quarta-feira, 30 de junho de 2010

A INSUFICIÊNCIA DA RELIGIÃO x A SUFICIÊNCIA DE CRISTO II


Jo. 5: 39 a 42 - "Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna; e são elas que dão testemunho de mim; mas não quereis vir a mim para terdes vida! Eu não recebo glória da parte dos homens; mas bem vos conheço, que não tendes em vós o amor de Deus." O contexto do qual esta porção foi retirada mostra um debate entre Jesus, o Cristo, e os líderes religiosos representados por escribas, fariseus e sacerdotes. Eles eram meros religiosos, e, por força de ofício deveriam ter sido os primeiros a reconhecer em Jesus, o Messias e o Cristo de Deus. Entretanto, e contraditoriamente foram estes detentores dos oráculos e das tradições, os primeiros a rejeitá-lo veementemente. Julgaram-no apenas como um homem histórico à luz da lei moral. Nestes últimos 2.000 anos, as coisas não se alteraram muito na sua essência. Os atuais religiosos agem basicamente da mesma forma. Praticam inumeráveis ritos, defendem diversas e diferentes crenças, enaltecem grande número de denominações e pessoas. Desenvolveram uma refinada teologia, sabendo textos em grego, hebraico, aramaico, mas não conhecem a cruz como único lugar onde o pecador perde a sua vida almática morta para Deus e ganham a vida de Cristo. Veem a cruz apenas como um símbolo e não como um lugar. Creem-na apenas como amuleto ou emblema, mas não como ponto de centralidade da morte da natureza pecaminosa para a ressurreição para a vida eterna. Não reconhecem Jesus, o Cristo como o último Adão que mata a raça adâmica decaída na Sua morte de cruz. Não identificam em Jesus, o Cristo, o segundo homem, celeste, em substituição ao primeiro homem, terreno, pelo qual o pecado passou a todos os homens, sendo que o segundo homem veio justamente para tirar o pecado do mundo.
Muitos dos religiosos são capazes de se entregar totalmente à uma determinada obra, outros sacrificam as próprias vidas quando perseguidos por regimes e ideologias ateístas. Outros doam o pouco que possuem para ajudar uma determinada causa humanista. Outros ainda, abandonam a própria família se entregando a um árduo trabalho em prol da sua religião. Deixam filhos e esposas à suas próprias sortes, dizendo-se servos de Deus e compromissados com o evangelho. Todavia, quando se confronta a essência do que praticam, verifica-se que não passa de religião universalista, gnóstica, institucional e horizontalizada.
Assim, examinar as Escrituras em busca de Deus, da verdade, de Cristo e da vida eterna não acrescenta muita coisa se o homem decaído não nascer de Deus. A vida eterna não pode ser o subproduto de uma busca com base no julgamento de uma criatura morta para o Seu Criador conforme Ef. 2: 1 e 2 - "Ele vos vivificou, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados,nos quais outrora andastes, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos de desobediência..." Então fica evidente que antes de ser vivificado, o homem está morto para Deus, sua natureza é pecaminosa por princípio, anda segundo a inclinação mundana, procede de acordo com Satanás, sendo, por natureza desobedientes e delituosos. É uma questão de natureza e não apenas de prática, pois esta ocorre por força daquela ser dominante e predominante.
Por um lado as Escrituras dão testemunho de Cristo, por outro lado, as mentes que as examinam não foram nascidas de Deus. Contrariamente, tentam promover por si mesmas a sua própria redenção com base apenas em comportamento moral. Eles não querem ir a Cristo, porque suas naturezas são contrárias a Deus e à verdade. Não é uma questão de escolha, mas uma questão de pendor. Não possuem tendência e inclinação para o que é espiritual, mas apenas para o que é religioso. Rm. 3:10 a 12 - "...como está escrito: não há justo, nem sequer um.Não há quem entenda; não há quem busque a Deus.Todos se extraviaram; juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só."
A questão da cegueira e da inabilidade para voltar-se para Deus está na natureza pecaminosa do homem decaído, que, direta ou indiretamente busca a glória dos homens e não a glória de Cristo. Por esta razão não possuem o amor d'Ele e não podem com Ele manter comunhão real. A religião de per si, não pode jamais ser suficiente para redimir e reconciliar o homem decaído. A ação é monérgica e jamais sinérgica! Não há nascimento do alto ou de Deus sem morte. Se o pecador não crer que sua vida morta para Deus foi incluída na morte de Cristo, para com Ele ressuscitar, é vã toda a sua religião de segunda mão. Os religiosos até falam sobre novo nascimento, mas não falam e não creem nas suas mortes com Cristo, portanto, como pode alguém nascer de novo se não morrer primeiro? O religioso crê apenas na substituição, mas não pode crer na inclusão, logo, a sua fé é pela metade.
Sola Scriptura!

