segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

ADORAÇÃO, LUGAR E CONTEÚDO

Jo. 4: 20 a 26 - "Nossos pais adoraram neste monte, e vós dizeis que em Jerusalém é o lugar onde se deve adorar. Disse-lhe Jesus: mulher, crê-me, a hora vem, em que nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos; porque a salvação vem dos judeus. Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem. Deus é Espírito, e é necessário que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade. Replicou-lhe a mulher: eu sei que vem o Messias, que se chama o Cristo; quando ele vier há de nos anunciar todas as coisas. Disse-lhe Jesus: Eu o sou, eu que falo contigo."
Um velho pastor foi convidado a pregar em uma certa igreja. Antes de lhe entregarem o púlpito e a palavra ocorreu um período ao qual denominaram de adoração e louvor. O dirigente dos cânticos e orações, tentando levar a platéia à euforia dizia: 'meus irmãosquanto mais louvor e adoração subir, mais bênçãos descerão do céu'. Quando o pastor convidado tomou da palavra afirmou em tom solene: 'os senhores cometeram um grande engano, tentando barganhar as bênçãos de Deus'. Ora, adoração e louvor são prestados pelos que nasceram de novo e não são feitos para obter bênçãos. 
Primeiramente adoração é um substantivo que procede do verbo adorar, o qual traz, no contexto espiritual, a seguinte significação: 'prestar culto à divindade'. O verbo adorar provém do latim 'adorare', que, em última análise, significa: 'orar, pedir orando, adorar'. Desta forma, nem sempre, uma cantoria animada ou gritaria orada são adoração. Adora-se até no silêncio!
O encontro de Jesus, o Cristo com a mulher samaritana traz à luz muitas revelações no tocante à dimensão espiritual. Enquanto a samaritana estava preocupada no estabelecimento de um lugar para adoração, Jesus apontava para o fato que a questão não é de lugar geográfico, mas de relação espiritual. O homem, em seu estado decaído tenta, ingloriamente, desenvolver artifícios para convencer Deus a lhe ser favorável. Julga, e julga mal, ter o poder decisório sobre a salvação da sua culpa do pecado. Madame Guyon afirmava:'oro, não para convencer a Deus, mas até que Ele me convença.' Portanto, buscar lugares, maneiras e conteúdos para estabelecer uma ligação com o Deus Eterno é desconhecê-lo. Neste sentido é que a religião se mostra como uma mera criação humana. Visto que religião é a tentativa de o homem religar-se a Deus por seus próprios esforços e desempenho, logo, é uma ação humana. Deus jamais fundou qualquer religião.
Secundariamente, adoração é um ato espiritual e não sensorial ou ritualístico. Cristo define claramente à mulher: 'nós adoramos o que conhecemos...' Obviamente só se pode adorar o que se conhece. Jamais se poderá estabelecer um ato de adoração a Deus sem conhecê-lo. Por todas estas razões Cristo define que o lugar de adoração é no espírito e não em lugares físicos específicos. Quando alguém sobe a um monte para adorar estabelece, neste ponto, um ato de desempenho pessoal como base de méritos e justiça própria. Adora-se a Deus em espírito e em verdade, a saber, por meio da vida de Cristo internalizada pela inclusão do pecador em sua morte de cruz. É por meio do novo nascimento que o pecador é regenerado e ganha a vida de Cristo. Esta vida interior é a sede da adoração, porque Cristo é a verdade conforme Jo. 14:6 - "Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim." Ele é o método de Deus, Ele é a verdade de Deus, e Ele é a vida eterna. Por estas razões é que ninguém pode adorar fora de Cristo, pois ninguém vai até Deus fora de Cristo. Estas verdades só se revelam aos que tiveram o seu pecado aniquilado em Cristo conforme Hb. 9:26 - "...doutra forma, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo; mas agora, na consumação dos séculos, uma vez por todas se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo."
O fato é que, o Espírito só se adora por meio de espírito. Isto significa dizer que o Espírito Santo de Deus só recebe comunicação por meio do espírito regenerado do homem. O que passa disso é apenas religião barata e vazia de conteúdo espiritual. Pode haver até efervescência sensorial ou almática, mas não adoração em espírito e em verdade. Além disto tudo, é Deus quem procura os seus verdadeiros adoradores e jamais o contrário. Portanto, perdem tempo, energia e a própria possibilidade de adoração aqueles que saem à busca de lugares, formas e conteúdos de adoração não ressurrecta. Apenas aqueles que morreram em Cristo e ressuscitaram juntamente com Ele podem adorar em espírito e em verdade, porque apenas eles ganharam a graça da morte, da suas mortes, na morte de Cristo. A estes o Pai busca para adoração e recebe seus louvores e ações de graça, porque Ele os vê através do Seu Filho Unigênito e Primogênito entre os mortos.
Jesus, o Cristo ensina como e onde se deve orar em Mt. 6: 6 a 8 - "Mas tu, quando orares, entra no teu quarto e, fechando a porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará. E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios; porque pensam que pelo seu muito falar serão ouvidos. Não vos assemelheis, pois, a eles; porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes de vós lho pedirdes." Apenas os que são filhos podem orar em espírito e em verdade, porque é o Espírito Santo quem traduz suas orações.
Sola Gratia.

sábado, 9 de novembro de 2013

O EVANGELHO SEGUNDO O PODER DE DEUS

II Tm. 1: 8 a 11 - "Portanto não te envergonhes do testemunho de nosso Senhor, nem de mim, que sou prisioneiro seu; antes participa comigo dos sofrimentos do evangelho segundo o poder de Deus, que nos salvou, e chamou com uma santa vocação, não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e a graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos, e que agora se manifestou pelo aparecimento de nosso Salvador Cristo Jesus, o qual destruiu a morte, e trouxe à luz a vida e a imortalidade pelo evangelho, do qual fui constituído pregador, apóstolo e mestre."
No mundo há apenas dois sistemas teológicos: o da mentira e o da verdade. Não importa qual religião seja analisada, invariavelmente, ela estará inserida no sistema da mentira. Mentira é um substantivo feminino e significa: engano, impostura, falsidade, fraude. Também a mentira é engano dos sentidos e do espírito, que induz ao erro e à ilusão. A mentira se expressa por meio de fábulas, ideias, opiniões, ficção ou falso juízo. Portanto, o que é mentido será sempre originado no homem ou da sua percepção da realidade.
A verdade não é uma ideia, concepção, opinião, ficção, fábula. A verdade é uma pessoa, a saber, Jesus, o Cristo. Ele próprio assim o confessou de si mesmo em Jo. 14: 6 - "Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim." Possuir ou ser portador de uma verdade é algo relativo, entretanto, ser a própria verdade é algo absoluto. Portanto, o evangelho ensinado nas Escrituras é absoluto, porque se origina de uma pessoa e não de uma concepção filosófico-religiosa. Quem está em Cristo está, não em um sistema religioso, mas em uma pessoa absoluta. Jesus, o Cristo não fundou nenhuma religião e não deixou nenhuma instrução acerca de igrejas denominacionais entre quatro paredes. A única ordem dada foi: "Portanto indo, fazei discípulos de todas as nações..."
A gravura que serve de adorno a este estudo acha-se gravada na parede de uma casa antiga no Monte Paladino em Roma ainda hoje. Trata-se de um grafite que mostra a figura de um homem, um corpo humano crucificado, do qual emerge uma cabeça de asno ou jumento. Tal grafite é acompanhado de alguns dizeres em latim popular. Os dizeres significam em língua portuguesa: "Alexamenos adora o seu deus." Esta era a posição dos romanos em relação ao Cristianismo e aos cristãos. Tal fato mostra alguém expressando o repúdio à Cristo e a este Alexamenos nesta parede, ficando isto registrado até ao dia de hoje.
Enquanto o Cristianismo permaneceu em suas bases originárias e escriturísticas causou intensa reação por parte das outras crenças anteriores. Milhares de cristãos foram queimados vivos, crucificados, atirados às feras em arenas romanas para servir de espetáculo ao mundo. Entre os judeus houve alguma tolerância inicial, permitindo-se que alguns apóstolos e discípulos do primeiro século pregassem a doutrina de Cristo nas sinagogas. Mas, logo os líderes se colocaram veementemente contra, pois a nova doutrina não se alinhava ao velho ensino judaísta. Consideravam que tal ensino confrontava-se com seus anseios de um Messias libertador político. Desta forma se sentiam ameaçados em sua forma de sobrevivência econômica às custas da religião judaica.
No livro dos Atos dos Apóstolos está registrado o fato que alguns dos líderes judeus se sentiam condoídos, porque os discípulos pregavam a Cristo conforme At. 4: 1 a 3 - "Enquanto eles estavam falando ao povo, sobrevieram-lhes os sacerdotes, o capitão do templo e os saduceus, doendo-se muito de que eles ensinassem o povo, e anunciassem em Jesus a ressurreição dentre os mortos, deitaram mão neles, e os encerraram na prisão até o dia seguinte; pois era já tarde.
O texto de abertura mostra que o cristão não deve se envergonhar do evangelho segundo o poder de Deus. É o verdadeiro evangelho que traz o sentido do testemunho, isto é, o martírio, tanto de Jesus, o Cristo, como também dos seus discípulos verdadeiros. Todo aquele que foi incluído na cruz para ter o seu pecado aniquilado na morte de Cristo, carrega as dores e sofrimentos d'Ele. Este é o "trazendo sempre no corpo o morrer de Jesus..." de II Co. 4:10. Por Ele somos entregues à morte todos os dias conforme Rm. 8:36 - "Como está escrito: por amor de ti somos entregues à morte o dia todo." Em nenhuma instância do evangelho de Cristo há promessa de prosperidade, vitória e triunfo sobre o mundo e sobre o mal para qualquer cristão individualmente ou coletivamente. Todas as promessas de vitória e triunfo são prometidas à Igreja cuja cabeça é o Senhor Jesus. Tal triunfo e vitória é espiritual e não material ou político. Ainda que um cristão possa ser próspero e de grande projeção política, todavia estas coisas não produzem um cristão. A vida cristã, a saber, a vida de Cristo no nascido do alto não se constitui de coisas, mas d'Ele mesmo. É o que se chama, na religião, de "santificação" e no evangelho da verdade de produção da santidade de Cristo nos eleitos.
Este evangelho que se prega nas religiões históricas e nominais é um evangelho espetacular e espetaculoso. Apregoa-se um triunfalismo que só existe no ideário de pessoas cujas escamas não foram retiradas dos olhos. Tal evangelho não é o que consta nas Escrituras. A verdadeira Igreja não necessita de prédios, músicas, hinários, bíblias, pregadores, editoras, gravadoras, livros e compêndios de teologia, hierarquia humana, indumentárias e riquezas. A verdadeira Igreja requer apenas a fé, a comunhão e o Cristo julgado, condenado e crucificado. Todavia, quem o julgou, condenou e crucificou foi o próprio Deus, antes dos tempos eternos, por amor aos eleitos e predestinados. Este mesmo Deus, o ressuscitou dentre os mortos. Juntamente com Ele, também, trouxe à vida os que n'Ele foram incluídos para justificação. Por que Cristo é tudo em todos para honra e glória de Deus eternamente. Por esta razão é que o evangelho é segundo o poder de Deus e não segundo o curso das religiões humanas. O mundo continuará no seu caminho largo para a perdição por mais religioso que seja.
Sola Scriptura.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

