fevereiro 20, 2013

SOBRE O FIM DOS TEMPOS IV

Dn. 12: 1 a 10 - "Naquele tempo se levantará Miguel, o grande príncipe, que se levanta a favor dos filhos do teu povo; e haverá um tempo de tribulação, qual nunca houve, desde que existiu nação até aquele tempo; mas naquele tempo livrar-se-á o teu povo, todo aquele que for achado escrito no livro. E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eterno. Os que forem sábios, pois, resplandecerão como o fulgor do firmamento; e os que converterem a muitos para a justiça, como as estrelas sempre e eternamente. Tu, porém, Daniel, cerra as palavras e sela o livro, até o fim do tempo; muitos correrão de uma parte para outra, e a ciência se multiplicará. Então eu, Daniel, olhei, e eis que estavam em pé outros dois, um de uma banda à beira do rio, e o outro da outra banda à beira do rio. E perguntei ao homem vestido de linho, que estava por cima das águas do rio: quanto tempo haverá até o fim destas maravilhas? E ouvi o homem vestido de linho, que estava por cima das águas do rio, quando levantou ao céu a mão direita e a mão esquerda, e jurou por aquele que vive eternamente que isso seria para um tempo, dois tempos, e metade de um tempo. E quando tiverem acabado de despedaçar o poder do povo santo, cumprir-se-ão todas estas coisas. Eu, pois, ouvi, mas não entendi; por isso perguntei: Senhor meu, qual será o fim destas coisas? Ele respondeu: vai-te, Daniel, porque estas palavras estão cerradas e seladas até o tempo do fim. Muitos se purificarão, e se embranquecerão, e serão acrisolados; mas os ímpios procederão impiamente; e nenhum deles entenderá; mas os sábios entenderão."
Esta série de estudos escatológicos não tem a pretensão de discutir correntes de interpretação ou quaisquer dogmas recorrentes nos círculos religiosos. É menos teológico e mais pedagógico, pois vê-se que a maior urgência do tempo presente é a desmistificação de mentiras, enganos e erros por ignorância das Escrituras. Desta forma não se busca aqui fazer aquelas enormes explicações sobre milenismo, pré-milenismo ou pós-milenismo. Ou mesmo sobre tribulacionismo, pré-tribulacionismo ou pós-tribulacionismo. Cada um crê na medida da fé que recebe pela graça de Deus. Aquele que começou a boa obra, certamente a levará até o fim para honra e glória d'Ele mesmo. 
Como já foi recomendado em textos anteriores, não há registro sobre fim do mundo nas Escrituras tal como os textos originais em seus contextos aparecem. O que há por aí é simples especulação, má interpretação e tendenciosidade religiosa em usar a Palavra de Deus como sensacionalismo para impressionar os incautos e indoutos.
Portanto, vale o que recomenda o apóstolo Paulo em I Co. 3:11 - "Porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo."  De nada adianta inventarem doutrinas, dogmas, preceitos sobre preceitos e regras sobre regras, porque a verdade originada em Deus permanece inabalável. O fundamento é Cristo e somente Cristo! Por algum tempo o homem imagina em seu coração que está construindo um sistema definitivo, mas o tempo mostrará que a verdade de Deus permanecerá.
Daniel foi um dos pouquíssimos homens elogiados por Deus. No seu tempo, e nas circunstâncias históricas a que o povo de Israel estava envolvido, ele foi amplamente usado por Deus para trazer mensagens sobre o fim dos tempos. No capítulo que abre esta exposição, Daniel recebe a visita de alguns mensageiros celestes. Após ouvir deles mensagens sobre o futuro do povo hebreu que se achava escravizado na Babilônia, o profeta se vê atônito com tantas e estranhas informações. Indaga sobre a significação destes acontecimentos, mas é dito a ele que as palavras da revelação deveriam ser cerradas e seladas, pois só se entenderiam no tempo do fim. Este é um dos erros cometidos por intérpretes das Escrituras: explicar o que só se revelará no tempo previsto e mediante a sucessão de acontecimentos. 
O mensageiro que flutuava sobre as águas do rio Quebar respondeu a indagação de Daniel sobre em quanto tempo os acontecimentos começariam a se cumprir: "um tempo, dois tempos e metade de um tempo." Assim, fica claro que toda a história da humanidade a partir daquele momento estava dividida em três partes: um primeiro período, dois períodos subsequentes e metade de um período. No capítulo 9 da profecia de Daniel esta divisão fica mais clara, como também no Apocalipse.Tais aspectos ainda serão analisados em estudos futuros.
A primeira parte da revelação fala de uma grande tribulação de proporções inimagináveis. Nos evangelhos e no Apocalipse fala-se muito da grande tribulação, mas nas epístolas em geral fala-se em tribulações causadas pela pregação do evangelho. Então são aspectos distintos dos sofrimentos e dores causados pela defesa da verdade. A grande tribulação será no fim dos tempos, quando o poder da besta terá chegado a um elevado domínio no mundo. Daniel fala que o povo hebreu será defendido por Miguel, o príncipe celeste. Entretanto, há um grupo seleto cujos nomes estão anotados no livro da vida que receberá um livramento específico, a saber, a redenção espiritual.
O profeta fala sobre ressurreição de mortos, uns para a vida eterna e outros para a vergonha e o desprezo igualmente eterno. Por isto, estes ensinos místicos sobre salvação universal, oferta de redenção a todos, livre arbítrio e outras tolices caem todos por terra. Jesus, o Cristo também doutrina claramente sobre os que serão salvos e os que são condenados. Logo, porque alguns ensinos espiritistas insistem em contradizer a Palavra de Deus sobre estes pontos? Porque não podem alcançar a revelação do alto. Também, muitos religiosos supostamente cristãos vivem amedrontados por medo de perder a salvação. Tais enganos surgem da ausência do conhecimento espiritual revelado nas Escrituras. Não se perde o que não foi ganhado e o que foi dado por graça e misericórdia, não será retirado. 
A revelação do texto em tela afirma que muitos resplandecerão como as estrelas no firmamento; também fala sobre os que ensinarão a muitos e cooperarão para a conversão de muitos à justiça eterna. Afirma ainda que os homens andarão de um lado para o outro em busca da verdade e que a ciência, ou seja, o conhecimento da verdade se multiplicará. Fala da purificação e preparo dos eleitos e regenerados, como também afirma que os impios agirão impiamente até o fim.
Vê-se pelos acontecimentos atuais que estas palavras estão se cumprindo e o tempo se aproxima cada vez mais. Os sinais destes fatos são mais do que evidentes.
Soli Deo Gloria!

