quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

O EVANGELHO DO NOVO NASCIMENTO

II Co. 5: 14 a 19 - "Pois o amor de Cristo nos constrange, porque julgamos assim: se um morreu por todos, logo todos morreram; e ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou. Por isso daqui por diante a ninguém conhecemos segundo a carne; e, ainda que tenhamos conhecido Cristo segundo a carne, contudo agora já não o conhecemos desse modo. Pelo que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo. Mas todas as coisas provêm de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Cristo, e nos confiou o ministério da reconciliação; pois que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões; e nos encarregou da palavra da reconciliação."
Os cognominados "meios-evangelhos" são aqueles cuja essência da mensagem é um misto de verdades e mentiras. Entretanto, pelo crivo das Escrituras, meias-verdades são mentiras completas. Ou é sim, ou é não, e o que passa disso tem procedência maligna. Neste sentido há muitos pregadores afirmando sobre a necessidade do "novo nascimento", mas jamais anunciam a antecedente realidade da morte compartilhada em Cristo. Estes teólogos de alcovas, conseguem maior milagre que aquele operado pelo próprio Jesus, pois conseguem fazer alguém "nascer de novo", sem que o tal tenha crido que morreu n'Ele primeiro. Ora, é dito em Jo. 3:3 - "Respondeu-lhe Jesus: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus." A expressão "... nascer de novo" é uma tradução livre da expressão no grego koinê "gennethê anôthen", ou seja, "nascer do alto". Fica evidente, então, que se trata de um nascimento sobrenatural, e não como entendeu Nicodemos, que o homem entraria novamente no ventre de sua mãe para nascer de novo. 
Assim como o "novo nascimento" é um fato sobrenatural, a morte compartilhada em Cristo é também sobrenatural, como diz o texto de abertura: "... se um morreu por todos, logo todos morreram." O compartilhamento da morte de Cristo consiste no fato que Ele não morreu sozinho na cruz. Quando Ele foi levantado no madeiro sem pecado, atraiu os todos pecadores eleitos antes da fundação do mundo a si, para, n'Ele, destruir a culpa dos seus pecados conforme Jo. 12: 32 e 33 - "E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim. Isto dizia, significando de que modo havia de morrer." Desta maneira Jesus, o homem histórico, substituiu o pecador fisicamente, enquanto o Cristo filho unigênito de Deus, o substituiu espiritualmente. É isto que é a morte substitutiva e inclusiva do pecador na morte concreta e histórica de Jesus, o Cristo. Consequentemente, na ressurreição, o novo nascido ganha a vida eterna de Cristo.
Esta é a razão do ensino enfático do apóstolo Paulo: "... se alguém está em Cristo, nova criatura é." O verbo ser está no presente contínuo, ou seja, é nova criatura sempre. Neste texto, em seu original grego, a expressão "nova criatura" é, de fato, "nova geração" ou "gegonen kainá". Isto implica em que, no "novo nascimento" sobrenatural operado pela ação monérgica de Deus houve uma geração de um novo homem reconciliado com Ele mesmo por meio da morte compartilhada do Seu Filho Unigênito. A expressão paulina "... Por isso daqui por diante a ninguém conhecemos segundo a carne... " demonstra que a visão do nascido do alto passa a ser espiritualizada e não mais materializada. Entendendo que a carne foi mortificada com seus feitos na cruz, a visão do novo nascido, nada tem mais a ver com carnalidade. Todo este processo elaborado pela sabedoria divina a fim de debelar de vez o pecado é apropriado por fé. Não se trata de aniquilação da personalidade, como os cegos imaginam. Também, não significa impecabilidade como os inimigos da cruz afirmam, pois quanto a cometer atos pecaminosos, o novo homem continua sujeito, embora não sinta mais prazer nisso. O pecado que separava o pecador de Deus foi, de fato, aniquilado na cruz conforme Hb. 9:26 - "... doutra forma, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo; mas agora, na consumação dos séculos, uma vez por todas se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo." Todavia, este é o pecado da incredulidade que matou, isto é, separou o espírito do homem do Espírito de Deus. Enquanto o homem, ainda que regenerado, permanecer com a natureza terrena, haverá a possibilidade de pecar enquanto atos falhos. A nava criatura é um estado de fé concedida ao pecador por graça e misericórdia. Nada tem a ver com justiça própria e méritos como se supõe nas religiões humanistas.
Sola Scriptura!