ENCANTANDO AS COBRAS SURDAS

Sl. 58: 1 a 11 - "Falais deveras o que é reto, vós os poderosos? Julgais retamente, ó filhos dos homens? Não, antes no coração forjais iniquidade; sobre a terra fazeis pesar a violência das vossas mãos. Alienam-se os ímpios desde a madre; andam errados desde que nasceram, proferindo mentiras. Têm veneno semelhante ao veneno da serpente; são como a víbora surda, que tapa os seus ouvidos, de sorte que não ouve a voz dos encantadores, em mesmo do encantador perito em encantamento. Ó Deus, quebra-lhes os dentes na sua boca; arranca, Senhor, os caninos aos filhos dos leões. Sumam-se como águas que se escoam; sejam pisados e murcham como a relva macia. Sejam como a lesma que se derrete e se vai; como o aborto de mulher, que nunca viu o sol. Que ele arrebate os espinheiros antes que cheguem a aquecer as vossas panelas, assim os verdes, como os que estão ardendo. O justo se alegrará quando vir a vingança; lavará os seus pés no sangue do ímpio. Então dirão os homens: deveras há uma recompensa para o justo; deveras há um Deus que julga na terra."
Biologicamente cobra é a forma generalizada de se referir aos ofídios peçonhentos ou não peçonhentos. Serpente é a forma específica de se referir aos ofídios peçonhentos e venenosos. As cobras e serpentes são naturalmente surdas, ainda que percebam por meio das vibrações ao seu redor e do solo. Assim, os encantadores de serpentes exercem influência sobre as cobras apenas pelo movimento das flautas e não pela música que tocam. Alguns destes artistas de rua untam suas flautas com urina de rato para atrair a atenção das serpentes pelo cheiro. 
Nas Escrituras serpentes e cobras possuem conotação com o mal insinuante e ardiloso. Também se refere a uma pessoa de índole má e traiçoeira. João, o batista antes de Jesus, o Cristo se referia a alguns dos judeus religiosos como raça de víboras conforme Mt. 3: 4 a 9 - "Ora, João usava uma veste de pelos de camelo, e um cinto de couro em torno de seus lombos; e alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre. Então iam ter com ele os de Jerusalém, de toda a Judeia, e de toda a circunvizinhança do Jordão, e eram por ele batizados no rio Jordão, confessando os seus pecados. Mas, vendo ele muitos dos fariseus e dos saduceus que vinham ao seu batismo, disse-lhes: raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira vindoura? Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento, e não queirais dizer dentro de vós mesmos: temos por pai a Abraão; porque eu vos digo que mesmo destas pedras Deus pode suscitar filhos a Abraão." João, o batista não estava ofendendo gratuitamente a estas pessoas por chamá-las de 'raça de víboras'. Apenas lhes mostrava a real natureza pecaminosa neles residente. Quando o homem optou por ser incrédulo à Palavra de Deus e crédulo à palavra de Satanás incorporado na serpente, tornou-se descendente dela. Isto está registrado em Gn. 3:15 - "Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua descendência e a sua descendência; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar." A inimizade colocada foi entre a serpente e a mulher, como também, entre a tua descendência e o seu descendente. Ora, a descendência da serpente são os homens decaídos e portadores da natureza pecaminosa. O descendente da mulher é Cristo, visto que a referência é no singular, portanto, a uma única pessoa. Desta forma todos os homens nascem na raça de víbora, pois Satanás é chamado de "antiga serpente" em Ap. 12:9 - "E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, que se chama o Diabo e Satanás, que engana todo o mundo; foi precipitado na terra, e os seus anjos foram precipitados com ele.
Após João, o batista, o próprio Jesus, o Cristo se referiu aos líderes religiosos judeus como filhos do Diabo conforme Jo. 8:44 - "Vós tendes por pai o Diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai; ele é homicida desde o princípio, e nunca se firmou na verdade, porque nele não há verdade; quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio; porque é mentiroso, e pai da mentira." Em outra ocasião Jesus, o Cristo também se referiu aos homens como raça de víboras conforme Mt. 23:33 - "Serpentes, raça de víboras! como escapareis da condenação do inferno?" O texto é auto-explicativo: a natureza de serpente e de víboras condena o homem ao inferno. 
O texto de abertura retrata a maldade humana, demonstrando que cada homem é alienado desde o ventre da mãe. Afirma que os ímpios andam errados e são mentirosos desde muito cedo. O salmista está retratando o mesmo fato, a saber, a natureza pecaminosa no homem. Muitos ao ler tais textos ou mesmo ler comentários sobre eles, se sentem agredidos. Discordam que uma criança seja má e defendem que há pessoas bondosas no mundo. Ora, o ensino sobre a natureza pecaminosa não se refere às práticas más dos homens, mas da sua natureza maléfica. Uma pessoa pode viver a vida inteira sem matar, roubar, mentir ou praticar grandes atos reprováveis. Isto não lhe torna bom,  ou mesmo isento da culpa do pecado. Uma coisa é a natureza pecaminosa inoculada no homem pela serpente, outra coisa são os atos pecaminosos dela decorrentes. Tais atos pecaminosos se manifestam ou não, podem ser mais evidentes e frequentes em uns e menos em outros. Eles podem se manifestar em uma fase da vida e em outra não. O fato é que, o que condena o homem ao inferno não são apenas os seus atos pecaminosos, mas é, essencialmente, a sua natureza pecaminosa. Tal natureza herdada de Adão foi o que determinou a perda da glória que o homem possuía antes da queda. Rm. 3:23 - "Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus." Por que todos pecaram? Por que são descendentes de Adão o 'cabeça federal de raça', segundo uma expressão hebraica. Isto é confirmado em Rm. 5:12 - "Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram."
Alguns imaginam em seus corações enganados: 'eu não sou da raça de víboras e muito menos descendente da serpente, porque sou uma boa pessoa, tenho religião, sou ético e moralmente correto'. Ora, é aí que mora o perigo, pois a natureza pecaminosa tenta, exatamente, gratificar-se para negar o pecado. Desta forma é perda de tempo pregar para que os homens escolham a Deus, aceitem a Jesus, arrependam-se dos seus pecados. Eles não podem fazer isto sozinhos e suas almas contaminadas pela natureza pecaminosa buscam, exatamente, o oposto. No máximo podem procurar uma religião, mas não a redenção da maldição do pecado. A redenção, salvação ou libertação só é possível pela ação monergística de Deus. Isto se dá por meio da fé que, ao morrer, Jesus, o Cristo atraiu o pecador eleito à sua morte de cruz. Também, pela mesma fé, o pecador eleito crê que ressuscitou juntamente com Cristo para a vida eterna.
Sola Gratia!

