segunda-feira, 25 de abril de 2011

O PECADO, OS PECADOS, E O PECADOR XIV

Rm. 5: 8 a 13 - "Mas Deus dá prova do seu amor para conosco, em que, quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós. Logo muito mais, sendo agora justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira. Porque se nós, quando éramos inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida. E não somente isso, mas também nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual agora temos recebido a reconciliação. Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram. Porque antes da lei já estava o pecado no mundo, mas onde não há lei o pecado não é levado em conta."
Muito se tem debruçado sobre a questão do pecado original, a saber, o pecado de origem. Muitos foram os cismas, heresias e divisões no seio do cristianismo nominal por causa da doutrina do pecado. Tais desacertos ocorrem, porque todos eles partem da perspectiva do homem portador do pecado. Logicamente, a visão de um pecador está comprometida com a própria natureza do pecado. Para Augustinho de Hipona, o pecado original é a culpa herdada de Adão por causa da queda. Para ele, o pecado original é uma questão congênita e hereditária. O texto de abertura deste artigo indica esta realidade, pois se o primeiro homem pecou, consequentemente, todos os seus descendentes herdaram esta falha. A evidência de que o pecado foi transmitido é a realidade da morte em todos os homens. Evidentemente que a morte a que alude os textos bíblicos não é apenas a morte física, mas também a morte espiritual, ou seja, a separação entre o homem decaído e Deus.
No Pelagianismo, porque originado nos ensinos de Pelágio (360 - 435), o homem nasce sem pecado e puro, porém por imitação adquire o pecado e todos os atos dele decorrentes. Isto põe a salvação absolutamente na dependência do homem e não na de Deus. Tal posição direta ou indiretamente desqualifica a morte substitutiva e inclusiva de Cristo na cruz. Vê-se, portanto, que é um princípio gnóstico e que transfere para o homem a falsa noção do livre arbítrio. Neste caso, o homem seria o autor da sua própria salvação, o que retira de Cristo a posição de Salvador enviando por Deus para retirar o pecado do mundo conforme Jo. 1: 29 - "No dia seguinte João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo."
No judaísmo e no islamismo prevalece a visão pelagiana do pecado, embora no islamismo acredita-se que, ao nascer, o homem é tocado pelo Diabo. Nada mais natural que se conceba desta forma, porque postulam sem considerar as Escrituras como Palavra de Deus. As religiões tomam, em geral, a Bíblia apenas como um manual do qual derivam seus sistemas, preceitos, regras e normas. Também na psicanálise, admite-se que, o que a religião chama de pecado, foi apenas o ato sexual entre Adão e Eva. Entretanto, esta posição não encontra respaldo nas Escrituras, pois, ao contrário, nelas se vê Deus ordenando ao primeiro casal a procriação.
Na Antropologia a questão é colocado como sendo a transição da fase animal, quando o homem vivia no estado de natureza para a fase hominal, quando então, adquiriu consciência de sua morte e finitude. O pecado seria, então, apenas a ruptura entre o estado de comunhão do homem com a natureza e o estado de cultura e auto-consciência de si mesmo e do seu destino.
Antes de Moisés instituir a lei moral, o pecado já estava na natureza humana, porém por ausência de sinalização do que era ou não pecado, não havia a culpa. Porém, vindo a lei moral, o pecador já não é mais inocente sobre o pecado. A lei tornou-se como uma espécie de professor do homem, mostrando-lhe o que de fato é o pecado e quais as prescrições para não cometê-lo. Entretanto, nenhum homem é capaz de cumprir toda a lei, porque a natureza pecaminosa não o inclina para isto. Ao estabelecer a lei, Deus quis exatamente encerrar a todos debaixo da desobediência para usar de misericórdia e graça conforme Rm. 11:32 - "Porque Deus encerrou a todos debaixo da desobediência, a fim de usar de misericórdia para com todos." Por esta razão aos anjos não foi permitido pregar o evangelho da graça, porque eles não experimentaram o pecado conforme I Pd. 1:12 - "Aos quais foi revelado que não para si mesmos, mas para vós, eles ministravam estas coisas que agora vos foram anunciadas por aqueles que, pelo Espírito Santo enviado do céu, vos pregaram o evangelho; para as quais coisas os anjos bem desejam atentar."
No século XX surgiu uma nova doutrina sob a responsabilidade de William Marrion Branham denominada de "a semente da serpente". Segundo ele, a primeira mulher teria mantido relações sexuais com a serpente, encarnação de Satanás, e, por isso, Caim e seus descendentes teriam nascido contaminados pelo DNA diabólico, gerando o pecado. Todavia, é uma questão de revelação particular e não das Escrituras.
Sola Gratia!

Nenhum comentário: