sexta-feira, 7 de setembro de 2012

PERDER PARA GANHAR

Jo. 12: 25 - "Quem ama a sua vida, perdê-la-á; e quem neste mundo odeia a sua vida, guardá-la-á para a vida eterna."
A sociedade humana sempre, e, agora, mais do que nunca é apoiada no ganho. No ideário dominante, o ter prescinde o ser, porque imaginam os homens, que, tendo, serão. Serão mais consultados, mais aceitos, mais amados, mais cogitados, mais admirados, mais felizes. Contrariamente, perder é um verbo insuportável ao homem, pois redunda em não ter e não ser. Por todas estas razões é que muitos se apegam tanto ao que supõem ter. Na verdade, na esfera espiritual, não têm e nem são nada conforme Is. 40.17 - "Todas as nações são como nada perante ele; são por ele reputadas menos do que nada, e como coisa vã." Como verbo transitivo direto 'perder' significa 'ficar sem a posse de algo, deixar de ter, fazer mau uso, desperdiçar, passar a ter menos do que tinha, deixar escapar'. Enquanto intransitivo é 'ter mau êxito, sofrer derrota'.
A vida é tratada nas Escrituras em três esferas: a vida biológica (bios), a vida almática (psikê) e a vida espiritual (zoê). No texto de abertura a palavra traduzida como vida é 'psikèn', ou seja, é a vida da alma ou a vida almática. Esta é a esfera da vida com a qual o homem foi feito por Deus originalmente conforme Gn. 2:7 - "...e o homem tornou-se alma vivente." A alma possuía originalmente a função de fazer a conexão entre o espírito e o meio natural, sendo conduzida por aquele que se ligava apenas a Deus. Após a queda, o espírito ficou desativado, porque foi desligado de Deus. Assim, a alma assumiu o controle na condução do homem em relação ao mundo. É esta dimensão da vida que permite ao homem ter vontade, desejos, emoções e decisões. A maioria dos homens, especialmente, os religiosos toma as ações da alma como sendo atos espirituais, porém, de fato, não o são. São apenas almáticas e de elevado perigo, pois a alma acha-se absolutamente contaminada pela natureza pecaminosa conforme Tg. 3:15 - "Essa não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, almática e diabólica." Desta forma, a sabedoria que não procede de Deus por meio da revelação pelo espírito vivificado é almática e de origem diabólica. A queda no pecado deu ao Diabo uma ascendência sobre a alma do homem decaído. Por esta razão é que Cristo veio para libertá-lo verdadeiramente.
É a vida almática que Cristo veio purificar e resgatar, porque o espírito é reconciliado com Deus no novo nascimento e o corpo será restaurado na ressurreição final. Observa-se que todos os textos a que Cristo se refere à salvação faz menção da alma e não do espírito ou do corpo, embora se saiba que o homem será restaurado em sua totalidade na restauração final. Logo, a salvação é plena e total. Os homens, mesmo os que se dizem ateus ou agnósticos, não admitem tal ideia de terem almas terrenas, contaminadas pelo pecado, e, portanto, diabólicas. Isto se deve ao próprio resultado da natureza pecaminosa nele residente. Alguns imaginam que suas crenças e sistemas religiosos os faz diferenciados. Outros imaginam que os seus comportamentos éticos os tornam dignos e isentos de tal contaminação. Entretanto, não é este o ensino do Cristianismo puro conforme Rm. 5:12 - "Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram."
O texto de abertura é o fundamento do ensino de Cristo: 'quem ama a sua vida almática contaminada pela natureza pecaminosa, estará perdido para sempre. Mas aquele, entretanto, que não concorda e se opõe aos feitos da carne e crê que foi crucificado com Cristo, e incluído em sua morte de cruz para destruição da vida almática, ganhará a vida de Cristo na ressurreição juntamente com Ele.' Isto é confirmado pelo ensino do apóstolo Paulo em Cl. 3: 9 e 10 - "...pois que já vos despistes do homem velho com os seus feitos, e vos vestistes do novo, que se renova para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou." Veja que foi o velho homem que foi despido, e não o homem velho. Isto implica que a expressão 'velho homem' é a velha natureza almática contaminada pela natureza pecaminosa. A expressão 'vestistes do novo' é o revestimento do homem novo nascido que ganha a vida eterna. Esta nova disposição vai sendo renovada na medida em que o regenerado ganha o conhecimento de Deus por meio de Cristo. Vai sendo formada no eleito regenerado a semelhança de Cristo. Este era o projeto antes da queda: fazer o homem à imagem de Deus, como também, formar nele a Sua semelhança.
Este é o sentido verdadeiro do perder e do ganhar. Perde-se a vida almática condenada pelo pecado original, e ganha-se a vida de Cristo para a eternidade.
Sola Gratia!

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