fevereiro 19, 2013

SOBRE O FIM DOS TEMPOS III

II Pd. 3: 1 a 4 - "Amados, já é esta a segunda carta que vos escrevo; em ambas as quais desperto com admoestações o vosso ânimo sincero; para que vos lembreis das palavras que dantes foram ditas pelos santos profetas, e do mandamento do Senhor e Salvador, dado mediante os vossos apóstolos; sabendo primeiro isto, que nos últimos dias virão escarnecedores com zombaria andando segundo as suas próprias concupiscências, e dizendo: onde está a promessa da sua vinda? porque desde que os pais dormiram, todas as coisas permanecem como desde o princípio da criação."
As Escrituras são um conjunto de livros, por esta razão é chamada de bíblia, ou seja, biblioteca. É dividida em duas partes chamadas de Velho Testamento e de Novo Testamento, respectivamente. Por isto sempre se pode referir ao conjunto como 'Escrituras' no plural. O Novo Testamento é, de fato, a aplicação prática do Velho Testamento, especialmente no que concerne ao "supremo propósito" de Deus em revelar o seu plano de redenção por meio de Cristo. É fundamental entender que se trata de um livro que sofreu ao longo da história inumeráveis ataques, não apenas verbais, mas físicos inclusive. Foi queimado em fogueiras por diversas vezes e em diversos lugares por regimes comunistas. Foi e é desdenhado e combatido por alguns cientistas materialistas; foi e é combatido por céticos, agnósticos, ateus e místicos a serviço de movimentos de caráter gnóstico e  universalista; e, pasme, é atualmente combatido e criticado por diversos teólogos, pastores, seminaristas e líderes de diferentes religiões que se dizem cristãs. Estes, tentam ingloriamente, refundar a mensagem do evangelho. Estes tais não conseguem alcançar a revelação do alto, e, para tanto, criam uma teologia de baixo e horizontalizada. Por isto, suas almas contaminadas pela natureza pecaminosa, não expiada na cruz, se põem contra as Escrituras tal como são. Alguns chegam ao ponto de decodificar e recodificar um evangelho próprio, contorcendo os textos, fora dos seus contextos e a pretextos de evolução, depuração ou purgação da espécie humana. Para tanto, eliminam o pecado, o inferno, o Diabo e diminuem a pessoa de Jesus, o Cristo a um mero espírito evoluído. Deus tenha misericórdia deles!
Acerca de todos estes as Escrituras já advertiam aos primeiros cristãos sobre suas ações antievangélicas. Nada do que inventam é novidade para os eleitos e regenerados feitos filhos de Deus por adoção por meio de Cristo conforme Jo. 1: 9 e 15 - "Pois a verdadeira luz, que alumia a todo homem, estava chegando ao mundo. Estava ele no mundo, e o mundo foi feito por intermédio dele, e o mundo não o conheceu. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, aos que creem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus. E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai." Este é o testemunho de João, o batista acerca de Jesus, o Cristo. Ele é a verdadeira luz, fez o mundo, esteve e está no mundo, mas os que são do mundo não podem conhecê-lo, porque isto não se dá pelo intelecto, mas apenas por revelação da graça. Ele veio para o que lhe pertence por direito, mas estes seres e coisas estão sob o domínio do maligno e não podem recebê-lo. Entretanto, todos os que foram conhecidos de antemão, predestinados, chamados, justificados e glorificados n'Ele, o recebem e se tornam filhos de Deus por meio do novo nascimento. Este processo não é por descendência étnica, não é por geração biológica, e muito menos por obras e justiças originadas na vontade contaminada do homem decaído. É uma ação monérgica do próprio Deus, usando da sua soberania.
No texto que abre este estudo é dito sobre os escarnecedores, que, desde o início da era cristã zombam e duvidam do cumprimento das profecias sobre o retorno do Grande Rei. Estes agem assim, porque suas vidas seguem os seus desejos e concepções dissociadas da vida de Cristo, e, portanto, jamais poderão crer em qualquer coisa do reino eterno d'Ele. Não é que não querem, mas sim porque não podem. Recentemente na virada de 2012 para 2013 verificou-se uma grande efervescência sobre "profecias maias" acerca do fim do mundo. Esta sugestão foi resultante de uma interpretação de calendários e escritos deixados por este povo pré-colombiano. Entretanto, cada um interpreta e afirma o que quer, mas Deus tem o seu propósito eterno imutável e inabalável. Viu-se de tudo sobre este assunto: uns com medo, outros zombando, outros tentando rever e consertar possíveis erros e assim por diante. Não adianta querer sustentar o que é insustentável espiritualmente. 
Na medida em que se aproxima o tempo da restauração de todas as coisas, os tais zombeteiros se multiplicarão, os céticos se tornarão mais céticos, os ateus já se organizam e têm voz nos meios de comunicação. Entretanto, tudo isto não é novidade alguma aos que nasceram do alto por meio do nascimento 'da água e do Espírito'. Ao contrário do que buscam os humanistas e os religiosos, as coisas vão se tornar cada vez mais obscuras espiritualmente para os que perecem. Entretanto, Deus tem o seu remanescente e uma semente que o serve de geração em geração, independentemente das circunstâncias vigentes e prevalecentes no mundo. Por esta razão é previsto que o "grande e terrível dia do Senhor" virá como o ladrão, à hora em que ninguém o espera. O caminho do homem natural é em sentido oposto ao caminho de Deus, mesmo quando praticam suas religiões produzidas por suas mentes governadas pela natureza contaminada pelo pecado.
Os versos 9 e 10 de II Pd. 3 rezam o seguinte: "O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; porém é longânimo para convosco, não querendo que ninguém se perca, senão que todos venham a arrepender-se. Virá, pois, como ladrão o dia do Senhor, no qual os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se dissolverão, e a terra, e as obras que nela há, serão descobertas." Então, o fato de os acontecimentos demorarem é o resultado do amor longânimo de Deus para com os seus eleitos. Assim, cumprindo-se o "kairós" de Deus, a saber, aquele tempo preordenado por Ele, os acontecimentos se desencadearão desde as estruturas no espaço sideral até as mínimas coisas que estão na Terra. Toda a obra oculta do gnosticismo e do humanismo dissociado de Deus será posto às claras para que sirva de testemunho perante os homens e as criaturas celestes. Assim, a justiça de Deus será indefectível e inatacável para sempre.
O apóstolo Pedro afirma no verso 13 do mesmo contexto o seguinte: "Nós, porém, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e uma nova terra, nos quais habita a justiça." Os que receberam graça e misericórdia para crer aguardam a restauração de todas as coisas, quando serão formados novos céus e nova Terra onde habitarão eternamente. Esta não é uma questão de debate científico ou filosófico, é, outrossim, uma questão de fé e esta é dom de Deus, não uma virtude natural do homem.
Sola Fide!
Sola Gratia!
Sola Scriptura!

