, havia uma reprimenda, pois tolerava a mulher Jezabel dentro da Igreja. Obviamente, não havia uma pessoa com este nome na Igreja de Tiatira. Mulher em linguagem apocalíptica indica sempre uma igreja, um conjunto de doutrinas, podendo ser verdadeira ou falsa. A analogia, neste caso, é à esposa de um dos reis de Israel - Acabe -, que, no passado, desterrou, perseguiu e matou quase todos os profetas de Deus para estabelecer o culto à Baal, buscando poder e riquezas. Então, é um caso de parasitismo diabólico dentro da Igreja em Tiatira: um corpo de falsas doutrinas ensinadas e cultivadas em paralelo à doutrina de Cristo que é o verdadeiro fundamento. Jezabel, neste texto, é um corpo de ensinos esotéricos e extáticos e os indicativos são: a) Falsas profecias; e b) Prostituição e contaminação com práticas e doutrinas fora de Cristo. Ora, o que é uma falsa profecia? É uma pregação que não mostra o que o homem de fato é, ou seja, pecador; que o pecado o faz morto para Deus; que o salário do pecado é a morte eterna; que a única solução ao pecado é a graça de Deus, por meio da fé, cravando-o na cruz. Qualquer doutrina soteriológica - de salvação - que não ensina a realidade do pecado, a redenção por meio da fé que o pecador foi incluído na morte de Cristo, e, que, com Ele ressuscitou para ganhar a vida eterna é anátema. Prostituição no sentido apocalíptico nada tem a ver com questões de comportamento moral nos relacionamentos sexuais. Refere-se à diluição da verdade em mentira, na medida em que, ensina ao pecador que ele tem livre arbítrio e que ao escolher aceitar a fé e fazer obras de justiça será salvo. Isto é a negação da Graça e da Misericórdia de Deus e a sobreposição da justiça própria, dos méritos e da falsa autonomia do homem no lugar da verdade. Comer das coisas sacrificadas aos ídolos é ser tolerante em sua prática de fé com o que não é evangelho. Esta posição não autoriza ninguém a ofender e agredir pessoas que praticam outras crenças. É a pessoa, que, conhecendo a verdade, também assimila os comportamentos e práticas alheias à verdade. Não há ponto de conciliação entre verdade e mentira. 
A exigência do Cristo é que verifiquem e revejam suas práticas para certificar-se de que não estejam adulterando a verdade. Nada tem a ver com exclusão e condenação de pessoas que não creem da forma que ensinam as Escrituras. É incluir crenças esotéricas à fé genuína ensinada nas Escrituras. O cristão verdadeiro não condena pessoas, mas não incorpora ideias e crenças não escriturísticas à sua fé. A purificação  deste tipo de Igreja é a disciplina dos que se prostituem e adulteram a verdade acrescentando-lhe outro fundamento. Trata-se de questões de cunho puramente espiritual e não de religião exterior, pois o conhecimento de tais práticas se dá pela onisciência de Cristo que pode ver e esquadrinhar o coração e os rins dos seus eleitos. Vê-se que Cristo não os rejeita ou os retira do livro da vida, mas os disciplina com dores e tribulações. 
Esta questão da doutrina de Jezabel é algo de caráter estritamente espiritual, pois estão na esfera das profundezas de Satanás. É o ensino gnóstico, o qual leva o homem á procurar e desenvolver-se buscando a luz interior, o auto-conhecimento e a auto-ajuda. Por esta razão é que Cristo ensina em Mt. 6:23 - "Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes são tais trevas!" Este ensino que induz o homem a acreditar que é ele o senhor da sua vida e do seu destino eterno com base no bem e na justiça própria é diabólico, porque põe no homem a condição de sua própria salvação. Isto acontece, porque a inclinação do coração do homem decaído é para si próprio na busca de ser como um deus. Em resumo é este o sentido das profundezas de Satanás, a saber, o que foi inoculado no Éden como falsa autonomia de Deus.
As promessas são que ao vencedor será dada autoridade para governar povos e nações na eternidade. Receberão a estrela da manhã é uma alusão à glória que será dada aos justificados em Cristo conforme Dn. 12:3 - "Os que forem sábios, pois, resplandecerão como o fulgor do firmamento; e os que converterem a muitos para a justiça, como as estrelas sempre e eternamente." Todos os eleitos e regenerados durante o período da Graça até os que forem purificados durante a grande tribulação serão imortais que viverão e governarão com Cristo no reino eterno. Os demais que forem nascidos durante o milênio e que formarem as nações da Terra depois do retorno do Grande Rei, serão pessoas comuns e com longa vida e saúde perfeita, mas mortais. Só após a batalha final e a eliminação do inferno e da segunda morte é que serão também imortais.
Sola Gratia!

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