terça-feira, 21 de junho de 2011

ESPIRITO, ESPÍRITOS, E ESPIRITUALISMO II

Is. 8: 19 e 20 - "Quando vos disserem: consultai os que têm espíritos familiares e os feiticeiros, que chilreiam e murmuram, respondei: acaso não consultará um povo a seu Deus? acaso a favor dos vivos consultará os mortos? A Lei e ao Testemunho! se eles não falarem segundo esta palavra, nunca lhes raiará a alva."
Nesta instância há necessidade de definição dos termos afim de não estabelecer confusão semântica, e, consequentemente, confusão de significados. Desta forma pode-se dizer que espírito é um substantivo masculino que traz diversos sentidos e significados. É a parte imaterial do homem formada pelo sopro de Deus, sendo o princípio vital e superior à matéria ou corpo físico. Etimologicamente, espírito provém do latim 'spiritus' derivado do verbo 'espirare' que é soprar, respirar. Confundido, geralmente, com a alma e tomado como substância imaterial, incorpórea, inteligente, consciente de si, onde se situam os processos psíquicos, a vontade, os princípios morais, mente, pensamento. Entretanto, há diferença entre espírito e alma, a qual os espíritas chamam de perispírito. Tal termo perispírito foi utilizado pela primeira vez por Allan Kardec, no Livro dos Espíritos, em um comentário após o item 93.
O termo espírito se refere ainda a uma das três pessoas da Triunidade divina, o Espírito Santo, o qual participa de todos os atos de Deus e tudo conhece e penetra. É papel fundamental do Espírito Santo convencer o homem do pecado, da justiça e do juízo conforme o registro de Jo. 16:7 a 11 - "Todavia, digo-vos a verdade, convém-vos que eu vá; pois se eu não for, o Ajudador não virá a vós; mas, se eu for, vo-lo enviarei. E quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo: do pecado, porque não creem em mim; da justiça, porque vou para meu Pai, e não me vereis mais, e do juízo, porque o príncipe deste mundo já está julgado."
Espírito é também uma entidade imaginária e sobrenatural ligada ao bem, ou ao mal conforme o ideário místico e popular. É o caso de anjos, duendes, fadas, gnomos, demônios. O próprio Jesus expulsou espíritos imundos em diversas ocasiões, ficando assim comprovado que eles existem e que são reais, ainda que invisíveis.
Espiritualismo é uma espécie de doutrina filosófica que admite a existência de Deus, de forças sobrenaturais e da alma. Contrapõe-se ao materialismo que nega a existência de tudo o que não é matéria. O espiritualismo atribui a existência de uma alma imortal no homem e a toma como princípio vital e razão da vida e do pensamento humano. Admite a existência de Deus e de valores espirituais e morais que definem a razão de ser do homem em sua atividade racional e moral. Embora nem todo espiritualista seja um espírita, os espíritas são espiritualista por força do que creem, praticam e divulgam. Espíritas defendem que o homem é um espírito imortal que alterna experiências vividas em mundos materiais e mundos espirituais, por meio de reencarnações até evoluir moral e espiritualmente e atingir a perfeição divina. Os Espiritualistas espíritas consideram ainda a comunicabilidade entre os vivos e os mortos, geralmente, por meio de um mediador ao qual chamam tecnicamente de médium.
Gnosticismo provém do grego Γνωστικισμóς [gnostikismós], que por sua vez, provém de Γνωσις [gnosis], significando genericamente 'conhecimento'. O Gnosticismo é um conjunto de pensamentos filosófico-religiosos sincréticos que chegou a fundir-se e confundir-se com o protocristianismo nos três primeiros séculos de sua existência. Entretanto, isto ocorreu por força da influência do helenismo no Oriente Médio durante a expansão grega para o oriente. Foi declarado como um ensino herético após profunda análise dos fundamentos da doutrina bíblica por parte dos intelectuais cristãos, especialmente pelo apóstolo Paulo e outros cognominados pais da Igreja, tais como Orígenes, Diógenes, Clemente, Policarpo, Inácio, Irineu, Cirilo, João Crisóstomo, Tertuliano, Cipriano, Gregório, etc. De fato, admitem-se um Gnosticismo Pagão e um Gnosticismo Cristão, embora este último tenha sido alcançado apenas como uma mera vertente anômala do cristianismo primitivo e que logo foi combatia e extirpada.
O texto que abre este artigo questiona: 'acaso não consultará um povo a seu Deus?' e, ainda: 'acaso a favor dos vivos consultará os mortos?' E termina dizendo: 'a lei e ao testemunho!' O texto encerra o ensino escriturístico dizendo que, se a lei e o testemunho não falarem a verdade, os homens jamais verão a luz. Portanto, que há comunicação entre vivos e mortos, e entre homens e espíritos, não há dúvidas, pois do contrário, Deus não teria proibido severamente. Hoje, contrariamente a este ensino aumentam os que defendem exatamente o oposto, ou seja, que a comunicação entre vivos e mortos é o caminho para se aperfeiçoar e evoluir. Entretanto, não se vê tal evolução e tão pouco tal aperfeiçoamento.
Sola Scriptura!

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