quarta-feira, 28 de julho de 2010

A INSUFICIÊNCIA DA RELIGIÃO x A SUFICIÊNCIA DE CRISTO VIII


Lc. 18: 9 a 14 - "Propôs também esta parábola a uns que confiavam em si mesmos, crendo que eram justos, e desprezavam os outros: dois homens subiram ao templo para orar; um fariseu, e o outro publicano. O fariseu, de pé, assim orava consigo mesmo: ó Deus, graças te dou que não sou como os demais homens, roubadores, injustos, adúlteros, nem ainda como este publicano. Jejuo duas vezes na semana, e dou o dízimo de tudo quanto ganho. Mas o publicano, estando em pé de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: ó Deus, sê propício a mim, o pecador! Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque todo o que a si mesmo se exaltar será humilhado; mas o que a si mesmo se humilhar será exaltado." Jesus, o homem histórico nascido de mulher, no qual habitou o Cristo eterno e Filho Unigênito de Deus, muito ensinou por parábolas. A sua mensagem consegue, por esta razão, atingir a todos: doutos e indoutos. Os tipos e os símbolos são de longa aplicação no processo pedagógico de Deus. Estão visíveis desde o Gênesis até o Apocalipse. Entretanto, a revelação espiritual das suas significações só é possível pela operação do Espírito Santo doado aos eleitos conforme Jo. 14:26 - "Mas o Ajudador, o Espírito Santo a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas". Todo dom é uma concessão de Deus por meio da graça!
Em quase todos os artigos escritos neste espaço virtual, se fala de modo muito contundente e crítico sobre a religião. Todavia, é fundamental dizer que é contra a religião institucional e humanizada que se escreve. É imperioso que não se combatam pessoas, mas apenas as suas ideias, especialmente, quando estas giram em torno da relação homem-Deus. Na verdade a religião é uma criação humana na tentativa de fazer a religação entre a criatura e o Criador. Deus nunca instituiu religião alguma, e, mesmo a prescrição da lei cerimonial entregue aos israelitas foi apenas uma indicação do plano de redenção dos eleitos, na pessoa do Seu Filho Unigênito. Eram oráculos e não tinham valor em si mesmos. Não deveria ter se transformado em um fim em si, mas apenas no meio para se conhecer melhor o processo divino relativo à vinda do Salvador e à redenção dos eleitos antes dos tempos eternos.
No texto que abre este artigo lê-se uma das muitas parábolas contadas por Jesus, o Cristo. Na retromencionada parábola, Ele põe à disposição análises comportamentais de religiosos por meio de dois tipos: o auto-exaltado e o auto-humilhado. Tipifica-os em dois israelitas que comparecem ao templo para orar: um, o fariseu, pertencente a uma das seitas mais legalistas da época; e, o outro, o publicano, menos ortodoxa, por força do ofício de servir ao Estado dominador na coletoria de impostos. Por esta razão, os publicanos eram odiados dos judeus nacionalistas, especialmente os da seita político-religiosa dos fariseus. Não se admitia o pagamento de impostos ao imperador romano, visto que o tal reivindicava para si, o título de divindade. Um homem que se auto-proclamava um "deus" e cobrava impostos às nações dominadas.
