segunda-feira, 26 de abril de 2010

CRER INCONDICIONALMENTE x CRER CONVENCIONALMENTE III


Hb. 11:3 e 4 - "Pela fé entendemos que os mundos foram criados pela palavra de Deus; de modo que o visível não foi feito daquilo que se vê. Pela fé Abel ofereceu a Deus mais excelente sacrifício que Caim, pelo qual alcançou testemunho de que era justo, dando Deus testemunho das suas oferendas, e por meio dela depois de morto, ainda fala." A fé é algo sobrenatural, porque se fosse natural estaria inserida no campo das experiências sensoriais e científicas e não na esfera espiritual. Então necessário é que primeiro se ganhe a fé, para só então, se ter entendimento. Quando se busca primeiro o entendimento, para depois obter a fé, o resultado espiritual é desastroso. A ciência busca a explicação da origem do universo e de tudo o que nele há. A fé afirma que tudo o que há no universo foi produzido pela ordem divina por meio da palavra. Ele disse, e tudo passou a existir exatamente como ele disse! Ele chamou à existência aquilo que não existia e tudo veio a existir conforme o registro de Jo. 1: 1 a 3 - "No princípio era o Logos, e o Logos estava com Deus, e o Logos era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez."
O Logos é uma referência ao poder criativo e eterno de Cristo em Sua pré-existência! Em língua portuguesa, Logos foi traduzido como o Verbo. Os tradutores quiseram dar uma ajuda ao entendimento dos menos doutos. Entretanto, mais atrapalhou do que ajudou, pois as Escrituras não necessitam de muletas, ou facilitação humana. Quando Deus quer se revelar a alguém, douto, ou indouto, Ele certamente o faz.
Não adianta muito entrar em controvérsia sobre a origem e o desenvolvimento das coisas, porque em matéria de fé, ou se crê, ou não se crê. Os debates, polêmicas e controvérsias são interessantes na esfera das ciências humanas. Assim, para os eleitos e regenerados, tanto faz se Deus criou tudo instantaneamente pela palavra, tal como está até hoje, ou se criou para evoluir. O que importa é que Ele é soberano e Todo-Poderoso para criar, sustentar e destruir todas as coisas. Então, quando no Gênesis é afirmado: "No princípio criou Deus os céus e a Terra...", não coloca em discussão qualquer aspectos evolutivo. Apenas afirma que Ele criou, tanto o que está no espaço sideral, como o que está no espaço terrestre. Para o efeito da fé, isto é o bastante! Igualmente quando Ele disse: "Haja luz, e houve luz", não colocou em discussão se a natureza da luz é corpuscular, ou ondulatória. A fé é o veículo para reconciliar a criatura ao Criador por meio da redenção, e isto implica, tanto em seres humanos, como todo o restante da criação. Tudo será restaurado no retorno do Grande Rei.
A base da justiça de Abel é a fé. Quando Abel quis honrar e adorar a Deus, oferecendo-Lhe um substituto, o fez crendo que a redenção do pecador seria feita pelo sacrifício de outro, a saber, de Cristo. Por isso, Abel alcançou a graça diante de Deus, e isto, lhe foi imputado por justiça. O texto sacro não afirma em nenhuma instância que alguém seja justo por si mesmo, mas que é justificado. Espiritualmente falando, "...não há um justo, nenhum sequer..." O pecado entrou no mundo por intermédio de um homem, Adão, e passou a todos os homens, porquanto, todos são pecadores por natureza, antes do que por atos e atitudes. Todos estão mortos em seus delitos e pecados, e, consequentemente, estão destituídos da glória de Deus.
Caim, contrariamente, ofereceu o fruto do seu labor. Ofereceu o suor do seu rosto como obra de justiça própria, consequentemente, desejava obter méritos perante Deus. Por esta razão é que Ele não se agradou da oferta de Caim, mas se agradou da oferta de Abel. O resultado foi o desenvolvimento da ira no coração de Caim, provocando o primeiro fratricídio que se tem notícia no mundo. Neste caso se pode conhecer a árvore pelos seus frutos.
Abel teve fé incondicional, enquanto Caim teve fé circuntancial e meramente convencional. Assim tem sido nas religiões institucionais e horizontalizadas de todos os tempos e lugares.
Sola Scriptura!
Sola Gratia!

