domingo, 24 de abril de 2011

O PECADO, OS PECADOS, E O PECADOR XIII

Lc. 15:1 a 10 - "Ora, chegavam-se a ele todos os publicanos e pecadores para o ouvir. E os fariseus e os escribas murmuravam, dizendo: este recebe pecadores, e come com eles. Então ele lhes propôs esta parábola: qual de vós é o homem que, possuindo cem ovelhas, e perdendo uma delas, não deixa as noventa e nove no deserto, e não vai após a perdida até que a encontre? E achando-a, põe-na sobre os ombros, cheio de júbilo; e chegando a casa, reúne os amigos e vizinhos e lhes diz: Alegrai-vos comigo, porque achei a minha ovelha que se havia perdido. Digo-vos que assim haverá maior alegria no céu por um pecador que se arrepende, do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento. Ou qual é a mulher que, tendo dez dracmas e perdendo uma dracma, não acende a candeia, e não varre a casa, buscando com diligência até encontrá-la? E achando-a, reúne as amigas e vizinhas, dizendo: alegrai-vos comigo, porque achei a dracma que eu havia perdido. Assim, digo-vos, há alegria na presença dos anjos de Deus por um só pecador que se arrepende."
A visão do homem sobre o certo e o errado adquirida errôneamente no Éden cria a falsa dicotomia acerca da relação entre a criatura e o Criador e vice-versa. O religioso imagina em seu ideário de doutrinas, regras, normas e preceitos que o pecador não tem a menor chance de tornar-se aceitável a Deus. Os escribas e fariseus são o protótipo dos demais homens que se acham mais justos e merecedores da exclusiva atenção de Deus. Eles imaginavam, com base em seus sistemas de justiça própria, que tinham o monopólio da verdade e que somente eles deveriam ser aceitos e bajulados por Jesus. Assim, em seus raciocínios, se Jesus não lhes dava a devida reverência, não poderia ser autêntico e enviado de Deus. Neste sentido os tais religiosos se colocavam como uma espécie de farol de Alexandria em termos de espiritualidade. Entretanto, e, contrariamente, Cristo não só permitia, como também se permitia aproximar de publicanos e pecadores. Ora, já vimos em outra instância que todos os homens são por natureza, antes do que por atos, pecadores. Logo, publicanos, escribas, fariseus, saduceus, e outros eram todos portadores da natureza pecaminosa, tanto quanto todos os homens existentes em todos os tempos. A questão está na matriz e não nos terminais! Os terminais reproduzem o que a matriz determina, nunca o contrário.
Deus é o dono das cem ovelhas, entretanto, Ele larga noventa e nove delas que se acham na suposição de segurança, para buscar apenas uma que se desviou e se perdeu. É a ovelha perdida que necessita ser procurada e não as que se acham em sua normalidade. Veja que a ovelha perdida foi achada e não descoberta, pois só se acha o que se havia extraviado! Então, tal ovelha sempre pertenceu ao pastor, apenas estava fora do redil. O fato de a ovelha ter se perdido não lhe retira a possibilidade do retorno ao abrigo do proprietário. Por comparação, os noventa e nove que se põe na perspectiva de justos aos seus próprios olhos, não necessitam da justificação de Cristo. Por isso, há maior júbilo no céu pelo arrependimento produzido pela ação graciosa de Deus sobre um pecador, do que pelos noventa e nove pecadores que se apoiam em seus atos de justiça e de méritos prórios.
Jo. 8: 23 e 24 - "Disse-lhes ele: vós sois de baixo, eu sou de cima; vós sois deste mundo, eu não sou deste mundo. Por isso vos disse que morreríeis em vossos pecados; porque, se não credes que, eu sou, morrereis em vossos pecados." A primeira questão a ser considerada na relação entre criatura e Criador é que aquela é de baixo e este é de cima. Para que a criatura tenha acesso ao Criador precisa, primeiramente, crer que Ele é. Entretanto, até mesmo para ter fé depende d'Ele, pois tanto, a graça, como a fé, vêm de Deus, sendo portanto, dom e não virtude do homem. Não havendo a ação monérgica do Pai que leva o pecador até a cruz, a criatura pecadora morre em seu pecado. Aqueles religiosos, e tantos outros do nosso tempo, correm este risco, porque amam mais a doutrina do que Aquele que ensina a doutrina; amam mais a religião que a verdade que é Cristo; amam mais preceitos e rituais que o Senhor que pode justificá-los.
Sola Fidei!

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