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

SOBRE MALDIÇÃO VI

Jr. 24: 2 a 9 - "E perguntou-me o Senhor: que vês tu, Jeremias? E eu respondi: figos; os figos bons, muito bons, e os ruins, muito ruins, que não se podem comer, de ruins que são. Então veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: assim diz o Senhor, o Deus de Israel: como a estes bons figos, assim atentarei com favor para os exilados de Judá, os quais eu enviei deste lugar para a terra dos caldeus. Porei os meus olhos sobre eles, para seu bem, e os farei voltar a esta terra. Edificá-los-ei, e não os demolirei; e plantá-los-ei, e não os arrancarei. E dar-lhes-ei coração para que me conheçam, que eu sou o Senhor; e eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus; pois se voltarão para mim de todo o seu coração. E como os figos ruins, que não se podem comer, de ruins que são, certamente assim diz o Senhor: do mesmo modo entregarei Zedequias, rei de Judá, e os seus príncipes, e o resto de Jerusalém, que ficou de resto nesta terra, e os que habitam na terra do Egito; eu farei que sejam espetáculo horrendo, uma ofensa para todos os reinos da terra, um opróbrio e provérbio, um escárnio, e uma maldição em todos os lugares para onde os arrojarei."
Como já foi devidamente explicado os textos utilizados ilegitimamente para fundamentar a falsa doutrina das "maldições hereditárias" ou "maldições familiares" não utiliza nenhuma das palavras do texto bíblico hebraico para maldição ou amaldiçoar. Esta mensagem anômala às Escrituras surge do próprio coração do homem tentando encontrar alguma resposta ao sofrimento ou à falta de "sorte" ao longo da vida. Tais pessoas não chegam ao descanso porque não podem crer na graça de Deus. A alma humana, usando dos seus poderes latentes, tenta encontrar alguma forma de autogratificação por meio de subterfúgios e teologias humanistas. Também foi dito que as Escrituras tratam, sim, do assunto de maldição, mas não da forma que é apresentado nas religiões e na crença popular.
No texto de abertura a palavra hebraica para maldição é [hAlAlÙq] 'qelálâ', que, por sua vez, provém da raiz 'qal'. Esta raiz indica algo ou alguém com a qualidade de ser leve, superficial e insignificante. Indica uma espécie de desprezo que tem uma pessoa em relação à outra. Este termo [lÑqEGtÂw] foi usando no texto de Gn. 16: 4 e 5 - "E ele conheceu a Agar, e ela concebeu; e vendo ela que concebera, foi sua senhora desprezada aos seus olhos. Então disse Sarai a Abrão: sobre ti seja a afronta que me é dirigida a mim; pus a minha serva em teu regaço; vendo ela agora que concebeu, sou desprezada aos seus olhos; o Senhor julgue entre mim e ti." Hagar desprezou a Sara, porque esta era estéril, isto significa dizer que, como mulher ela foi rebaixada pela escrava, mas não em sua posição de esposa legítima. Logo, Sara não foi amaldiçoada por Hagar para perder sua posição. O mesmo sentido se acha no texto de II Sm. 6:22 - "Também ainda mais do que isso me envilecerei, e me humilharei aos meus olhos; mas das servas, de quem falaste, delas serei honrado." Davi diz a Mical que ele se rebaixaria e se humilharia. Isto porém, não é uma auto-maldição. Significa que ele se colocou numa perspectiva de insignificância.
O substantivo 'qelálâ' designa uma espécie de fórmula à ideia de algo ou alguém que foi afastado da escolha divina. Isto é demonstrado em Gn. 27: 11 e 12 - "Respondeu, porém, Jacó a Rebeca, sua mãe: eis que Esaú, meu irmão, é peludo, e eu sou liso. Porventura meu pai me apalpará e serei a seus olhos como enganador; assim trarei sobre mim uma maldição, e não uma bênção." Jacó teve medo que o estratagema armado por sua mãe Rebeca se voltasse contra ele rebaixando-o ou preterindo-o nas bênçãos de seu pai Isaque. Temia ser afastado da bênção da eleição. O mesmo vocábulo é empregado em Dt. 27:13 como antônimo de bênção, relativamente à aliança. 
Os pagãos acreditavam que o homem é capaz de manipular os deuses. Por esta razão lançavam mão da maldição, acreditando que estes lhes obedeceriam prejudicando os seus inimigos. Este foi o caso de Golias que amaldiçoou a Davi conforme I Sm. 17:43 - "Disse o filisteu a Davi: sou eu algum cão, para tu vires a mim com paus? E o filisteu, pelos seus deuses, amaldiçoou a Davi." Obviamente que a tal maldição não encontrou repouso, pois Davi o feriu com uma pedra de funda e cortou o seu pescoço. Na mesma linha de raciocínio pagão, o profeta gentio Balaão foi convocado por Balaque para amaldiçoar a Israel conforme Nm. 22:6 - "Vem pois agora, rogo-te, amaldiçoar-me este povo, pois mais poderoso é do que eu; porventura prevalecerei, de modo que o possa ferir e expulsar da terra; porque eu sei que será abençoado aquele a quem tu abençoares, e amaldiçoado aquele a quem tu amaldiçoares." A sequência do texto mostra que Balaão não pode amaldiçoar o povo de Israel. Contrariamente, Deus ordenou que ele abençoasse o povo israelita e ainda profetizou sobre a vinda de Jesus, o Cristo.
Desta forma o substantivo 'qelálâ' indica a ausência ou a inversão de um estado abençoado ou justo para um estado de rebaixamento ou inferioridade de alguém. Entretanto, tal condição ou situação só se realiza por Deus e nunca por homens ou demônios. Outro termo utilizado como maldição em língua hebraica é 'álâ'. Este termo tem conotação de juramentos ou pactos e de maldições aos que não os cumpre ou quebram. É o caso de Dt. 27: 16 - "Maldito aquele que desprezar a seu pai ou a sua mãe. E todo o povo dirá: Amém." Na sequência do texto veem-se diversos pactos e suas maldições aos que não os cumprissem. Descreve o estado de falta de bênçãos aos que quebrarem tais juramentos, pactos e alianças sagradas. 
O termo hebraico 'háram' traz sentido de devotar para destruição ou para uso sagrado. As palavras 'qelálâ', 'háram', 'meérâ' e 'qebab' são apenas descritivos das circunstâncias relativas à maldição. O termo 'árar', ao contrário, descreve a própria maldição sendo executada. Desta forma cada palavra se aplica a uma circunstância e forma. Entretanto, nenhuma delas diz respeito a descendentes pagando por erros dos seus ancestrais. Biblicamente, não existe "maldições hereditárias" ou "maldições familiares". 
O vocábulo [rûrA'] 'árar' é usado em Gn. 3: 14 e 17 - "Então o Senhor Deus disse à serpente: porquanto fizeste isso, maldita serás tu dentre todos os animais domésticos, e dentre todos os animais do campo; sobre o teu ventre andarás, e pó comerás todos os dias da tua vida. E ao homem disse: porquanto deste ouvidos à voz de tua mulher, e comeste da árvore de que te ordenei dizendo: não comerás dela; maldita é a terra por tua causa; em fadiga comerás dela todos os dias da tua vida." No caso da serpente traz o sentido que ela estaria banida das vantagens dos demais animais. Quanto à terra traz o sentido de condenação da qualidade do solo para a produção, ou seja, a sua fertilidade natural seria comprometida e exigiria muito labor do homem para produzir os alimentos. 
Também o vocábulo hebraico [hßrE'üGma] 'meérâ' é utilizado em Dt. 28:20 - "O Senhor mandará sobre ti a maldição, a derrota e o desapontamento, em tudo a que puseres a mão para fazer, até que sejas destruído, e até que repentinamente pereças, por causa da maldade das tuas obras, pelas quais me deixaste." Vê-se que a causa é sempre a quebra dos pactos e ordenanças dadas por Deus. Em Pv. 3:33 - "A maldição do Senhor habita na casa do ímpio, mas ele abençoa a habitação dos justos." Também em Pv. 28:27 - "O que dá ao pobre não terá falta; mas o que esconde os seus olhos terá muitas maldições." E ainda em Ml. 2:2 e 3:9 - "Se não ouvirdes, e se não propuserdes no vosso coração dar honra ao meu nome, diz o Senhor dos exércitos, enviarei a maldição contra vós, e amaldiçoarei as vossas bênçãos; e já as tenho amaldiçoado, porque não aplicais a isso o vosso coração. Vós sois amaldiçoados com a maldição; porque a mim me roubais, sim, vós, esta nação toda." Verifica-se novamente o sentido de retirar as bênçãos e trazer maldições por quebra de pactos e juramentos.
Ainda há outras três palavras para amaldiçoar no texto bíblico hebraico, mas nenhuma delas se acham nos ensinos heréticos sobre maldições hereditárias.
Sola Scriptura!

sábado, 5 de outubro de 2013

SOBRE MALDIÇÃO V

Gl. 3: 9 a 13 - "De modo que os que são da fé são abençoados com o crente Abraão. Pois todos quantos são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque escrito está: maldito todo aquele que não permanece em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las. É evidente que pela lei ninguém é justificado diante de Deus, porque: o justo viverá da fé; ora, a lei não é da fé, mas: o que fizer estas coisas, por elas viverá. Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: maldito todo aquele que for pendurado no madeiro."
Os pregadores do engano sempre se utilizam das Escrituras, mas não para anunciar a verdade. Utilizam-nas para sobrepor as visões dos seus corações enganados e não regenerados. Por serem apenas religiosos, falam conforme a base das suas crendices e do caldo cultural a que foram submetidos ao longo da vida. Eles desprezam a exegese e lançam mão da eixegese, pois ao invés de extrair o que as Escrituras, de fato, afiram, os tais acrescentam a elas as suas próprias palavras. 
Os textos que os pregadores de maldições mais utilizam são o de Ex. 20:5 e de Dt. 25:15. Entretanto nenhum destes textos mencionam qualquer das palavras hebraicas para maldição. Estes pregadores de maledicências afirmam, por conta própria, que se um ancestral cometeu adultérios, alcoolismo, furtos, homicídios, roubos ou tiveram doenças mentais, dificuldades financeiras, vícios e insucesso na vida, isto é transmitido aos seus descendentes. Para tanto, pregam rituais de quebras de maldições hereditárias e outras práticas relacionadas. Ora, o texto de abertura mostra que viver debaixo da lei e não da graça é que é maldição. Isto porque a lei foi dada para evidenciar a natureza pecaminosa do homem. A lei mostra que ninguém é capaz de cumprir regras para sua salvação. 
Estes pregadores do anátema usam o texto de Mt. 12: 29 - "Ou, como pode alguém entrar na casa do valente, e roubar-lhe os bens, se primeiro não amarrar o valente? e então lhe saquear a casa." Eles apregoam a crença que se deve amarrar o Diabo para fazer cessar os infortúnios e sofrimentos na vida dos homens. Ora, há tanta gente amarrando o Diabo por tanto tempo, que admira-se que ele ainda esteja solto. O contexto, o texto e os textos correlatos não dizem que o valente é Satanás, mas interpretam assim à revelia. Entretanto, a Palavra de Deus ensina com clareza que Satanás somente será amarrado no retorno do Grande Rei, quando ficará preso por mil anos conforme Ap. 20: 1 e 2 - "E vi descer do céu um anjo, que tinha a chave do abismo e uma grande cadeia na sua mão. Ele prendeu o dragão, a antiga serpente, que é o Diabo e Satanás, e o amarrou por mil anos. Lançou-o no abismo, o qual fechou e selou sobre ele, para que não enganasse mais as nações até que os mil anos se completassem. Depois disto é necessário que ele seja solto por um pouco de tempo." Ninguém entre os viventes tem o poder de amarrar Satanás. Apenas Cristo que o venceu na cruz irá derrotá-lo para sempre ao final do milênio.
O que normalmente acontece nestes sistemas de crenças místicas sobre maldições é que o religioso não tem experiência de novo nascimento, e, portanto, não se conforma com o sofrimento e os infortúnios. Julga que, ao cumprir preceitos, regras e normas legalistas passa a obter méritos perante Deus. Então, conclui erroneamente que, se algo ruim está acontecendo é porque o Diabo o está atacando. Quando seus rituais de orações, jejuns e sacrifícios já não o alivia, passa a desconfiar de Deus e inicia um longo período de autocomiseração, pois imagina em seu coração que não merece passar por dificuldades porque é fiel. Nestes casos, geralmente, o religioso entra em grande esgotamento almático e vai se tornando cada vez mais místico, podendo chegar ao nível de intenso fanatismo.
Pv. 26:2 - "Como o pássaro no seu vaguear, como a andorinha no seu voar, assim a maldição sem causa não encontra pouso." De fato a fé genuína e originada na vida de Cristo retira dos nascidos de Deus o medo. Sem o medo, os regenerados vivem e experimentam a graça que não os permite crer em ensinos enganosos. É certo que Deus é soberano nos céus, na Terra e em todos os recônditos do universo. Nenhuma folha cai no ermo da floresta sem que Deus tenha o controle. Nenhum fio de cabelo cai da cabeça do homem sem que Deus saiba. Portanto, como pode alguém que afirma crer nas Escrituras acreditar que qualquer pecador ou incrédulo tem o poder de amaldiçoar outras pessoas? A maldade do coração do homem não tem limites, mas a maldição não encontrará pouso se não houver as causas determinantes. Como já foi dito por diversas vezes, a maior maldição é o pecado. Quem vive pelo cumprimento de regra sobre regra, preceito sobre preceito estará na dependência destes e não da graça do Altíssimo. 
Pv. 3:33 - "A maldição do Senhor habita na casa do ímpio, mas ele abençoa a habitação dos justos." O ímpio é o homem cuja natureza pecaminosa não foi substituída pela vida de Cristo por meio da inclusão na sua morte de cruz. A impiedade é a injustiça, e, esta, é o pecado. Isto fica claro em Rm. 1:18 - "Pois do céu é revelada a ira de Deus contra toda a impiedade e injustiça dos homens que detêm a verdade em injustiça." Contrariamente, os justificados em Cristo são abençoados até mesmo nos infortúnios, pois tudo quanto sucede aos filhos de Deus é para o seu aperfeiçoamento e vida eterna. Deus está preparando um povo todo seu e zeloso de boas obras para habitar com ele eternamente.
Soli Deo Gloria!