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

O EVANGELHO DA IMORTALIDADE

II Tm. 1: 10 a 12 - "... e que agora se manifestou pelo aparecimento de nosso Salvador Cristo Jesus, o qual destruiu a morte, e trouxe à luz a vida e a imortalidade pelo evangelho, do qual fui constituído pregador, apóstolo e mestre. Por esta razão sofro também estas coisas, mas não me envergonho; porque eu sei em quem tenho crido, e estou certo de que ele é poderoso para guardar o meu depósito até aquele dia."
A morte é o pior pesadelo na experiência humana. Entretanto, é a única certeza que há na vida é a de que a morte acontecerá. Nenhum expediente produzido pelo homem, em sua ciência, consegue debelar a morte. Ela não escolhe classe social, aparência, gênero, cor, etnia, religião. O dia que foi registrado nos livros eternos para a morte, ela se manifestará e executará a sua tarefa fúnebre. Há três naturezas básicas de morte determinadas sobre o homem: a morte física, a morte espiritual, e a morte eterna. A morte física é o resultado da degenerescência do corpo biológico que veio do pó, e a ele retornará; a morte espiritual é a separação do espírito do homem da comunhão com Deus por causa do pecado; e a morte eterna é a condenação como consequência do pecado, sendo também chamada em Ap. 20:14 de "segunda morte." Assim, desde o dia em que o homem nasce neste mundo, já está em constante estado de perecimento, a saber, morre-se a cada dia. Todos os dias bilhões de células do corpo morrem, sendo substituídas por outras, mas não na mesma proporção. 
Há hoje dezenas de pessoas congeladas em nitrogênio líquido, aguardando a cura para os seus males. Estas pessoas esperam na ciência uma solução às suas doenças incuráveis. Supõem que chegará o tempo em que poderão ser ressuscitadas e submetidas aos devidos tratamentos, curadas, e, assim, viver muitos anos a mais. A sentença, ou o decreto eterno da morte foi pronunciada aos ancestrais humanos ainda no Éden: "... porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás." A expressão no texto hebraico original para "morrerás" é 'môt tamut', ou seja, morrer morrendo. A ideia de futuro no verbo é que a morte seria, além de um processo gradativo, um ato final. Tal fundamento não indica apenas a morte física, mas a separação em relação a fonte da vida que é Deus. É como desligar o aparelho eletrônica da tomada. A partir do desligamento a energia da bateria irá sendo gasta até não haver mais energia. Em  Ez. 18:4, Deus, reafirma o decreto eterno sobre a morte da seguinte forma: "Eis que todas as almas são minhas; como o é a alma do pai, assim também a alma do filho é minha: a alma que pecar, essa morrerá." Ele está mostrando que a responsabilidade do pecado é individual, e que o pecado produz a morte.
A única solução para a morte, em qualquer das suas dimensões é uma só: Cristo. O mesmo Deus que estabeleceu o decreto da morte, também estabeleceu a solução eterna. A manifestação de Cristo na pessoa histórica de Jesus foi para destruir a morte, pois uma vez aniquilado o pecado , a morte está destruída conforme Hb. 9:26b -"...mas agora, na consumação dos séculos, uma vez por todas se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo." Desta maneira, pode-se afirmar que a morte do homem para Deus, foi destruída na morte de Jesus, o Cristo. É como alguém escreveu, a morte da morte, na morte de Cristo. Ao ressuscitar ao terceiro dia, Cristo derrotou a morte conforme I Co. 15: 54 - "...e isto que é mortal se revestir da imortalidade, então se cumprirá a palavra que está escrito: tragada foi a morte na vitória." A imortalidade só pode ser obtida pelo evangelho, por isso, ele é chamado de boas novas. O evangelho produz a fé conforme Rm. 10:17 - "Logo a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Cristo.
É Deus quem abre os ouvidos ensurdecidos pelo pecado segundo Sl. 40:6 - "Sacrifício e oferta não desejas; abriste-me os ouvidos..." Igualmente é Ele quem conduz o pecador a Jesus, o Cristo conforme Jo. 6:44 - "Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia." Uma vez que o evangelho abre os ouvidos, e Deus conduz o pecador até Cristo, ele é atraído na cruz para morrer a morte compartilhada n'Ele conforme Jo. 12: 32 e 33 - "E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim. Isto dizia, significando de que modo havia de morrer." Finalmente o pecador regenerado pela inclusão na morte de Cristo, volta com Ele para a vida eterna conforme Cl. 3:1a - "Se, pois, fostes ressuscitados juntamente com Cristo." Este é o método de Deus para destruir a morte e dar a imortalidade ao homem, porém, estas realidades só se apropriam plea graça mediante a fé.
Sola Fidei!