Esta parábola revela duas atitudes do homem portador da natureza pecaminosa diante de Deus. Um que se faz justo, e, o outro, que se reconhece indigno e injusto. Visto que nenhum homem é justo em si, e de per si, logo a presunção de justiça própria é por si mesma o subproduto de uma natureza decaída. Se algum homem pudesse ser justo por conta própria, a justiça de Deus em Cristo seria absolutamente dispensável. Sim, porque, a morte de Jesus, o Cristo, na cruz foi para satisfazer plenamente a exigência da justiça de Deus contra o pecado do homem. O texto de Ez. 18:4 diz: "Eis que todas as almas são minhas; como o é a alma do pai, assim também a alma do filho é minha: a alma que pecar, essa morrerá." Assim, como todos os homens pecaram e estão destituídos da glória de Deus, necessário é que morram na morte de Cristo, para que, na ressurreição juntamente com Ele ganhem a vida eterna. Este é o processo denominado na Bíblia de nascimento do alto, erroneamente traduzido como "novo nascimento". Por isso, a justiça de Deus se locupletou na morte de Cristo, porque nela, todos os pecadores eleitos foram atraídos e incluídos e morreram com Ele. É o que se pode denominar de "a morte, da morte, na morte de Cristo". É intrínseco, que, se há a ressurreição com Cristo, também há a morte com Ele.
O religioso quase sempre, por palavras, ou por atos, se coloca na perspectiva de melhor e mais merecedor que os outros homens, os quais não seguem seus preceitos, regras e normas. O pecador eleito, contrariamente, recebe graça para ter plena consciência da sua indignidade, incompetência e ausência de justiça própria e de méritos. Este foi o caso do publicano em questão e de um dos malfeitores crucificados ao lado de Jesus, o Cristo. Dos que assim procedem, Deus está próximo, porque ao homem é necessário se reconhecer pecador e indigno para obter o perdão e receber a graça para justificação em Cristo. Você só pode ser perdoado da culpa que reconhece, não a reconhecendo, não há porque ser perdoado.
Jesus afirma que o publicano que se confessou "o pecador" desceu para a sua casa justificado. Assim, o que foi justificado por alguém absolutamente justo, justo está. Recebeu a graça para ser vivificado espiritualmente. Isto é o nascimento para Deus, é a passagem da morte para a vida, é a fonte que jorra para a eternidade, e o filho pródigo que retorna à casa do Pai.
Sola Gratia!