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

SOBRE MALDIÇÃO IV

Ex. 20: 3 a 6 - "Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti imagem esculpida, nem figura alguma do que há em cima no céu, nem em baixo na Terra, nem nas águas debaixo da Terra. Não te encurvarás diante delas, nem as servirás; porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam. E uso de misericórdia com milhares dos que me amam e guardam os meus mandamentos."
O nível de crendices místicas é tão elevado entre religiosos que, alguns veem adotando práticas judaizantes, seja por ensino recebido e não averiguado, seja por achar que isto lhes faz mais santos perante Deus. É comum ver evangélicos grafando a palavra "Deus" reduzida a apenas "D'us". Esta prática surge do fato de os judeus praticantes não pronunciarem o nome de Deus, por considerar o mandamento que diz: "Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão." Ora, além de ser uma prática judaizante, também é uma falta de informação e até mesmo falta de cultura. O fato é que o vocábulo "Deus" não é o nome de Deus. É um substantivo masculino que indica o princípio supremo considerado nas religiões como superior à natureza. Refere-se ao ser infinito, perfeito, criador e sustentador do universo ou a qualquer divindade. O mandamento que orienta ao povo hebreu a não tomar o nome d'Ele em vão tem a ver com o uso banal, vulgar e sem adoração. A ordem é para não usar o nome em vão, ou seja, vaidosamente, aleivosamente e sem discernimento de quem ele realmente é. Usar como objeto de negócio e barganha e não como objeto de culto e adoração.
Na mesma linha judaizante, o que se vê hoje em diversas igrejas é a instituição dos "levitas" na suposta adoração. Alguns se esmeram em formar grupos musicais e verdadeiros departamentos de "levitas", os quais chamam de ministério. Bem, os levitas ou filhos de Levi foram, no tempo da velha aliança, uma das doze tribos de Israel responsável pela organização do culto, dos cânticos, da oração. Eles sequer receberam terras para viver diferentemente das demais tribos. Deveriam viver do sustento dos dízimos e ofertas do povo. Atualmente todos os judeus que têm por sobrenome "Cohen" são descendentes desta tribo.
A verdade é que há profunda diferença entre alguém dizer que crê e viver da fé conforme o ensino de Rm. 1:17 e 18 - "Porque no evangelho é revelada, de fé em fé, a justiça de Deus, como está escrito: mas o justo viverá da fé. Pois do céu é revelada a ira de Deus contra toda a impiedade e injustiça dos homens que detêm a verdade em injustiça." O justo a que se refere o texto é a pessoa que foi justificada em Cristo para a salvação. Este eleito recebeu a imputação da justiça de Cristo ao ser n'Ele incluído em sua morte de cruz pela fé. Isto faz todo o sentido, porque ninguém que viveu antes ou depois da crucificação estava lá, portanto, é algo que se crê para a justificação. A 'revelação de fé em fé' significa que tudo o que o nascido de Deus recebe é da fé e para fé. As Escrituras não ensinam crendices, superstições e misticismos, ensinam outrossim, a verdade e a verdade é uma pessoa e não um conceito. 
O texto de abertura é parte dos dez mandamento, os quais Moisés transmitiu ao povo em nome de Deus. O texto não fala em maldições, fala apenas que Deus visita a iniquidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração. Visitar no sentido em que se acha no texto é observar, corrigir, disciplinar aqueles que odeiam a Deus. O próprio texto esclarece o que é odiar ou aborrecer a Deus: 'ter outros deuses, fazer e se curvar diante das imagens deles e adorá-los'. O fato é que não há outro ou outros deues, tais "deuses" são, na verdade, anjos caídos ou demônios. Ainda, o texto mostra que Deus usa de misericórdia muitas vezes mais àqueles que o amam e que não adoram outros deuses, isto é, demônios que se passam por deuses. Caso houvesse, realmente, uma pluralidade de "deuses", certamente Deus não se importaria que as pessoas os adorassem. 
Há na língua hebraica diversas palavras para o vocábulo 'maldição', entretanto, em nenhum dos textos usados pelos místicos evangélicos é utilizado qualquer uma delas. O que há é ausência do ensino da verdade bíblica, dando lugar aos ensinos exotéricos e esotéricos. Tais ensinos são de cunho gnóstico e predominam hoje nas igrejas institucionais ostensiva ou disfarçadamente. Estas pessoas que seguem estes padrões religiosos são objeto do que afirma II Co. 4:4 - "... nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus." A pior situação de um homem é ser religioso incrédulo, porque vive uma suposição de evangelho e adora a si mesmo. Têm a Palavra de Deus em suas mãos, mas não conhecem o Deus da Palavra em seus corações.
Esta apostasia das "maldições familiares" ou "pecados de gerações" foi introduzida nos Estados Unidos e veio ao Brasil, especialmente por Marilyn Hickey. Esta senhora chega ao absurdo ao afirmar que o cristão pode determinar o futuro da sua linhagem ou geração, quebrando as maldições hereditárias. Anula absoluta e totalmente a soberania de Deus sobre o destino dos homens e transfere tal poder ao próprio homem decaído e miserável. Milhões de pessoas aplaudem estas heresias como se fossem a própria voz de Deus no mundo. Este é o espírito do Anticristo dentro das igrejas que não conhecem a Cristo. Estas pregações esdrúxulas afirmam que, se algum dos seus ancestrais deu lugar ao Diabo, isto acarretará maldição hereditária aos seus descendentes. Eles usam bastante o texto de Êxodo 20, entretanto, este texto não menciona pornografia, alcoolismo, depressão, adultério, obesidade, doenças mentais, câncer, pobreza, etc. O texto fala apenas de idolatria como sendo abominável a Deus. É claro que, se os filhos repetem os mesmos pecados dos pais sofrerão as consequências disto. Não se trata, portanto, de maldição hereditária como querem os incrédulos religiosos. É como as leis de trânsito: seguindo o que a lei diz a probabilidade de ser multado ou de sofrer acidentes é quase nula. Porém, ao desobedecer tais leis, você sofre e pode levar alguém a sofrer as consequências sem que ela tenha cometido o erro. O que o texto mostra é a relação de causa e consequência relativas à desobediência aos pactos postos para orientação.
Ex. 18: 1 a 4 - "De novo veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: que quereis vós dizer, citando na terra de Israel este provérbio: os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos se embotaram? Vivo eu, diz e Senhor Deus, não se vos permite mais usar deste provérbio em Israel. Eis que todas as almas são minhas; como o é a alma do pai, assim também a alma do filho é minha: a alma que pecar, essa morrerá." O texto é claro em mostrar que os filhos não recebem nenhuma culpa pelos pecados dos pais. O que é ensinado na sequência deste texto é que, se o filho cometer os mesmos pecados dos pais ele responderá por isso. Porém, se o filho não cometer os mesmos pecados dos pais ele será justificado por isso. Todo o contexto se refere a idolatria e iniquidades que são as coisas que Deus odeia, e, por elas, ele visita o homem. A maldição é a natureza pecaminosa e não apenas os atos pecaminosos.
Sola Scriptura!

