sexta-feira, 29 de julho de 2011

DEUS... NÃO É O NOME DE DEUS I

Ex. 3: 13 e 14 - "Então disse Moisés a Deus: eis que quando eu for aos filhos de Israel, e lhes disser: o Deus de vossos pais me enviou a vós; e eles me perguntarem: qual é o seu nome? Que lhes direi? Respondeu Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós."
A cultura popular possui, no Brasil, seus matizes muito bem enraizados. É recorrente, no dizer dos mais velhos, quando alguém mais jovem pronuncia a palavra "Deus", certa recriminação no sentido de não se pronunciar o nome de Deus em vão. A razão disto é a transmissão oral dos conceitos adquiridos ao longo dos tempos, porém perdidos em sua essência original por falta de sistematização. A razão para tal assertiva está em Ex. 20:7 - "Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão; porque o Senhor não terá por inocente aquele que tomar o seu nome em vão." Entretanto, nesta passagem veterotestamentária, não está em discussão a simples pronúncia da palavra "Deus". O que o texto em seu sentido original hebraico ensina é que não se deve lançar mão de uma postura religiosa hipócrita, ou seja, não dizer-se crente para encobrir a real natureza pecaminosa latente e ostensiva. Não pregar espiritualidade com base na moralidade decaída e contraditória. Implica, finalmente, na postulação de uma teologia por quem não conhece a verdade e vive fora da natureza regenerada. Nisto consiste a vaidade de se tomar o discurso de uma fé inexistente. Hoje muitos vivem na suposição de uma fé que não conhecem.
Deus é um substantivo concreto designativo de um ser ou ente infinito, eterno, sobrenatural e existente por si só; causa necessária e fim último de todas as coisas e realidades! É a causa determinante de tudo, e para a qual tudo converge. Este é o conceito mais amplo aplicado à palavra Deus. Nas religiões primitivas é a designação dada às forças ocultas, aos espíritos mais ou menos personalizados; nas religiões politeístas, especialmente nas mais antigas se refere a uma divindade superior aos homens e aos gênios à qual se atribui influência nos destinos do universo; nas religiões monoteístas, sobretudo no cristianismo, ser supremo, criador do universo. Assim, vê-se claramente que tal substantivo concreto não é nome próprio, mas apenas o que define uma categoria de ser, ou ente imaginário ou real para a fé de um grupo ou para um indivíduo.
Desta forma a palavra Deus recai na esfera das generalidades e pode ser entendida apenas como um ser ou ente supostamente sobrenatural, um ídolo, uma pessoa de grande influência e poder. Há, portanto, a necessidade inclusive de se fazer desambiguação do termo, pois pode até mesmo ser aplicado a uma pessoa humana, ou ao Diabo conforme II Co. 4:4 - "...os quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus.". Assim, ao longo da história a ideia, ou a concepção de Deus varia muito de lugar para lugar, de crença para crença e de circunstância para circunstância.
Acerca da origem da palavra Deus e das suas implicações há muitas controvérsias e até mesmo quem a evite por julgá-la inadequada espiritualmente. O fato é que não há nenhuma condenação para quem pronuncie a palavra Deus nas Escrituras.
Da lucem, Domine!

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