janeiro 11, 2012

A ORAÇÃO ENSINADA NAS ESCRITURAS VIII

Ef. 6: 13 a 19 - "Portanto tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, havendo feito tudo, permanecer firmes. Estai, pois, firmes, tendo cingidos os vossos lombos com a verdade, e vestida a couraça da justiça, e calçando os pés com a preparação do evangelho da paz, tomando, sobretudo, o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do Maligno. Tomai também o capacete da salvação, e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus; com toda a oração e súplica orando em todo tempo no Espírito e, para o mesmo fim, vigiando com toda a perseverança e súplica, por todos os santos, e por mim, para que me seja dada a palavra, no abrir da minha boca, para, com intrepidez, fazer conhecido o mistério do evangelho..."
O apóstolo Paulo está fazendo as considerações finais em sua missiva à Igreja em Éfeso. Ele usa uma linguagem figurada com base na experiência militar, comparando a vida cristã a um combate permanente. Os cristãos verdadeiros são os únicos soldados que desafiam o inimigo em seu próprio território, visto que as Escrituras registram que o mundo inteiro jaz no maligno. Obviamente, o maligno não é o proprietário do mundo, mas se apoderou dele por causa do pecado no homem. Ele é, e continua sendo um usurpador, e por certo, perderá também esta posição, quando da restauração de todas as coisas. 
Assim, a armadura de Deus é o revestir-se de Cristo, os lombos cingidos da verdade, o vestir a couraça da justiça, o calçar os pés com o evangelho da paz, tomar o escudo da fé, o capacete da salvação, e a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus, são símbolos da vida regenerada por meio do novo nascimento. Tal condição não é resultante dos esforços humanos, pois ninguém consegue, todo o tempo, se manter em tal consagração. É conseguida pela graça que é superabundante, onde abunda o pecado. Quando Deus conheceu de antemão, predestinou, chamou, justificou, e glorificou os seus eleitos, igualmente criou todas as condições e meio eficientes e eficazes para mantê-los. Enquanto o homem não consegue crer e descansar nesta verdade, ainda lhe falta absolutamente tudo no campo espiritual. O tal ainda não experimentou o nascimento do alto nos moldes do que é ensinado por Cristo em Jo. 3: 3 e 5 - "Respondeu-lhe Jesus: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Jesus respondeu: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus."
Na doutrinação da Igreja em Éfeso, Paulo, acrescenta a tudo o que foi dito, uma coisa fundamental: "...com toda a oração e súplica orando em todo tempo no Espírito..." Toda oração e súplica, em todo o tempo, porém, não se refere apenas à manifestação exterior, mas no Espírito. Isto implica em que é o Espírito Santo de Deus que ora pelos nascidos d'Ele, pois não se pode, na carne, manter comunhão plena com Ele. Quando Deus olha para os homens, os vê por meio de Cristo, pois foi Ele que os tornou apresentáveis perante o Pai, conforme Cl. 1: 21 e 22 - "A vós também, que outrora éreis estranhos, e inimigos no entendimento pelas vossas obras más, agora contudo vos reconciliou no corpo da sua carne, pela morte, a fim de perante ele vos apresentar santos, sem defeito e irrepreensíveis..." Cristo atraiu o pecador em sua morte de cruz, e, ali, matou a natureza pecaminosa que tornava o homem decaído culpado, separado, inimigo, e estranho em relação à santidade de Deus. Cristo reconciliou o pecador por meio da morte deles, na Sua morte, tornando-os apresentáveis perante Deus. Agora, os eleitos e regenerados são santos, sem defeitos e irrepreensíveis, porém, não em si mesmos, mas na obra de Cristo. É isto que não é ensinado nas religiões institucionais nestes sistemas humanistas dominados por princípios gnósticos. 
Muitos religiosos querem invadir os céus na marra, apresentando como moeda de troca suas justiças próprias e seus supostos méritos. Eles baseiam sua espiritualidade em suas próprias obras de justiça apoiadas em comportamento moral e conduta ética. Ora, se estas coisas herdassem o reino de Deus, muitos ateus seriam salvos. Jesus fala acerca destes que pretendem forcejar a entrada no reino de Deus em Mt. 22: 11 a 14 - "Mas, quando o rei entrou para ver os convivas, viu ali um homem que não trajava veste nupcial; e perguntou-lhe: amigo, como entraste aqui, sem teres veste nupcial? Ele, porém, emudeceu. Ordenou então o rei aos servos: amarrai-o de pés e mãos, e lançai-o nas trevas exteriores; ali haverá choro e ranger de dentes. Porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos." O rei da parábola é Deus, é Ele quem convida, é Ele quem fornece as vestes de núpcias, é Ele quem chama, e é Ele quem escolhe. Os eleitos foram escolhidos antes dos tempos eternos e os seus nomes foram escritos no livro da vida do Cordeiro antes da fundação do mundo. Isto é o que as Escrituras ensinam claramente, porém só podem crer nisso, os que foram preordenados para esta mesma graça.
Sola Fidei!

