segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

QUEM É O DIABO I

I Pd. 5: 8 e 9 - "Sede sóbrios, vigiai. O vosso adversário, o Diabo, anda em derredor, rugindo como leão, e procurando a quem possa tragar; ao qual resisti firmes na fé, sabendo que os mesmos sofrimentos estão-se cumprindo entre os vossos irmãos no mundo."
Alguém poderia questionar: por que escrever sobre quem é o Diabo, sendo mais honroso escrever sobre quem é Cristo. Perfeitamente! Acontece, no entanto, que, quanto menos se falar e reafirmar quem é o Diabo, mais ele se fortalece. É exatamente o que ele e seus seguidores visíveis e invisíveis querem que aconteça. Isto lhes dá a vantagem da dúvida e do esquecimento,concedendo-lhes mais espaço para continuar seu projeto nefasto contra Cristo e a sua Igreja. Então, ao escrever acerca do Diabo, não se pretende louvá-lo ou exaltá-lo de qualquer glória, pois ele não a tem.
Diabo provém do latim eclesial [diabolus] que, tendo sido transliterado para o grego eclesial como [διάβολος], o que resultou no vocábulo "diabolos". O vocábulo diabo, tanto no latim, quanto no grego significa "caluniador" ou "acusador". Desta forma tal adjetivo, quando utilizado como nome próprio só se aplica ao Diabo espiritualmente, porque ele é quem acusa os eleitos e regenerados de dia e de noite conforme Ap. 12:10 - "...porque já foi lançado fora o acusador de nossos irmãos, o qual diante do nosso Deus os acusava dia e noite.
O Diabo é chamado, na cultura judaica, de Satanás proveniente do hebraico [שָטָן] que, transliterado é "satan". Este substantivo é originário de um adjetivo, o qual significa "opositor" ou "adversário". Nas culturas judaica e árabe, Satan ou Sheitan pode ser referência geral a qualquer tipo de inimigo, opositor ou adversário, além de, também, ter sentido de inimigo sobrenatural.
Outra forma de se referir ao Diabo na cultura ocidental é Lúcifer. Tal referência tem a ver com a tradução de São Jerônimo, o qual traduziu a palavra hebraica [הֵילֵל] "hêlêl" erroneamente para o latim como "lux feros", ou seja"lúcifer." Entretanto, este não é o nome próprio do Diabo, mas uma expressão metafórica para se referir ao rei da Babilônia e sua queda prevista pelo profeta Isaías. O texto que se refere a expressão é Is. 14:12 - "Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filha da alva! como foste lançado por terra tu que prostravas as nações!" Trata-se de uma analogia ao planeta Vênus, a "Estrela da Manhã" que é ofuscado pelo aparecimento do Sol. Por semelhante modo, o rei da Babilônia - um astro menor - seria derrotado pelo Messias - o Sol da Justiça - que viria trazer a glória à Israel. Portanto, a tradução errada da expressão "estrela da manhã" como lúcifer ou portador da luz foi incorporada como sendo um dos nomes próprio de Satanás. Não se trata, portanto, de um nome próprio, mas de uma locução adjetiva em forma de metáfora, comparando a falsa glória de um rei terrestre com a real glória de Cristo.
Este mal entendido na tradução da Vulgata - a bíblia em latim - por S. Jerônimo deturpou as coisas a tal ponto que se atribuiu a Satanás um título que é, na verdade, de Jesus, o Cristo. Isto porque, lúcifer provém do hebraico "heylel" que quer dizer "estrela da manha", "estrela d'alva", "luz da manhã" e "aurora." Metaforicamente, em textos diferentes, se refere ao rei da Babilônia, ao Sumo Sacerdote Simão, filho de Onias (Eclesiástico 1:6), à Glória de Deus, ou a Jesus, o Cristo conforme Ap. 22:16 - "Eu, Jesus, enviei o meu anjo para vos testificar estas coisas a favor das igrejas. Eu sou a raiz e a geração de Davi, a resplandecente estrela da manhã."
O texto de abertura procede da carta do apóstolo Pedro aos judeus cristãos do primeiro século. Em muitas igrejas, de hoje, tal texto é utilizado para amedrontar os religiosos, como se dependesse deles a possibilidade de o Diabo os derrotar ou não. Todavia, o texto é muito claro ao afirmar que "O vosso adversário, o Diabo, anda em derredor, rugindo como leão, e procurando a quem possa tragar..." Na verdade, o texto afirma que ele anda ao derredor, procurando a quem possa tragar como se fosse um leão. Acontece que o título de "Leão de Judá" pertence a Jesus, o Cristo e não ao Diabo. Até nisto o adversário tenta ofuscar a glória de Cristo. Acrescenta-se ainda, que o Diabo não pode tragar ou se apoderar e destruir os eleitos e regenerados.
Aqueles a quem o Diabo pode tragar ou derrotar são os que não têm experiência de novo nascimento. Isto é mostrado claramente em I Jo. 5:18 - "Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive pecando; antes o guarda aquele que nasceu de Deus, e o Maligno não lhe toca." Os eleitos e regenerados não têm mais prazer na natureza pecaminosa, porque ela foi aniquilada e seus atos pecaminosos foram lavados no sangue do Cordeiro que tira o pecado do mundo. Desta forma, os nascidos de Deus não estão submissos ao reino das trevas e que Aquele que nasceu de Deus, a saber, Jesus, o Cristo, os guarda e o Diabo sequer pode lhes tocar. O fato de acontecer coisas ruins ou desagradáveis aos filhos de Deus, não quer dizer que foi o Diabo quem os derrotou. Muita coisa sucede aos filhos de Deus para o seu aperfeiçoamento na justiça de Cristo. O texto de abertura mostra isto claramente, ou seja, que muitos irmãos sofrem as pressões do mundo, mas não diz que são derrotados pelo Diabo.
Sola Scriptura!
Solo Christus!
Soli Deo Gloria!

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