segunda-feira, 26 de julho de 2010

A INSUFICIÊNCIA DA RELIGIÃO x A SUFICIÊNCIA DE CRISTO VII


Mt. 5: 1 a 11 e 20 - "Jesus, pois, vendo as multidões, subiu ao monte; e, tendo se assentado, aproximaram-se os seus discípulos, e ele se pôs a ensiná-los, dizendo: bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados. Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça porque eles serão fartos. Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia. Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus. Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguiram e, mentindo, disserem todo mal contra vós por minha causa (...) Pois eu vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus." Este texto é denominado pela erudição bíblica de "as bem-aventuranças", ou "as beatitudes". Esta expressão seria melhor traduzida por "felizes" em língua portuguesa. O ensino de Cristo se insere no contexto daquilo que é principiológico e não do que é dogmático, ou mesmo, ritualístico. Um princípio se define por ser algo invariável e determinante de ações, atitudes, e fenômenos. É o que serve de base a alguma coisa; causa primeira, raiz, razão, ditame moral, regra, lei, preceito. Assim, por exemplo, laranjeira produz invariavelmente laranjas como fruto, enquanto abacateiro produz invariavelmente abacates. É imutável este princípio, e, mesmo que se faça um enxerto do abacateiro em uma laranjeira, ele continuará dando abacates, ainda que se utilize da seiva da laranjeira. Isto porque é da natureza principiológica do abacateiro produzir apenas abacates, tratando-se de um princípio genético. Está na matriz do ácido desoxirribonucleico de cada vegetal o que ele irá produzir.
Por princípio, o homem decaído é absolutamente corrompido e toda a sua inclinação é contrária a tudo o que se refere a Deus e à verdade. Os desejos do seu coração são maus continuamente conforme Gn. 6:5 - "Viu o Senhor que era grande a maldade do homem na terra, e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era má continuamente." Mesmo quando o homem não regenerado realiza boas coisas, estas não são boas espiritualmente falando, porque se originam de um ser corrompido. São boas apenas sociologicamente e humanitariamente. É bom que o homem pratique boas ações e seja obediente e cumpridor de regras de conduta, mas estas, não o salvam. O apóstolo Paulo indica a concepção que tinha de si mesmo nestes termos em Rm. 7:18 - "Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; com efeito o querer o bem está em mim, mas o efetuá-lo não está." Logo, por princípio, a carnalidade que ainda permanece no homem, mesmo depois de regenerado, não guarda bem algum. O querer e o efetuar só poderão ser operados e operacionalizados para Deus se Ele mesmo os realizar no homem.
Desta forma, tais bem-aventuranças ou felicidades não fazem parte da natureza humana por princípio. Elas serão possíveis se a graça de Deus atuar operando-as e efetuando-as no coração do homem. Humildade de espírito é o reconhecimento do que de fato é o homem e a palavra grega no original é no sentido de mendigar. É se colocar na perspectiva de húmus, de onde deriva a palavra humildade. E, ao que se sabe, húmus é terra podre, repleta de matéria orgânica em decomposição; os que choram são aqueles que se vêem absolutamente destituídos de qualquer favorecimento ou bem neste mundo. A palavra grega do texto original dá a ideia de pranto, luto e lamento. Choram pela dor, pela perda, pela desesperança de si mesmos e do próximo. Quando isto acontece Deus entra em cena para construir a mente de Cristo nesta pessoa; enquanto há esperança em si e nos outros homens não há espaço pleno para Deus; o homem só é manso, quando foi quebrantado, porque no seu estado natural ninguém é manso. Pode-se até aparentar mansidão, mas basta-lhe um agravo, ou desafeto, para que a sua ira se apresente de uma forma ou de outra; fome e sede de justiça é uma atitude que o homem natural possui, desde que seja para o seu benefício próprio. Os eleitos desejam a justiça do Justo de Deus, a saber, Cristo. Não lhes resta mais nenhuma esperança em justiças próprias e humanas. Misericórdia, segundo Phillip Yancey é "Deus não dando ao homem o que de fato ele merece, ou seja, o inferno." Assim, um homem só poderá ter misericórdia quando conhece a misericórdia de Deus em relação a si mesmo; limpo de coração, nenhum homem é, porque o pecado o contamina e os atos pecaminosos o comprometem moralmente; pacificador o homem natural não pode ser, salvo, para o seu próprio desfrute e benefício. Do contrário, são fomentadores de violência, tumultos, maledicências e guerras. Ser pacificador é absolutamente diferente de estar pacificador.
Ser perseguido ninguém quer ou deseja, entretanto, o Senhor Jesus deixa claro que os seus servos seriam perseguidos apenas por causa do nome d'Ele. Injuriados e perseguidos são todos quantos desejam o stablishment do reino eterno e do retorno do Grande Rei. O homem natural não recebe outra justiça que não seja a sua própria, por isto perseguem e injuriam todos quantos pregam a justiça de Cristo.
A justiça de um homem só poderá exceder a dos religiosos, se, e somente se, este nascer do alto na conformidade do que está doutrinado em Jo. 3: 3 e 5 - "Respondeu-lhe Jesus: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Jesus respondeu: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus."


Sola Scriptura!