domingo, 26 de fevereiro de 2012

O EVANGELHO DE DEUS

Mc. 1: 14 a 22 - "Ora, depois que João foi entregue, veio Jesus para a Galiléia pregando o evangelho de Deus e dizendo: o tempo está cumprido, e é chegado o reino de Deus. Arrependei-vos, e crede no evangelho. E, andando junto do mar da Galiléia, viu a Simão, e a André, irmão de Simão, os quais lançavam a rede ao mar, pois eram pescadores. Disse-lhes Jesus: vinde após mim, e eu farei que vos torneis pescadores de homens. Então eles, deixando imediatamente as suas redes, o seguiram. E ele, passando um pouco adiante, viu Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, que estavam no barco, consertando as redes, e logo os chamou; eles, deixando seu pai Zebedeu no barco com os empregados, o seguiram. Entraram em Cafarnaum; e, logo no sábado, indo ele à sinagoga, pôs-se a ensinar. E maravilhavam-se da sua doutrina, porque os ensinava como tendo autoridade, e não como os escribas."
O evangelho de Deus é também chamado, indiretamente, de evangelho da loucura por Paulo, na primeira carta aos coríntios. De fato, o evangelho de Deus não coincide com os padrões lógicos do homem em seu estado de degenerescência. Veja o caso de João, o batista, após levar uma vida absolutamente em aparteísmo aos padrões sociais do seu tempo, foi entregue às autoridades, sendo logo depois executado. Aquele de quem, João, não era digno de, inclinando-se, desatar as correias das sandálias, não fez absolutamente nada para impedir tal atrocidade. O que ocorre é que o homem quer nivelar os atos monérgicos e soberanos de Deus aos valores forenses e humanos. Não há ponto de conciliação entre as ações do homem corrompido em seus sistemas viciados e a justiça eterna de Deus.
O evangelho de Deus não foi posto diante dos homens para lhes massagear o ego e lhes exaltar com a natureza pecaminosa inoculada e residente. Antes, o evangelho de Deus conclama o homem a que, primeiramente, se arrependa, e depois, creia. João, o batista fez a sua pregação declarativa da necessidade de metanoia, ou seja, mudança de mente. Era uma chamada a que os homens fizessem uma revisão de conceitos, ideias, posições e relações concernentes ao reino de Deus. Não era para que se salvassem a si mesmos para receber o reino de Deus, mas para saberem que ele estava chegando. Só se recebe o reino de Deus, depois que recebe a graça da redenção, nunca o contrário.
Entretanto, é fundamental entender que a convocação de Jesus, o Cristo ao arrependimento e à fé, não era um imperativo possível de ser cumprido ativamente pela vontade humana corrompida e decaída. Rm. 3: 10 e 12 - "... como está escrito: não há justo, nem sequer um. Não há quem entenda; não há quem busque a Deus. Todos se extraviaram; juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só." Este não é o perfil de quem tem condições de, por conta própria, arrepender-se e crer. Não havendo justiça espiritual, entendimento espiritual, busca espiritual por Deus, como poderá mudar de mente? O homem em seu estado de decadência e morte espiritual não pode agarrar-se aos seus próprios cadarços e erguer-se como um super-homem e promover a sua própria redenção. Por isto, é dito que a salvação é pela graça mediante a fé conforme Ef. 2:8 e 9 - "Porque pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie." Nas religiões humanistas, é ensinado que a salvação é pela fé, entretanto, este não é o ensino das Escrituras. A fé é apenas o meio pelo qual Deus desperta os ouvidos e retira as escamas do olhos do pecador. A graça é a grande promotora, pois não merecendo absolutamente nada, ainda assim, Deus concede os meios para a redenção do pecador. Assim, tanto a graça, como a fé são dons de d'Ele.
A evidência textual de que a convocação ao arrependimento e à fé é precedida pela graça, é o fato que Jesus, passando, chamava pescadores e homens comuns, e estes, lhe seguia sem questionar. Isto só é possível ao pecador que recebeu a graça e a fé para crer que se tornariam pescadores de homens. A convocação do evangelho de Deus para entrar no reino de Deus é iniciada pelo próprio Deus. Se dependesse da ação sinérgica do homem, nenhum pecador seria salvo. O reino de Deus não é um lugar geográfico, mas uma condição estabelecida por uma pessoa, a saber, Jesus, o Cristo. É ele mesmo o doador e a doação, pois Ele se autodeclara em Jo. 14:6 - "Respondeu-lhe Jesus: eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim."
Solo Christus!

