quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

CRISTIANISMO SEM CRISTO III

Rm. 1: 18 a 21 - "Pois do céu é revelada a ira de Deus contra toda a impiedade e injustiça dos homens que detêm a verdade em injustiça. Porquanto, o que de Deus se pode conhecer, neles se manifesta, porque Deus lho manifestou. Pois os seus atributos invisíveis, o seu eterno poder e divindade, são claramente vistos desde a criação do mundo, sendo percebidos mediante as coisas criadas, de modo que eles são inescusáveis; porquanto, tendo conhecido a Deus, contudo não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes nas suas especulações se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu."
Segisfredo Wanderley é o autor de um livro intitulado: "Cristianismo Diabólico: Sem Cristo, Sem Cruz, Sem Santificação." Na sinopse da editora Danprewan sobre o referido livro leem-se as seguintes ponderações: "Nas últimas décadas, assistimos o surgimento de uma falsa igreja, que vem coexistindo ao lado da verdadeira igreja, e com isso confundindo milhares de fiéis, levando-os a acreditar em princípios, valores e práticas que simplesmente não existem na Bíblia, nem em qualquer ministério verdadeiramente cristão. A imensa responsabilidade que nos cabe hoje é — urgentemente — começar a separar radicalmente o joio do trigo, pois as novas gerações devem receber uma colheita sadia para levar adiante a verdadeira palavra de Deus, tal e qual foi ensinada por Jesus aos cristãos. Nas palavras do autor: “A melhor coisa que um homem ou uma mulher pode fazer por si mesmo e pelo bem comum da cidade e do país onde vive é unir-se a Deus. Ser um com Deus, andar com Deus. Viver no Espírito. Pois negar-se a Deus, dando o primeiro lugar em nossa vida a qualquer outra pessoa, coisa ou condição — seja dinheiro, poder, status ou privilégio social — é concessão ao diabólico. E tem desastrosas consequências pessoais e sociais: a sociedade injusta, os sistemas políticos iníquos e a religião espúria; inclusive, e principalmente, o ‘cristianismo’ diabólico."
Inegavelmente são palavras muito duras, entretanto são palavras inegáveis, considerando o que se deve considerar. Todavia, a proposta neste estudo não é por em crise os valores humanistas estabelecidos, praticados e aceitos. Igualmente não objetiva denegrir a imagem de uma igreja ou religião especificamente. Tais realidades descritas no comentário acima  ocorrem no Cristianismo Histórico, porque a longanimidade de Deus tem permitido e, de certa forma, isto foi previsto conforme Mc. 14:27 - "Disse-lhes então Jesus: todos vós vos escandalizareis; porque escrito está: ferirei o pastor, e as ovelhas se dispersarão." Enquanto Jesus, o Cristo vivia todos eram unânimes em segui-lo, obedecê-lo e até mesmo defendê-lo, como fez Pedro cortando a orelha do servo do sumo sacerdote no episódio da prisão de Jesus. Bastou Cristo ser julgado, condenado e crucificado para a coragem e a bravura se desfazer em medo e negação. Qual o significado de tudo isto? Demonstrar que o homem decaído e absolutamente depravado, por melhor que seja moralmente, não tem inclinação para o que  é de Deus conforme Rm. 3: 10 a 12 - "... como está escrito: não há justo, nem sequer um. Não há quem entenda; não há quem busque a Deus. Todos se extraviaram; juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só." Neste ponto o preciosista, perfeccionista e legalista diz: "há sim quem faz o bem" e se põe a citar exemplos e mais exemplos. Obviamente, o sentido bíblico de bem e mal não é exatamente o mesmo concebido pelos valores humanistas e religiosos. E ainda que alguém se entregue a vida toda para fazer o bem social, ainda assim, tal bem é apenas sociológico e não espiritual. A questão é que, por não conhecer Deus e glorificá-lo como Deus, sobrepõem-se práticas morais, éticas e obras de justiça própria como evidência de Deus no homem. A questão da inutilidade das obras humanas se dá porque todo o seu ser está contaminado pela natureza pecaminosa. Assim, qualquer que seja a sua história de vida, não serve como parâmetro espiritual que o conduzirá à presença eterna de Deus.
Atualmente igrejas que se auto-identificam como cristãs se aproximam cada vez mais deste viés de obras de justiça e méritos como prova de legitimidade cristã. É um enorme equívoco estabelecer valores humanistas como expressão de espiritualidade, porque não são estas práticas que exprimem a essência do que é espiritual. As religiões se inclinam a promover reforma moral no homem portador da natureza pecaminosa, sem contudo, destruir tal natureza. Acreditam que alguma mudança comportamental seja evidência de Cristo na vida do pecador. Não é! Muitos ateus e outros tantos satanistas têm vidas inatacáveis do ponto de vista moral e ético. O fato é que religião exterior não possui qualquer valor espiritual. Possui apenas valor sociológico e humanitário, sendo isto muito bom para a sociedade. Todavia, se todos os homens se convertessem a uma determinada religião cristã e mudassem radicalmente de comportamento, ainda assim não seriam cristãos só por isto. Produziriam uma sociedade mais justa e igualitária, mas não obteriam a redenção das suas naturezas pecaminosas. Fora de Cristo, da cruz e do nascimento do alto, não há redenção. Não são as boas práticas que espiritualizam o homem, mas o homem espiritualizado pratica as obras de Deus. As religiões ditas cristãs estão invertendo esta ordem para sua própria perdição.
O texto de abertura traz o seguinte: "...porquanto, tendo conhecido a Deus, contudo não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes nas suas especulações se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu." O homem natural pode conhecer muitas coisas sobre Deus, Jesus, o Cristo, a Bíblia, Igrejas e Religiões, mas se não nascer do alto, não vê e não entra no reino de Deus. Isto quem afirma é Cristo em Jo. 3: 3 e 5 - "Respondeu-lhe Jesus: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Jesus respondeu: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus." A expressão traduzida para a língua portuguesa como "nascer de novo" é, de fato, no texto grego original, "nascer do alto", ou seja, nascer espiritualmente. Isto fica claro quando Jesus diz a Nicodemos no mesmo contexto: "... o que é nascido da carne é carne, o que é nascido do Espírito é espírito." Nascer do alto ocorre quando o pecador crê que foi incluído na morte com Cristo e com ele ressuscitou para uma nova disposição. Tal verdade não depende da vontade do homem, não depende da sua origem étnica e, muito menos das suas práticas sociais e religiosas. Depende tão somente que o seu nome tenha sido escrito no livro da vida do Cordeiro.
Sola Fides!

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