segunda-feira, 19 de abril de 2010

CRER INCONDICIONALMENTE x CRER CONVENCIONALMENTE II


Dn. 3: 15 a 20 - "Agora, pois, se estais prontos, quando ouvirdes o som da trombeta, da flauta, da harpa, da cítara, do saltério, da gaita de foles, e de toda a sorte de música, para vos prostrardes e adorardes a estátua que fiz, bom é; mas, se não a adorardes, sereis lançados, na mesma hora, dentro duma fornalha de fogo ardente; e quem é esse deus que vos poderá livrar das minhas mãos? Responderam Sadraque, Mesaque e Abednego, e disseram ao rei: ó Nabucodonosor, não necessitamos de te responder sobre este negócio. Eis que o nosso Deus a quem nós servimos pode nos livrar da fornalha de fogo ardente; e ele nos livrará da tua mão, ó rei. Mas se não, fica sabendo, ó rei, que não serviremos a teus deuses nem adoraremos a estátua de ouro que levantaste. Então Nabucodonosor se encheu de raiva, e se lhe mudou o aspecto do semblante contra Sadraque, Mesaque e Abednego; e deu ordem para que a fornalha se aquecesse sete vezes mais do que se costumava aquecer; e ordenou a uns homens valentes do seu exército, que atassem a Sadraque, Mesaque e Abednego, e os lançassem na fornalha de fogo ardente."
É próprio do homem natural, a saber, que não foi regenerado espiritualmente, crer apenas convencionalmente. Dependendo da cultura a que está inserido, tal engajamento é fundamental à sua aceitação social, ou à sua ascensão socioeconômica. Por esta razão muitas pessoas se aferram a uma religião por mero tradicionalismo, ou apenas por convenção social. A crença em um "deus", ou em seres sobrenaturais acompanha a humanidade desde os mais primevos dos tempos. Na falta de uma explicação racional, ou de uma constatação sensorial, atribui-se ao sobrenatural os fenômenos e fatos inusitados. Joga-se com estas forças a sorte e o seu destino na crença que obterá sucesso na vida. 
Há em toda sociedade os ritos de passagem, nos quais ocorre forte teor de religiosidade e crenças místicas. Muitas pessoas se afiliam a determinadas instituições para ter a garantia de sucesso e boa aceitação nos círculos sociais. Tais instituições são plenas de regras, preceitos e normas, sendo muitas delas de caráter espiritualista.
O texto que abre este artigo se insere no contexto em que os judeus haviam sido levados cativos para a Babilônia. Nesta época Deus havia conferido ao rei Nabucodonosor amplos poderes sobre os povos e nações. Em sua vacuidade e soberba, o rei babilônico construiu uma estátua de ouro e ordenou a todos, nativos e estrangeiros dentro dos seus domínios reverenciar e adorar a imagem quando se fizessem tocar trombetas e instrumentos musicais. Três homens judeus cuja adoração e fé estavam restrita ao Deus Altíssimo, não fizeram caso da tal ordem. Logo surgiram os delatores, pois os homens não regenerados detestam que os exclua de algum negócio que lhes parece diferente. Como não podiam crer em nada mais e não podiam deixar de cumprir as ordens do rei, denunciaram os jovens Sadraque, Mesaque e Abednego pelo descumprimento da ordem real. Assim, o rei mandou chamar os contraventores e lhes deixou inteirados da necessidade de cumprir aquela ordem sob pena de serem queimados vivos caso não a obedecesse. Foram tratados como subvertores da ordem real, e, como tal, deveriam sofrer as consequências prescritas.
Os jovens judeus demonstraram ao rei que estavam firmes no propósito de servir apenas ao Deus que conheciam, apesar da ordem e da gravidade dela. Eles se dispensaram de dar explicações, porque a sua fé não era apenas convencional, mas incondicional. Não haviam quaisquer precondições para a sua fé. Visto que fé é dom, ninguém possui fé de si mesmo. Eles estavam seguros que o Deus Altíssimo os poderia livrar, como também poderia não os livrar da fornalha, sem que isto modificasse a fé que receberam. Então, não havia nenhum condicionante, mas apenas a fé incondicional. Eles não estavam subordinados às convenções humanas, ainda que estas partissem do rei mais poderoso daquele quadrante da história.
Como esta categoria de fé faz falta nos dias de hoje! Justamente quando homens incautos buscam na religião apenas a satisfação das suas necessidades mediatas e imediatas; tentam barganhar com Deus o seu sucesso financeiro, a sua saúde física, o seu poder político.
O resultado da fé que receberam Sadraque, Mesaque e Abednego foi o lançamento deles na fornalha sete vezes mais aquecida que o habitual. Entretanto, o fogo não lhes fizera mal algum, como também, fora visto andando entre eles e no meio das chamas, um quarto elemento que é o Senhor de toda a glória e o todo-suficiente para livrar ou condenar qualquer homem no universo.
Sola Fidei!
Sola Gratia!

