domingo, 11 de julho de 2010

A INSUFICIÊNCIA DA RELIGIÃO x A SUFICIÊNCIA DE CRISTO VI


Jo. 4: 19 a 23 - "Disse-lhe a mulher: Senhor, vejo que és profeta. Nossos pais adoraram neste monte, e vós dizeis que em Jerusalém é o lugar onde se deve adorar. Disse-lhe Jesus: mulher, crê-me, a hora vem, em que nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos; porque a salvação vem dos judeus. Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem." O contexto do qual deriva esta porção das Escrituras tem por referência o episódio em que Jesus se encontra nas cercanias de uma aldeia, e, ali, uma mulher samaritana dá início a um intricante e profundo diálogo. Ele lhe pedira água, o que lhe causara espécie, visto que judeus, especialmente homens, não se comunicavam com samaritanos, em especial, com mulheres. Travou-se ali um diálogo anômalo para os padrões vigentes da época, tanto pelos gêneros envolvidos, como pelas barreiras étnico-culturais existentes. O Mestre lhe falara, por metáfora, de uma certa água miraculosa, porém esta não Lho entendera, pois o seu referencial de água tinha por foco apenas o elemento químico natural, o mineral líquido extraído de cisternas naquela região árida. Jesus, outrossim, alçara a sua pedagogia para sondar-lhe o coração e verificar nele alguma graça. Afirmara Ele, que, se ela soubera quem era o que lhe pedira água, saberia também que o mesmo poderia dar-lhe da água viva que dessedenta para a eternidade. Ela ainda atônita ante ao inusitado interlocutor, replicou-Lhe, que este, sequer teria como tirar água do poço. Neste ponto são postos os termos nas relações entre o homem decaído pela natureza pecaminosa e o Filho Unigênito de Deus. Ela se afirmara na possibilidade de ter o poder para retirar a única água de que tinha conhecimento; Ele se colocara na perspectiva de quem não necessitava de ninguém e de nada para conceder a verdadeira água espiritual. O pecador parte sempre de seus pressupostos, Deus, invariavelmente, da Sua soberana vontade.
A mulher, obviamente, desejara beber dessa água que resolve a sede para sempre. Claro, imagine uma mulher de mãos calejadas por descer e subir baldes de água por cordas, roldanas e polias a fim de retirar um mísero cântaro de água? A possibilidade de obter uma água milagrosa que resolvesse para sempre o seu trabalho era-lhe muito atraente. Assim, o homem natural busca em Deus, apenas a solução dos seus dilemas sensoriáveis, das suas carências, dos seus trabalhos e sofrimentos. Não lhe é visível que o dom de Deus transcende a estas questões, posto que no "supremo propósito" d'Ele está a justificação do pecador em Cristo de uma vez para sempre. Todas as demais coisas ser-lhe-ão acrescentadas ao longo do deserto e da preparação para a vida eterna.
Na medida em que a mulher se manifestara interessada em receber da água da vida, Jesus passou a um nível mais profundo de sondagem do seu espírito. Mandou que a mesma trouxesse o seu marido até aquela fonte. Ela, na sua sinceridade dissera-Lhe que não tinha um marido. O que não Lhe foi por oculto, posto que o Mestre expôs os fatos da sua vida conjugal. Diante da revelação do conhecimento da sua intimidade, a mulher fez logo uma análise lógica, chegando à conclusão que Jesus era profeta. Agora ela entrara na esfera da religião, pois seus referenciais passavam obrigatoriamente pela figura do profeta apenas como alguém que prediz coisas sobre a vida dos outros. Também se estendeu à analise mais ou menos religiosa sobre o local de adoração. Entretanto, Jesus lhe informou que o lugar não era o mais importante, mas a quem adorar, quem pode adorar, e como se deve adorar. O verso 21 afirma: "Disse-lhe Jesus: mulher, crê-me, a hora vem, em que nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai." O homem sempre está preocupado com os aspectos exteriores da adoração, Deus está construíndo em seus eleitos o sentido profundo da adoração.
Jesus, finalmente coloca os termos reais e verdadeiros sobre adoração nas seguintes palavras: "Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem. Deus é Espírito, e é necessário que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade." Então ficou estabelecido neste texto que, aquela era a hora, que há verdadeiros adoradores, os adoradores adoram ao Pai por meio do espírito e não de aspectos exteriores, que é Deus quem procura os seus adoradores, e que a adoração é em espírito e em verdade.
A mulher, por seu turno, continuou a ver apenas religião, quando afirmara: "Replicou-lhe a mulher: eu sei que vem o Messias, que se chama o Cristo; quando ele vier há de nos anunciar todas as coisas."
Jesus, por último lhe informa que Ele mesmo era o Cristo conforme o verso 26 - "Disse-lhe Jesus: eu o sou, eu que falo contigo." Cristo é suficiente, eficiente e eficaz! A religião não salva e não retira o pecado do homem decaído. No máximo realiza nele alguma reforma ético-moral!
Solo Christus!

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