janeiro 09, 2012

A ORAÇÃO ENSINADA NAS ESCRITURAS VII

Fl. 4: 6 e 7 - "Não andeis ansiosos por coisa alguma; antes em tudo sejam os vossos pedidos conhecidos diante de Deus pela oração e súplica com ações de graças; e a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus."
Há no meio cristão muita soberba e arrogância religiosa. Entenda-se por 'meio cristão', a cristandade genérica, o cristianismo nominal, as igrejas institucionais, que em nada têm a ver com o evangelho de Cristo. Não se pode confundir práticas humanistas e religiosas com a verdade do evangelho de Cristo. A Igreja, enquanto o corpo de Cristo, não se encontra encastelada entre quatro paredes, nem exibe pompa e circunstância. É, ao contrário, formada por uma gente basicamente anônima e sem prestígio social, intelectual, político, e econômico. Os crentes regenerados são ilustres desconhecidos que não saem nas colunas sociais, nem da grande, nem da pequena mídia. O evangelho da verdade não se constitui de preceitos, regras, normas engendradas por homens, que, utilizando-se das Escrituras querem legitimar aquilo que desejam impor aos outros, e ao mundo como suas verdades. Cristo não está nisto! Ele permanece de fora, ainda que à porta como na Igreja de Laodiceia conforme Ap. 3:20 - "Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo." Não se trata neste texto, e no contexto em que ele aparece, de Cristo implorando para entrar na casa de alguém, ou mesmo na vida íntima de uma pessoa, mas trata-se da comunhão com a Igreja. Muitos evangelicalistas usam este texto para pregar sobre salvação, dando uma conotação absolutamente errônea a ele. O texto retrata uma falha na relação entre a Igreja e o Senhor Jesus, o Cristo, pois ela estava apoiada em sua riqueza. Identifica as  Igrejas que dispensam o evangelho de Cristo, trocando-o por práticas esotéricas, como também exotéricas. Porque, ora são restritas e fechadas, ora são divulgadas para atrair os incautos.
O cristão autêntico, a saber, que foi regenerado por meio do nascimento do alto, passa por diversas dificuldades, envelhece, adoece, e morre. É fundamental entender isto, porque este falso evangelho triunfalista que pregam por aí, mostra, não um cristão, mas uma espécie de semi-deus. É impingido ao mundo que o crente pode tudo, sabe tudo, e faz tudo acontecer na hora que quer. Esta triste realidade faz parte da mentira religiosa a que as pessoas são submetidas de acordo com o programa diabólico. Os pregadores destas mentiras são como o rei Midas, tudo o que tocam vira ouro. Curam todas as doenças, expelem quaisquer demônios e solucionam todos os problemas financeiros e amorosos. Não é isto que o evangelho ensina! Estas coisas atraem muita antipatia e perseguição, porque colocam os religiosos como melhores do que os outros e diminuem as pessoas que não são dos seus círculos. Neste caso, não é perseguição dos incrédulos ao evangelho, mas de religiosos que se fazem perseguidos.
O que o texto de abertura mostra é que os nascidos de Deus não devem andar preocupados, ou seja, permanecer na ansiedade, mas colocar tudo diante de Deus em oração de súplica, sempre dando graças a Ele por tudo. O normal na religião é: agradecer quanto tudo sai como o religioso quer, e desconfiar e duvidar quando as coisas saem como Deus quer. Não há, aos olhos de Deus, o bem e o mal, mas tudo o que procede da vontade d'Ele é bom, perfeito, e agradável. Os homens é que dicotomizam as coisas em boas e ruins. Esta é uma triste herança da doutrina maniqueísta da antiga Pérsia.
Após lançar todas as ansiedades diante de Deus e agradecê-Lo por tudo, o resultado é a paz verdadeira, ou seja, o descanso na graça. Isto é algo que está acima de qualquer entendimento humano. Não é natural, mas sobrenatural!
É muito comum ver em adesivos de automóveis, ou mesmo, postado em redes sociais na internet pessoas dizendo: "posso todas as coisas naquele que me fortalece." Ora, tais pessoas estão utilizando esta porção das Escrituras como uma espécie de amuleto para ver se as coisas melhoram para elas. Na realidade esta passagem é a conclusão da experiência do apóstolo Paulo em sua prisão, dor, e sofrimento. O verso anterior diz: "Sei passar falta, e sei também ter abundância; em toda maneira e em todas as coisas estou experimentado, tanto em ter fartura, como em passar fome; tanto em ter abundância, como em padecer necessidade." Ele pode passar por todas estas coisas, porque agora foi regenerado e adquiriu experiência para dar graças em tudo. Não é como esses bastardos "espirituais" que, na primeira dificuldade, acusam Deus de tê-los abandonado. Isto quando não inventam algum pecado cabeludo para explicar algum castigo divino. Entram por um caminho de culpa e auto-piedade que não resolvem os problemas das suas naturezas pecaminosas. Quando o cristão é nascido de Deus ele sabe ter abundância, como ter necessidade, fartura, ou escassez. Em todas estas circunstâncias, rende sempre graças a Deus. Esta é a oração ensinada nas Escrituras conforme I Ts. 5:18 - "Em tudo dai graças; porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco."
Pergunta-se: é fácil obedecer a este evangelho? Não, é impossível ao homem natural, mas tudo o que é impossível ao homem, é possível a Deus. Por esta razão é que há um redentor, pois o homem não pode por conta própria.
Sola Gratia!