domingo, 11 de julho de 2010

A INSUFICIÊNCIA DA RELIGIÃO x A SUFICIÊNCIA DE CRISTO VI


Jo. 4: 19 a 23 - "Disse-lhe a mulher: Senhor, vejo que és profeta. Nossos pais adoraram neste monte, e vós dizeis que em Jerusalém é o lugar onde se deve adorar. Disse-lhe Jesus: mulher, crê-me, a hora vem, em que nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos; porque a salvação vem dos judeus. Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem." O contexto do qual deriva esta porção das Escrituras tem por referência o episódio em que Jesus se encontra nas cercanias de uma aldeia, e, ali, uma mulher samaritana dá início a um intricante e profundo diálogo. Ele lhe pedira água, o que lhe causara espécie, visto que judeus, especialmente homens, não se comunicavam com samaritanos, em especial, com mulheres. Travou-se ali um diálogo anômalo para os padrões vigentes da época, tanto pelos gêneros envolvidos, como pelas barreiras étnico-culturais existentes. O Mestre lhe falara, por metáfora, de uma certa água miraculosa, porém esta não Lho entendera, pois o seu referencial de água tinha por foco apenas o elemento químico natural, o mineral líquido extraído de cisternas naquela região árida. Jesus, outrossim, alçara a sua pedagogia para sondar-lhe o coração e verificar nele alguma graça. Afirmara Ele, que, se ela soubera quem era o que lhe pedira água, saberia também que o mesmo poderia dar-lhe da água viva que dessedenta para a eternidade. Ela ainda atônita ante ao inusitado interlocutor, replicou-Lhe, que este, sequer teria como tirar água do poço. Neste ponto são postos os termos nas relações entre o homem decaído pela natureza pecaminosa e o Filho Unigênito de Deus. Ela se afirmara na possibilidade de ter o poder para retirar a única água de que tinha conhecimento; Ele se colocara na perspectiva de quem não necessitava de ninguém e de nada para conceder a verdadeira água espiritual. O pecador parte sempre de seus pressupostos, Deus, invariavelmente, da Sua soberana vontade.
A mulher, obviamente, desejara beber dessa água que resolve a sede para sempre. Claro, imagine uma mulher de mãos calejadas por descer e subir baldes de água por cordas, roldanas e polias a fim de retirar um mísero cântaro de água? A possibilidade de obter uma água milagrosa que resolvesse para sempre o seu trabalho era-lhe muito atraente. Assim, o homem natural busca em Deus, apenas a solução dos seus dilemas sensoriáveis, das suas carências, dos seus trabalhos e sofrimentos. Não lhe é visível que o dom de Deus transcende a estas questões, posto que no "supremo propósito" d'Ele está a justificação do pecador em Cristo de uma vez para sempre. Todas as demais coisas ser-lhe-ão acrescentadas ao longo do deserto e da preparação para a vida eterna.
Na medida em que a mulher se manifestara interessada em receber da água da vida, Jesus passou a um nível mais profundo de sondagem do seu espírito. Mandou que a mesma trouxesse o seu marido até aquela fonte. Ela, na sua sinceridade dissera-Lhe que não tinha um marido. O que não Lhe foi por oculto, posto que o Mestre expôs os fatos da sua vida conjugal. Diante da revelação do conhecimento da sua intimidade, a mulher fez logo uma análise lógica, chegando à conclusão que Jesus era profeta. Agora ela entrara na esfera da religião, pois seus referenciais passavam obrigatoriamente pela figura do profeta apenas como alguém que prediz coisas sobre a vida dos outros. Também se estendeu à analise mais ou menos religiosa sobre o local de adoração. Entretanto, Jesus lhe informou que o lugar não era o mais importante, mas a quem adorar, quem pode adorar, e como se deve adorar. O verso 21 afirma: "Disse-lhe Jesus: mulher, crê-me, a hora vem, em que nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai." O homem sempre está preocupado com os aspectos exteriores da adoração, Deus está construíndo em seus eleitos o sentido profundo da adoração.
Jesus, finalmente coloca os termos reais e verdadeiros sobre adoração nas seguintes palavras: "Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem. Deus é Espírito, e é necessário que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade." Então ficou estabelecido neste texto que, aquela era a hora, que há verdadeiros adoradores, os adoradores adoram ao Pai por meio do espírito e não de aspectos exteriores, que é Deus quem procura os seus adoradores, e que a adoração é em espírito e em verdade.
A mulher, por seu turno, continuou a ver apenas religião, quando afirmara: "Replicou-lhe a mulher: eu sei que vem o Messias, que se chama o Cristo; quando ele vier há de nos anunciar todas as coisas."
Jesus, por último lhe informa que Ele mesmo era o Cristo conforme o verso 26 - "Disse-lhe Jesus: eu o sou, eu que falo contigo." Cristo é suficiente, eficiente e eficaz! A religião não salva e não retira o pecado do homem decaído. No máximo realiza nele alguma reforma ético-moral!
Solo Christus!

