segunda-feira, 26 de julho de 2010

A INSUFICIÊNCIA DA RELIGIÃO x A SUFICIÊNCIA DE CRISTO VII


Mt. 5: 1 a 11 e 20 - "Jesus, pois, vendo as multidões, subiu ao monte; e, tendo se assentado, aproximaram-se os seus discípulos, e ele se pôs a ensiná-los, dizendo: bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados. Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça porque eles serão fartos. Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia. Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus. Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguiram e, mentindo, disserem todo mal contra vós por minha causa (...) Pois eu vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus." Este texto é denominado pela erudição bíblica de "as bem-aventuranças", ou "as beatitudes". Esta expressão seria melhor traduzida por "felizes" em língua portuguesa. O ensino de Cristo se insere no contexto daquilo que é principiológico e não do que é dogmático, ou mesmo, ritualístico. Um princípio se define por ser algo invariável e determinante de ações, atitudes, e fenômenos. É o que serve de base a alguma coisa; causa primeira, raiz, razão, ditame moral, regra, lei, preceito. Assim, por exemplo, laranjeira produz invariavelmente laranjas como fruto, enquanto abacateiro produz invariavelmente abacates. É imutável este princípio, e, mesmo que se faça um enxerto do abacateiro em uma laranjeira, ele continuará dando abacates, ainda que se utilize da seiva da laranjeira. Isto porque é da natureza principiológica do abacateiro produzir apenas abacates, tratando-se de um princípio genético. Está na matriz do ácido desoxirribonucleico de cada vegetal o que ele irá produzir.
Por princípio, o homem decaído é absolutamente corrompido e toda a sua inclinação é contrária a tudo o que se refere a Deus e à verdade. Os desejos do seu coração são maus continuamente conforme Gn. 6:5 - "Viu o Senhor que era grande a maldade do homem na terra, e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era má continuamente." Mesmo quando o homem não regenerado realiza boas coisas, estas não são boas espiritualmente falando, porque se originam de um ser corrompido. São boas apenas sociologicamente e humanitariamente. É bom que o homem pratique boas ações e seja obediente e cumpridor de regras de conduta, mas estas, não o salvam. O apóstolo Paulo indica a concepção que tinha de si mesmo nestes termos em Rm. 7:18 - "Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; com efeito o querer o bem está em mim, mas o efetuá-lo não está." Logo, por princípio, a carnalidade que ainda permanece no homem, mesmo depois de regenerado, não guarda bem algum. O querer e o efetuar só poderão ser operados e operacionalizados para Deus se Ele mesmo os realizar no homem.
Desta forma, tais bem-aventuranças ou felicidades não fazem parte da natureza humana por princípio. Elas serão possíveis se a graça de Deus atuar operando-as e efetuando-as no coração do homem. Humildade de espírito é o reconhecimento do que de fato é o homem e a palavra grega no original é no sentido de mendigar. É se colocar na perspectiva de húmus, de onde deriva a palavra humildade. E, ao que se sabe, húmus é terra podre, repleta de matéria orgânica em decomposição; os que choram são aqueles que se vêem absolutamente destituídos de qualquer favorecimento ou bem neste mundo. A palavra grega do texto original dá a ideia de pranto, luto e lamento. Choram pela dor, pela perda, pela desesperança de si mesmos e do próximo. Quando isto acontece Deus entra em cena para construir a mente de Cristo nesta pessoa; enquanto há esperança em si e nos outros homens não há espaço pleno para Deus; o homem só é manso, quando foi quebrantado, porque no seu estado natural ninguém é manso. Pode-se até aparentar mansidão, mas basta-lhe um agravo, ou desafeto, para que a sua ira se apresente de uma forma ou de outra; fome e sede de justiça é uma atitude que o homem natural possui, desde que seja para o seu benefício próprio. Os eleitos desejam a justiça do Justo de Deus, a saber, Cristo. Não lhes resta mais nenhuma esperança em justiças próprias e humanas. Misericórdia, segundo Phillip Yancey é "Deus não dando ao homem o que de fato ele merece, ou seja, o inferno." Assim, um homem só poderá ter misericórdia quando conhece a misericórdia de Deus em relação a si mesmo; limpo de coração, nenhum homem é, porque o pecado o contamina e os atos pecaminosos o comprometem moralmente; pacificador o homem natural não pode ser, salvo, para o seu próprio desfrute e benefício. Do contrário, são fomentadores de violência, tumultos, maledicências e guerras. Ser pacificador é absolutamente diferente de estar pacificador.
Ser perseguido ninguém quer ou deseja, entretanto, o Senhor Jesus deixa claro que os seus servos seriam perseguidos apenas por causa do nome d'Ele. Injuriados e perseguidos são todos quantos desejam o stablishment do reino eterno e do retorno do Grande Rei. O homem natural não recebe outra justiça que não seja a sua própria, por isto perseguem e injuriam todos quantos pregam a justiça de Cristo.
A justiça de um homem só poderá exceder a dos religiosos, se, e somente se, este nascer do alto na conformidade do que está doutrinado em Jo. 3: 3 e 5 - "Respondeu-lhe Jesus: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Jesus respondeu: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus."


Sola Scriptura!

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