terça-feira, 13 de abril de 2010

CRER INCONDICONALMENTE x CRER CONVENCIONALMENTE I


Hb. 11:1 - "Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se veem." Crer é um verbo oriundo do latim clássico 'credo' e disseminado pelo latim vulgar 'credere'. É um verbo transitivo direto e transitivo indireto. Significa nestes termos sintagmáticos: "tomar por verdadeiro, acreditar, confiar em, aceitar como verdadeiras palavras ou manifestações de, pensar, presumir; julgar". Crer é também um verbo intransitivo e é nesta acepção que nos interessa nesta instância, pois significa, neste caso, ter fé. Como intransitivo o verbo crer não aceita nenhum complemento, sendo suficiente em sua própria significação.
A definição bíblica para fé é o que está exposto no texto que abre este estudo. Então, a fé é o fundamento firme, a base, ou o que sustenta aquilo que ainda não existe, e, também, a certeza do que não é visível. Por si só, a fé é algo que foge absolutamente aos padrões objetivos da natureza humana. Contrariamente, o homem natural necessita ver para crer, enquanto, que, o padrão do cristianismo verdadeiro é o oposto, isto é, primeiramente se crê, para, só então ver experimentalmente. Este padrão está sucintamente colocado no texto de Rm. 4:17 - "...como está escrito: por pai de muitas nações te constituí perante aquele no qual creu, a saber, Deus, que vivifica os mortos, e chama as coisas que não são, como se já fossem." O contexto fala sobre a natureza da fé que teve Abraão, apenas com base na Palavra de Deus. Contrariamente às suas expectativas humanas, Deus, o instruiu a agir de modo oposto à sua promessa. Ao tempo em que havia prometido ser pai de uma grande nação, por meio de um filho, estando ele com mais de 90 anos e sua esposa sequer menstruava mais, depois lhe instrui que tomasse Isaque e o sacrificasse. Abraão, crendo, contra a sua esperança humana, mas confiando na esperança divina foi ao Monte Moriá. No local do sacrifício, Deus lhe manifestou o sentido de tudo e providenciou o substituto sacrificial em lugar de Isaque. Para Abraão, o que contava era a promessa e não a atitude de Deus. A fé não é circunstancial, mas incondicional.
O ensino do texto de Rm. 4:17, é que, para Deus, não há impossíveis, para Ele tanto faz a coisa existir ou não fisicamente. O que conta é o que Ele diz e não apenas se há o resultado do que Ele disse. Este texto ensina também que Deus leva o pecador morto em seus delitos e pecados para a cruz, e, nela, destrói o corpo do pecado, matando a morte do homem, na morte de Cristo, porque tal ato é por fé. Traz o eleito da morte espiritual à vida eterna e abundante por meio da ressurreição juntamente com Cristo. Este é o processo de passagem das trevas para a luz, a que alude o Senhor Jesus em Jo. 5:24 - "Em verdade, em verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna e não entra em juízo, mas já passou da morte para a vida."
Por todas estas razões estritamente espirituais é que, para o homem natural, estas coisas se constituem em matéria de loucura conforme I Co. 1: 18 e 19 - "Porque a palavra da cruz é deveras loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus. Porque está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios, e aniquilarei a sabedoria o entendimento dos entendidos." Os que perecem são todos os homens desde o dia em que veem a este mundo, pois a natureza pecaminosa os fazem nascer mortos para Deus e, consequentemente, experimentarão a morte física também. A palavra da cruz é conforme o registro de I Co. 15: 3 e 4 "Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras;que foi sepultado; que foi ressuscitado ao terceiro dia, segundo as Escrituras." A morte, o sepultamento e a ressurreição de Cristo é crível apenas pela fé nas Escrituras. Não basta um mero assentimento intelectual destes fatos! Então, ou se crê incondicionalmente para ganhar a vida de Cristo, ou se crê apenas convencionalmente para se iludir com uma religião humana.
Sola Fides!