sábado, 10 de julho de 2010

A INSUFICIÊNCIA DA RELIGIÃO x A SUFICIÊNCIA DE CRISTO V


At. 4: 1 a 13 - "Enquanto eles estavam falando ao povo, sobrevieram-lhes os sacerdotes, o capitão do templo e os saduceus, doendo-se muito de que eles ensinassem o povo, e anunciassem em Jesus a ressurreição dentre os mortos, deitaram mão neles, e os encerraram na prisão até o dia seguinte; pois era já tarde. Muitos, porém, dos que ouviram a palavra, creram, e se elevou o número dos homens a quase cinco mil. No dia seguinte, reuniram-se em Jerusalém as autoridades, os anciãos, os escribas, e Anás, o sumo sacerdote, e Caifás, João, Alexandre, e todos quantos eram da linhagem do sumo sacerdote. E, pondo-os no meio deles, perguntaram: com que poder ou em nome de quem fizestes vós isto? Então Pedro, cheio do Espírito Santo, lhes disse: autoridades do povo e vós, anciãos, se nós hoje somos inquiridos acerca do benefício feito a um enfermo, e do modo como foi curado, seja conhecido de vós todos, e de todo o povo de Israel, que em nome de Jesus Cristo, o nazareno, aquele a quem vós crucificastes e a quem Deus ressuscitou dentre os mortos, nesse nome está este aqui, são diante de vós. Ele é a pedra que foi rejeitada por vós, os edificadores, a qual foi posta como pedra angular. E em nenhum outro há salvação; porque debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, em que devamos ser salvos. Então eles, vendo a intrepidez de Pedro e João, e tendo percebido que eram homens iletrados e indoutos, se admiravam; e reconheciam que haviam estado com Jesus." Vê-se invariavelmente a mesma cena: religiosos lutando contra a verdade! Os sacerdotes, o capitão do templo e os saduceus representavam a fina flor da religião no tempo de Jesus. Os sacerdotes defendendo o sistema vigente, porque era a única fonte de renda deles; o capitão do templo, acompanhando sacerdotes e saduceus, porque era o seu emprego; e os saduceus formavam uma seita do judaísmo que não cria na ressurreição dos mortos. Assim, todos lutavam bravamente, cada qual em sua trincheira, para defender os seus interesses puramente humanos disfarçados de espiritualidade. Da mesma forma sucede nos dias atuais, quando uma determinada denominação religiosa ou grupo local se sente ameaçado em sua estrutura por qualquer coisa que não se origina em suas assembleias, conclaves, sínodos, concílios, convenções e declarações de princípios. Partem para a desqualificação do oponente sem ao menos considerar, na essência, o que ele afirma. Quando não conseguem arguir escrituristicamente, intentam contra a integridade moral ou ética do pregador, para liquidá-lo perante a opinião pública num verdadeiro espetáculo de execração pública. Deus tenha misericórdia deles!
