quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

O EVANGELHO É O PODER DE DEUS

Rm. 1: 15 a 19 - "De modo que, quanto está em mim, estou pronto para anunciar o evangelho também a vós que estais em Roma. Porque não me envergonho do evangelho, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego. Porque no evangelho é revelada, de fé em fé, a justiça de Deus, como está escrito: mas o justo viverá da fé. Pois do céu é revelada a ira de Deus contra toda a impiedade e injustiça dos homens que detêm a verdade em injustiça. Porquanto, o que de Deus se pode conhecer, neles se manifesta, porque Deus lho manifestou."
Os eleitos antes da fundação do mundo foram predestinados, chamados, justificados e glorificados em Cristo para serem co-participantes da obra de Deus. Sendo a obra exclusivamente d'Ele, de fato, cabe ao homem apenas uma co-participação como instrumento. Desta forma, a posição dos eleitos e regenerados é estarem disponibilizados para a obra de Deus. Paulo, apóstolo de Cristo, se põe nesta perspectiva conforme o texto de abertura: "...estou pronto para anunciar o evangelho..." 
Há muitos religiosos que sequer experimentaram o "novo nascimento" e já vão impondo as suas crenças aos outros, julgando estar prestando um grande serviço a Deus e ao mundo. Eles são como os profetas que Deus não mandava, mas eles iam correndo conforme Jr. 23:21 - "Não mandei esses profetas, contudo eles foram correndo; não lhes falei a eles, todavia eles profetizaram." Ir sem ser mandado é como o carteiro que esqueceu a bolsa com as cartas. Ir sem ter ouvido primeiro o que dizer é como o mensageiro que corre sem antes ter ouvido o conteúdo da mensagem a ser anunciada. Muitos têm uma experiência puramente emocional na religião e tomam-na como experiência espiritual. A partir de uma experiência apenas almática passam a ter grande ânsia em reproduzi-la, porém, nem eles mesmos experimentaram a regeneração monérgica na conformidade de Lm. 5:21 - "Converte-nos a ti, Senhor, e seremos convertidos; renova os nossos dias como dantes." As experiências sensoriais produzem o mais terrível engano religioso e provoca grande estrago no mundo, pois está a serviço do inimigo, e não de Deus, porque o foco dela está nos desejos do homem. Atribuem aos seus desejos, vontades, e projetos à vontade de Deus. Tudo o que é fundamentado no sentir, não procede de Deus, mas da alma humana, que nada tem a ver com espiritualidade.
Existem duas naturezas de conversão nas Escrituras: a conversão dos maus caminhos, a saber, daquilo que é mau e errado moralmente, e a conversão operada por Deus no pecador para regenerá-lo. Muitos religiosos confundem estas duas naturezas de conversão. Tomam a palavra de Deus no tocante à necessidade de o homem mau e errado mudar o seu comportamento, como se fosse a conversão da natureza pecaminosa. São realidades totalmente distintas, pois uma pessoa pode até ser contida moralmente, e não conhecer a Deus. Muitos ateus dão lições de vida a muitos ditos cristãos. À guisa de exemplo, sabe-se que Hitler se declarava cristão, e que Charles Chaplin era ateu. Todavia, comparando-os, Chaplin mais se parecia a um cristão, e Adolf Hitler mais se parecia a um ateu.
O evangelho anunciado por quem foi convertido pela ação monérgica de Deus, "é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê", e não de todos os homens, porque a fé não é de todos. A salvação é pela graça, a saber, é por um ato de soberania de Deus, sem que o pecador tenha qualquer saldo de mérito, e de justiça própria. É monérgica, porque não depende do concurso de quaisquer esforços e bom comportamento moral do homem. Além do que, poder é um atributo exclusivo de Deus, pois se o homem pudesse ser o agente promotor da sua própria salvação, Deus, Jesus Cristo, e o Espírito Santo seriam absolutamente dispensáveis no processo. Visto que o homem é totalmente incompetente para resolver o dilema do pecado, aprouve a Deus salvá-lo pela loucura da pregação do evangelho da cruz.
O texto afirma categoricamente que a salvação é para "todo aquele que crê", porém, sendo a fé também dom de Deus, logo só serão salvos os que Ele decidiu salvar antes dos tempos eternos conforme II Tm. 1:9 - "... que nos salvou, e chamou com uma santa vocação, não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e a graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos ..." Ora, se não foi segundo as nossas próprias obras, mas segundo o seu próprio propósito e a graça por meio de Cristo antes da própria existência do mundo, segue-se que o homem não pode ter nenhuma ação sinérgica no processo.
O texto que abre este artigo mostra que a salvação monérgica é para homens de todas as origens, que a revelação é pela fé do Justo, que é Cristo. Também mostra que a ira de Deus se revela do céu contra o pecado do homem que permanece na impiedade, pois mudam a verdade em mentira religiosa, e a justiça em injustiça. Todos, sem exceção alguma, são culpados, pois são conscientes da verdade revelada por Deus, tanto pelo anúncio da Sua justiça executada na cruz, como pela própria natureza criada.
Soli Deo Gloria!

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