janeiro 08, 2012

A ORAÇÃO ENSINADA NAS ESCRITURAS VI

Lc. 11: 5 a 13 - "Disse-lhes também: se um de vós tiver um amigo, e se for procurá-lo à meia-noite e lhe disser: amigo, empresta-me três pães, pois que um amigo meu, estando em viagem, chegou a minha casa, e não tenho o que lhe oferecer; e se ele, de dentro, responder: não me incomodes; já está a porta fechada, e os meus filhos estão comigo na cama; não posso levantar-me para te atender; digo-vos que, ainda que se levante para lhos dar por ser seu amigo, todavia, por causa da sua importunação, se levantará e lhe dará quantos pães ele precisar. Pelo que eu vos digo: pedi, e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei, e abrir-se-vos-á; pois todo o que pede, recebe; e quem busca acha; e ao que bate, abrir-se-lhe-á. E qual o pai dentre vós que, se o filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, se lhe pedir peixe, lhe dará por peixe uma serpente? Ou, se pedir um ovo, lhe dará um escorpião? Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais dará o Pai celestial o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?"
Muitas pessoas encontram ou criam muitas dificuldades para ler e compreender as Escrituras. Outros afirmam, sem conhecimento de causa, que a Bíblia é contraditória, porque em uma secção afirma que não se deve usar de repetições, em outra diz que é para insistir. Por estas aparentes paradoxos acabam perdendo o ânimo para buscar o conhecimento de Deus.
A questão toda é que a maioria dos leitores não sabe que o texto sagrado é uno e que não se pode separar uma instância da outra como se fossem módulos de um curso acadêmico. Também não sabem que as Escrituras não foram deixadas para serem compreendidas apenas à luz da razão, mas sim para serem cridas à luz da fé. Acrescenta-se ainda que muitos não têm discernimento entre o que é figurado e o que é literal, tomando um pelo outro e, invertendo as suas aplicações.
A primeira regra sobre a oração é saber orar segundo a vontade de Deus e não segundo os desejos do coração corrompido pela natureza pecaminosa. E a regra áurea para compreender os textos bíblicos é deixar que eles leiam você, e não que você os leia. O propósito de Deus é basicamente um só conforme Jo. 6: 29 e 39 - "Jesus lhes respondeu: A obra de Deus é esta: que creiais naquele a quem ele enviou. E a vontade do que me enviou é esta: que eu não perca nenhum de todos aqueles que me deu, mas que eu o ressuscite no último dia." Então, orar segundo a vontade de Deus exige, primeiramente, que se creia em Jesus como o Filho de Deus enviado ao mundo para justificar pecadores. Isto implica que a oração não é para exaltação de si mesmo, para soberba, egoísmo, e autodivinização com a natureza pecaminosa não-regenerada. 
A oração deve, sempre e invariavelmente, ser de acordo com uma real necessidade, e não de acordo com uma vaidade, capricho, ou egoísmo. O vizinho da parábola contada por Jesus mostrou-se inoportuno, porém por uma real necessidade. O outro vizinho importunado, cedeu, porque era amigo. É demonstrado na dita parábola que, mesmo sendo o homem mau e egoísta sabe dar boas coisas, quanto mais Deus que é perfeito e é amor? É dito que àquele que pede será dado, ao que bate a porta será aberta, ao que busca achará. Pode ser que as respostas não sejam exatamente as que o coração imperfeito deseja, mas aquelas segundo a retidão do coração de Deus.
O que acontece é que Jesus está mostrando que é necessário crer que Deus, mesmo sendo invisível, ouve a oração. Portanto, é necessário que aquele que bate, busca e pede creia que de fato Ele responde as orações. É uma questão de fé, e não de insistência inoportuna que faz que Ele se mova em favor do pecador. Também já foi tratado em outro artigo que, na verdade, é o Espírito Santo quem intercede pelo que ora, e que Jesus é o advogado do pecador conforme I Jo. 2: 1 - "Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; mas, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo."
Sola Scriptura!