fevereiro 18, 2013

SOBRE O FIM DOS TEMPOS II

I Ts. 5: 1 a 3 - "Mas, irmãos, acerca dos tempos e das épocas não necessitais de que se vos escreva: porque vós mesmos sabeis perfeitamente que o dia do Senhor virá como vem o ladrão de noite; pois quando estiverem dizendo: paz e segurança! então lhes sobrevirá repentina destruição, como as dores de parto àquela que está grávida; e de modo nenhum escaparão."
O apóstolo Paulo está escrevendo a primeira carta doutrinária aos eleitos e regenerados de Tessalônica.  O texto grego koinê começa utilizando as seguintes palavras: 'Perì dè tôn krónon kaì tôn kairôn'. Estas palavras dizem que acerca do tempo cronológico e do tempo de Deus, ou seja, aquele tempo específico em que Ele agirá para consolidar o reino eterno de Cristo, ele, Paulo, não necessitava escrever, pois todos estavam perfeitamente informados. Assim, fica evidente que estas questões relativas ao retorno do Grande Rei, dos juízos sobre a Terra e da restauração final, todos os regenerados estavam muito bem conscientizados. As Escrituras oferecem grande gama de informações acerca deste assunto. Entretanto, não há em nenhuma instância bíblica qualquer indicação do dia e da hora em que isto ocorrerá. Ao contrário, o próprio Senhor Jesus, o Cristo diz que nem ele, nem os anjos celestes sabiam do momento exato conforme Mt. 24:36 - "Daquele dia e hora, porém, ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho, senão só o Pai." Isto acaba com esta mania de místicos, religiosos e assemelhados marcarem data para o errôneo conceito do "fim do mundo". O mais curioso é, que, mesmo diante de inumeráveis tentativas frustradas sobre este assunto, ainda há os que dão crédito a estas tolices. Ora, as Escrituras afirmam que este dia virá em um momento em que ninguém espera. Contrariamente, os povos e nações estarão mergulhados em seus próprios projetos de evolução, bem-estar, superação de problemas econômicos e de saúde. Estarão finalmente afirmando que chegou uma época de ouro, de prosperidade e de paz. O sistema mundial estará em elevadíssimo nível tecnológico e de conhecimento científico. Este tem sido o sonho e o projeto do homem desde a queda no Éden: criar o paraíso sem Deus. É neste contexto que ocorrerá uma repentina virada e a farsa diabólica será revelada e aniquilada.
Não é da competência humana marcar datas sobre o fim deste ciclo e da restauração final conforme At. 1:7 - "Aqueles, pois, que se haviam reunido perguntavam-lhe, dizendo: Senhor, é nesse tempo que restauras o reino a Israel? Respondeu-lhes: a vós não vos compete saber os tempos ou as épocas, que o Pai reservou à sua própria autoridade." Neste texto, Pedro estava explicando os últimos acontecimentos antes da crucificação do Senhor Jesus, o Cristo. Ele mostra que os discípulos e o povo, em geral, estavam sempre preocupados em obter certas respostas do Mestre. Vê-se que a preocupação deles era de caráter político, pois se restringia apenas ao reino de Israel. Não haviam percebido que o reino eterno é maior que qualquer outro reino desse mundo. Estavam numa perspectiva puramente terrena e temporal, enquanto Cristo estava na dimensão celestial e eterna. O fato é que Cristo deixa claro que não é da competência humana estabelecer datas, tempos e épocas das coisas concernentes a Deus. 
A expressão "o dia do Senhor" ou "o grande e terrível dia do Senhor" é largamente utilizada no velho testamento. Ela indica que haverá um dia específico em que Deus agirá para por fim a uma época, um ciclo, uma era e inaugurar uma nova disposição no universo. O fato d'Ele estar dando tempo ao tempo é para que se complete a sua justiça e para que fique provado ao homem que o mesmo é incompetente para viver e organizar o mundo sem Deus. A isto dá-se o nome de longanimidade, ou seja, Deus possui longo ânimo para com os pecadores. Ele é paciente e espera que o pecador conheça e reconheça que é incompetente para retirar a sua própria natureza pecaminosa. II Pd. 3:10 - "Virá, pois, como ladrão o dia do Senhor, no qual os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se dissolverão, e a Terra, e as obras que nela há, serão descobertas." Então é claramente demonstrado que haverá um dia específico para que Deus exerça o seu juízo perfeito e final sobre a Terra e seus sistema produzido pelo homem contaminado pela natureza pecaminosa. Tal natureza só pode ser retirada pelo nascimento do alto, ou seja, uma regeneração espiritual que só Deus pode realizar. Neste tempo, as obras ocultas serão todas reveladas. Todo este processo sistemático que aparentemente parece ser correto e bom para a humanidade, não passa de uma estratégia satânica para formar um reino para Satanás. Um principio elementar da dimensão espiritual é que o mal nunca se apresenta ao homem com aparência de mal. É neste ponto que muitos se enganam e enganam a muitos, pois a mente humana age limitada pelos conceitos de bem e mal. Atribuem o bem a Deus e o mal ao Diabo. Assim, se tudo está indo bem e dando certo na vida das pessoas elas acham que estão bem com Deus. Se está indo mal atribuem isto às forças malignas e ao Diabo. Ora, há certos males que são necessários para que o bem seja, de fato, conhecido. A graça de Deus se mostra superabundante, justamente onde abunda o pecado conforme Rm. 5:20 - "... mas, onde o pecado abundou, superabundou a graça." É pela graça de Deus que o pecador é liberto, vivificado e salvo, e não por obras de justiça própria. Este é outro erro doutrinário da maioria das religiões, exatamente porque quase todas elas são subproduto da vaidade humana e da soberba e orgulho inoculados no homem pelo Diabo.
Sola Fide!
Sola Gratia!
Solus Christus.