segunda-feira, 28 de junho de 2010

A INSUFICIÊNCIA DA RELIGIÃO x A SUFICIÊNCIA DE CRISTO I


Tg. 1: 26 e 27 - "Se alguém cuida ser religioso e não refreia a sua língua, mas engana o seu coração, a sua religião é vã. A religião pura e imaculada diante de nosso Deus e Pai é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas aflições e guardar-se isento da corrupção do mundo." A palavra religião aparece apenas três vezes nas Escrituras. Em duas delas tem sentido pejorativo, e, na passagem que abre este texto, permite apenas inferenciar a esfera humanista dela. Não denota uma relação na esfera espiritual, mas indica que a religião deve ser uma consequência natural, constatável e sensoreável de quem conhece a verdade. Não é um canal para a redenção do pecador, mas uma prática das boas obras, que, aliás são de Deus. Propõe, outrossim, um modelo ideal para alguém que cuida ter algum vínculo com Deus, e não para estabelecer um estado de comunhão com Ele.
O apóstolo Tiago introduz o assunto por meio de uma cláusula de advertência conforme a estrutura gramatical do grego koinê. Não é uma sentença afirmativa ou causativa. É, antes, uma sentença condicional e relativa. Em nenhum momento a religião aparece, no texto, como o resultado da ação monérgica de Deus, mas apenas como uma prática humana consequente. O apóstolo contrasta os atos vãos do religioso com a exigência de pureza e imaculada conduta diante de Deus. Aquele, pois, que afirma-se numa certa crença religiosa, mas usa a língua para denegrir, mentir, e maldizer, engana-se a si mesmo, sendo a sua religião apenas uma vaidade diante de Deus. Refrear a língua é uma ação de difícil aplicação conforme o próprio apóstolo afirma em 3:5 e 6 - "assim também a língua é um pequeno membro, e se gaba de grandes coisas. Vede quão grande bosque um tão pequeno fogo incendeia.A língua também é um fogo; sim, a língua, qual mundo de iniquidade, colocada entre os nossos membros, contamina todo o corpo, e inflama o curso da natureza, sendo por sua vez inflamada pelo inferno." Um homem sábio chamado Eber Vasconcelos ensinou, certa vez, que "se deve pensar sobre tudo, mas nunca dizer tudo o que se pensa." Ele ensinava isto e isto mesmo vivia em seu modo de ser.
A palavra religião no texto grego do novo testamento é 'threskéia' e significa culto, reverência expressa em atos rituais, religião. Advém do verbo 'threskós' que é: "observador dos preceitos e ritual da religião, religioso." Pela própria etimologia se vê que religião é uma propositura humana e não divina. Em toda a Escritura não se acha nenhuma instância que demonstre a origem da religião em Deus. Não se vê qualquer ação concreta e direta de Deus instituindo uma, ou outra religião. O que se encontra são prescrições simbólicas que indicavam pedagogicamente o sacrifício de Cristo e toda a sua ação redentora e justificadora na cruz. Assim, ao fazer vestes de peles de animais no Éden para cobrir a nudez dos ancestrais comuns, Deus sacrificou animais para beneficiar o homem pecador. Isto indicava que o sangue de um inocente seria derramado para purificação do homem culpado. Também quando Abel ofereceu a Deus o cordeiro, indicava a aproximação do pecador por meio de um substituto e não pelo esforço e justiça própria como fez Caim.
