sexta-feira, 10 de abril de 2009

TEOLOGIA REFORMADA x TEOLOGIA DEFORMADA IV

Sl. 137: 1 a 4 - "Junto dos rios de Babilônia, ali nos assentamos e choramos, quando nos lembramos de Sião. Sobre os salgueiros que há no meio dela, penduramos as nossas harpas. Pois lá aqueles que nos levaram cativos nos pediam uma canção; e os que nos destruíram, que os alegrássemos, dizendo: cantai-nos uma das canções de Sião. Como cantaremos a canção do Senhor em terra estranha?" O cativeiro do povo hebreu para a Babilônia por volta de 586 a. C. foi algo determinado por Deus, assim como tudo o que acontece no universo. Esta é uma premissa que o religioso, especialmente o arminiano, se recusa a receber como válida. Para esta classe de religioso, o bem vem de Deus, e o mal do Diabo. Esta concepção de cunho maniqueísta é o resultado de uma compreensão meramente intelectual, mística e mítica das Escrituras.
Deus de fato conduziu o povo de Israel ao cativeiro para, em Sua pedagogia, ensiná-lo a diferença entre a graça e a lei. Este dualismo dialético, põe e expõe o espírito que está no homem. Assim como no cativeiro babilônico houve um tempo de teste, o qual produziu homens eleitos e fiéis, também produziu os assimilados e vendidos às suas naturezas decaídas. No texto que vem de ser lido se vê com clareza o dilema de estar em terra estranha, triste e pressionado a adotar padrões da cultura dominante. Daniel, Sadraque, Mesaque e Abdnego foram purificados como que pelo fogo em função da não conformidade aos padrões dos dominadores. Não cederam à moralidade da maioria, ainda que deslocados do clima doméstico da sua nação, do culto ao seu Deus e dos seus princípios e valores. Cada um destes era uma congregação de um homem só, semelhantemente, cada cristão nascido de Deus é uma "congregação" neste mundo. A Igreja verdadeira ou o Templo onde Deus habita é o regenerado e não, necessariamente, um edifício pomposo.
Enquanto as pessoas, geralmente, buscam a aceitação e a conformidade aos padrões dominantes e vigentes, o eleito de Deus permanece à margem, mesmo em detrimento de si mesmo. Não busca e não conta com a popularidade do foro da opinião pública. Em sentido contrário, são raríssimos os que resistem ao apelo da maioria, ao canto da sereia, ao toque da sirene. Isto porque a perseverança dos santos é uma condição, primeiramente dada por misericórdia e graça aos que foram preordenados para a vida. Não é da natureza humana romper com os reclames da aceitação e da bajulação das massas. Veja o caso de José, o qual foi covardemente vendido pelos próprios irmãos, passou a maior parte da sua juventude em uma prisão, entretanto, foi guardado pela graça do Deus dos seus pais. Esteve no contexto cultural da nação egípcia, porém permaneceu na fé de um Deus, o qual ninguém ao seu redor depositava o mínimo de fé. Entretanto, pela sua permanência solitária, muitos vieram a conhecer o Deus único e verdadeiro.
Cada cristão verdadeiro possui o seu próprio cativeiro babilônico. Está invariavelmente inserido em um mundo que presta culto ao humanismo secular. O mundo atual é colocado pela erudição como pós-cristão, onde a igreja é tida como um mero clube social e a fé como um anacronismo absurdo.
É deste contexto que surge o brado, com o seus ecos: sola fide, sola gratia, sola scriptura, solo Christus e soli Deo gloria. Diante do humanismo secular, restam dois caminhos: permanecer em Deus, por meio de Cristo, ou abraçar a babilônia cultural por meio de verdades relativas e não da verdade absoluta, Cristo; abraçar as Escrituras, ou abraçar o evangelicalismo; abraçar a teologia reformada, ou abraçar a teologia deformada; ficar com a semelhança de Cristo, ou ficar com o homo mensura; ficar na cruz, ou ficar no "...como deuses sereis" de Gênesis 3:5.
O verdadeiro cristianismo é invariavelmente a antítese do humanismo secular. As igrejas institucionais perderam esta visão e estão tentando reproduzir uma teologia da conformação, ao invés de produzir a teologia da desambiguação.

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