Entretanto, no texto considerado, a razão verdadeira do ódio e da inquisição dos religiosos é, na aparência, uma pseudo-preocupação em preservar suas doutrinas e tradições. No fundo trata-se apenas da questão de sobrevivência do sistema que os alimenta e os mantém no controle, muitas vezes maniqueísta, sobre os incautos. Vê-se que, saduceus, sacerdotes e o capitão do templo estavam se condoendo muito porque os discípulos ensinavam o povo e anunciavam o Senhor Jesus, o Cristo. Não querem que se ensine a verdade, porque esta verdadeiramente liberta do jugo da dependência religiosa. Ora, se eles, como edificadores, haviam rejeitado a Rocha Eterna? O que se poderia esperar desse sistema religioso?
Contrariamente, o anúncio da verdade produz invariavelmente redenção e libertação dos grilhões da religião. Apesar do encerramento dos discípulos em prisões, muitos dos que ouviram a mensagem creram-na. O passo seguinte é sempre o de reunir o maior número possível de autoridades, doutores da lei, anciãos e pessoas de destaque na sociedade a fim de impor terror e suposta sabedoria e veracidade aos seus processos nefastos. Trata-se sempre de um embuste utilizado para inferiorizar e reduzir a validade da pregação da verdade a uma posição secundária. Nos tempos atuais, logo se levantam e afirmam sem a menor preocupação que se trata de uma heresia. Alguns líderes religiosos do presente tempo sequer sabem, na essência, o que é uma heresia, pois se soubessem não pregariam as coisas que pregam em seus púlpitos diabólicos. Tais púlpitos não têm a cruz, nem a morte, nem a ressurreição. Apresentam tão somente espetáculos de retórica ou de ilusionismo para anestesiar as mentes dos pecadores afligidos em seus sofrimentos, dramas, traumas, carências e cegueira espiritual. Oferecem uma religião que se assemelha ao crack, pois só funciona como alucinógeno, mas não  liberta o pecador do seu pecado.
Por outro lado, no entanto, os regenerados se põem a falar destemidamente, porque são cheios do Espírito de Cristo. Ora, se o Mestre Divino foi crucificado e morto, porque os seus discípulos se negariam a confirmar as Suas Palavras? É como afirmam as Escrituras em Lc. 21: 16 e 17 - "E até pelos pais, e irmãos, e parentes, e amigos sereis entregues; e matarão alguns de vós; e sereis odiados de todos por causa do meu nome." O ódio é ao Senhor Jesus, porque o mundo inteiro jaz no maligno, e, este, não quer perder o seu domínio usurpado para o verdadeiro senhor e dominador dos céus e da Terra. Os pregadores da verdade são atingidos, porque são visíveis e atingíveis. Não importa se são letrados ou doutos, iletrados ou indoutos, quando estão com o Senhor Jesus, o Cristo as suas palavras são imediatamente identificadas com o Mestre Eterno. Esta é a marca dos nascidos de Deus; do remanescente que serve ao Senhor ao longo dos séculos.
Sola Scriptura!