A palavra religião em língua portuguesa origina-se na palavra latina 'religionem' ou 'religio' na declinação nominativa, não havendo nenhuma relação com outros vocábulos. Então é um termo anterior ao cristianismo e utilizado no mundo latino, com referência a um estilo de comportamento marcado pela rigidez e pela precisão. Desta forma pode-se dizer sem prejuízo de incorrer em erro, que a própria palavra religião resulta da apropriação indevida pelo cristianismo de um termo pagão cujo referencial estava ligado ao comportamento moral da sociedade pré-cristã.
Herdado da cultura hebraica, patriarcado é uma palavra derivada do grego 'pater', e se refere a um território ou jurisdição governado por um patriarca; de onde provém a palavra 'pátria'. Pátria, por seu turno, relaciona-se ao conceito de país, do italiano 'paese', por sua vez originário do latim 'pagus', aldeia, de onde também vem 'pagão'. Logo, país, pátria, patriarcado e pagão tem a mesma raiz, e, tudo, é humano e não divino.
Em outras culturas não existe uma palavra equivalente à palavra religião do latim e do grego. O hinduísmo antigo utilizava a palavra 'rita' que indicava para a ordem cósmica do mundo, com a qual todos os seres deveriam estar harmonizados e que também se referia à correta execução dos ritos pelos brâmanes, uma casta hindu. Mais tarde, o termo foi substituído por 'dharma', termo que atualmente é também usado pelo budismo e que exprime a idéia de uma lei divina e eterna. 'Rita' relaciona-se também com a primeira manifestação humana de um sentimento religioso, a qual surgiu nos períodos Paleolítico e Neolítico, e que se expressava por um vínculo com a Terra e com a Natureza, os seus ciclos e a fertilidade. Nesse sentido, a adoração à "Deusa" mãe, à 'Mãe Terra' ou 'Mãe Cósmica' estableceu-se como a primeira religião humana. Em torno desse sentimento formaram-se sociedades matriarcais centradas na figura feminina e suas manifestações.
Ao longo da história surgiram diversas etimologias para explicar a origem da palavra 'religio'. Cícero, na obra 'De Natura Deorum', 45 a.C. afirma que o termo se refere a 'relegere', isto é, reler, caracterizando pessoas religiosas que prestam muita atenção a tudo o que se relacionava aos seus deuses, relendo as escrituras ou os ritos prescritos para eles ou por eles. Esta proposta etimológica sublinha o carácter repetitivo do fenômeno religioso, bem como o aspecto intelectual humano. Mais tarde, Lactâncio, nos século III e IV d.C. rejeita a interpretação de Cícero, afirmando que o termo vem de 'religare', ou seja, religar, argumentando que a religião é um laço de piedade que serve para religar os seres humanos a Deus.
No livro "A Cidade de Deus" Augustinho de Hipona, século IV d.C. afirma que 'religio' deriva de 'religere', ou seja, "reeleger". Através da religião a humanidade reelegia novamente a Deus, do qual se tinha separado por causa do pecado. Mais tarde, na obra 'De Vera Religione', Augustinho retoma a interpretação de Lactâncio, que via em 'religio' uma relação com "religar", dando origem a palavra religião.
Macróbio, século V d.C. considera que 'religio' deriva de 'relinquere', algo que nos foi legado pelos antepassados como uma relíquia a ser cultivada. Tudo isto indica que a religião tem a sua origem no homem e não em Deus como se supõe comumente.
Independente da origem, o termo é admitido para designar qualquer conjunto de crenças e valores que compõem a de determinada pessoa ou conjunto de pessoas. Cada religião inspira certas normas e motiva certas práticas de acordo com a concepção humana de Deus e segundo o que Ele mesmo declara de Si próprio.
Soli Deo Gloria!