janeiro 07, 2012

A ORAÇÃO ENSINADA NAS ESCRITURAS V

Mt. 6: 9 a 13 - "Portanto, orai vós deste modo: Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu; o pão nosso de cada dia nos dá hoje; e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós também temos perdoado aos nossos devedores; e não nos deixes entrar em tentação; mas livra-nos do mal. Porque teu é o reino e o poder, e a glória, para sempre, Amém."
Para muitas pessoas a oração é apenas uma espécie de muleta, ou seja, uma válvula de escape para fugir às pressões do dia-a-dia. As necessidades psicológicas são o subproduto de uma realidade pesada de dores e sofrimentos, as quais geram muitas angústias, pois as pessoas não possuem fé genuína. Quando se recebe fé que procede de Deus, há o descanso, porque a graça dá segurança no amor de Deus. O medo foi a primeira reação após a queda do homem, e continua sendo a pior coisa em todos os tempos. Por esta razão é que Cristo afirmou contra o medo cerca de 365 vezes no Novo Testamento. O apóstolo João afirma que  "o perfeito amor lança fora o medo." Sabe-se que o perfeito amor é o próprio Cristo, visto que só Ele conhece de fato o amor. O medo gera insegurança, a insegurança gera a angústia, e esta os conflitos, sejam pessoais ou interpessoais.
Não se pode confundir oração com reza. A oração é um diálogo entre pessoas que se conhecem e se respeitam. A reza é uma repetitividade de palavras para tentar afirmar uma fé que, de fato, não existe, ou mesmo, para convencer Deus a ser favorável ao  rezador. Assim, alguns fazem suas novenas, suas ladainhas, seus terços, e suas penitências. Outros murmuram seus mantras por horas seguidas. E, outros ainda, gritam, pulam, choram, ajoelham-se em milho, sobem ao monte, fazem jejuns prolongados. Todos estes auto-sacrifícios ou flagelações visam convencer Deus, ou qualquer outra divindade, que são muito fervorosos, ou que são muito necessitados. É como se o próprio Criador não conhecesse a sua criatura. É como se o Deus sábio e todo poderoso dependesse de uma ajuda do homem para realizar a sua vontade.
Os discípulos pediram a Jesus para ensiná-los a orar, reconhecendo que não sabiam fazer isto conforme o registro de Lc. 11:1 - "Estava Jesus em certo lugar orando e, quando acabou, disse-lhe um dos seus discípulos: Senhor, ensina-nos a orar, como também João ensinou aos seus discípulos." Imagine que ao verem Jesus orando sempre, os discípulos sentiram que a oração é um exercício de suma importância ao que crê. 
Após o pedido dos discípulos, Jesus os ensinou a oração modelo conhecida como "o Pai Nosso." Na oração modelo Jesus ensina em primeiro lugar que Deus deve ser adorado como Pai, que o Seu nome é santo, que o Seu reino é uma realidade, que a Sua vontade  é soberana nos céus e na Terra, que Ele é o provedor das necessidades cotidianas do homem, que o Seu perdão deve gerar perdão, e que somente Ele pode livrar o homem das tentações e do mal.
Esta oração não deve ser reproduzida como uma reza, ou um mantra, mas deve orientar ao que ora nas coisas que devem ser lembradas em uma oração. Naquele momento Jesus aponta Deus como um Pai que está no céu, porque ele ainda não havia cumprido o papel de inclusão e substituição do pecador na cruz, como também, ainda não havia sido elevado aos céus para estabelecer o reino de Deus entre os homens, e nos homens. Agora, todavia, não se deve mais orar como se Deus estivesse distante nos céus, mas Ele está presente e permanentemente com os eleitos e regenerados.
Soli Deo Gloria!