terça-feira, 6 de julho de 2010

A INSUFICIÊNCIA DA RELIGIÃO x A SUFICIÊNCIA DE CRISTO IV


At. 25: 17 a 20 - "Quando então eles se haviam reunido aqui, sem me demorar, no dia seguinte sentei-me no tribunal e mandei trazer o homem; contra o qual os acusadores, levantando-se, não apresentaram acusação alguma das coisas perversas que eu suspeitava; tinham, porém, contra ele algumas questões acerca da sua religião e de um tal Jesus defunto, que Paulo afirmava estar vivo. E, estando eu perplexo quanto ao modo de investigar estas coisas, perguntei se não queria ir a Jerusalém e ali ser julgado no tocante às mesmas." O contexto mostra os anciãos dos judeus e os principais sacerdotes, acusando o apóstolo Paulo de uma série de queixas infundadas. Armaram-lhe ciladas para o matarem, quando este fosse a Jerusalém. Perante Festo, autoridade romana na Palestina, foram apresentadas em tribunal graves acusações conforme os versos 7 e 8 - "Tendo ele comparecido, rodearam-no os judeus que haviam descido de Jerusalém, trazendo contra ele muitas e graves acusações, que não podiam provar. Paulo, porém, respondeu em sua defesa: nem contra a lei dos judeus, nem contra o templo, nem contra César, tenho pecado em coisa alguma."
Verificam-se diversos aspectos nesta questão: primeiramente os líderes religiosos eram pessoas inescrupulosas que não vacilavam em acusar fortuitamente alguém que não os agradassem; secundariamente eram capazes de tramar, inclusive, contra a vida de alguém que julgassem desafeto; e finalmente eram capazes de inventar mentiras e acusações levianas contra quem pregasse outra fé que não a deles. Ora, mutatis mutandis, as coisas não se alteraram muito nestes  últimos 2.000. O mundo atual, com toda a ilustração e humanismo continua presenciando tais manifestações almáticas de seres decaídos e entregues às suas próprias verdades. Uma das razões da multiplicação de igrejas, seitas e religiões, não é outra, senão os desentendimentos e disputas dentro destas instituições. Os inconformados vão saindo e formando novas religiões e seitas que satisfaçam seus interesses. E, tudo isto, em nome de Jesus, em honra do evangelho e pela glória de Deus. Nem Deus, nem Cristo, nem o evangelho estão nisto! Salvo, quando a razão é a veracidade das Escrituras, embora as dissensões e divisões não são causados por causa da verdade.
Verifica-se no texto que abre este estudo que a razão real do desejo de eliminar o apóstolo Paulo, não era outra, senão a pregação da verdade acerca de Jesus, o Cristo rejeitado pelos judeus. É neste contexto que o governador romano, Festo, menciona a palavra religião. Neste texto utilizou-se da palavra grega 'deisidaimonías' para expressar religião, culto, superstição a espíritos, forças sobrenaturais, divindades, deuses. Vê-se que na própria etimologia da palavra religião aparece o termo 'demônios' com a conotação de deuses. Este é o significado da palavra "religião" no sentido genérico que se utilizava entre os povos politeístas. No texto utilizado pelo apóstolo Tiago em sua epístola a palavra é 'threskéia' [θρησκεία
], trazendo sentido relacionado ao culto reverente e à observação de preceitos e ritos exteriores. Indica, neste caso, apenas um comportamento humanista em serviços caritativos resultantes de uma mente renovada e voltada para Deus.

O governador Festo se refere a Jesus, meramente como alguém morto e que era pregado ou cultuado por Paulo como estando vivo. Ele demonstra não ter conhecimento real sobre Jesus, o Cristo, mas apenas informações difusas sobre Ele. A autoridade romana sequer sabia como se proceder juridicamente no processo, visto ser este absolutamente desprovido de fundamentação. Como não sabia instruir o processo, sugeriu a Paulo ir a Jerusalém, a fim de ser interrogado lá, o que ele se recusa, por saber que certamente seria incriminado pelos sacerdotes, escribas, anciãos e fariseus. A questão em jogo não era o judaísmo, ou mesmo qualquer crime civil cometido por Paulo, mas a ira do sistema religioso vigente contra a pregação do evangelho das boas novas. Este evangelho ameaçava o ganha pão e o sistema engessado na lei mosaica. 
Por todas estas razões é que a religião é insuficiente para produzir uma nova criatura no homem decaído e absolutamente depravado aos olhos de Deus. Se a questão fosse de cunho meramente religioso, o mundo estaria bem melhor, pois o que não falta em todos os rincões da Terra é religião. É como afirma A. W. Tozzer, "...os cristãos estão com a Palavra de Deus nas mãos, mas sem o Deus da Palavra." Entretanto, designar o religioso de cristão é mera formalidade, ou pura retórica, porque pertencer a uma igreja ou instituição religiosa não faz de ninguém um cristão.  Para tanto é necessário o nascimento do alto na conformidade de Jo. 3: 3 e 5 - "Respondeu-lhe Jesus: Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Jesus respondeu: Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus."

Sola Gratia!

Sola Scriptura!