terça-feira, 22 de junho de 2010

CRER INCONDICIONALMENTE x CRER CONVENCIONALMENTE X


Hb.12:1 e 2 - "Portanto, nós também, pois estamos rodeados de tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com perseverança a carreira que nos está proposta, fitando os olhos em Jesus, autor e consumador da nossa fé, o qual, pelo gozo que lhe está proposto, suportou a cruz, desprezando a ignomínia, e está assentado à direita do trono de Deus." A fé é a chave que abre todo o processo da justificação, vivificação, e da santificação na vida dos eleitos de Deus. Por um lado, os filhos de Deus estão cercados por grande número de mártires que deram testemunho da fé, por outro lado têm em Cristo, o referencial fixo e único para mirar e seguir o caminho. Olhando para Jesus, o autor e consumador da fé genuína e incondicional, é possível continuar a carreira proposta aos santificados. Eles não vacilam os pés, apenas por esta razão. O pecado está ao derredor deles, mas não tem mais domínio sobre eles.
Mediante o testemunho da fé que permanece viva, tal como uma semente que mantém a carga genética de geração em geração, os eleitos têm a certeza da vitória sobre o mundo. Porque, assim como Deus concedeu misericórdia e graça a todos quantos conheceu de antemão, predestinou, chamou, santificou e glorificou, igualmente continua concedendo em seu "supremo propósito" até que se complete o número e o tempo preordenado antes da fundação do mundo conforme Ef. 1:4 a 6 - "...como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; e nos predestinou para sermos filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade, para o louvor da glória da sua graça, a qual nos deu gratuitamente no Amado."
Se por um lado o pecado rodeia os eleitos sempre de perto, há uma imensa nuvem de testemunhos sinalizando que a graça é maior, mais eficiente e mais eficaz que o pecado. Está é a expressão prática da perseverança dos santos eleitos: a manutenção do dom da fé incondicional, ainda que em meio a um ambiente dominado pelo pecado. A fé incondicional, isto é, que não está circunstanciada é a garantia da vitória sobre o sistema contaminado pelo mundo conforme I Jo. 5: 4 e 5 - "...porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé. Quem é o que vence o mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus?" Para ganhar a graça da fé incondicional é necessário nascer de Deus; a fé é o fator que dá a vitória sobre o mundo; tal vitória só é possível aos que receberam graça para crer que Jesus é o Filho de Deus. Assim, é um ciclo que tem início na ação monérgica e termina na ação monérgica d' Ele. A vitória sobre o mundo não é um amontoado de conquistas materiais, tecnológicas e intelectuais. É, antes, a destruição do corpo do pecado, a saber, da natureza decaída que separa a criatura do Criador. Por isso, aquele que ama o mundo não conhece a Deus, porque este amor está arraigado na natureza pecaminosa que rege e sustenta o sistema mundano. O que foi produzido pelo homem em estado de dacadência espiritual, não tem origem em Deus. Portanto, terá de ser destruído para que seja construído o reino d'Ele.
A cruz é o único elemento que pode reestabelecer a criatura ao criador. Não se pode falar em redenção, salvação e justificação sem cruz. Por esta razão é que só há novo nascimento, ou nascimento de Deus, quando há fé na atração e inclusão do pecador na morte de Cristo conforme Rm. 6: 5 a 7 - "Porque, se temos sido unidos a ele na semelhança da sua morte, certamente também o seremos na semelhança da sua ressurreição; sabendo isto, que o nosso homem velho foi crucificado com ele, para que o corpo do pecado fosse desfeito, a fim de não servirmos mais ao pecado. Pois quem está morto está justificado do pecado." Desta forma, a atração e inclusão do pecador não é um mero "transe cristológico de Paulo", como prefere aqueles que foram impedidos de ver, pelo príncipe deste século. É antes, uma realidade escriturística que necessita ser crida e não debatida filosoficamente. Não é uma questão de teologia sistemática, mas de veracidade bíblica que precisa ser crida incondicionalmente. Por esta mesma razão, o apóstolo Paulo enunciava: "... porque eu sei em quem tenho crido, e estou certo que é poderoso para guardar o meu tesouro até o dia final."
A questão fulcral é que só pode crer estas verdades, aqueles cujos nomes estão escritos no livro da vida do Cordeiro conforme Ap. 13:8 - "... adorá-la-ão todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo." Aqueles cujos nomes não estão neste livro, crerão e adorarão outras coisas e seres.
Sola Gratia!
Sola Scriptura!
Sola Fide!
Solo Christus!
Soli Deo Gloria!