sábado, 25 de fevereiro de 2012

O MEU EVANGELHO

Rm. 16:25 a 28 - "Ora, àquele que é poderoso para vos confirmar, segundo o meu evangelho e a pregação de Jesus Cristo, conforme a revelação do mistério guardado em silêncio desde os tempos eternos, mas agora manifesto e, por meio das Escrituras proféticas, segundo o mandamento do Deus, eterno, dado a conhecer a todas as nações para obediência da fé; ao único Deus sábio seja dada glória por Jesus Cristo para todo o sempre. Amém."
A diferença básica entre egoísmo e egotismo, é, que, naquele há um amor exagerado aos próprios interesses a despeito dos de outrem, e neste é um apreço, ou amor exagerado pela própria personalidade, revelando pouca ou nenhuma consideração pelas opiniões dos outros. Assim, enquanto no egoísmo há um culto aos interesses próprios, no egotismo há reduzido interesse nas ideias e opiniões das outras pessoas, porque o egotista considera apenas a si e as suas ideias. Não há espaço para o outro, ele se basta a si mesmo.
O mundo é um celeiro de egoístas e egotistas, pois o eu é o "deuzinho" entronizado e inchado em suas próprias presunções. É comum ouvir pregadores exaltados se referindo aos seus feitos de curas, exorcismos e soluções de problemas atribuindo os resultados das suas práticas místicas a si mesmos. Dizem eles: "a minha oração", "o meu poder", "o meu ministério" e assim por diante. Cristo é alguém estranho a estes arraiais do egoísmo e do egotismo, pois teriam de ceder lugar a outro, que não eles mesmos. De fato, a maior parte do que se faz e se consegue nestas seitas e religiões humanas, é produzido pelo homem. São resultados obtidos pelo poder latente da alma, e não pela operação soberana do poder de Deus. A fé genuína não se baseia em evidências e resultados.
No texto de abertura lê-se que, o apóstolo Paulo se refere ao evangelho como "... meu evangelho." Muitos poderiam atribuir atitude egocêntrica nessa expressão, não fosse o vasto acervo de auto-humilhação de Paulo. Alguém que se coloca como o principal dos pecadores, como desventurado homem que faz o que não quer, e deixa de fazer o que quer, que considera todo o seu conhecimento e status como esterco, e se põe como o menor entre os apóstolos, não pode ser classificado como egoísta e egotista. Não se faz aqui a defesa do apóstolo Paulo, porque não é necessária, mas colocam-se as coisas no seu devido lugar conforme o conjunto das Escrituras. O evangelho de Paulo não é, senão a exposição da pregação de Cristo, e da revelação do mistério preservado em silêncio desde os tempos eternos. O evangelho de Paulo é dele, no sentido e na extensão do que lhe foi incumbido pregar aos gentios. Não foi ele quem produziu tais ensinos, mas o que ele recebeu, isto mesmo anuncia conforme I Co. 11:23a - "Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei..." O que Paulo recebeu do Senhor? Que ele morreu, entregando o seu corpo para a morte de cruz, e que derramou o seu sangue para justificação dos pecadores. Esta é a essência do evangelho que Paulo recebeu e transmitiu com elevadíssima fidelidade. Ninguém, no novo testamento, pregou mais sobre a morte inclusiva e substitutiva do que Paulo.
O evangelho de Paulo é o verdadeiro e autêntico evangelho, visto que foi manifesto pelas Escrituras proféticas, segundo o mandamento de Deus, e revelado ao conhecimento dos pecadores em todas as nações para obediência e fé.
At. 20:24 - "...mas em nada tenho a minha vida como preciosa para mim, contando que complete a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus." Desta forma, Paulo, não tinha qualquer traço de egoísmo e egotismo, pois a sua vida não lhe pertencia mais. Possuía um ministério recebido e não autoproduzido. Deu testemunho do evangelho e não inventou um evangelho próprio. Por isso, Paulo ora: "ao único Deus sábio seja dada a glória por Jesus Cristo para todo sempre. Amém."
Quisera os "evangelistas" de hoje possuíssem tal evangelho comissionado para anunciar. Pregam suas próprias ideias e concepções religiosas desprovidas de verdade, chamando isto de ministério. É a confirmação da profecia de Oséias: "O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento. Porquanto rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos."
Sola Fidei!