SOBRE O FIM DOS TEMPOS I

Mt. 24: 1 a 3 - "Ora, Jesus, tendo saído do templo, ia-se retirando, quando se aproximaram dele os seus discípulos, para lhe mostrar os edifícios do templo. Mas ele lhes disse: não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não se deixará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada. E estando ele sentado no Monte das Oliveiras, chegaram-se a ele os seus discípulos em particular, dizendo: declara-nos quando serão essas coisas, e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo."
A ansiedade pela preservação e prolongamento da vida na Terra, como também com o futuro sempre levou o homem à cata de profetas, adivinhos, prognosticadores, encantadores, interpretadores de sinais dos astros e da natureza em geral. Isto é determinado, por um lado, pelo medo sobre o destino eterno após a morte e, por outro lado, com a insegurança quanto ao sucesso, prestígio e poder. Todos querem uma garantia que se darão bem nesta vida e, de sobra, na outra vida também. Há pessoas que buscam tal suposto conhecimento, mesmo sem ter a mínima confiança no processo. A incerteza e a insegurança sobre a vida e o além faz que o mais cético deposite algum tipo de "fé almática" na possibilidade de obter alguma resposta aos seus diversos dramas e ansiedades.
Os discípulos de Jesus, o Cristo não fugiram a esta regra. Ao ver que o Mestre saía do templo foram mostrá-lo a grandeza das estruturas arquitetônicas dos prédios que compunham o conjunto. Jesus, entretanto, e sem dar grande relevância ao que se lhe mostrava, disse: olha, tudo isto que vocês tanto admiram, não ficará em pé, não é permanente. Tudo se reduzirá a um amontoado de pedras. Cristo estava rejeitando a confiança que se deposita em coisas e chamando a atenção para a necessidade de um templo onde Ele seja, de fato, adorado. Aquelas estruturas simbolizavam apenas a religião e o seu esforço em produzir um "deus" manipulável e assemelhável ao homem. Contrariamente, o verdadeiro Deus quer elevar o homem à semelhança do seu Filho Unigênito e Primogênito. Não é o homem que faz Deus se inclinar para suas carências, mas Deus se inclina ao homem necessitado e contrito de coração. A ação é sempre monérgica!
Jesus e os seus discípulos se retiraram para o Monte das Oliveiras para passar a noite, o qual situava-se nas cercanias de Jerusalém. Ali, e em um ambiente mais isolado e tranquilo os discípulos se aproximaram d'Ele para indagar sobre as questões levantadas pelo Mestre acerca dos acontecimentos futuros relativos à Jerusalém e dos tempos finais desta era. O texto traduzido, diz: "... quando serão essas coisas e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo." Esta é a tradução mais comum em língua portuguesa quase sempre derivada da tradução do padre João Ferreira de Almeida. Esta tradução possui grosseiros erros ou mesmo tentativas de facilitar a compreensão intelectual das Escrituras por parte de pessoas sem muitas letras. Entretanto, toda vez que o homem tenta mudar o real sentido das Escrituras para levar o povo à compreensão, acaba por afastar ainda mais a verdade dos homens. Deus não precisa de auxílio para chamar, justificar e glorificar aos que dantes conheceu e predestinou para a vida eterna. A fé não é produzida pelo conhecimento intelectual, mas pela revelação da verdade por ação do Espírito Santo. Há inumeráveis ateus que conhecem mais a Bíblia que muitos líderes religiosos inescrupulosos e pregadores do enganos por aí.
As palavras utilizadas no texto original na parte da indagação sobre os sinais e o fim dos tempos está literalmente assim: "kai tí tò semeîon tês sês parousías kaí sinteleías toû aiônos." Uma coisa é fazer a leitura tal como está no texto grego do evangelho e outra coisa é pretender dar a ele um sentido facilitado, simplificado ou reduzido. Versar os textos originais para o contexto da língua atual para a qual esta sendo feita a tradução é necessário, mas alterá-lo para melhorar a sua compreensão é errado. Então, o correto neste texto seria: "diz-nos quando ocorrerão estes sinais e que sinal haverá da tua manifestação visível e do término da era atual." O texto de modo nenhum autoriza à tradução como sendo "fim do mundo." A palavra grega 'aiônos' pode ser: 'ciclo, era, período, época, eternidade, completude, acabamento'. Pelas preposições, declinações e verbos utilizados no contexto geral pode-se dizer que os discípulos estavam interessados em saber três coisas: a) que sinais ocorreriam antes da destruição de Jerusalém; b) quando ocorreria a manifestação visível de Cristo ao mundo; e, c) que sinais haveria do fim da era cristã ou da atual era. Os judeus viam a história com base em eras ou ciclos controlados por Deus.
O que o texto afirma é que sinais seriam dados sobre a completude da obra de Cristo em sua etapa de julgamentos e de restauração final do mundo. A prova cabal que era isto se vê claramente nas explicações que Ele passou a dar aos discípulos em função das perguntas iniciais. Não se vê em nenhum momento indicação do fim do mundo, mas são dados uma série de conselhos sobre como os eleitos vão passar por este período de juízos, o que acontecerá na natureza e nas nações. Mostra como será o comportamento do mundo durante esta fase e como este será julgado pelo poder do Grande Rei. Nem mais, nem menos.
Os alarmistas e pregadores do evangelho terrorista lançam mão destes textos para atrair as pessoas às suas religiões, acreditando que as tais serão salvas por se filiarem às tais igrejas humanas. Ora, este não é o ensino de Cristo! Também algumas seitas espiritistas torcem, distorcem e contorcem estes textos para justificar suas doutrinas de purificação da Terra, depuração dos espíritos e transmigração de almas de um mundo para outro dentro de uma espécie de evolucionismo sobrenatural. Também isto é perda de tempo e segue apenas uma lógica desesperada do homem para fazer-se o seu próprio "deus". 
Sola Scriptura!

