quinta-feira, 26 de julho de 2012

PROFUNDA DEI ET ALTITUDINES SATANAE VI

I Co. 2: 10 a 16 - "Porque Deus no-las revelou pelo seu Espírito; pois o Espírito esquadrinha todas as coisas, mesmos as profundezas de Deus. Pois, qual dos homens entende as coisas do homem, senão o espírito do homem que nele está? assim também as coisas de Deus, ninguém as compreendeu, senão o Espírito de Deus. Ora, nós não temos recebido o espírito do mundo, mas sim o Espírito que provém de Deus, a fim de compreendermos as coisas que nos foram dadas gratuitamente por Deus; as quais também falamos, não com palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas com palavras ensinadas pelo Espírito Santo, comparando coisas espirituais com espirituais. Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque para ele são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. Mas o que é espiritual discerne bem tudo, enquanto ele por ninguém é discernido. Pois, quem jamais conheceu a mente do Senhor, para que possa instruí-lo? Mas nós temos a mente de Cristo." 
É notável que na versão bíblica chamada vulgata em latim, as palavras profundezas são diferentes nos textos em que aparecem, a saber, I Co. 2:10 e Ap. 2:24. No texto de Paulo aos Coríntios é utilizada a palavra 'profunda', enquanto no texto de João no Apocalipse é utilizada a palavra 'altitudines'. Tudo nas Escrituras tem uma razão de ser, e, neste caso, é que o conhecimento de Deus por meio de Cristo é um aprofundamento espiritual, enquanto o conhecimento oferecido por Satanás é uma exaltação ao orgulho e a suposta autonomia do homem. O modo como Deus age no homem é levando-o ao profundo do abismo para que ele conheça o que, de fato, é o pecado e suas consequências. O modo como Satanás engana o homem é elevando-o ao que se chama de autoconhecimento, evolução, superação, sublimação, gnose do eu interior, elevação. Ambas as palavras são provenientes da palavra grega 'bathes' a qual significa, tanto profundidade ou profundezas do espírito, como o espaço sideral profundo onde se observam os astros celestes.
O texto de abertura mostra diversos aspectos interessantes da perspectiva das profundezas de Deus. Primeiro, trata-se de uma revelação e não de uma competência ou habilidade do próprio homem; segundo, o homem regenerado recebe a revelação do Espírito de Deus e não do espírito do mundo, a saber, recebe o conhecimento vindo de Deus, e não o conhecimento racional, que não provoca a metanoia, ou seja, arrependimento. A revelação das profundezas de Deus consiste na presença do Espirito de Deus ensinando, inicialmente, aos escritores dos textos sagrados a encontrar as palavras que transmitem os conceitos espirituais e não a compreensão racional e humana. Isto porque o homem natural, isto é, regido pela alma, não consegue discernir as coisas espirituais. Eles entendem intelectualmente as palavras, mas rejeitam os princípios espirituais que elas encerram. Isto ocorre porque os seus espíritos estão 'mortos' para Deus por causa da ruptura em função do pecado original. Ao homem regenerado, a saber, que experimentou o nascimento do alto, o Espírito de Deus concede capacitação para discernir ou ter 'anakriteia'. O homem que tem experiência de regeneração possui o espírito vivificado, ou seja, é um homem 'pneumatikos'. Assim, coisas espirituais são discernidas pelo espírito reconciliado com Deus, e, portanto, ele avalia, julga, peneira, examina apenas com a finalidade de obter o conhecimento que vem do alto. O  homem renascido possui a mente de Cristo, e portanto, ganha capacitação para conhecer as profundezas de Deus. Tais revelações estão nas Escrituras, pois são elas que revelam os pensamentos de Deus. Assim, o correto não é o eleito e regenerado ler apenas as Escrituras, mas deixar-se ler por elas. Ao lê-las, de fato, é lido por elas!
As profundezas de Satanás ocupam-se em conduzir e aperfeiçoar o homem às coisas deste mundo, ou seja, do sistema produzido pelo homem decaído de modo que ele não tenha interesse e disposição para descobrir o reino de Deus que está sendo construído e que será implantado na restauração final. Tais profundezas de Satanás apregoam apenas valores e virtudes morais e de auto-sacrifício, caridade e benevolência, ensinando o homem a viver para o bem dos outros e ser bom. Tal propositura é um forte apelo à mente carnal, isto é, à mente almática 'psikikos', tornando-se imensamente atraente às massas. A tese das profundezas de Satanás ilude o homem em seu orgulho e vaidade, negando a verdade solene que ele é, por natureza, uma criatura decaída, alienada da vida de Deus, morta em delitos e pecados, e que sua única saída é o novo nascimento. Cria a noção de que é possível produzir um paraíso na Terra à margem da soberania de Deus.
As tais profundezas ou altitudes de Satanás de Ap. 2:24, nada mais eram e são que a pregação de alguns que se diziam e se dizem ser os únicos iluminados pelos mistérios arcanos. Eles eram e são cristãos apenas nominais e que se dizem possuidores dos segredos das profundezas de Deus, mas na realidade, as tais profundezas são de Satanás e quem afirma isto é Cristo na carta à Igreja de Tiatira. Da época da Igreja Primitiva para cá, a única coisa que alterou foi o aperfeiçoamento e a subtileza e refinamento que os tais usam para pregar os ensinos e mistérios gnósticos. É desses ensinos que Paulo previne a Igreja conforme II Tm. 4: 3 e 4 - "Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo grande desejo de ouvir coisas agradáveis, ajuntarão para si mestres segundo os seus próprios desejos, e não só desviarão os ouvidos da verdade, mas se voltarão às fábulas." Não se iluda, estes mestres ou 'kadoshim' não sairão falando qualquer coisa sem aprofundamento e sem um alto nível de convencimento. Ao contrário, são altamente convincentes e com aparência de piedade. Isto também está previsto "... tendo aparência de piedade, mas negando-lhe o poder. Afasta-te também desses." Estes gnósticos, doutores  em divindades, especialistas em falsos mistérios estão na seguinte categoria apontada por Paulo: "... sempre aprendendo, mas nunca podendo chegar ao pleno conhecimento da verdade." Vê-se que eles aprendem sempre, mas não podem chegar até às profundezas de Deus. Não é uma questão de querer, mas de não poder.
Sola Scriptura!

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