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

O EVANGELHO DE JESUS CRISTO

Mc. 1: 1 a 11 - "Princípio do evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus. Conforme está escrito no profeta Isaías: eis que envio ante a tua face o meu mensageiro, que há de preparar o teu caminho; voz do que clama no deserto: preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas; assim apareceu João, o Batista, no deserto, pregando o batismo de arrependimento para remissão dos pecados. E saíam a ter com ele toda a terra da Judeia, e todos os moradores de Jerusalém; e eram por ele batizados no rio Jordão, confessando os seus pecados. Ora, João usava uma veste de pelos de camelo, e um cinto de couro em torno de seus lombos, e comia gafanhotos e mel silvestre. E pregava, dizendo: após mim vem aquele que é mais poderoso do que eu, de quem não sou digno de, inclinando-me, desatar a correia das alparcas. Eu vos batizei em água; ele, porém, vos batizará no Espírito Santo. E aconteceu naqueles dias que veio Jesus de Nazaré da Galileia, e foi batizado por João no Jordão. E logo, quando saía da água, viu os céus se abrirem, e o Espírito, qual pomba, a descer sobre ele; e ouviu-se dos céus esta voz: tu és meu Filho amado; em ti me comprazo."
No mundo há grande diversidade de "evangelhos". Em quase todos "evangelhos" apresentados ao mundo, o foco é o homem. Tudo gira em torno das carências, vontades, demandas e desejos do homem. As doutrinas assumem papel apenas de legitimadoras de tais anseios, fazendo uma espécie de justificação do homem pelo próprio homem. Nestes evangelhos esdrúxulos, Cristo, a cruz e a solução definitiva do pecado não acha lugar, pois o que buscam é a divinização do homem com a sua natureza pecaminosa. Tentam disfarçar tal realidade com reformas morais e melhorias comportamentais dos seus seguidores. Vestem o pecador com boas ações, sacrifícios, rituais, obediência a preceitos, cumprimento de regras, e execução de normas. Todavia, o pecado jaz subjacente sem que nada lhe possa remover, pois o tal não se remove sem a morte inclusiva e substitutiva em Cristo.
O evangelho de Jesus, o Cristo difere em todos os sentidos dos outros evangelhos defendidos nas religiões institucionais e humanistas. Primeiro, porque Jesus, o Cristo é apresentado como o Filho de Deus, e não como uma celebridade promotora de exaltação do homem portador da natureza pecaminosa. Muitos até se utilizam das informações históricas sobre Jesus, porém apenas como um modelo moral. Jesus já foi classificado de comunista por simpatizantes do marxismo. Entretanto, ele não moveu um dedo para fazer qualquer revolução armada. Não usou dos seus poderes para derrubar o sistema vigente e estabelecer um novo modelo igualitário e justo. Não incitou os pobres a se voltar contra os ricos, nem os escravos a se rebelar contra os seus senhores. Não incentivou os sem-terra a invadir as propriedades privadas. Ele tão somente lhes apontou seus pecados, orgulhos, soberbas, arrogâncias, e ganâncias. Apresentou-lhes o caminho mais nobre, sem contudo, lhes obrigar a nada. Ele não veio para resolver os problemas político-econômicos da humanidade, mas para promover a justiça eterna na cruz. 