fevereiro 11, 2013

O MEU JUSTO VIVERÁ DA FÉ

Hb. 10: 36 a 39 - "Porque necessitais de perseverança, para que, depois de haverdes feito a vontade de Deus, alcanceis a promessa. Pois ainda em bem pouco tempo aquele que há de vir virá, e não tardará. Mas o meu justo viverá da fé; e se ele recuar, a minha alma não tem prazer nele. Nós, porém, não somos daqueles que recuam para a perdição, mas daqueles que crêem para a conservação da alma."
A perseverança dos santos é uma garantia que lhes é dada em diversas instâncias do evangelho da verdade. Na continuidade da formação da semelhança de Cristo nos eleitos e regenerados é que a vontade de Deus se revela. Deus possui apenas uma obra em relação aos seus eleitos conforme Jo. 6:29 - "Jesus lhes respondeu: a obra de Deus é esta: que creiais naquele que ele enviou." Assim fica evidente que a fé é a obra que antecede a toda e qualquer outra obra que alguém presume realizar como prerrogativa espiritual. É exigido, que, primeiramente se creia que Cristo é Deus e o Todo-Suficiente salvador dos pecadores eleitos antes dos tempos eternos. O homem natural sempre tenta se aproximar de Deus por meio das ofertas dos esforços e da justiça própria. Este foi o erro de Caim, quando apresentou a oferta do suor do seu rosto, a qual foi rejeitada por Deus, exatamente porque se originava da lei do esforço do ofertante contaminado pelo pecado. Outrossim, Deus aceitou a oferta de Abel fundamentada no reconhecimento da sua indignidade por conta do pecado, portanto, este se aproximou de Deus por meio do substituto, prefigurando o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Por esta razão Caim matou o irmão Abel, visto que o pecado não suporta ser preterido e rejeitado. Abel representa o pecador que achou a graça por meio de um substituto, Caim representa aquele que deseja produzir graça por si mesmo. No mundo prevalece esta doutrina caiminita, especialmente nos círculos religiosos.
O texto de Hebreus que abre esta instância é uma reafirmação da necessidade de os nascidos de Deus perseverarem na 'fé que de uma vez para sempre' receberam conforme o registro de Jd. 5. Após serem tratados pela vontade de Deus, receberão a recompensa de ver o Justo Filho de Deus restaurar todas as coisas e reinar eternamente com eles. O autor da missiva aos hebreus cita no texto retromencionado a passagem de Hc. 2: 3 e 4 - "Pois a visão é ainda para o tempo determinado, e até o fim falará, e não mentirá. Ainda que se demore, espera-o; porque certamente virá, não tardará. Eis o soberbo! A sua alma não é reta nele; mas o justo pela sua fé viverá." Estes versos estão em um contexto no qual o profeta está orando a Deus para livrar o povo de Israel do domínio iminente dos caldeus. Neste registro há o princípio da dupla referência profética: refere-se tanto ao rei dos caldeus como a personificação de Satanás, como também faz menção ao Messias, o Cristo, como o Justo que vive da fé. Enquanto os caldeus viviam pelo poder da força das suas armas e ajuntando riquezas depojadas dos vencidos, o Cristo de Deus vive pela fidelidade ao Pai Celestial. O soberbo é também uma referência dupla: ao Diabo e ao rei dos caldeus; o Justo é igualmente uma dupla referência: a Cristo e aos justificados n'Ele para a vida eterna. 
O Justo de Deus, que é Cristo, não retrocedeu no "Supremo Propósito" do Pai, semelhantemente os justificados n'Ele por inclusão em sua morte e ressurreição, perseverarão até o fim. Esta é, pois, a esperança da glória! A saber, a vida de Cristo nos nascidos do alto!
Assim, os eleitos e regenerados não são dos que recuam, porque estão firmes sobre a Rocha Eterna que é Cristo. Eles não estão firmados em si mesmos, pois caso fosse esta a premissa, dar-se-ia que Cristo veio em vão salvar alguém que poderia ser o autor da própria salvação. Onde Cristo está, os nascidos do alto estão espiritualmente conforme Ef. 2: 5 a 7 - "... estando nós ainda mortos em nossos delitos, nos vivificou juntamente com Cristo, pela graça sois salvos, e nos ressuscitou juntamente com Ele, e com Ele nos fez assentar nas regiões celestes em Cristo Jesus, para mostrar nos séculos vindouros a suprema riqueza da sua graça, pela sua bondade para conosco em Cristo Jesus." Vê-se com meridiana clareza que tudo se resume na obra de Cristo e não em qualquer obra humana por esforços e justiças próprias. Os justificados em Cristo perseveram e não recuam, porque vivem da fé, isto é, a fé do Justo de Deus é a fé deles, porque se trata de uma obra inclusiva. Em nada são superiores a qualquer pecador. Entretanto, os seus nomes foram escritos no livro da vida do Cordeiro antes da fundação do mundo conforme Lc. 10:20b - "... alegrai-vos antes por estarem os vossos nomes escritos nos céus."  Aqueles cujos nomes não foram escritos no livro da vida de Cristo viverão do que veem e do que se pode obter por esforço, por isso, adorarão ao Diabo conforme Ap. 13: 8 - "... e adorá-la-ão todos os que habitam sobre a Terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo.
Sola Fide!
Sola Gratia!

