sábado, 11 de abril de 2009

TEOLOGIA REFORMADA x TEOLOGIA DEFORMADA VIII

I Tm. 4: 1 e 2 - "Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios; pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência." Estes últimos tempos começaram a partir da ascensão de Cristo conforme no-lo informa I Jo. 2: 18 - "Filhinhos, é já a última hora; e, como ouvistes que vem o anticristo, também agora muitos se têm feito anticristos, por onde conhecemos que é já a última hora." Há o anticristo escatológico que se levantará no fim dos dias desta era, porém têm se levantado inumeráveis protótipos dele ao longo da história da Igreja. Estes falsos cristãos se apostatam da fé e não da religião, visto serem estas coisas distintas. É possível, pela graça de Deus, obter fé sem ter religião, mas pouco provável que se obtenha fé por meio da religião.
A visão que temos de Deus, de nós mesmos e dos outros homens é que define o que é a teologia bíblica e a teologia deformada ou antibíblica. Pesquisas realizadas pelo instituto Gallup dá conta que a maioria esmagadora das pessoas declara que os seres humanos são bons. Isto indica um repúdio ostensivo ou velado as asseverações bíblicas da degenerescência humana. Cria um imenso paradoxo entre a crítica azeda de muitos religiosos aos padrões secularistas, os quais adotam como parâmetros da sua fé, a saber, o que tais padrões apontam. A perplexidade é com o fato que a cultura humanista tem horror à doutrina do pecado original, todavia, os ditos evangélicos adotam tal cultura como referência. Logo, conclui-se que são evangélicos sem o evangelho de Cristo.
Há profunda contradição entre as declarações confessionais e o viés do pensamento cristão nominal ao longo da sua trajetória. Encontra-se ponto de convergência para um reconhecimento da queda do homem naquelas, mas neste, vê-se uma maior aproximação da visão humanista secular. Esta tendência se dá porque a mente dos que elaboram suas constituições declaratórias são humanos, e quase sempre não nascidos do alto. São meramente religiosos, por vezes bem intencionados, por vezes oportunistas e imediatistas.
As pontes entre Teologia Reformada e teologia deformada são apresentadas a conta-gotas, aparecendo de ocasião em ocasião e quase imperceptíveis. Assim, vão tomando pé das situações e da profunda inclinação do homem a buscar em sua justiça própria o caminho da auto-justificação. Erasmo de Roterdã foi um desses homens que, a despeito de ter uma enorme capacidade intelectual e boas intenções, não passou de um humanista secular que perpetrou doutrinas estranhas na Igreja. Dele foi discípulo, Tiago Armínio, cujas doutrinas entraram em controvérsia com os reformadores no Concílio de Dort em 1618. Do embate, foram produzidos os "Cinco Pontos do Arminianismo" e os "Cinco Pontos do Calvinismo". As ideias de Armínio foram reputadas por heréticas e rejeitadas por este Concílio na Holanda após 154 sessões. Todavia, os seus discípulos deram sequência aos seus ensinos em via paralela, e por vezes, oposta.
Lutero, por exemplo, combateu as ideias de Erasmo por meio de uma obra denominada "The Bondage of the Will", ou "A Escravidão da Vontade", por onde demonstrou que a vontade do homem está escravizada pela natureza decaída e pecaminosa. Lutero não via separação entre o estado decaído do homem e o ensino da eleição, pois do contrário, o pecador entraria como cooperador na obra da salvação que é pela graça. Assim, a graça seria dispensável e a salvação realizada em cooperação com o pecador.
Entretanto, para os reformadores não é a fé que vem primeiro, mas a graça de Deus. A salvação é pela graça e a fé é um canal para vivificar o pecador. Por isto, se diz que a salvação é monergística e não sinergística, Como poderia o pecador cooperar com a fé, se está destituído da glória de Deus? Como poderia haver cooperação do pecador, se todo o seu querer se inclina para a natureza pecaminosa, conforme demonstrado no texto de Romanos? Antes dos reformadores e de Erasmo e Armínio, houve uma outra controvérsia, a do pelagianismo, a qual foi refutada também, mas nunca totalmente apagada. Acerca dela tratar-se-á em outro estudo.

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