sexta-feira, 7 de junho de 2013

SOBRE O FIM DOS TEMPOS IXL

Ap. 14: 1 a 7 - "E olhei, e eis o Cordeiro em pé sobre o Monte Sião, e com ele cento e quarenta e quatro mil, que traziam na fronte escrito o nome dele e o nome de seu Pai. E ouvi uma voz do céu, como a voz de muitas águas, e como a voz de um grande trovão e a voz que ouvi era como de harpistas, que tocavam as suas harpas. E cantavam um cântico novo diante do trono, e diante dos quatro seres viventes e dos anciãos; e ninguém podia aprender aquele cântico, senão os cento e quarenta e quatro mil, aqueles que foram comprados da Terra. Estes são os que não se contaminaram com mulheres; porque são castos. Estes são os que seguem o Cordeiro para onde quer que vá. Estes foram comprados dentre os homens para serem as primícias para Deus e para o Cordeiro. E na sua boca não se achou engano; porque são irrepreensíveis. E vi outro anjo voando pelo meio do céu, e tinha um evangelho eterno para proclamar aos que habitam sobre a Terra e a toda nação, e tribo, e língua, e povo, dizendo com grande voz: temei a Deus, e dai-lhe glória; porque é chegada a hora do seu juízo; e adorai aquele que fez o céu, e a Terra, e o mar, e as fontes das águas."
Uma das piores desgraças contra a verdade é a religião institucional, pois a fé não pode ser institucionalizada, pois é dom de Deus. Uma vez institucionalizada, torna-se puramente humana. As únicas referências à religião nas Escrituras ocorrem em Atos 25 e 26, apenas como menção à religião judaica. A outra encontra-se em Tg. 1: 26 e 27 - "Se alguém cuida ser religioso e não refreia a sua língua, mas engana o seu coração, a sua religião é vã. A religião pura e imaculada diante de nosso Deus e Pai é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas aflições e guardar-se isento da corrupção do mundo." De fato, não há nenhuma consistência bíblica para afirmar que a religião é uma instituição divina. Entretanto, há muita  base para afirmar que a religião é humana e sinérgica. Vê-se no texto do apóstolo Tiago que, a palavra religião está associada a coisas e não a Deus. Está associada à lei das obras e ás questões comportamentais. O texto demonstra que a religião só é vista como pura e imaculada quando cumpre a lei do amor ao próximo, nada mais que isto. Não é atribuída à religião a capacidade redentiva ou de justificação do pecador nas Escrituras. Demonstra que as práticas das obras religiosas devem ser uma consequência natural de qualquer homem diante de Deus.
Para melhor compreensão do texto de abertura deve-se levar em conta esta crítica à religião, porque esta vem arruinando o evangelho de Cristo no mundo desde os primeiros séculos do Cristianismo. A questão é, o homem que não experimentou novo nascimento, tende invariavelmente, à interpretação dos textos com base no seu sistema religioso e não no que as Escrituras ensinam. Por esta razão há inumeráveis interpretações sobre os 144.000 descritos no Apocalipse.  Há quem diga que este é o número dos que serão salvos entre os judeus. Também há os que chegam a afirmar que estes foram os únicos salvos durante a tribulação. Outros ainda dizem que é apenas um número simbólico. O texto não autoriza nenhuma destas interpretações.
É mister que se olhe apenas para o texto e não para teses de homens. Primeiramente são judeus, porque o texto diz que são israelitas. Há diferença entre um israelita e um israelense. Todos os judeus em qualquer lugar do mundo, inclusive em Israel, são israelitas. Mesmo os judeus que negam as suas origens e não praticam o judaísmo são israelitas. Secundariamente, o texto diz que eles estavam em pé no Monte Sião juntamente com o Senhor Jesus, o Cristo. Logo, esta afirmação põe por terra a ideia de uma determinada seita dita cristã, que os tais são os salvos no céu. Ora, o Monte Sião sempre e invariavelmente representa a cidade de Jerusalém capital eterna de Israel. Os 144.000 judeus seguem a Cristo onde quer que ele vá, e, se ele está no Monte Sião, logo, está na Terra e não no céu. Significa dizer que eles foram preparados para receber e servir ao Grande Rei após o seu retorno visível à Terra. No capítulo sete viu-se que os 144.000 foram selados na Terra e que são 12.000 de cada uma das doze tribos de Israel. Eles não são anjos nem santos salvos que estavam no céu antes da vinda visível de Cristo. Finalmente, no capítulo catorze, o que está em vista não é a ressurreição, logo, eles foram escolhidos, selados e organizados aqui na Terra. O foco é a Terra e a ação dos juízos do Cristo sobre ela.
A palavra casto utilizada no texto não implica em que tais judeus são virgens no sentido de não terem tido nenhum contato sexual. Castos no sentido em que aparece no texto grego koinê é "parthenós" que, além de significar virgem, também é o antônimo de promíscuo e prostituto  no sentido espiritual. O apóstolo Paulo utiliza este termo com o sentido de quem não se prostituiu ou se contaminou com práticas religiosas idólatras conforme II Co. 11:2 - "Porque estou zeloso de vós com zelo de Deus; pois vos desposei com um só Esposo, Cristo, para vos apresentar a ele como virgem pura." O texto utiliza a palavra "virgem" tanto a homens como mulheres daquela Igreja. Então, isto nada tem a ver com celibato, mas com pureza de fé em uma única verdade. Alguém poderia obliterar que o texto fala de "... não se contaminaram com mulheres." Esta é uma expressão idiomática que indica que os tais judeus não viviam dissolutamente em adultérios e promiscuidade com mulheres. Porém, não quer dizer que não eram casados. Quando os textos utilizam o verbo contaminar, usa-o com o sentido de um estado promiscuo tanto em termos morais como em termos de práticas religiosas conforme Mt. 24: 37 e 38 - "Pois como foi dito nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do Homem. Porquanto, assim como nos dias anteriores ao dilúvio, comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca..."
Assim como Jesus, o Cristo foi o Primogênito dentre os mortos, ou seja, a primícia da ressurreição, estes 144.000 serão as primícias dos judeus que formarão a base de apoio ao Grande Rei na Terra. A selagem deles, isto é, a colocação do nome de Deus e do seu Cristo em suas frontes dará início à septuagésima semana de Daniel e estes nomes os protegerão do Anticristo. 
Os versículos 6 e 7 mostram como será a evangelização neste tempo, após o arrebatamento da Igreja. O evangelho eterno será pregado do céu pelos imortais. Será anunciado em cada canto do planeta, de modo que, todos os ouvirão querendo ou não. Estes que forem convertidos neste tempo, pela pregação do evangelho por este mensageiro, serão mortos pelo Anticristo. São eles os chamados "santos da tribulação."
Maranata!

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