Solo Christus!

segunda-feira, 5 de julho de 2010

A INSUFICIÊNCIA DA RELIGIÃO x A SUFICIÊNCIA DE CRISTO III


Mc. 8: 34 e 35 - "E chamando a si a multidão com os discípulos, disse-lhes: se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas quem perder a sua vida por amor de mim e do evangelho, salvá-la-á." A proposta de Jesus, o Cristo é uma contraposição ao estado normal do homem decaído. O verbo querer neste contexto é, no grego neotestamentário, 'thélo' significando apenas um desejo motivado por razões pessoais, por simples ambição, por mera simpatia, ou por simplesmente gostar de uma ideia. O querer determinativo e inequívoco é, no texto grego, 'boulomai', isto é, o querer resultante de uma vontade executável e preestabelecida pela fé. Neste último caso, o querer resulta de ação independente do homem, motivada por vontade divina dentro de um projeto anterior à própria existência da vontade humana. É uma determinação monérgica e não um mero desejo sinérgico.
Ao dizer à multidão "se alguém quer vir..." Jesus estava condicionando e não determinando. Isto porque, querer no sentido de desejar, basicamente todos quereriam, pois viam os cegos enxergar, coxos andar, mortos ressuscitar, pães multiplicados, água transmutada em vinho, leprosos purificados, adúlteros perdoados, peixes multiplicados... Viam em Jesus, um possível Messias político que os livraria do domínio romano. Perceberam a possibilidade de restabelecer o reino de Israel e o retorno da casa de Davi ao poder e do cumprimento de promessas antigas. Há profunda diferença entre o querer por interesses religiosos e o querer movido pela fé genuína. Por isso, se afirma em Jo. 12:37 - "E
embora tivesse operado tantos sinais diante deles, não criam n'Ele." Sinais são para incrédulos, fé é dom de Deus!
A expressão "... se alguém quer vir após mim..." é uma clara proposta à supressão da mera religião para encarar a morte na cruz. A palavra "após" no texto original, é 'opíso', ou seja, 'depois de'. Então, Jesus, o Cristo está dizendo que, se algum pecador tem o desejo de segui-lo deve saber que Ele está indo para a morte e que os que assim o desejarem, irão depois d'Ele para o mesmo lugar, a saber, a cruz. O sentido de "tomar cada um a sua cruz e segui-Lo" é o resultado da negação de si mesmo, a saber, de perder a sua própria vida almática. Verifica-se no texto que abre este estudo que a cruz é de fato do pecador e não de Cristo. Ele a assumiu por acordo eterno com o Pai, tão somente para habilitar o homem inábil a ter o seu querer alterado para ganhar a vida eterna. Sem a alteração do desejo humano decaído ninguém vai a Jesus conforme Jo. 6: 44 e 45 - "Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia. Está escrito nos profetas: e serão todos ensinados por Deus. Portanto todo aquele que do Pai ouviu e aprendeu vem a mim." A questão é que a ação que determina a vontade de ir após Cristo, e segui-Lo é dada por Deus e não pelo desejo ambicioso, interesseiro e materialista do homem decaído. É como querer que um tetraplégico se levante da cadeira e ganhe as olimpíadas ou um triátlon  Se o querer e o fazer do homem no estado pecaminoso pudesse gerara salvação, Jesus, o Cristo seria absolutamente dispensável. A cruz seria um embuste e a morte e a ressurreição uma fantasia de mau gosto.
O querer do homem em estado pecaminoso é sempre o de querer salvar a sua vida sem ir após Cristo para a cruz. Não há redenção sem a perda da vida contaminada pela natureza pecaminosa. Por isso, só se pode falar em novo nascimento, após crer que foi atraído à cruz e nela morreu com Cristo conforme Jo. 12: 32 e 33 - "E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim. Isto dizia, significando de que modo havia de morrer." Jesus, o Cristo foi levantado da Terra três vezes: quando foi crucificado, quando ressuscitou e quando subiu ao céu. Em todas estas vezes se relacionou com o processo da redenção dos eleitos.
Na religião há sempre um apelo à vida do homem, ao sucesso, à fama, às vitórias materiais, etc. Na suficiência de Cristo há sempre e primeiramente uma condução à morte da vida contaminada pelo pecado para, após perdê-la, achar a verdadeira vida d'Ele.
Sola Gratia!