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

SOBRE MALDIÇÃO III

Jr. 11: 1 a 5 - "A palavra que veio a Jeremias, da parte do Senhor, dizendo: ouvi as palavras deste pacto, e falai aos homens de Judá, e aos habitantes de Jerusalém. Dize-lhes pois: assim diz o Senhor, o Deus de Israel: maldito o homem que não ouvir as palavras deste pacto, que ordenei a vossos pais no dia em que os tirei da terra do Egito, da fornalha de ferro, dizendo: ouvi a minha voz, e fazei conforme a tudo que vos mando; assim vós sereis o meu povo, e eu serei o vosso Deus; para que eu confirme o juramento que fiz a vossos pais de dar-lhes uma terra que manasse leite e mel, como se vê neste dia. Então eu respondi, e disse: Amém, ó Senhor."
Em nenhum texto bíblico diz que o Diabo é quem amaldiçoa as pessoas, sejam elas religiosas ou ateias. Em diversas igrejas institucionais há verdadeiras sessões de exorcização das chamadas "maldições hereditárias". Tais rituais são chamados de "quebras de maldições." Muitos membros de igrejas que não têm estas práticas buscam as tais quebras de maldições. Basta alguma coisa ou uma série de eventos ruins acontecerem, lá se vão os místicos desconfiando de Deus e buscando uma explicação sobrenatural para os infortúnios. O que a maioria ignora, todavia, é que todo homem nasce maldito, porque portador da natureza pecaminosa. Estas pessoas vivem pelo que vê e pelo que sente e não pela fé genuína. Há muitos fatos reputados como ruins e que são perpetrados por Deus para a disciplina e correção dos que ele ama conforme Hb. 12: 5 a 8 - "... e já vos esquecestes da exortação que vos admoesta como a filhos: filho meu, não desprezes a correção do Senhor, nem te desanimes quando por ele és repreendido; pois o Senhor corrige ao que ama, e açoita a todo o que recebe por filho. É para disciplina que sofreis; Deus vos trata como a filhos; pois qual é o filho a quem o pai não corrija? Mas, se estais sem disciplina, da qual todos se têm tornado participantes, sois então bastardos, e não filhos." O mal jamais tem origem em Deus, mas ele utiliza os males do próprio homem natural para discipliná-lo. Em Isaías, Deus afirma que seu braço não está encolhido e nem o seu ouvido agravado para não salvar, mas as iniquidades do homem é que o separa d'Ele. Então, os males sobrevêm por causa da maldição do pecado e não o pecado por causa da maldição. 
A questão fundamental na religião é que o indivíduo entra nela e permanece exatamente o mesmo por longos anos. Não há experiência de regeneração por meio do nascimento do alto. O simples fato de alguém abandonar coisas erradas e passar a ter uma vida mais disciplinada e correta é apenas uma reforma moral e não a geração de uma nova criatura. Há inúmeros ateus que têm vida ética e moral inatacável. O que conta para o efeito de eliminar a natureza desgraçada e amaldiçoada pelo pecado é a morte em Cristo e o ganho da vida juntamente com Ele. Ez. 11: 19 e 20 - "E lhes darei um só coração, e porei dentro deles um novo espírito; e tirarei da sua carne o coração de pedra, e lhes darei um coração de carne, para que andem nos meus estatutos, e guardem as minhas ordenanças e as cumpram; e eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus." Os nascidos de Deus têm um só coração na medida em que Cristo passou a viver em todos eles por meio do novo nascimento. Os nascidos de Deus não sofrem reforma moral ou ética, eles recebem um novo espírito não corrompido pela natureza pecaminosa que separou o homem de Deus. Assim como o homem morreu para Deus, no primeiro Adão, morre para o pecado em Cristo, o último Adão. O novo nascido recebe um espírito reconciliado com Deus, ou seja, a culpa do pecado é imputada em Cristo e aniquilada na sua morte conforme Hb. 9:26 - "... mas agora, na consumação dos séculos, uma vez por todas se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo." A morte de Jesus, o Cristo não foi um ato solitário para pagar o pecado, mas cada pecador eleito foi n'Ele incluído para ter o seu pecado original aniquilado. Quem conduz o pecador eleito à Cristo é Deus conforme Jo. 6:44 - "Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia." Após a ação monérgica e soberana de Deus, Cristo atrai os eleitos à cruz conforme Jo. 12: 32 e 33 - "E eu, quando for levantado da Terra, todos atrairei a mim. Isto dizia, significando de que modo havia de morrer." Quem não se inclui neste processo sempre foi e continua sendo maldito pelo pecado, ainda que seja uma boa pessoa, socialmente falando. Logo, a maldição não é hereditária e muito menos pode ser quebrada por confiança a homens religiosos que se acham capazes de controlar Deus e o Diabo em suas igrejas institucionais.
Ne. 13:2 - "... porquanto não tinham saído ao encontro dos filhos de Israel com pão e água, mas contra eles assalariaram Balaão para os amaldiçoar; contudo o nosso Deus converteu a maldição em benção." Alguns reis locais assalariaram Balaão para amaldiçoar o povo de Israel. Entretanto, Deus converteu a maldição em bênção. Esta é a postura de quem, de fato, tem experiência de novo nascimento: confia incondicionalmente no Senhor Deus por meio de Jesus, o Cristo. Isto deve ocorrer independentemente das circunstâncias serem boas ou ruins, pois Deus é soberano e nada escapa ao seu controle.
Caso tais pessoas que amaldiçoam, não estivessem sob o controle de Deus, o mundo já teria sido absolutamente destruído, pois a natureza do homem é má continuamente.
Sola Gratia!

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

SOBRE MALDIÇÃO II

Dt. 11: 26 a 29 - "Vede que hoje eu ponho diante de vós a bênção e a maldição: a bênção, se obedecerdes aos mandamentos do Senhor vosso Deus, que eu hoje vos ordeno; porém a maldição, se não obedecerdes aos mandamentos do Senhor vosso Deus, mas vos desviardes do caminho que eu hoje vos ordeno, para seguirdes outros deuses que nunca conhecestes. Ora, quando o Senhor teu Deus te introduzir na terra a que vais para possuí-la, pronunciarás a bênção sobre o monte Gerizim, e a maldição sobre o monte Ebal."
De uma forma ou de outra, consciente ou inconscientemente, todo religioso é um místico e, por vezes, também um mítico. As pessoas, em geral, recebem enorme carga cultural das crendices e folclores da sociedade em que estão inseridas. Quando abraçam uma determinada religião levam um enorme acervo de temores e receios introjectados em suas mentes. As narrativas das religiões sempre trilham o caminho da ambiguidade entre o bem e o mal. De sorte que, atribui-se o bem apenas a Deus e o mal apenas ao Diabo. Esta visão maniqueísta é reforçada pelos líderes, pois sabem que o medo é uma das maneiras mais eficientes para manter as pessoas cativas a um sistema. Por estas razões os tais religiosos místicos leem as Escrituras com as lentes embotadas pelas suas crendices pessoais e coletivas. A questão da maldição é algo real e concreto na Bíblia. Entretanto, o entendimento deste assunto é absolutamente deturpado. A maior parte dos religiosos, que não experimentaram o novo nascimento, vê a maldição como algo ligado ao Diabo e seus seguidores. O fato de alguns homens deitar maldições sobre outros é por força da natureza pecaminosa, que, por si só é a maior maldição. Seguem a natureza da serpente neles inoculada desde o Éden. Não é sem causa que Jesus e João, o batista usam a expressão "raça de víboras". Esta não é uma expressão idiomática, mas uma constatação, tanto pelo Senhor, como pelo seu precursor.
O verbo amaldiçoar traz as seguintes acepções: 'lançar maldição, declarar mau ou funesto, praguejando contra; maldizer, abominar, execrar.' O substantivo maldição provém deste verbo e significa: 'ato ou efeito de amaldiçoar ou maldizer, infortúnio, desgraça, calamidade.' A natureza pecaminosa cria no homem uma inclinação ao que é mal e ao que é mau. Portanto, é apenas uma questão de colocar em prática esta maldade em momentos e níveis diferenciados. Neste caso, a maldição nada tem de sobrenatural. É algo produzido pelos poderes latentes da alma administrados pelo Maligno. Deus, em nenhum contexto das Escrituras autoriza, quem quer que seja, a amaldiçoar o seu semelhante. Contrariamente, o ensino cristão é para não amaldiçoar conforme Rm. 12:14 - "... abençoai aos que vos perseguem; abençoai, e não amaldiçoeis." Esta é, portanto, uma das marcas de Cristo nos nascidos do alto é abençoar, inclusive, os que os perseguem. A natureza pecaminosa é tão subversiva e arrogante que pressupõe, até mesmo, amaldiçoar o próprio Deus conforme Jó 2:9 - "Então sua mulher lhe disse: ainda reténs a tua integridade? Amaldiçoa a Deus, e morre."
No contexto do texto de abertura, Deus mostra aos hebreus que era aconselhável e prudente a que obedecessem aos mandamentos e ordenanças. Todavia, obedecer é consequência de ter uma natureza inclinada para Deus por meio do nascimento do alto. Não é uma questão de escolha, pois esta vem como consequência da natureza que persiste dentro do homem. Deus lhes traz à memória os grandes feitos quando os tirara da escravidão no Egito. Evidencia como ele agiu poderosamente diante das dificuldades e obstáculos, protegendo-os e alimentando-os pelo deserto. E finalmente, fala como os introduziria na terra de Canaã habitada por outros povos que não conheciam o Deus único. O que é ensinado é muito simples: obedecendo os mandamentos dados por Deus haveriam bênçãos, porque prometidas. Escolhendo desobedecer e adorar aos deuses estranhos, atrairia a maldição. Portanto a bênção e a maldição, deveriam ser proferidas sobre os montes Gerizim e Ebal, na entrada da terra prometida, para lembrá-los como um memorial. Deus não amaldiçoou a ninguém, tão somente colocou diante do povo a lembrança das possibilidades: bênção e maldição. O mesmo método foi colocado no Éden nas figuras da 'árvore da vida' e da 'árvore do conhecimento do bem e do mal'. Assim, prosperidade e a alegria na terra prometida seriam garantidas pela obediência, independentemente das condições naturais desfavoráveis e dos ataques dos povos locais. A desobediência levaria o povo a depender apenas das condições naturais desfavoráveis e lutar contra os inimigos sozinhos. Os mandamentos e ordenanças não eram para a salvação espiritual dos israelitas, mas para a proteção contra os males e perigos na nova terra. A salvação sempre e invariavelmente foi, é e será por Jesus, o Cristo. Antes d'Ele vir, pela fé que viria, durante e depois d'Ele pela fé que ele, de fato, é o redentor Todo-suficiente dos pecadores eleitos. 
A obediência ao Senhor Deus, no contexto, era devida à sua soberania, as provas já demonstradas com sinais reais de libertação poderosa da escravidão. Ao optar pela desobediência o povo hebreu estaria optando por viver por si mesmos e descartando a dependência plena de Deus. A opção seguida pelo povo indicaria o que, de fato, estaria em seus corações: se confiança ou se medo. Não era uma escolha entre obedecer e não obedecer, seguiriam a natureza dos seus corações. A opção por obedecer indicaria que a Palavra de Deus estaria, realmente, internalizada nos corações dos israelitas, teria sido ensinada aos filhos que não o conhecera, seria mostrada em suas casas e demonstrada em diferentes e diversos modos. É a Palavra de Deus que leva à obediência e não a obediência que leva o homem a Deus. Deus estava preparando um caminho sobre-excelente para os israelitas a fim de poupá-los dos sofrimentos e dores de seguir caminhos estranhos à verdade. Deus estava preparando um povo, para, dele trazer o Cristo ao mundo.
Os religiosos místicos cujas vidas almáticas controlam suas mentes e os conduzem a crer que é a obediência que leva a uma vida espiritual plena. Por isto, sofrem e são escamoteados em diversas e diferentes igrejas. O medo é o primeiro sintoma de uma alma não regenerada, pois foi a primeira manifestação consequente do pecado em Adão e Eva. Eles se esconderam por entre os arbustos, porque tiveram medo. O medo é a desconfiança que Deus não é o que diz ser e que não é gracioso e misericordioso. Por estas razões é que o religioso místico vive à cata de profetas e manifestações sobrenaturais. A Palavra de Deus afirma que Satanás não pode sequer tocar nos nascidos do alto conforme I Jo. 5:18 - "Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive pecando; antes o guarda aquele que nasceu de Deus, e o Maligno não lhe toca." O temor e a desconfiança do religioso místico têm origem na incredulidade, pois não confia que Deus é suficientemente poderoso para protegê-lo. Crê que, se algo ruim lhe sucede é porque deu lugar ou "brecha" ao Diabo. Isto é pura crendice religiosa e nada tem a ver com a verdade. Pois, tudo o que sucede aos filhos de Deus procede de Deus, tanto o que se julga por bem, como o que se julga por mal. Nada escapa ao controle soberano de Deus no universo. Do contrário é melhor você se declarar ateu!
Sola Fide!

