sábado, 2 de abril de 2011

O PECADO, OS PECADOS E O PECADOR VII

Rm. 14: 22 e 23 - "A fé que tens, guarda-a contigo mesmo diante de Deus. Bem-aventurado aquele que não se condena a si mesmo naquilo que aprova. Mas aquele que tem dúvidas, se come está condenado, porque o que faz não provém da fé; e tudo o que não provém da fé é pecado."
Já se sabe que o pecado é o que o homem é em sua natureza decaída e corrompida, os pecados são os atos e atitudes decorrentes de uma natureza contaminada pelo pecado, e o pecador é qualquer homem existente no mundo, porque o pecado foi transmitido a todos sem exceção conforme Rm. 5:12 - "Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram."
Mais uma vez fica claro que o pecado é a incredulidade, pois "... tudo o que não provém da fé é pecado." A ausência de fé é a incredulidade, e esta, foi a ruína de Adão, quando deu crédito a uma outra palavra, que não a palavra de Deus. A palavra de Satanás era, sem dúvidas, a mais atraente, porque oferecia a possibilidade de o homem se assemelhar aos seres divinos, conhecendo o bem e o mal. A palavra de Deus era mais dura, mais seca e taxativa, pois apresentava a morte como consequência da descrença. O homem sempre lida com possibilidades, enquanto Deus executa a Sua vontade soberana.
As pessoas estão tão habituadas a ouvir o engano religioso e da cultura popular que, quando se põem as coisas como elas de fato são nas Escrituras, estas se lhes parecem absurdas. Em Jo. 16:9 diz claramente que o pecado é a incredulidade, mas as pessoas, em geral, continuam acreditando que o pecado é o conjunto de coisas ruins que alguém pratica. Entretanto, o pecado é o que o homem é em sua natureza decaída. Quanto aos erros e coisas ruins que alguém pratica, são os atos pecaminosos decorrentes da natureza pecaminosa. É como a parábola da árvore e dos seus frutos contada por Jesus: se a árvore é boa, os frutos são bons, mas se é má, os seus frutos são maus. Ora, se o homem é pecador por princípio e por natureza, logo, todos os seus atos são por si mesmos pecaminosos. Isto inclui também os bons atos, porque os tais procedem da mesma fonte, portanto, eles podem até serem bons, mas apenas sociologicamente, não espiritualmente.
Gn. 4:7 - "
Porventura se procederes bem, não se há de levantar o teu semblante? e se não procederes bem, o pecado jaz à porta, e sobre ti será o seu desejo; mas sobre ele tu deves dominar
." Este é um dos mais difíceis textos das Escrituras, justamente porque se lido literalmente pode dar a entender que a solução do pecado está com o pecador e não em Deus. Mas, o fato é que Deus está pondo diante de Caim a Sua solução para o pecado e não dando a Caim uma opção de solução do pecado por si mesmo. Quando se diz: "... se procederes bem..." quer dizer que se os atos forem bons, o pecado está sob controle. Igualmente quando diz: "... se não procederes bem..." significa que procedendo mal, o seu pecado por meio dos atos pecaminosos, está no controle. Neste último caso é apresentado o pecado como jazendo à porta, ou seja, no coração de Caim. Na sequência, Deus apresenta a solução para o pecado de Caim: ou a sua natureza pecaminosa continuaria dominando, ou seria extirpada pela oferta do substituto que representava Cristo, e este, crucificado. O texto hebraico original mostra a figura do pecado como uma fera prestes a pular sobre Caim, mas também a figura de um cordeiro deitado diante dele, sobre o qual poderia se apegar e oferecer para dominar o pecado. Caim, que era do maligno, preferiu oferecer o fruto do seu próprio trabalho, ou seja, ofereceu-se a si mesmo contaminado pelo pecado. É como a figura do homem que caiu numa fossa céptica, e ao sair, tenta oferecer pão aos amigos, mas suas mãos estão sujas do produto da fossa. Entretanto, quando Deus se agradou da oferta de Abel, que oferecera o subitituto, Caim se enfureceu e matou o seu irmão. Logo, ficou evidente que o pecado o dominou e controlou o seu desejo. Caim era o que o seu pecado era, ou seja, o que a sua natureza era. Ele não agiu por fé, mas por esforço!
Sola Gratia!

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