domingo, 17 de outubro de 2010

DO MERO ASSENTIMENTO À REAL CONVERSÃO II


Jr. 31:18 - "... castigaste-me e fui castigado, como novilho ainda não domado; restaura-me, para que eu seja restaurado, pois tu és o Senhor meu Deus." A ação de Deus é sempre e invariavelmente monérgica. Ele não necessita do concurso do homem para realizar a Sua vontade soberana. Estas doutrinas que pretendem dar ao homem cooperação, é antes de tudo, gnósticas e puramente humanistas. Portanto, se Deus castiga, o pecador é castigado; se Deus doma, o pecador será domado; se Deus restaura, o pecador é restaurado. Isto porque, é Ele Absoluto, e não uma projeção da vontade corrompida do homem. Ainda que todos os homens deixem de existir, e que todos os anjos e seres celestes desapareçam, e o próprio espaço sideral se enrole como uma folha seca, Deus continua bastando-se a Si mesmo. Os homens, por conta, do orgulho e da soberba buscam ser sempre mais do que realmente são. Alguns supõem ser professores do próprio Deus, querendo, assim, ensinar-Lhe como deve governar o universo.
Sl. 80:3 - "Reabilita-nos, ó Deus; faze resplandecer o teu rosto, para que sejamos salvos." Quem reabilita o homem em quaisquer circunstâncias é Deus. É o resplendor da luz do rosto de Deus que permite ao homem a graça da salvação. Mesmo que, com base, em justiça própria e méritos, o homem reivindique a salvação, ela não virá sem que Deus a tenha decidido antes dos tempos eternos conforme II Tm. 1:9 - "... que nos salvou, e chamou com uma santa vocação, não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e a graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos..."
O que acontece comumente é que os intérpretes das Escrituras fazem a exegese de conformidade com o que creem e não com os fundamentos da própria Bíblia. Um dos princípios da interpretação é a harmonização dos textos em seus contextos. Portanto, além de encontrar os textos atinentes a uma ou outra doutrina, deve-se observar em quais instâncias eles estão relacionados. Assim, o texto fundamental diz em Jn. 2:9 - "Ao Senhor pertence a salvação." Logo, todos os demais textos que se referem à salvação devem ser examinados e interpretados à luz do texto fundamental. Por isto, quando Jesus disse: "em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no reino de Deus." Jesus não está atribuindo capacidade de promover a salvação ao pecador, e muito menos, colocando-a como opcional, porque Ele sabe que a salvação vem do Senhor, o Pai. Entretanto, Cristo está doutrinando sobre a necessidade de a salvação operar e operacionalizar no pecador uma atitude consequente e não causal. Tornar-se como uma criança é a consequência de ter recebido a graça da conversão, e não a causa dela. Entrar no reino eterno do Pai é consequência, tanto da salvação recebida por graça, como também da mudança radical da natureza humana. O religioso que não passou pelo processo do nascimento do alto, vê no ensino de Cristo uma transferência de responsabilidade da salvação, como proposta oriunda no pecador. A isto dão o nome de cooperação com o Espírito Santo, como se Ele necessitasse da cooperação de alguém absolutamente decaído e morto para Deus. Este ensino espúrio às Escrituras é chamado de sinergismo.
Há uma regra que diz: o essencial arrasta consigo o assessório. Aplica-se este mesmo princípio no tocante ao ensino das Escrituras, ou seja, os textos fundamentais, arrastam os textos derivados ou assessórios, e jamais, o contrário.
Neste sentido prevalece a máxima, o ensino fundamental, ontológico e teleológico: "converte-me a ti Senhor, e serei convertido." Neste sentido o sujeito e o objeto não se confundem, o agente e o paciente são distintos. Deus, o sujeito e o agente, o pecador o objeto e o paciente. O que passa disso, é anátema!

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