A HUMILDADE QUE PROCEDE DA SOBERANIA DE DEUS

I Pd. 5: 5 a 8 - "E cingi-vos todos de humildade uns para com os outros, porque Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes. Humilhai-vos, pois, debaixo da potente mão de Deus, para que a seu tempo vos exalte; lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós. Sede sóbrios, vigiai. O vosso adversário, o Diabo, anda em derredor, rugindo como leão, e procurando a quem possa tragar."
Humildade é um dos termos mais empregados no comento popular. Entretanto, poucos têm ciência da sua real significação. Humildade tem as suas raízes etmo-semânticas no termo 'humus', que, por seu turno, indica terra podre, barro misturado a restos de matéria orgânica em decomposição. Passou para o latim clássico como 'humiltatis', significando: 'pouca elevação, pequena estatura; abatimento; modéstia'. Então, vê-se que não é algo tão desejado pela natureza decaída e depravada do homem. Muitos que se afirmam humildes, o fazem por interesses escusos e puro desejo de conquistar algo ou alguém. O fato é que, ninguém é naturalmente humilde, bastando surgir uma ou outra circunstância que exige tal humildade, ela desaparece rapidamente.
O texto que propõe este artigo fala da necessidade de os eleitos e regenerados cingirem-se da humildade. Cingir é um verbo que denota a ideia de amarrar uma toalha à cintura para executar uma ação que exigirá enxugar-se depois. Cristo fez isto no lava-pés dos discípulos no cenáculo. Talvez Pedro estivesse se referindo a isto  no referido texto. A proposta não é para que os cristãos demonstrem humildades próprias, mas para cingirem-se dela. Isto indica que ela lhes é desenvolvida por Cristo e não uma virtude natural, pois Ele mesmo disse:"...aprendei de mim que sou manso e humildade de coração." Então, é doutrinado nesta epístola petrina que o nascido do alto crê na graça de Deus para receber humildade e se colocar na perspectiva de humilhação diante d'Ele; e, servindo uns aos outros como sendo cada um inferior ao outro, pois, assim, Deus os exaltará a seu tempo. O tempo da exaltação é na restauração final quando chegar-se-á à plenitude de Cristo. 
O resultado da fé como dom de Deus é que produz a humildade e a convicção que todas as ansiedades devem ser lançadas sobre Ele. Para o homem natural a ansiedade é solucionada por esforço de religião exterior e esforços próprios, para os nascidos de Deus consiste apenas em lançá-las sobre Ele. Porque, os eleitos recebem plena confiança que Deus é o Abba que cuida deles à semelhança de um pai cuida dos seus filhos. Não veem Deus como um negociante que dá coisas em uma relação proporcionalmente aos méritos e justiças humanas. Esta tem sido a tônica continuada da famigerada "Teologia de Mascate" nas religiões dominantes e predominantes. Este não é o ensino de Cristo!
Quanto à sobriedade requerida dos eleitos e regenerados em relação ao Diabo, o adversário deles, não é um dogma ou uma ordenança. Ao contrário é uma garantia que ele não pode nada contra os eleitos. O texto é auto-explicativo: "anda em derredor, rugindo como leão, e procurando a quem possa tragar." Ele só tragará aos que puder e não aos eleitos e regenerados. Isto é confirmado em I Jo. 5:18 - "Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive pecando; antes o guarda aquele que nasceu de Deus, e o Maligno não lhe toca." O medo é a primeira e maior consequência do pecado, por isto, Cristo afirma 365 vezes as expressões: "não temas" e suas correlatas. O povo erra por falta de fé, que, por sua vez, produz o verdadeiro conhecimento de Deus. Por esta razão é que o profeta Oséias diz:"O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento. Porquanto rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos."
O nascido de Deus é sóbrio e vigia, porque o Espírito Santo é o seu ensinador e não porque é humilde e merecedor, também não é melhor ou superior às outras pessoas. O nascido de Deus recebe a graça para ser sóbrio e para vigiar sobre o que é e o que não é verdade espiritual. O verdadeiro filho de Deus é tratado em suas fraquezas e erros até que ganhe fé autêntica, e, esta, é uma dura e árdua tarefa no deserto. Nada tem a ver com estes ensinos esotéricos e exotéricos sobre "guerra espiritual". A guerra espiritual já foi vencida na cruz, quando o descendente da mulher esmagou a cabeça dos descendentes da serpente conforme a profecia de Gn. 3:15.
Sola Gratia!

