domingo, 6 de dezembro de 2009

A SÍNDROME DE JÓ XIV


Jó 25: 1 a 6 - "Então respondeu Bildade, o suíta, e disse: com ele estão domínio e temor; ele faz paz nas suas alturas. Porventura têm número as suas tropas? E sobre quem não se levanta a sua luz? Como, pois, seria justo o homem para com Deus, e como seria puro aquele que nasce de mulher? Eis que até a lua não resplandece, e as estrelas não são puras aos seus olhos. E quanto menos o homem, que é um verme, e o filho do homem, que é um vermezinho!" Bildade é um dos amigos de Jó que apresentou um conhecimento razoável acerca da soberania de Deus. Ele consegue mostrar a Jó o seu verdadeiro lugar e situação, porém este era cego pela natureza não regenerada, tanto quanto os demais. É isto que acontece aos que substituem a misericórdia e a graça de Deus por obras de justiça própria: não conseguem ver! E, quem não vê, também não entra conforme Jo. 3: 3 e 5.
O suíta recebe clara revelação da posição do homem perante Deus: é um verme e o filho do homem, igualmente, verme é por vias de consequências. Ora, um verme é um hospedeiro oportunista que habita o corpo dos outros seres vivos a fim de lhes sugar alimento. No sentido figurado, que é o caso do texto de Bildade, verme é aquilo que consome, mina ou corrói intimamente, como se fosse um parasito, ou ainda, pessoa abjeta, vil, desprezível.
O texto utiliza para verme, a palavra de origem espanhola, gusano, que é um verme o qual possui em uma das extremidades duas pequenas valvas com sulcos providos de dentes. Com eles, em movimento rotatório, cava galerias em madeira submersa, com a qual se alimenta, causando grandes prejuízos às embarcações de madeira, e aos embarcadouros e cais.
O texto mostra que nenhum homem é puro aos olhos de Deus, e, que, apenas a Ele pertence a soberania. Mostra ainda que não há um justo, nenhum dentre os nascidos de mulher. Este amigo de Jó resumiu a doutrina predominante entre os três amigos, os quais pretendiam levar Jó a prostrar-se perante Deus conforme o que entendiam acerca de piedade e reverência elaboradas com base em religião. Tal tentativa se circunscrevia à esfera dos códigos de moralidade e de ética religiosa e não na experiência de regeneração. Entretanto, não adianta o homem não regenerado prostrar-se diante de Deus, pois não pode haver comunhão entre trevas e luz. Com o pecado, o homem jamais será aceito perante a face do Altíssimo. Não é o pecador que aceita a Deus, mas Ele quem o aceita, após torná-lo aceitável em Cristo. É imperativo saber que a salvação sempre foi por meio de Cristo, mesmo para os que viveram antes da Sua vinda na pessoa de Jesus. O acerto para regenerar o homem for determinado antes dos tempos eternos conforme II Tm. 1:9 - "... que nos salvou, e chamou com uma santa vocação, não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e a graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos..."
No capítulo 26, Jó reafirma a soberania de Deus, entretanto persiste a tese de um mero conhecimento religioso acerca d'Ele. Não demonstra ter reconhecido que é miserável e necessitado de salvação do que é e não do que faz ou deixa de fazer. Enquanto Deus quer salvar o homem do que ele é, este busca a salvação do que faz, confundindo assim, o pecado que o mata, com os atos pecaminosos que tão somente confirmam este estado de morte espiritual. Não é a consequência maior que a causa, mas a causa é o fator determinante das consequências. Enquanto a religião combate as consequências do pecado, a ação monérgica de Deus retira a causa fundamental na cruz. Enquanto a religião, mal e mal, realiza apenas alguma reforma moral no homem, Deus faz uma nova criatura nos seus eleitos. Não são os atos pecaminosos que tornam o homem pecador, mas a sua natureza pecaminosa que os gera e os multiplica continuamente.
Sola Fide!

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