domingo, 4 de abril de 2010

A SÍNDROME DE JÓ XXV


Jó 42: 1 a 6 - "Então respondeu Jó ao Senhor: bem sei eu que tudo podes, e que nenhum dos teus propósitos pode ser impedido. Quem é este que sem conhecimento obscurece o conselho? por isso falei do que não entendia; coisas que para mim eram demasiado maravilhosas, e que eu não conhecia. Ouve, pois, e eu falarei; eu te perguntarei, e tu me responderas. Com os ouvidos eu ouvira falar de ti; mas agora te vêem os meus olhos. Pelo que me abomino, e me arrependo no pó e na cinza." Depois que Deus arguiu Jó, mostrando-lhe o seu real lugar como criatura decaída e dotada de uma natureza pecaminosa, ainda que moralmente elogiado, ele então conseguiu dar a resposta correta ao Senhor.
Jó reconheceu, porque conheceu, a onipotência de Deus; igualmente conheceu e reconheceu a soberania de Deus; Jó se viu na sua real perspectiva, ou seja, apenas um homem reto, íntegro, temente e que se desviava do mal, porém sem o verdadeiro conhecimento do Altíssimo. Há profunda diferença entre conhecer acerca de Deus e conhecê-Lo de fato como Deus. É Ele mesmo que se dá a conhecer conforme Mt. 11:27 - "... e ninguém conhece plenamente o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar." O homem não regenerado não possui a menor inclinação para Deus conforme Rm. 3: 10 a 12 - "... como está escrito: Não há justo, nem sequer um. Não há quem entenda; não há quem busque a Deus. Todos se extraviaram; juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só." Entretanto, o homem em todos os tempos e lugares é naturalmente um ser religioso, porém religião não salva.
A falta de conhecimento do Senhor é o que demonstra o estado de decadência e separação espiritual do homem. Os eleitos e regenerados recebem por misericórdia e graça a mente de Cristo conforme I Co. 2:16 - "Pois, quem jamais conheceu a mente do Senhor, para que possa instruí-lo? Mas nós temos a mente de Cristo." A presunção de conhecimento de Deus é comum entre homens naturais, pois presumem ser professores d'Ele, e, portanto, Jó não foi exceção a esta regra. Jó falou apenas do que se lhe apresentava à percepção humana, mas não do que de fato compreendia pelo seu espírito. Esta competência é possível apenas por meio do Espírito de Deus nos eleitos e regenerados. Conhecer leis naturais e saber explicá-las não implica em conhecimento espiritual. Há muitos ateus que possuem excelente conhecimento natural, porém não passa de ciência.

Jó, como muitos homens de excelente caráter, possuía apenas um conhecimento de segunda mão. Conhecia pelo que ouvira falar, então, era um conhecimento de segunda mão. Desta categoria de conhecimento o mundo está repleto, porque as religiões são meras reprodutoras de doutrinas, preceitos, dogmas, regras e normas elaboradas para reformar moralmente a sociedade. Querem concertar o homem para obter uma melhora no mundo. Entretanto, a verdade de Deus quer mais do que isto, quer fazer uma nova criatura conforme II Co. 5: 17 - "
Pelo que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo." Porém, operou-se e operacionalizou-se em Jó o milagre do nascimento do alto ou da regeneração segundo a ação monérgica de Deus. Agora ele via com os próprios olhos ao Senhor. De fato, quem não nascer do alto, não vê e não entra no domínio espiritual conforme Jo. 3: 3, 5 e 6 - "Respondeu-lhe Jesus: Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Jesus respondeu: Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito." Então, nascimento espiritual é obra de Deus, enquanto nascimento biológico é obra de leis naturais preordenadas por Deus. 




O resultado do nascimento do alto é o homem, ainda que ético, se reconhecer abominável e arrependido até o pó e à cinza. Isto equivale dizer que o homem iluminado pela graça se vê e se reconhece na sua real posição e na sua real relação com Deus. A partir daí, sim, Deus inicia o processo de desconstrução do homem natural e de reconstrução da semelhança de Cristo no novo nascido.