janeiro 24, 2013

FELIZ É O HOMEM III

Sl. 49: 16 a 20 - "Não temas quando alguém se enriquece, quando a glória da sua casa aumenta. Pois, quando morrer, nada levará consigo; a sua glória não descerá após ele. Ainda que ele, enquanto vivo, se considera feliz e os homens o louvam quando faz o bem a si mesmo, ele irá ter com a geração de seus pais; eles nunca mais verão a luz. Mas o homem, embora esteja em honra, não permanece; antes é como os animais que perecem."
O contexto do salmo em questão é a alusão aos que confiam em si mesmos e constroem a própria felicidade fiados em seus bens, prestígio, fama e poder terreno. O salmista inspirado pelo Espírito de Deus demonstra que tais coisas não são suficientes para garantir a felicidade verdadeira ao homem, e, que, este perece e tudo quanto tem ou presume ter é reduzido a nada. Segue para o outro lado sozinho e sem os bens, o prestígio e a fama deste mundo.
Obviamente, que, ter bens, honra, prestígio é algo bom e desejável à vida de qualquer pessoa. Entretanto, o que as Escrituras mostram é que não se pode fazer destes valores a base da segurança eterna. Não se pode deificar as coisas e coisificar a Deus. A questão é de inversão dos valores e não de ser ou não ser rico, famoso e prestigiado. Estas realidades são transitórias e restritas apenas à existência terrena. São valores de cunho puramente sociológico, e, por fim, são deixados a quem não trabalhou para obtê-los. Tais realidades não podem promover a felicidade permanente e eterna, porque são produzidos e obtidos em um mundo contaminado pelo pecado. 
As Escrituras mostram, também, que os filhos do mundo são mais prudentes ou mais diligentes que os filhos da luz conforme o registro de Lc. 16:8 - "E louvou aquele senhor ao injusto mordomo por haver procedido com sagacidade; porque os filhos deste mundo são mais sagazes para com a sua geração do que os filhos da luz." A parábola que retrata este assunto faz referência à capacidade de multiplicar os depósitos confiados à uma pessoa. É, de fato, uma metáfora alusiva aos que recebem a incumbência do anúncio do evangelho da verdade. Demonstra que as mentes mundanas são mais sagazes para operar e fazer prosperar resultados, que as mentes iluminadas por Deus. Isto parece contraditório segundo o julgamento horizontal e relativo. O que se espera é o contrário: seres iluminados mais capazes, mais operantes e mais espertos que os seres não iluminados. Acontece, entretanto, que, os que receberam revelação do alto e nasceram de novo  perdem o referencial sobre especulações, ambições e conquistas baseadas no esforço e justiça própria. São dependentes da misericórdia e da graça de Deus, pois seus referenciais mudaram de disposição e domínio. O referencial destas pessoas foi transmutado pela operação do nascimento espiritual. Isto acontece, porque os renascidos estão mortos para os valores mundanos conforme Cl. 3: 2 e 3 - "Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra; porque morrestes, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus." Esta é uma das evidências visíveis que indicam o novo nascimento e uma nova disposição espiritual na vida dos que são filhos da luz. Quando se refere a estes iluminados, filhos da luz ou nascidos do alto, de modo algum, se refere a religiosos. São realidades absolutamente distintas! A religião é subproduto da arrogância humana, o nascimento do alto é o produto final da ação graciosa de Deus.
A palavra feliz é, em alguns casos, traduzida no Novo Testamento como bem-aventurado. O apóstolo Paulo registra em Rm. 4: 4 a 8, o seguinte: "Ora, ao que trabalha não se lhe conta a recompensa como dádiva, mas sim como dívida; porém ao que não trabalha, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é contada como justiça; assim também Davi declara bem-aventurado o homem a quem Deus atribui a justiça sem as obras, dizendo: Bem-aventurados aqueles cujas iniquidades são perdoadas, e cujos pecados são cobertos. Bem-aventurado o homem a quem o Senhor não imputará o pecado." Eis a diferença de posturas entre os filhos do mundo e os filhos da luz: aqueles trabalham e laboram por uma recompensa e o que ganham é contado como dívida, pois ganham com base no desempenho próprio. Os filhos da luz ganham com base na graça mediante a fé. É este o sentido de dependência plena e que produz a felicidade real e perene. Na verdade, em muitos casos, o homem acumula e arregimenta para si o controle e o domínio sobre coisas para buscar a felicidade. Isto ocorre porque há nele um vazio e uma culpa gerados pelo abismo produzido pela natureza pecaminosa. Bem-aventurado ou feliz é o home a quem Deus atribui ou distribui justiça sem que ele tenha de ganhar pelo esforço e pela justiça própria. 
O portador da felicidade que procede do alto é como o vento que assopra onde quer e ninguém vê. Ele guarda a sua fé em um mundo interior governado pelo Espírito de Deus e não toma seus bens e a honra deste mundo como referencia. É a este nível de felicidade que está registrado em Rm. 14: 22 - "A fé que tens, guarda-a contigo mesmo diante de Deus. Bem-aventurado aquele que não se condena a si mesmo naquilo que aprova." Assim, a felicidade aprovada e consagrada pelo homem natural acaba por condená-lo, visto que a sua confiança está em coisas e não em alguém que é o portador da verdadeira felicidades, a saber, Cristo.
Os filhos da luz, ao contrário, encontram a base para a bem-aventurança na fé e na graça concedidas e não merecidas conforme Tg. 1:25 - "Entretanto aquele que atenta bem para a lei perfeita, a da liberdade, e nela persevera, não sendo ouvinte esquecido, mas executor da obra, este será bem-aventurado no que fizer." A lei perfeita referida no texto é a graça, ou seja, a liberdade de não ter a obrigação de construir, fazer e se esforçar para merecer. Esta pessoa executa as obras de Deus, portanto, não são suas obras. Esta pessoa é feliz, porque a sua perseverança não está firmada em coisas, mas em Cristo. 
Sola Gratia!