terça-feira, 1 de outubro de 2013

SOBRE MALDIÇÃO I

Gn. 3:17 - "E ao homem disse: porquanto deste ouvidos à voz de tua mulher, e comeste da árvore de que te ordenei dizendo: não comerás dela; maldita é a Terra por tua causa; em fadiga comerás dela todos os dias da tua vida."
Vivemos um tempo de muita busca e pouco encontro. As igrejas institucionais estão, em geral, lotadas. Seus líderes disputam entre si quem oferece mais poder, santidade, curas, libertação da opressão do Diabo. Seus cultos são extensos e recheados de rituais os quais chamam de adoração e de ministração. Suas prédicas são exaltadas e cheias de desafios. Desafiam Deus a ser fiel às suas promessas, mas também desafiam a Satanás a afastar-se dos seus fiéis. Declaram muitas vitórias e contam muitas vantagens para fortalecer suas crenças e atrair mais seguidores. Quanto mais as tais igrejas se enchem, mais soberbos e arrogantes se tornam seus líderes. Logo pensam em dominar os cenários social e político investindo na grande mídia. Adquirem jornais, revistas, rádios e emissoras de televisão. Publicam suas crenças em outdoors, banners e panfletos distribuídos por seus seguidores ardorosos. Aparelham as igrejas com a mais alta tecnologia eletrônica. Há igrejas, dessas institucionais, cujos membros já não leem mais as Escrituras diretamente: os textos são projetados em um telão para que os mesmos leiam. 
Ora, a despeito de todos os aparatos disponíveis e disponibilizados, as igrejas vão de mal em mal, ensinando apenas vaidades que satisfazem aos egos contaminados pela natureza pecaminosa. De todos os pecadores, o pior deles é o pecador religioso, porque vive em uma ambiguidade:  proclama conhecer o evangelho, mas suas mentes são perturbadas e cheias de medos. Temem perder o que possuem, temem o que os outros poderão dizer acerca deles, temem o castigo de Deus e, sobretudo, temem as ações do Diabo e seus demônios. Vivem numa espécie de religião exorcista, na qual os ritos e práticas são para apaziguar seus dramas, desejos e consciências carregadas pelos atos pecaminosos. Disto tudo resulta um culto ufanista que apregoa um evangelicalismo retumbante que só existe no ideário destas pobres almas. No fundo e na intimidade são pessoas cheias de crendices sujeitas aos mesmos problemas que os outros os quais não professam suas crenças. 
Jr. 23:16, 17, 21 e 30 - "Assim diz o Senhor dos exércitos: não deis ouvidos as palavras dos profetas, que vos profetizam a vós, ensinando-vos vaidades; falam da visão do seu coração, não da boca do Senhor. Dizem continuamente aos que desprezam a palavra do Senhor: paz tereis; e a todo o que anda na teimosia do seu coração, dizem: não virá mal sobre vós. Não mandei esses profetas, contudo eles foram correndo; não lhes falei a eles, todavia eles profetizaram. Portanto, eis que eu sou contra os profetas, diz o Senhor, que furtam as minhas palavras, cada um ao seu próximo." O contexto destes versos é uma advertência aos líderes religiosos de Israel que procediam com soberba e arrogância dizendo o que Deus não disse. Era uma religião puramente humana, porque dissociada da Palavra de Deus.  Hoje se vê o retorno destas mesmas práticas nos círculos religiosos ditos cristãos. Falam de tudo em seus cultos, menos da verdade que está nas Escrituras. Quando abrem a Bíblia, o fazem apenas por hábito e para criar uma atmosfera de legitimidade ao pregador. Os textos são tratados à luz do que o sistema de crenças de cada um defende. Não permitem que as Escrituras falem como Palavra de Deus, mas apenas como manuais de preceitos, regras, normas e práticas adaptadas às exigências de uma sociedade doente pela contaminação pecaminosa herdada de Adão.
O texto de abertura mostra com meridiana clareza que Deus amaldiçoou a Terra por causa do pecado. Não foi o Diabo quem a amaldiçoou, portanto, criar mecanismos ou crendices contra a maldição é perda de tempo. Dentre as fórmulas religiosas se veem frequentemente duas: blindagem dos casamentos e do sucesso de empresários por rituais de puro misticismo. Realizam grandes campanhas e reformulam constantemente os métodos para atrair as pessoas com dificuldades de relacionamento conjugal e insucesso nos negócios. Deus não ordena tais práticas e, muito menos, as suas fórmulas mentirosas e enganadoras. 
A única forma de escapar da pior das maldições é morrendo em Cristo e ressuscitando juntamente com ele. Por isto John Owen escreveu um resumo da verdadeira doutrina há mais de 400 anos: "A Morte, da Morte, na Morte de Cristo." A única maldição que condena o homem eternamente é a maldição do pecado. Por esta razão é que esta morte para Deus deve ser aniquilada na morte com Cristo conforme Hb.  9:26 - "...doutra forma, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo; mas agora, na consumação dos séculos, uma vez por todas se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo."
O que passa disto é anátema!
Sola Scriptura!

sábado, 24 de agosto de 2013

MAIS SÃO OS QUE ESTÃO CONOSCO QUE OS QUE ESTÃO COM ELES

II Rs. 6: 12 a 18 - "Ora, o rei da Síria fazia guerra a Israel; e teve conselho com os seus servos, dizendo: em tal e tal lugar estará o meu acampamento. E o homem de Deus mandou dizer ao rei de Israel: guarda-te de passares por tal lugar porque os sírios estão descendo ali. Pelo que o rei de Israel enviou àquele lugar, de que o homem de Deus lhe falara, e de que o tinha avisado, e assim se salvou. Isso aconteceu não uma só vez, nem duas. Turbou-se por causa disto o coração do rei da Síria que chamou os seus servos, e lhes disse: não me fareis saber quem dos nossos é pelo rei de Israel? Respondeu um dos seus servos: não é assim, ó rei meu senhor, mas o profeta Eliseu que está em Israel, faz saber ao rei de Israel as palavras que falas na tua câmara de dormir. E ele disse: ide e vede onde ele está, para que eu envie e mande trazê-lo. E foi-lhe dito; Eis que está em Dotã. Então enviou para lá cavalos, e carros, e um grande exército, os quais vieram de noite e cercaram a cidade. Tendo o moço do homem de Deus se levantado muito cedo, saiu, e eis que um exército tinha cercado a cidade com cavalos e carros. Então o moço disse ao homem de Deus: ai, meu senhor! que faremos? Respondeu ele: não temas; porque os que estão conosco são mais do que os que estão com eles. E Eliseu orou, e disse: ó senhor, peço-te que lhe abras os olhos, para que veja. E o Senhor abriu os olhos do moço, e ele viu; e eis que o monte estava cheio de cavalos e carros de fogo em redor de Eliseu. Quando os sírios desceram a ele, Eliseu orou ao Senhor, e disse: fere de cegueira esta gente, peço-te. E o Senhor os feriu de cegueira, conforme o pedido de Eliseu."
A verdadeira fé foge total e absolutamente aos padrões sensoriais do homem comum. A fé genuína crê sem necessitar ver e independe das circunstâncias, exatamente, porque nela se vê o invisível e possibilita o impossível conforme Rm. 4:17 - "... como está escrito: por pai de muitas nações te constituí perante aquele no qual creu, a saber, Deus, que vivifica os mortos, e chama as coisas que não são, como se já fossem."  Na fé verdadeira o homem vê com os olhos de Deus e crê com a fé d'Ele. É Deus quem traz à vida o que está morto e chama à existência aquilo que não existe como sendo real e presente. Por esta razão é errado falar que se tem fé em Deus. O correto é ter a fé de Deus dentro de si, ou seja, crer como Deus ou pela fé de Deus. Esta fé não é um estado de alma, um ânimo e um esforço da mente. Ela é a vida de Cristo nos nascidos de novo, porque o reino de Deus está entre e dentro dos eleitos e regenerados.
A falsa fé, a saber, as expectativas e esperanças puramente humanas seguem o padrão sensorial. Esta fé é o subproduto da ação almática, ou seja, é apenas a expressão daquilo que o homem sente e deseja que se realize em sua alma. Muitos transitam por estes caminhos com base apenas nos poderes latentes da alma. Tais poderes são produzidos pela força da mente em comunicação com a alma que, contaminada pela natureza pecaminosa, pretende ocupar o lugar do espírito que está 'morto' para Deus. Quando o homem ainda estava sem a culpa do pecado, o seu espírito era ligado ao Espírito Santo e em volta do seu corpo havia uma espécie de glória divina que o revestia e capacitava a discernir tudo. Entretanto, com o advento do pecado esta glória foi destituída conforme Rm. 3:23 - "Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus." A alma que é uma das três partes de que se constitui o homem formado por Deus, assumiu o controle das decisões, volições e desejos. Por esta razão muitos religiosos assumem que certas manifestações são de origem divina, enquanto as mesmas têm a sua origem na alma do próprio homem. Imaginam que estão diante de milagres e de bênçãos originados em Deus, entretanto, estão diante de algo produzido pela natureza pecaminosa e, Deus, não tem parte nisto. Esta é a ilusão que cega os pecadores religiosos conforme II Co. 4:4 - "...nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus." O "deus" deste século é Satanás, pois ele não pode ser "deus" eterno e infinito. Por esta razão Jesus ensina que se a luz que há no homem é a sua luz própria, quão grandes trevas são. O que para o homem decaído parece ser luz e revelação, para Deus é escuridão e ignorância da verdade. 
O texto de abertura provém do contexto em que o rei da Síria tentava conquistar o reino de Israel. Acontece, no entanto que, todas as vezes em que organizava uma campanha e enviava suas tropas, o rei de Israel era avisado e conseguia escapar da emboscada. Incomodado, o rei da Síria perguntou quem dentre o seu exército estava passando informações ao rei de Israel. Então foi informado que não havia traidor, mas que um certo profeta judeu antevia os seus movimentos e avisava ao rei de Israel. Diante de tal revelação o rei da Síria mandou um grande exército e muitos carros de guerra para capturar o profeta Eliseu. Cercou a cidade de Dotã, onde o profeta se achava, com seus exércitos durante a noite. Ao se levantar bem cedo o pajem, ou seja, o ajudante do profeta viu as tropas sírias sitiando a cidade. O moço correu atordoado para avisar ao profeta que a cidade estava cercada. A reação do rapaz foi a de todo homem que não tem os olhos espirituais abertos: "o que faremos?" Em termos simplificados o profeta lhe disse: 'não faremos nada, pois os exércitos de Deus são bem mais numerosos e estão ao nosso redor com cavalos e carruagens de fogo.' É este nível de fé que não se vê nos círculos religiosos de hoje.
A falsa fé conduz sempre o homem que não nasceu do alto a operar resultados em seus próprios esforços. O homem nascido de Deus não realiza nada, mas crê que os exércitos de Deus estão ao seu redor, ainda que não sejam vistos pelos olhos carnais. Isto porque só se vê bem com os olhos espirituais conforme I Co. 2:14 - "Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque para ele são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente." É nesta angústia que muitos religiosos sinceros não conseguem ver o que Deus faz, porque esperam ver sinais em si mesmos das melhoras espirituais. Ora, em matéria de fé, ou se crê, ou não se crê. Não há sinais para provar a fé, fosse assim seria apenas ciência e não fé. Ciência é aquilo que exige comprovação do fenômeno por experiência visível, sensível e comprovável. A fé se fundamenta no crer para ver e não no ver para crer como se vê por aí.
O profeta Eliseu orou ao Senhor Deus e fez dois pedidos: que os exércitos assírios perdessem a visão da realidade. E que o rapaz, seu auxiliar, tivesse os olhos do espírito abertos para ver o quão poderosos são os exércitos celestiais que Deus põe ao redor dos seus filhos. 
Sola Fides!!!