sábado, 19 de junho de 2010

CRER INCONDICIONALMENTE x CRER CONVENCIONALMENTE IX


Nm. 14:11 - "Disse então o Senhor a Moisés: até quando me desprezará este povo e até quando não crerá em mim, apesar de todos os sinais que tenho feito no meio dele?" Crer é a operacionalização da fé, pois são verbos intercambiáveis em suas significações. Este único versículo retirado do contexto que retrata o envio dos espias a uma averiguação da terra de Canaã, onde Deus iria introduzir o povo de Israel, para dele, fazer uma nação numerosa é suficiente a uma abordagem completa sobre a fé. Hoje, esta terra é chamada de Palestina, e se tornou palco de inumeráveis conflitos ao longo da história, projetando-se para o mundo como um contra-senso das promessas divinas. Esta aparente contradição, se dá pelo fato de haver outras profecias no "supremo propósito" de Deus. Quando a cortina do Eterno se fechar no último capítulo da história escrita por Ele antes dos tempos eternos, tudo se encaixará e o mundo ficará perplexo. Céticos, ateus e incrédulos de todo gênero emudecerão diante do trono do Altíssimo.
Depreende do texto que abre este estudo, a verdade inteira que, de fato, a fé não pode ser circunstanciada, ou circunstancial. Enquanto ela for uma propositura que parte do homem em seu estado de degeneração, não operará, e, muito menos, produzirá os efeitos espirituais que se esperam da religião. A pergunta divina, no texto em tela, é puramente retórica visto que Deus é onisciente. Obviamente, Ele sabia precisamente porque o povo o desprezava, e não criam-no. A questão é que crer decorre da fé operada e operacionalizada por Deus e não das expectativas humanas. Deus está colocando em evidência o fato que estes israelitas haviam presenciado inumeráveis sinais ao longo da libertação e travessia do Egito à Canaã. Ainda assim, não podiam crer incondicionalmente, porque possuíam uma mente escravizada. Por esta razão é que Jesus, o Cristo fala aos discípulos: "se eu vos libertar, verdadeiramente sereis livres." A simples presunção de liberdade produzida por fatos circunstanciais, não implica em libertação e liberdade espiritual.
Hoje, o que prevalece no seio da religião humana horizontalizada é a busca frenética pelos sinais que se operaram no passado. Alguns religiosos se dão a longos jejuns, meditações e sacrifícios para obter poder para operar tais maravilhas. Iludem-se e iludem aos pobres pecadores que os seguem no desespero de ver suas carências e necessidades resolvidas. Os sinais criam, de fato, uma expectativa de que existe algo sobrenatural, que Deus existe e que é possível obter o benefício de que tanto anseiam. É nesse ponto que surgem diversos complicadores: os ilusionistas se aproveitam dessa situação para extrair riquezas, submissão, obediência e sacrifícios desumanos. Cria-se nesta instância um hiato insolúvel, porque nem os líderes podem, nem os liderados conseguem desfazer de suas ânsias causadas pela natureza pecaminosa. O resultado disto tudo produz duas atitudes: fanatismo religioso e ateísmo por falta de fé.
Aqueles israelitas se achavam entre as possibilidades de conquistar uma terra prometida e rica e retornar à situação anterior como escravos no Egito. Entretanto, o que lhes faltava era a graça da fé, porque se Deus os havia prometido, certamente Ele os introduziria na terra da promessa.
Deste contexto é que Deus enviou doze homens a avaliar e averiguar a terra prometida. Neste afã, se mostraram os que ganharam fé e os que se fixariam apenas nas evidências circunstanciais. Dos doze, apenas dois, Josué e Calebe deram um relatório de fé. Os demais foram extremamente pessimistas acerca das possibilidades de conquista. Neste sentido, fica provada a ausência de fé neles, porque Deus o havia assegurado. Então, pela lógica todos deveriam ter crido. Por isso, as Escrituras dizem que a fé não é de todos.
O resultado dessa situação foi que Deus decidiu não deixar que os incrédulos entrassem na terra da promessa conforme os versos 22 e 23 - "...nenhum de todos os homens que viram a minha glória e os sinais que fiz no Egito e no deserto, e todavia me tentaram estas dez vezes, não obedecendo à minha voz, nenhum deles verá a terra que com juramento prometi a seus pais; nenhum daqueles que me desprezaram a verá." Moisés intercedeu pelo povo, suplicando a misericórdia de Deus para com as suas transgressões. A disciplina foi andar em círculos pelo deserto até completar o tempo estabelecido. Assim, apenas os dois espias que creram na promessa e as pessoas de vinte anos para baixo entraram em Canaã.
Pela incredulidade do povo, a congregação de Israel esteve à beira da fronteira da terra prometida, mas não entrou. Ao contrário, perambulou pelo deserto por quarenta anos até que todos os rebeldes faleceram. Por isso Jesus, o Cristo diz em Jo. 3:3 e 5 - "Respondeu-lhe Jesus: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Jesus respondeu: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus."