Seja Deus engrandecido e adorado em espírito e em verdade eternamente.




Amém!

sábado, 3 de abril de 2010

A SÍNDROME DE JÓ XXIV


Jó 41: 33 - "Na terra não há coisa que se lhe possa comparar; pois foi feito para estar sem pavor." O capítulo 41 do livro de Jó traz uma longa descrição das características do crocodilo [heb.לויתן] 'leviathan', cuja tradução é 'monstro marinho'. Ao longo de todo o capítulo Deus tece comparações à força do crocodilo e a insignificância dos esforços humanos em querer dominá-lo. É uma referência a uma espécie de crocodilo marinho, que alguns supõem ter sido extinto.
Deus mostra que o homem sequer possui destreza para compreender a natureza por Ele criada e sustentada, quanto mais para discutir ou arguir com Ele em um debate. No texto são revelados ricos detalhes da natureza e habilidade deste animal, como em alguns capítulos anteriores, de outros animais. Tais riquezas e características diversificadas mostram claramente a eterna sabedoria divina. Desta forma a conclusão é que o homem deve se submeter à soberana vontade de Deus, como parte de uma criação pensada e controlada por Ele. O homem sempre se põe acima da criação e à parte dela como se fosse o seu criador. Despreza a soberania e o eterno desígnio de Deus que tudo fez, tudo controla sem que nada e ninguém lhe escape por um só segundo que seja.
Aplica-se neste texto o princípio moral: se a criatura é por si mesma complexa e perfeita, quanto mais o Criador que é bendito eternamente conforme Rm. 1:25 - "... pois trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram à criatura antes que ao Criador, que é bendito eternamente. Amém." Deus se basta a Si mesmo, não necessitando de nada que venha do homem ou de qualquer outra criatura. Deus, ao fazer qualquer concessão no universo, não perde absolutamente nada, porque Ele É. Assim, nenhum homem, por mais reto, íntegro, temente e que se desvie do mal, como era o caso de Jó, poderá exigir absolutamente nada d'Ele. Contrariamente, o homem deve proceder como aconselha Paulo em I Ts. 5:18 - "Em tudo dai graças; porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco." O cético, indaga, então, devemos dar graças mesmo nos momentos ruins? Sim, mesmo nos piores momentos, pois se alguém admite que Deus de fato é soberano, justo, amoroso, perfeito e tudo o mais, é perfeitamente admissível que Ele esteja controlando tudo e não apenas o que interessa ao homem decaído e absolutamente depravado em sua natureza.
Toda a fala de Deus nos últimos capítulos de Jó foi determinada pela arrogância deste em se achar merecedor de uma sorte melhor. Colocou-se na posição de vítima de Deus, impingindo injustiça aos atos d'Ele e justiça ao seu estilo de vida puramente religioso. Jó alegou, inclusive, que sua mente não o reprovava por nenhum dos seus dias conforme capítulo 27:6 - "À minha justiça me apegarei e não a largarei; o meu coração não reprova dia algum da minha vida." Entretanto, Deus em nenhum momento e sob nenhuma circunstância atribui a Jó justiça. Logo, ele falava de sua justiça própria. O conceito de justiça do homem é de caráter forense e não se aplica à Justiça de Deus que é, em suma, Cristo. Foi em Cristo que a injustiça do pecado foi anulada em sua morte de cruz e não em atos humanos.
Rm. 5:1 e 2 - "Justificados, pois, pela fé, tenhamos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo, por quem obtivemos também nosso acesso pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e gloriemo-nos na esperança da glória de Deus." Justificados é uma classe gramatical que implica em um objeto que tornou-se justo pela ação de um sujeito que o justificou. Então, mediante a fé, que é dom de Deus, os eleitos são tornados justos em Cristo Jesus, porque apenas Ele é Justo. Ser Justo não é acidental, mas essencial, ou seja, Ele não tem apenas justiça, mas Ele mesmo é a Justiça. A partir desse ponto o eleito e regenerado obtém acesso pela fé à graça que o mantém na perseverança santa.



A Cristo, o Justo, Honra, Força e Majestade!