O princípio fundamental deste evangelho de Cristo foi indicado séculos antes pelo profeta Isaías. Foi vaticinado, que, antes de o Cristo se manifestar, seria enviado um mensageiro para pregar o arrependimento como forma indicativa da remissão de pecados. Isto se cumpriu na pessoa de João, o batista que vivia no deserto, se vestia de peles de camelo, comia gafanhotos e tomava mel silvestre. Este antecessor de Jesus, o Cristo foi odiado, perseguido, preso e executado por degola. Ele desagradou profundamente o 'status quo' vigente, porque anunciava outro rei e senhor. As autoridades não suportavam a ideia de um Messias político, como também não podiam compreender a verdade de um Messias espiritual. Acerca de Jesus, o Cristo, João, o batista,  declarou que seria alguém que batizaria os pecadores no Espírito Santo, do qual, ele, João, não teria dignidade sequer para desatar as correias das suas sandalhas. Jesus, o Cristo apareceu às margens do rio Jordão, e solicitou ser batizado por João. Este, relutante, o batizou,e, após o batismo ouviu-se a voz de Deus, afirmando que Jesus, o Cristo era o Seu Filho amado em quem o seu amor sentia prazer.
No capítulo um do evangelho de João, o apóstolo amado, é dito o seguinte Jo. 1:1 a 5 - " No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens; a luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela." Antes que houvesse qualquer coisa no universo, Cristo era o verbo de Deus. Por Ele todas as coisas foram criadas, e n'Ele estava a vida, e a vida d'Ele era a luz, a saber, o conhecimento verdadeiro para os homens. Esta luz resplandeceu no mundo de trevas, a saber, sem o conhecimento da verdade. 
Jo. 3: 3 a 7 - "Respondeu-lhe Jesus: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Jesus respondeu: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te admires de eu te haver dito: necessário vos é nascer de novo." O evangelho de Jesus, o Cristo se resume nestas palavras ditas por Ele mesmo. Sem novo nascimento, não há redenção. Entretanto, como alguém poderá nascer outra vez, se não morrer primeiro? O evangelho de Jesus, o Cristo ensina que Ele morreu na cruz para atrair os pecadores eleitos a fim de morrer com eles uma morte compartilhada. Igualmente ensina este evangelho que o Cristo ressuscitou ao terceiro dia e juntamente com Ele, os eleitos e regenerados ressuscitam para a vida eterna. O texto retromencionado ensina que carne produz carne e, em outra instância, também ensina que a carne não herda o reino de Deus. Nascer da carne é nascer debaixo do pecado que entrou no mundo pelo primeiro homem; nascer do Espírito é nascer do alto, ou seja, pela ação monérgica de Deus pela inclusão do pecador na morte compartilhada de Jesus, o Cristo, bem como retornar à vida na ressurreição juntamente com Ele. O pecador que receber esta verdade pela fé, vê e entra no Reino de Deus. O que não pode receber esta verdade pela fé, não vê e não entra no Reino de Deus.
Sola Gratia"