Não vê e não entra!!!
Sola Fide!

domingo, 6 de junho de 2010

CRER INCONDICIONALMENTE x CRER CONVENCIONALMENTE VIII


Mt. 8: 5 a 10 e 13 - "Tendo Jesus entrado em Cafarnaum, chegou-se a ele um centurião que lhe rogava, dizendo: Senhor, o meu criado jaz em casa paralítico, e horrivelmente atormentado. Respondeu-lhe Jesus: eu irei, e o curarei. O centurião, porém, replicou-lhe: Senhor, não sou digno de que entres debaixo do meu telhado; mas somente dize uma palavra, e o meu criado há de sarar. Pois também eu sou homem sujeito à autoridade, e tenho soldados às minhas ordens; e digo a este: vai, e ele vai; e a outro: vem, e ele vem; e ao meu servo: faze isto, e ele o faz. Jesus, ouvindo isso, admirou-se, e disse aos que o seguiam: em verdade vos digo que a ninguém encontrei em Israel com tamanha fé. Então disse Jesus ao centurião: vai-te, e te seja feito assim como creste. E naquela mesma hora o seu criado sarou." A fé é um dom, portanto, ninguém a possui por exercício de piedade ou por ofício religioso. Muitas pessoas se tornam escravizadas por líderes, gurus, falsos profetas, curandeiros, e espertos de todos os matizes, por não receber a verdade das Escrituras. Como se pode apreender dos artigos anteriores há diversos níveis de fé humana entendida como meras expectativas. Muitos, na hora da dor e da angústia, elevam os seus desejos aos mais altos níveis de esperança e confundem isto com a fé. O que de fato há é o famigerado pensamento positivo e não a fé incondicional e genuína. Sanado o problema a "fé" destas pessoas desaparece!
O texto em tela mostra uma fé autêntica e não circunstanciada à fatos ou coisas tangíveis. O centurião, autoridade romana, e, portanto, não circunscrito à esfera da religião judaica, simplesmente creu. Levado pela compaixão creu que Jesus, o Cristo seria capaz de curar o seu funcionário, independente da Sua presença física. Ele tinha a noção exata do que é dependência plena da Palavra de Deus. O militar romano estava plenamente consciente do que é autoridade, portanto, credenciava autoridade espiritual a Jesus, o Cristo. Cônscio de que não possuía dignidade para receber em sua casa o Filho Unigênito de Deus, reconheceu o seu poder sobre os males humanos, e a sua autoridade por meio da Palavra. Era tudo o que Jesus necessitava para reconhecer a graça da fé concedida àquele gentio que recebera fé incondicional independentemente de religião.
"Vai-te e te seja feito assim como creste" é a sentença resultante da fé jamais vista em Israel, o fiel depositário dos oráculos de Deus e herdeiro das promessas divinas. Então, fica evidente que não basta ter ciência da verdade. É necessário receber graça para crer à verdade. "E naquela mesma ora o seu criado sarou" é a real consequência de uma fé estruturada tão somente na Palavra de Deus. Não foi solicitado ao centurião nenhum ritual, nenhuma penitência, nenhum gesto legalista. Ao militar romano, não foi exigido que se convertesse à religião judaica; não se solicitou daquele funcionário do império romano nenhuma oferta de gratidão; a ele, militar romano, não foi dado nenhum sermão sobre moralidade, idolatria, ou quaisquer outros desvios de conduta. A graça de Deus não gera dívidas! Acrescenta-se, também, que, o homem pecador, quando tocado pela fé verdadeira, se põe no seu devido lugar e reconhece a autoridade, a soberania, a misericórdia e a graça de Deus.
Sola Fide!
Sola Gratia!
Solo Christus!
Sola Scriptura!
Soli Deo Gloria!

