terça-feira, 31 de julho de 2012

PROFUNDA DEI ET ALTITUDINES SATANAE IX


I Tm. 4: 1 a 5 - "Mas o Espírito expressamente diz que em tempos posteriores alguns apostatarão da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios, pela hipocrisia de homens que falam mentiras e têm a sua própria consciência cauterizada, proibindo o casamento, e ordenando a abstinência de alimentos que Deus criou para serem recebidos com ações de graças pelos que são fiéis e que conhecem bem a verdade; pois todas as coisas criadas por Deus são boas, e nada deve ser rejeitado se é recebido com ações de graças; porque pela palavra de Deus e pela oração são santificadas."
As profundezas de Satanás se manifestam de maneira quase imperceptível e sempre apresentando soluções e propostas essencialmente humanistas. Elas se disseminam por meio das ideias de progresso, tanto material, como espiritual e científico. Invariavelmente tais profundezas assumem papel universalista, pacifista, progressista e conciliador. Estas coisas são consagradas por meio de um discurso politicamente correto, passando sempre a noção de justiça social e correção das distorções cometidas ao longo da história por pessoas ou sistemas perversos. É óbvio, que, comparativamente, as profundezas de Satanás são de longe mais atraentes que as profundezas de Deus. No filme "O Advogado do Diabo" a ideia de um Deus injusto, manipulador e maléfico ao homem é ostensivamente pregada. Há uma cena em que o Diabo fala claramente que Deus é quem faz o mal ao homem, e, que ele, ao contrário, quer instaurar uma era de progresso e liberdade. É exatamente esta ideia que prevalece na visão universalista, especialmente, a partir do século XX. Muitos seguimentos universalistas já declararam o cristianismo como uma instituição falida e fracassada. Outros vão além, declarando-o inoportuno e um verdadeiro atraso para a humanidade. Bem, do ponto de vista de pessoas e grupos que postulam tais ideias, isto está perfeitamente correto. Primeiramente, porque o cristianismo institucionalizado que está posto diante do mundo é, em sua maior parte, absurdamente medíocre. Bajula o pecador sem lhe dizer, de fato, o que é o pecado, envida todo esforço para levá-lo a uma religião, onde este se torna, muitas vezes, pior do que antes. Secundariamente, porque, os que propõem estas ideias, não têm qualquer experiência de nascimento espiritual. Tomam o que se vê pelo que não se vê, ou seja, toma o cristianismo puramente nominal e institucional sem conhecer a verdade que é por revelação e não por religião. Acontece, que, o Cristianismo ensinado por Cristo, passa ao longe do catecismo e do cinismo ensinados pelas religiões, que, em suma, são subprodutos da vaidade humana em querer definir e explicar Deus pela ótica do homem decaído e contaminado pela natureza pecaminosa. Tais pessoas agem como agiu Jó antes de ser regenerado: 'falava de coisas demasiadamente grandes as quais ele conhecia só de ouvir e não de experimentar'.
O universalismo defende as seguintes postulações gerais:
1) As religiões são criações do gênio humano e não imposições de Deus e dos espíritos, portanto, não podem resolver o destino humano sozinhas; 
2) Não existe corrente de pensamento que monopolize as verdades relativas ou absolutas de ponta, ora, não existem verdades, mas uma única verdade; 
3) Há caminhos diferentes para se atingir a evolução espiritual, dentro e fora de religiões, ou seja, há diversas e diferentes caminhos de evolução; 
4) Mais importa a conduta amorosa e fraterna do que a ideologias, cosmogonias, sistema de crença, fé, dogmas ou organização religiosa, ou assemelhada escolhidas; 
5) São contraproducentes e inócuas disputas por qual o melhor guru, mestre ou líder espiritual da humanidade; 
6) Todas as contribuições ao esclarecimento espiritual e consciencial são válidas e relevantes, merecem respeito e apreciação sem preconceito, devendo-se extrair de cada ideologia o que nela houver de proveitoso ao aprimoramento do indivíduo e da sociedade. 