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

QUANDO GANHAR É PERDER E PERDER É GANHAR

Mc. 8: 34 a 38 - "E chamando a si a multidão com os discípulos, disse-lhes: se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas quem perder a sua vida por amor de mim e do evangelho, salvá-la-á. Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua vida? Ou que daria o homem em troca da sua vida? Porquanto, qualquer que, entre esta geração adúltera e pecadora, se envergonhar de mim e das minhas palavras, também dele se envergonhará o Filho do homem quando vier na glória de seu Pai com os santos anjos."
Vive-se em um quadrante de tempo no qual as pessoas e as coisas são mensuradas pelo que delas se pode ganhar. O prestígio de uma pessoa passa, obrigatoriamente, pelo seu sucesso financeiro, pelo que ganhou e quanto vale a sua fortuna. Por esta razão se veem constantemente nos jornais, revistas e redes sociais os rankings de riqueza e poder. As coisas e bens são invariavelmente avaliados conforme o seu valor venal. Por isso o mundo busca desesperadamente por coisas, fama e sucesso. Desenvolve-se uma falsa consciência que o homem será aceito, considerado e consultado apenas pelo que tem. De certa forma é assim mesmo que funciona, porque este comportamento é almejado tanto pelos que têm coisas e riquezas, como pelos que as desejam ter. Um ambiciona o que o outro tem e nunca o que não tem. Neste sentido, a desonestidade, a ganância e a egolatria não são privilégios de algumas poucas pessoas, mas de todas, ainda que em graus diferenciados. Até mesmo aqueles que se dedicam ao altruísmo ou fazem votos de pobreza e desprendimento, não o fazem porque são bons e humildes. Nenhum homem é naturalmente humilde, no máximo, alguns homens são humilhados pelos desígnios de Deus para a sua própria salvação e aperfeiçoamento. Jó foi um dos poucos homens elogiados diretamente por Deus conforme Jó 1:8 - "Disse o Senhor a Satanás: notaste porventura o meu servo Jó, que ninguém há na Terra semelhante a ele, homem íntegro e reto, que teme a Deus e se desvia do mal?" Entretanto, quando Deus permitiu que o Acusador retirasse todas as riquezas, os filhos e colocasse feridas e chagas no corpo, Jó mostrou que não era humilde e perfeito. Reivindicou a justiça como um pressuposto seu conforme Jó. 27:6 - "À minha justiça me apegarei e não a largarei; o meu coração não reprova dia algum da minha vida." Em outro contexto Jó acusa Deus de ter uma questão pessoal contra ele conforme  33:10 - "Eis que Deus procura motivos de inimizade contra mim, e me considera como o seu inimigo." Após Jó ter sido tratado pela Graça do Altíssimo e humilhado em sua soberba é que reconheceu o seu estado e se arrependeu conforme Jó. 42: 5 e 6 - "Com os ouvidos eu ouvira falar de ti; mas agora te veem os meus olhos. Pelo que me abomino, e me arrependo no pó e na cinza." Jó possuía, como muitos hoje, uma religião apenas de segunda mão.
Muitas pessoas imaginam, erroneamente, que ter uma religião, frequentar alguma igreja e praticar caridade ou ser ético e moralmente correto é o sinônimo de  uma relação aprovada por Deus. Entretanto, pode ser apenas o resultado do processo sinérgico no próprio homem e não da ação monérgica d'Ele. Tais coisas fora da reconciliação com Deus por meio da inclusão na morte de Cristo e da sua consequente ressurreição, nada adiantam para a salvação. A salvação não é um livramento de coisas ruins e condições imorais, mas o livramento de si mesmo. Para livrar o homem do que ele é, e não apenas do que ele faz, é que Cristo veio para morrer e ressuscitar. Sem esta verdade, nada vale ser reto, íntegro, temente e desviar-se do que é mal. São atitudes que podem ter diversas motivações, mas todas originadas no esforço próprio do homem decaído. É necessário que a redenção seja executada por um Redentor predestinado, puro e santo, pois só assim tem autoridade para aniquilação do pecado, ou seja, da culpa que separa o pecador de Deus. O homem comete pecados porque é pecador e não apenas é pecador porque comete pecados.
A forma para alguém ser vivificado para a vida eterna é dada por Cristo no texto de abertura. Ele afirma que, se alguém foi despertado em seu querer para segui-lo até a cruz deve negar-se a si mesmo. O negar-se a si mesmo é exatamente o reconhecimento de que todas as virtudes e qualidades humanas não qualificam o pecador para a vida eterna. O negar-se a si mesmo é a transferência da sua vida almática para o substituto perfeito que é Cristo, e, este, crucificado. Tomar a cruz é assumir que a morte de Cristo na cruz não foi um ato solitário, mas compartilhado, pois ele mesmo não tinha pecado. A morte de Cristo foi para habilitar e incluir a morte do homem em sua morte para matar a natureza pecaminosa e trazê-lo de volta à vida na ressurreição ao terceiro dia. Entretanto, tudo isto se apropria pela fé e, esta, é dom de Deus.
De acordo com o original no texto de abertura, o vocábulo 'vida', se refere à vida da alma, pois foi utilizada a palavra grega 'psiken', então, o que necessita de salvação é a alma do homem e não o seu espírito. O espírito do homem foi nele colocado por Deus e a Ele retorna com a morte, porque apenas foi destituído da glória d'Ele. O corpo é deteriorado no pó da terra e só será restaurado incorruptível na restauração final. Assim, quem procura gratificar a vida da alma que é a sede das decisões, desejos e emoções estará perdendo a própria vida para sempre. Mas, quem abre mão de buscar a perfeição e a salvação por meio dos esforços baseados na justiça própria e nos méritos, encontrará a vida eterna oferecida por Cristo na sua morte de cruza. Ganha a vida de Cristo, pela justiça de Cristo, na morte com Cristo.
Sola Gratia!