sábado, 5 de junho de 2010

CRER INCONDICIONALEMENTE x CRER CONVENCIONALMENTE VII


Hb. 11: 3 e 4 - "Pela fé entendemos que os mundos foram criados pela palavra de Deus; de modo que o visível não foi feito daquilo que se vê. Pela fé Abel ofereceu a Deus mais excelente sacrifício que Caim, pelo qual alcançou testemunho de que era justo, dando Deus testemunho das suas oferendas, e por meio delas depois de morto, ainda fala." O entendimento que os mundos, a saber, a totalidade das coisas existentes, reais e possíveis de existir foram criadas pela Palavra de Deus é algo absolutamente possível pela fé. É ver o invisível, independentemente do visível e do perceptível.
O curso normal do mundo e dos homens que nele estão é crer apenas naquilo que se pode ver, sentir e tocar. Inverte-se a fé bíblica em uma forma de fé humanizada, que, na essência, não passa de mera expectativa. Enquanto o mundo busca desvendar os céus em busca de respostas para a origem do universo, a fé simplesmente diz "no princípio criou Deus os céus e a Terra..." O verbo utilizado no texto hebraico para criar é "barah", que quer dizer criar do nada. O princípio referido no texto, enquanto ideia de tempo, é algo impensável na dimensão humana, ou seja, é um tempo antes que houvesse o tempo, sendo expresso pelo termo "b'reshit".
Enquanto o mundo busca colidir sub-partículas atômicas para encontrar o que sustenta a matéria, a fé incondicional leva os eleitos de Deus, a simplesmente, crer que Deus fez todas as coisas pelo seu poder conforme Jr. 10:12 - "Ele fez a terra pelo seu poder; ele estabeleceu o mundo por sua sabedoria e com a sua inteligência estendeu os céus." O mundo e suas expectativas procura o sentido da vida em religiões, filosofias e postulados científicos, a fé diz que n'Ele, a saber, em Deus existimos, respiramos e nos movemos. O mundo e os religiosos dependem de uma fé sensorial, porém, os eleitos e regenerados vivem da fé do Justo que neles habita. Isto é fé incondicional e não fé circunstancial.
A verdadeira fé independe de quaisquer manifestações fenomenológicas, porque Deus não se sente, ou crê, ou não crê n'Ele. As Escrituras não foram produzidas para se tornarem objeto de polêmica, controvérsias ou discórdias, mas para serem cridas. Todavia, creem-na apenas aqueles aos quais é dado crer, pois há aqueles aos quais não é dado crer conforme II Ts. 3:2 - "Porque a fé não é de todos." O culto verdadeiro é racional, mas a fé e as Escrituras não podem ser racionalizadas, pois a origem é divina e não humana. Por estes erros é que se vê tanta religião e tanta infelicidade no mundo, uma vez que as expectativas dos portadores de uma fé relativa não se completam. Segundo pesquisas, a maioria dos que procuram psicanalistas são religiosos.
Abel ofereceu um sacrifício mais excelente a Deus, porque partiu da fé em um redentor substituto simbolizado no cordeiro imolado. Caim teve o seu sacrifício rejeitado por Deus, porque se fiou no fruto do seu esforço, a saber, em si mesmo e não no substituto imaculado e perfeito. Por esta razão se diz em Hb. 10:38 - "Mas o meu justo viverá da fé." Este tem sido o erro da maior parte dos religiosos de todos os tempos: tentar agradar a Deus com base em uma fé humana e não na fé sobrenatural, a qual independe do ver para crer.
Sola Fide!