Considerando cada ponto acima colocado, vê-se claramente um intenso processo de desconstrução do que está posto no mundo há milhares de anos. Na verdade, diante dos fatos e devaneios de alguns, tais argumentos são irrefutáveis. Por que, quantas vezes a face da Terra foi banhada de sangue em nome de Deus? De fato, a verdade, não é, e jamais poderia ser monopólio de uma pessoa, grupo ou sistema teológico, pois realmente ela é uma pessoa e não uma concepção. Os caminhos diferentes a que alude o ponto três, são igualmente criados pelo gênio humano, neste sentido em nada difere das religiões também humanistas e humanizadas. A tal conduta amorosa é uma proposta muito atraente ao mais bruto dos seres, porque no bojo dela vai a aceitação de padrões e valores tidos como inaceitáveis. O amor é tomado em um sentido absolutamente horizontal e humanista, nada tendo a ver com o padrão de amor divino. Refutar as orientações de gurus, profetas, mestres e líderes ditos espirituais é uma forma de despersonalizar preceitos, dogmas e normas impostas por qualquer sistema de crença positivado. O sexto ponto põe a última pá de cal sobre quaisquer doutrina que tente dominar indivíduos e grupos. Tal propositura é tudo o que a humanidade à parte da natureza de Deus deseja e busca. Esta é, na essência, a proposta das profundezas de Satanás. 
O texto de abertura é de cunho escatológico, entretanto, os tempos posteriores é uma expressão técnica e alude ao período entre a primeira manifestação de Cristo e a sua próxima manifestação ou parusia. É, na verdade, uma expressão abrangente e não a determinação de uma data específica. Quem está afirmando é o Espírito de Deus que, de fato, é o grande ensinador conforme Jo. 14:26 - "Mas o Ajudador, o Espírito Santo a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto eu vos tenho dito." Há segmentos universalistas e espiritistas que têm o disparate de afirmar que o Espírito, o Consolador ou o Ajudador são suas doutrinas. Só quem não conhece mesmo as Escrituras espiritualmente para dizer isto. 
A apostasia a que alude o texto de abertura é uma espécie de afastamento de uma determinada verdade, não no sentido de abandoná-la, mas de pregá-la divergentemente do que ela é em sua natureza essencial. Veja que os tais apóstatas se apostatarão da fé e não da religião. Os espíritos enganadores que ensinam doutrinas de demônios são, não apenas, os espíritos dos que lideram e pregam suas falácias, mas também se refere aos espíritos invisíveis que os inspiram. A natureza de tais espíritos, tanto encarnados, como invisíveis está definida em I Jo. 4: 1 a 3 - "Amados, não creiais a todo espírito, mas provai se os espíritos vêm de Deus; porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo. Nisto conheceis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus; e todo espírito que não confessa a Jesus não é de Deus; mas é o espírito do anticristo, a respeito do qual tendes ouvido que havia de vir; e agora já está no mundo." Dentre grupos espiritualistas há também os que afirmam que Cristo não veio como o Filho Unigênito de Deus e que Ele não experimentou qualquer dor física na crucificação, pois possuía um corpo diferenciado dos outros homens. Entretanto, Ele mesmo prova que isto não é verdade, pois sentiu pavor a ponto de suar gotas de sangue e orou ao Pai para que o livrasse de tal situação na noite anterior à crucificação. Muito pelo contrário, Jesus, o Cristo foi desprovido da sua deidade na cruz, pois absorveu toda a carga pecaminosa dos eleitos que atraiu conforme Jo. 12: 32 e 33 - "E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim. Isto dizia, significando de que modo havia de morrer."
As tais profundezas de Satanás são responsáveis pela apostasia e desvios dentro da igreja e do cristianismo nominal. Muitos grupos que hoje pregam estas anomalias e cometem verdadeiros absurdos em nome de Deus, já foram fieis no passado. Muitas igrejas institucionais de hoje, já pertenceram à verdadeira Igreja, o corpo de Cristo no passado. Há no texto de abertura três elementos esclarecedores acerca da apostasia: a fonte são os espíritos enganadores, os ensinos ou doutrinas são de demônios e os agentes promotores de tais profundezas de Satanás são alguns dentro da própria igreja institucional. Aliás, o primeiro erro foi institucionalizar a fé, depois foi abandonar o fundamento já lançado que é Cristo, e, por último e mais grave trocar as profundezas de Deus reveladas nas Escrituras por ideologias políticas, econômicas e religiosas. Tais agentes têm sempre algum preceito, alguma regra, algum ensino sutilmente oposto ao que Cristo ensina. Questões de casamentos, alimentos, vestuários, conduta moral, sacrifícios, justiça própria e méritos são exigidas para serem aceitos como autênticos cristãos. Ora, na verdade, o ensino verdadeiro demonstra que a Graça e a Misericórdia de Deus é exatamente para os desgraçados e miseráveis. Quando uma pessoa se reconhece imerecedora e miserável diante da Soberana vontade de Deus, certamente, está sendo atingido pelo o Seu verdadeiro amor. 
Solo Christus! 
Soli Deo Gloria! 
Sola Scriptura!

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