janeiro 07, 2013

FELIZ É O HOMEM II

Pv. 3:13 - "Feliz é o homem que acha sabedoria, e o homem que adquire entendimento."
Felicidade é um substantivo feminino que provém do latim 'felicitatis', indicando em seu sentido comum um estado de prosperidade, dita, ventura, felicidade. Assim, a felicidade se reporta, não àquilo que a determina, mas ao estado da alma humana que deseja as coisas as quais considera como motivo de alegria e satisfação. Vê-se, portanto, que a felicidade é em si mesma, algo subjetivo, pois o que pode redundar em grande felicidade e alegria para um, pode ser uma enorme desgraça para outro. Com isto, não se quer afirmar que a felicidade seja algo relativo, ao contrário, é absoluta. O ser que a deseja e procura que é relativizado e a relativiza.
Há no seio da sociedade algumas palavras mágicas, para não dizer sagradas. Entre elas contam-se: amor, prosperidade, sucesso, fama, riqueza, saúde, paz, alegria, segurança, democracia e felicidade. Entretanto, tais palavras desacompanhadas das atitudes concretas que representam, são apenas palavras. Como dizia um comunicador antigo da 'mass media': "palavras são palavras, nada mais que palavras."  
No texto inicial fica evidente que o homem é feliz quando acha a sabedoria e adquire o entendimento. Observa-se, que, tanto a sabedoria como o entendimento são realidades externas ao homem. Não são realidades inatas a ele, pois uma é achada e a outra é adquirida. Embora o homem imagina que é o autor e promotor da sua própria sorte, a verdade mostra de modo diferente. Uma pessoa pode ter sabedoria não tendo muito entendimento, como também pode ter um bom entendimento sem ter grande sabedoria. Enquanto a sabedoria se traduz por temperança, reflexão, sensatez, astúcia, manha, esperteza, o entendimento se reduz à capacidade de julgar, avaliar, formar opinião sobre os seres e as coisas. Tanto sabedoria como entendimento se desenvolvem pela experiência vivenciada ou por dom de Deus. No primeiro caso é terrena, almática e diabólica, e, no segundo caso espiritual pura e perfeita.
O primeiro passo para achar a sabedoria e adquirir o entendimento é confiando em Deus conforme Pv. 16:20b - "... e feliz é aquele que confia no Senhor." Confiar é o verbo que indica um estado de fé, pois significa depositar fé em algo ou alguém, depositar confiança e esperança em algo ou alguém. O normal do homem após a sua decadência pela natureza pecaminosa é desconfiar de Deus. Por esta razão é que, quando alguém ganha ou acha a graça e a misericórdia divina produz como resultado a felicidade. A felicidade procedente da reconciliação espiritual com Deus independe das circunstâncias objetivas e tangíveis. 
O rei Salomão em toda a sua sabedoria avaliou o seguinte: "depois volvi-me, e atentei para todas as opressões que se fazem debaixo do sol; e eis as lágrimas dos oprimidos, e eles não tinham consolador; do lado dos seus opressores havia poder; mas eles não tinham consolador. Pelo que julguei mais felizes os que já morreram, do que os que vivem ainda. E melhor do que uns e outros é aquele que ainda não é, e que não viu as más obras que se fazem debaixo do sol." Assim, na avaliação do rei, os mortos eram mais felizes que os vivos, pois estariam livres das opressões dos poderosos. As más obras que se praticam no mundo eram a causa da infelicidade, dor e sofrimento para muitos na avaliação de Salomão. 
O mesmo Salomão considerava o trabalho e a capacidade de realizar obras uma espécie de vaidade humana conforme o capítulo 4 do Cântico dos Cânticos: "Também vi eu que todo trabalho e toda destreza em obras provêm da inveja que o homem tem do seu próximo. Também isso é e vaidade e desejo vão." Para ele todo o esforço para realizar obras e produzir bens eram por inveja e não por um desejo natural e desprovido de interesses. Por isso, o rei afirmava o seguinte: "melhor é um punhado com tranquilidade do que ambas as mãos cheias com trabalho e vão desejo." Então, na avaliação do rei Salomão é mais feliz aquele tem pouco ou o suficiente, que aquele que se enche de afazeres e desejos para ter mais que os outros. Faz todo sentido, pois se gasta tanto tempo tentando produzir bens e riquezas que não sobra tempo para aproveitá-los.
Em Atos 26, capítulo 2, o apóstolo Paulo demonstra estar feliz por poder se defender de severas acusações dos seus compatriotas judeus perante o rei Agripa - "Sinto-me feliz, ó rei Agripa, em poder defender-me hoje perante ti de todas as coisas de que sou acusado pelos judeus." Considerando a situação em que se achava o apóstolo, bem que ele poderia se sentir extremamente infeliz por estar sendo julgado e condenado pelos seus compatrícios judeus, mas para ele a felicidade naquele momento era poder se defender. Desta maneira o que conta são as circunstâncias que produzem ou destroem a felicidade. O paradoxo é o homem e não a felicidade em si.
Ora, se é feliz o homem que acha a sabedoria e adquire o entendimento, tal homem somente será feliz quando for achado por Cristo. Ele afirma que é o caminho, a verdade e a vida. Tendo Cristo, se tem caminho seguro, verdade absoluta e vida eterna. Estas realidades produzirão no homem a real felicidade. Por isto, o Mestre afirma em Jo. 8:36: "...se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres." Tal afirmação foi proferida aos líderes religiosos do seu tempo, os quais alegavam serem livres por ser descendência de Abraão e por conhecerem os preceitos da lei. Entretanto, Cristo demonstra a eles que eram escravos do pecado e não livres.
Sola Scriptura!