domingo, 4 de agosto de 2013

AS FRAQUEZAS, OS FRACOS E O FORTE

II Co. 12: 7 a 10 - "E, para que me não exaltasse demais pela excelência das revelações, foi-me dado um espinho na carne, a saber, um mensageiro de Satanás para me esbofetear, a fim de que eu não me exalte demais; acerca do qual três vezes roguei ao Senhor que o afastasse de mim; e ele me disse: a minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. Por isso, de boa vontade antes me gloriarei nas minhas fraquezas, a fim de que repouse sobre mim o poder de Cristo. Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco, então é que sou forte."
Na atualidade se veem nas redes sociais e na internet, em geral, diversas e diferentes manifestações de caráter religioso. Na maior parte das tais mensagens se vê claramente uma espécie de triunfalismo retumbante, ou seja, decretação de poder e de triunfo sobre supostos inimigos e possíveis derrotas. Usam textos bíblicos como uma espécie de mantra contra a má sorte, contra os males visíveis e invisíveis. Evocam frases de efeitos, versículos, citações retiradas de livros de autoajuda e até mesmo estrofes de músicas chamadas "gospel". Demonstra-se uma incrível necessidade de se autoafirmar ou de vencer adversários, invejas, demônios e inimigos que sequer existem experimentalmente. Agem na suposição que há alguém em algum lugar conspirando contra eles, e, portanto, entram com um 'habeas corpus preventivo' perante Deus. Criam uma espécie de teologia forense preventiva contra forças supostamente contrárias e para salvaguardar seus direitos. Entretanto, desconhecem que a natureza pecaminosa só possui um direito: morrer na cruz com Cristo.
Verifica-se na religião, subproduto da ação sinérgica do homem em busca de um 'deus' qualquer, uma profunda manifestação de poder humano. Evocam-se forças e poderes sob pretexto de direitos adquiridos mediante o esforço por meio de obras de justiça, méritos conseguidos por suposta fidelidade e exigências das promessas bíblicas. Tais religiosos não conhecem o poder de Deus e a sua eterna justiça. Eles seguem um esquema próprio na idealização do que desejam que Deus seja para os seus desejos e vontades paparicados pela religião do ver para crer. Este emaranhado de coisas emerge em meio às diversas teologias modernas: Teologia Relacional, Teologia da Libertação, Teologia da Determinação, Teísmo Aberto, entre outras. 
Muitas das buscas e rezas destes religiosos acontecem positivamente, porque são produzidas pelos poderes latentes da alma. Deus não opera neste nível de fé experimental e sensorial. A operação d'Ele é pelo seu Espírito sobre o espírito dos eleitos e regenerados conforme I Co. 2: 14 a 16 - "Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque para ele são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. Mas o que é espiritual discerne bem tudo, enquanto ele por ninguém é discernido. Pois, quem jamais conheceu a mente do Senhor, para que possa instruí-lo? Mas nós temos a mente de Cristo." O homem natural é o homem não regenerado e isto nada tem a ver com religião, mas com novo nascimento. O homem espiritual é aquele que foi convertido nos termos das Escrituras e não no formato religioso. Quando alguém diz que "se converteu", isto significa apenas que a pessoa passou de uma religião para outra. Quando alguém crê que foi convertido, isto significa que o Espírito Santo operou nesta pessoa a vivificação para crer por meio da graça mediante a fé. É uma ação absolutamente monérgica, a saber, que partiu da soberana vontade de Deus. O texto de I Coríntios 2 mostra que o homem natural não aceita o que provém de Deus, porque a sua natureza pecaminosa é oposta a Ele. Tudo o que provém de Deus produz dois discernimentos: no regenerado é discernido espiritualmente, no homem natural é discernido como loucura. Os nascidos de Deus respondem positivamente às coisas espirituais, porque os seus espíritos foram reconciliados com Deus. Este é o mistério que esteve oculto ao longo dos tempos conforme Cl. 1: 26 e 27 - "... o mistério que esteve oculto dos séculos, e das gerações; mas agora foi manifesto aos seus santos, a quem Deus quis fazer conhecer quais são as riquezas da glória deste mistério entre os gentios, que é Cristo em vós, a esperança da glória."
O apóstolo Paulo fala das suas fraquezas com absoluta naturalidade e resignação, porque nele operava agora uma outra disposição antagônica àquela anterior à sua conversão. Na sua experiência arrebatadora viu e ouviu coisas indescritíveis as quais não ousavam pronunciar. Desta forma, para que não se exaltasse em soberba, Deus lhe permitiu alguma experiência desagradável na carne. Tal incômodo foi objeto de oração por três vezes, mas a resposta de Deus foi que ele deveria ser apoiado apenas pela graça. Deus disse a Paulo que o poder d'Ele se aperfeiçoava na sua fraqueza. Isto faz todo o sentido, pois o homem não pode competir com Deus em poder e glória, sendo apenas obra das suas mãos. Em um homem regenerado não há triunfalismos, mas apenas a glorificação do poder Cristo nele. Por esta razão em outro contexto Paulo afirma: "Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não da nossa parte." O homem, ainda que regenerado, é apenas um vaso de barro. A excelência e o tesouro é Cristo nele, a esperança da glória. Os verdadeiros cristãos vivem neste mundo em muitas fraquezas, para que a semente que serve a Deus de geração em geração não seja sufocada e destruída. O forte é Cristo e não os seus irmãos gerados em sua morte e filhos de Deus por adoção. 
Estes rompantes de triunfalismo religiosos estão a serviço de outro que não Cristo. Servem aos apetites de poder, fama e sucesso do homem natural que, por ser religioso, reivindica tais poderes para si a qualquer custo. Acabam se transformando em pasto aos "... principados, potestades, príncipes do mundo destas trevas, hostes espirituais da iniquidade nas regiões celestes.
Sola Scriptura!

quarta-feira, 31 de julho de 2013

A FÉ, AS OBRAS E A JUSTIFICAÇÃO

Tg. 2: 17 a 26 - "Assim também a fé, se não tiver obras, é morta em si mesma. Mas dirá alguém: tu tens fé, e eu tenho obras; mostra-me a tua fé sem as obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras. Crês tu que Deus é um só? Fazes bem; os demônios também o creem, e estremecem. Mas queres saber, ó homem insensato, que a fé sem as obras é inútil? Porventura não foi pelas obras que nosso pai Abraão foi justificado quando ofereceu sobre o altar seu filho Isaque? Vês que a fé cooperou com as suas obras, e que pelas obras a fé foi aperfeiçoada. E se cumpriu a escritura que diz: e creu Abraão em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça, e foi chamado amigo de Deus. Vedes então que é pelas obras que o homem é justificado, e não somente pela fé. E de igual modo não foi a meretriz Raabe também justificada pelas obras, quando acolheu os espias, e os fez sair por outro caminho? Porque, assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem obras é morta."
No mundo persistem dois sistemas: o da verdade e o da mentira. Ambos se assemelham em quase tudo, mas há um ponto que é o divisor de águas entre os dois: a justificação do pecador. O sistema da mentira afirma que o homem pecador é justificado por suas obras de justiça e que há uma possibilidade deste resistir a graça de Deus e optar por não receber a justificação ofertada em Cristo. O sistema da verdade afirma que a salvação é um ato monérgico e soberano de Deus, que o pecador não pode oferecer qualquer resistência à graça e que ele não possui "livre arbítrio" algum, porque está debaixo do pecado. As duas correntes da teologia histórica que sustentam ambos os sistemas é o Arminianismo e o Calvinismo. Entretanto, nem Tiago Armínio, nem João Calvino criou estes termos. Eles resultam das controvérsias geradas por seus seguidores ao longo do tempo.
O apóstolo Tiago, o qual acreditam ser um dos irmãos carnal de Jesus, o Cristo, apresenta em sua breve epístola uma análise muito interessante sobre fé, obras e justificação. Entretanto, a maioria dos cristãos lê as Escrituras apenas como um manual de religião, mas não como a Palavra de Deus. Por esta razão, cada segmento realiza e elabora a teologia que mais lhe agrada e confirma a base da sua crença. Por estas razões é que há tantas religiões e seitas no mundo, sendo cada uma mais distante da verdade que a outra. A verdade não é uma concepção, mas é uma pessoa, a saber, Cristo conforme Jo. 4:6 - "Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim." Observe-se que, na gramática do texto foram utilizados artigos definidos. Isto implica em que não há uma diversidade de caminhos, verdades e vidas. Há apenas um caminho, uma verdade e uma vida. Desta maneira Jesus, o Cristo, não tem alguma verdade, algum caminho e alguma vida para distribuir, mas ele mesmo é o caminho, a verdade e a vida. E, por assim ser, ninguém poderá chegar à presença de Deus por conta própria ou com base em suas justiças e méritos como caminhos alternativos.
O apóstolo Tiago, no capítulo dois da sua missiva afirma que, "assim também a fé, se não tiver obras, é morta em si mesma." Ora, ele simplesmente está dizendo que não há uma consequência sem uma causa, como também não há uma causa sem uma consequência. Ele prossegui demonstrando que apresentar apenas a fé, sem o seu consequente resultado, é o mesmo que afirmar que Deus é um só, o que é o óbvio até para os demônios. A realidade de Deus único e soberano é tão incontestável, que, até os demônios também o afirma, temendo e tremendo. Portanto, a fé sem os resultados ou sem as consequentes obras é nula. 
Tiago especifica em sua homilia, dizendo que a fé que Deus concedeu a Abraão, o levou a realizar a obra concreta de obediência à ordem de Deus para sacrificar o seu único filho. Abraão tinha tudo para negar-se a esta obra, mas a fé o fez ver que, o mesmo Deus que lhe concedeu um filho na velhice, prometendo-lhe uma herança numerosa e abençoadora, iria manter a sua palavra, independentemente de Isaque ser sacrificado ou não. Assim, o que justificou a Abraão foi a concretização da sua obra de fé e não apenas a fé que recebeu. A sua atitude em obedecer e levar o filho para o sacrifício aperfeiçoou a fé recebida, tornando-se uma obra da fé e não uma fé na obra. Esta atitude lhe foi imputada por justiça, ou seja, foi justificado pela fé que o levou a ação.
Raabe era uma prostituta que habitava a cidade de Jericó. Quando Josué e Calebe conduziu o povo de Israel até a entrada na Terra Prometida, eles enviaram dez espias para avaliar estrategicamente a terra. Dos dez espias, apenas dois deram um relatório favorável. Eles viram que, a despeito das circunstâncias serem bastante desfavoráveis, era perfeitamente possível conquistar a terra. Ao saber da entrada dos hebreus em Canaã, o rei de Jericó enviou as tropas para prendê-los. A meretriz Raabe que, inclusive faz parte da genealogia de Jesus, os abrigou em sua casa. Quando os guardas chegaram ela os escondeu no terraço e disse que os mesmos não estavam ali. Após a saída dos guardas, ela os dispensou por outro caminho e, assim, eles foram salvos da morte. Ora, o que havia de honra na obra de Raabe? Nada! Ela poderia ter honrado o rei de Jericó como uma patriota, entregando os espias a serviço dos invasores israelitas. Ela mentiu ao rei e traiu o seu povo. O que há de honrado nesta obra? Nada! O apóstolo Tiago afirma que estas obras de Raabe a justificaram. O que Tiago está demonstrando é que, ao deixar fugir os espias isto foi imputado à Raabe como justiça. Raabe creu no relato dos espias sobre como foram libertos de Faraó, rei do Egito. Ela creu que Deus os libertou, abriu o mar vermelho, os sustentou com alimentos, roupas, sapatos, água e proteção contra inimigos por quarenta anos no deserto. Também disseram àquela mulher em tudo desonrada que, Deus lhes prometeu a terra de Canaã e que eles iriam conquistar Jericó pelo poder de Deus. Ora, então não foi a desonra, a mentira e a traição de Raabe que a justificou, mas a sua atitude movida pela fé que Deus certamente iria cumprir a sua promessa ao povo de Israel. Raabe não tinha nenhuma razão para crer no poder de um povo perambulando pelo deserto. Ela poderia confiar plenamente na superioridade dos exércitos de Jericó e nas potentes muralhas que cercavam a cidade. Entretanto, ela creu que, de alguma maneira tudo isso seria dominado pelo poder de Deus. Tudo quanto Raabe fez não redundou em boas obras, mas as suas obras foram a expressão da fé em Deus. Logo, o que conta para a justificação não é o conceito de certo ou errado, de bem e mal, mas creditar a obra à fé recebida por graça da parte de Deus. 
O que o cristão nascido do alto deve confiar é que as obras da carne não tem qualquer valor perante Deus. As obras podem ser boas ou más, mas se não resultam da fé, de nada adiantam espiritualmente. Na verdade, quem afirma que somente as boas obras salvam, tal religioso nunca foi conhecido por Cristo conforme Mt. 7:19 a 23 - "Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada no fogo. Portanto, pelos seus frutos os conhecereis. Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então lhes direi claramente: nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade." Profetizar, expulsar demônios e curar em nome de Jesus são todas boas obras, porém foram taxadas de iniquidades por Jesus, o Cristo. Foram apenas obras da carne e não obras da fé.
Sola Fide!