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

O EVANGELHO É O PODER DE DEUS

Rm. 1: 15 a 19 - "De modo que, quanto está em mim, estou pronto para anunciar o evangelho também a vós que estais em Roma. Porque não me envergonho do evangelho, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego. Porque no evangelho é revelada, de fé em fé, a justiça de Deus, como está escrito: mas o justo viverá da fé. Pois do céu é revelada a ira de Deus contra toda a impiedade e injustiça dos homens que detêm a verdade em injustiça. Porquanto, o que de Deus se pode conhecer, neles se manifesta, porque Deus lho manifestou."
Os eleitos antes da fundação do mundo foram predestinados, chamados, justificados e glorificados em Cristo para serem co-participantes da obra de Deus. Sendo a obra exclusivamente d'Ele, de fato, cabe ao homem apenas uma co-participação como instrumento. Desta forma, a posição dos eleitos e regenerados é estarem disponibilizados para a obra de Deus. Paulo, apóstolo de Cristo, se põe nesta perspectiva conforme o texto de abertura: "...estou pronto para anunciar o evangelho..." 
Há muitos religiosos que sequer experimentaram o "novo nascimento" e já vão impondo as suas crenças aos outros, julgando estar prestando um grande serviço a Deus e ao mundo. Eles são como os profetas que Deus não mandava, mas eles iam correndo conforme Jr. 23:21 - "Não mandei esses profetas, contudo eles foram correndo; não lhes falei a eles, todavia eles profetizaram." Ir sem ser mandado é como o carteiro que esqueceu a bolsa com as cartas. Ir sem ter ouvido primeiro o que dizer é como o mensageiro que corre sem antes ter ouvido o conteúdo da mensagem a ser anunciada. Muitos têm uma experiência puramente emocional na religião e tomam-na como experiência espiritual. A partir de uma experiência apenas almática passam a ter grande ânsia em reproduzi-la, porém, nem eles mesmos experimentaram a regeneração monérgica na conformidade de Lm. 5:21 - "Converte-nos a ti, Senhor, e seremos convertidos; renova os nossos dias como dantes." As experiências sensoriais produzem o mais terrível engano religioso e provoca grande estrago no mundo, pois está a serviço do inimigo, e não de Deus, porque o foco dela está nos desejos do homem. Atribuem aos seus desejos, vontades, e projetos à vontade de Deus. Tudo o que é fundamentado no sentir, não procede de Deus, mas da alma humana, que nada tem a ver com espiritualidade.
Existem duas naturezas de conversão nas Escrituras: a conversão dos maus caminhos, a saber, daquilo que é mau e errado moralmente, e a conversão operada por Deus no pecador para regenerá-lo. Muitos religiosos confundem estas duas naturezas de conversão. Tomam a palavra de Deus no tocante à necessidade de o homem mau e errado mudar o seu comportamento, como se fosse a conversão da natureza pecaminosa. São realidades totalmente distintas, pois uma pessoa pode até ser contida moralmente, e não conhecer a Deus. Muitos ateus dão lições de vida a muitos ditos cristãos. À guisa de exemplo, sabe-se que Hitler se declarava cristão, e que Charles Chaplin era ateu. Todavia, comparando-os, Chaplin mais se parecia a um cristão, e Adolf Hitler mais se parecia a um ateu.
O evangelho anunciado por quem foi convertido pela ação monérgica de Deus, "é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê", e não de todos os homens, porque a fé não é de todos. A salvação é pela graça, a saber, é por um ato de soberania de Deus, sem que o pecador tenha qualquer saldo de mérito, e de justiça própria. É monérgica, porque não depende do concurso de quaisquer esforços e bom comportamento moral do homem. Além do que, poder é um atributo exclusivo de Deus, pois se o homem pudesse ser o agente promotor da sua própria salvação, Deus, Jesus Cristo, e o Espírito Santo seriam absolutamente dispensáveis no processo. Visto que o homem é totalmente incompetente para resolver o dilema do pecado, aprouve a Deus salvá-lo pela loucura da pregação do evangelho da cruz.
O texto afirma categoricamente que a salvação é para "todo aquele que crê", porém, sendo a fé também dom de Deus, logo só serão salvos os que Ele decidiu salvar antes dos tempos eternos conforme II Tm. 1:9 - "... que nos salvou, e chamou com uma santa vocação, não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e a graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos ..." Ora, se não foi segundo as nossas próprias obras, mas segundo o seu próprio propósito e a graça por meio de Cristo antes da própria existência do mundo, segue-se que o homem não pode ter nenhuma ação sinérgica no processo.
O texto que abre este artigo mostra que a salvação monérgica é para homens de todas as origens, que a revelação é pela fé do Justo, que é Cristo. Também mostra que a ira de Deus se revela do céu contra o pecado do homem que permanece na impiedade, pois mudam a verdade em mentira religiosa, e a justiça em injustiça. Todos, sem exceção alguma, são culpados, pois são conscientes da verdade revelada por Deus, tanto pelo anúncio da Sua justiça executada na cruz, como pela própria natureza criada.
Soli Deo Gloria!