sexta-feira, 12 de setembro de 2008

A GRAÇA É PARA DESGRAÇADOS III

Na cultura judaico-cristã ocidental algumas palavras são tidas como tabus. Uma delas é 'desgraça' e suas correlatas. Ainda que seja realmente dura realidade alguém não conhecer e não receber a graça de Deus, não se constitui nenhuma palavra de maldição ou de condenação afirmar que o homem sem a morte e a ressurreição em Cristo é um desgraçado. Todos os homens já nascem desgraçados por conta do pecado original, ou seja, da natureza pecaminosa herdada de Adão conforme Rm. 5:12 - "Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram." A morte a que alude o texto, não é apenas a morte física, mas também a morte espiritual, ou seja, a separação eterna do homem em relação a Deus. Alguns ignorantes, imaginam que tal ensino é errado, porque afirmam que o espírito não morre. É verdade, o espírito que está no homem retorna a Deus após a morte. Entretanto, o sentido de 'morte espiritual' é apenas o de separação entre o homem decaído e Deus santo. Por esta razão é que John Owen, um dos mais eminentes reformadores, escreveu a obra intitulada "A Morte, da Morte, na Morte de Cristo." Ele demonstra biblicamente, que, o homem morreu para Deus, por isto tem de morrer por inclusão na cruz com Cristo, para com Ele ressuscitar e ganhar a vida eterna. Tudo isto é uma questão de fé e não de experiência física ou mística.
A religiosidade, que, para nada aproveita, cria falsas bases de fé, tais como, supor que o fato de alguém pertencer a um determinado sistema de crença lhe confere salvação. Ou ainda, que o fato de alguém ter sido batizado, ser dizimista, missionário, pastor, diácono, evangelista dentro de uma determinada denominação religiosa lhe confere méritos perante Deus. Neste caso, ter-se-ia alcançado apenas a condição de servo inútil conforme Lc. 17:10 - "Assim também vós, quando fizerdes tudo o que vos for mandado, dizei: somos servos inúteis; fizemos somente o que devíamos fazer." Então, quando algum religioso cumpre tudo o que a sua religião determina, conseguiu galgar apenas a posição de servo inútil, porque fez apenas o que lhe fora ordenado, ou seja, o que era da sua obrigação moral.
A verdade é que todo homem que não recebe a graça de Deus por misericórdia e não por méritos ou por suposta justiça própria é um desgraçado por natureza, relação e posição. Não se trata de opinião, enunciado ou proposição de quem quer que seja, mas do que afirmam solenemente as Escrituras em diversas instâncias.
A verdadeira graça que substitui a desgraça e cura eternamente o desgraçado é uma ação absolutamente monérgica, isto é, única e procedente da soberana vontade de Deus. Ela não depende de qualquer algo a mais que seja proveniente do homem, pois do contrário, não seria graça e sim recompensa por serviços prestados. De modo geral, as religiões ditas cristãs sempre acrescem algo a mais além de Cristo. O homem que não experimenta a graça verdadeira, fundamenta-se toda a sua crença na lei do esforço.
I Sm. 2: 2 a 9 - "Ninguém há santo como o Senhor; não há outro fora de ti; não há rocha como a nosso Deus. Não faleis mais palavras tão altivas, nem saia da vossa boca a arrogância; porque o Senhor é o Deus da sabedoria, e por ele são pesadas as ações. Os arcos dos fortes estão quebrados, e os fracos são cingidos de força. Os que eram fartos se alugam por pão, e deixam de ter fome os que eram famintos; até a estéril teve sete filhos, e a que tinha muitos filhos enfraquece. O Senhor é o que tira a vida e a dá; faz descer ao Seol e faz subir dali. O Senhor empobrece e enriquece; abate e também exalta. Levanta do pó o pobre, do monturo eleva o necessitado, para os fazer sentar entre os príncipes, para os fazer herdar um trono de glória; porque do Senhor são as colunas da Terra, sobre elas pôs ele o mundo. Ele guardará os pés dos seus santos, porém os ímpios ficarão mudos nas trevas, porque o homem não prevalecerá pela força." Deus falou por intermédia de Ana, quando da entrega do menino Samuel ao serviço sacerdotal na casa de Eli. Primeiramente, Deus é definido como sendo santo, único e absoluto. Em seguida aconselha-se que o homem não pronuncie palavras altivas, pois Deus é sábio e pesa todas as ações dos homens. Também é esclarecido que Ele substitui a ordem das coisas como Lhe convém soberanamente. Deus é quem dá a cada um segundo a Sua maravilhosa e graciosa soberania, pois Ele é quem estabeleceu a Terra. É Ele quem guarda os pés dos seus eleitos; é Ele quem dá aos ímpios a recompensa da sua natureza decaída. O homem fora da cruz é uma forcejador da sua falsa salvação por meio da presunção religiosa. A graça que o tal crê se circunscreve apenas à obtenção de benesses.

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