janeiro 06, 2012

A ORAÇÃO ENSINADA NAS ESCRITURAS IV

Lc. 18: 10 a 14 - "Dois homens subiram ao templo para orar; um fariseu, e o outro publicano. O fariseu, de pé, assim orava consigo mesmo: ó Deus, graças te dou que não sou como os demais homens, roubadores, injustos, adúlteros, nem ainda com este publicano. Jejuo duas vezes na semana, e dou o dízimo de tudo quanto ganho. Mas o publicano, estando em pé de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: ó Deus, sê propício a mim, o pecador! Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque todo o que a si mesmo se exaltar será humilhado; mas o que a si mesmo se humilhar será exaltado."
A oração e a adoração são intercambiáveis e complementares, pois só pode orar verdadeiramente aquele que crê. A oração do que não crê é, na verdade, um solilóquio, ou seja, é monólogo de si para consigo mesmo. Esta categoria de oração não passa do teto da casa em que se encontra o orador. Isto porque o homem natural não pode entrar na presença de Cristo, não tem acesso ao Espírito Santo de Deus, e, consequentemente, Deus não o ouve. Os regenerados, por sua vez, Deus os ouve por meio da advogacia de Cristo, e por meio da tradução das suas orações pelo Espírito Santo. Eles foram apenas justificados dos seus pecados originais, a saber, das suas naturezas pecaminosas, mas continuam contidos em uma habitação carnal, e a carne não pode se comunicar com Deus.
Na parábola contada por Jesus, o Cristo que abre este artigo, veem-se dois homens: um fariseu, ou seja, um homem pertencente a uma seita do judaísmo cuja a base era a lei; e um publicano, que, independentemente, da sua crença era tido como a escória da sociedade judaica, porque como tal cobrava os impostos para os invasores romanos. Vê-se que a postura dos dois em relação à oração foi diametralmente oposta: o fariseu de pé, orava consigo mesmo, ou seja, o que ele dizia, dizia-o de suas próprias qualidades e virtudes. Não houve qualquer preocupação em adorar a Deus em oração, exaltá-lo, confessá-lo. Ele se reconhecia merecedor de todas as atenções de Deus, por ser cumpridor de preceitos, mas não reconhecia a Deus como Soberano, Santo, Justo, Puro, e Senhor Absoluto em primeiro lugar. O fariseu apresentou uma enorme lista de justiça própria como moeda de barganha a fim de suas orações serem aceitas por Deus. Assim são muitos religiosos ainda hoje: se acham merecedores, porque praticam uma determinada religião que julgam ser a única dona da verdade, não roubam, não matam, não se prostituem, cumprem todos os deveres como cidadão e como membro de uma família.
O publicano, por sua vez, sequer ousava levantar os olhos reconheceu-se pecador e não merecedor de qualquer coisa. Suplicou a graça e a misericórdia de Deus, pois quando diz "sê propício a mim" fica evidente que está implorando a graça, o favor, e a misericórdia d'Ele. O publicano fica ao longe, bate no peito, abaixa a cabeça e exclama: "ó Deus", reconhecendo que há um Deus acima dele. Assim são os eleitos e regenerados por Cristo, se veem como desprovidos de méritos e não apresentam as suas justiças próprias como credenciais diante de Deus.
Esta é a oração ensinada nas Escrituras: reconhecer a glória de Deus, e reconhecer-se imerecedor. Porém, ora e rende graças, porque esta é a vontade de Deus! É este o sentido do que está registrado em I Ts. 5: 17 e 18 - "Orai sem cessar. Em tudo dai graças; porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco. Orar sem cessar é permanecer convicto que é o que as Escrituras afirmam que Ele é, e que o homem é exatamente o que elas também afirmam que é: injusto, duro, impuro, incompetente para salvar-se a sim mesmo. Logo, orar sem cessar é reconhecer-se inábil e dependente absoluta e totalmente da graça e da misericórdia de Deus. Quando o homem se vê nesta condição, não lhe resta alternativa senão estar sempre confessando e suplicando por tudo, em todo o tempo, e para todas as coisas. É Cristo quem o justifica!
Solo Christus!

janeiro 05, 2012

A ORAÇÃO ENSINADA NAS ESCRITURAS III

Tg. 4: 1 a 6 - "Donde vêm as guerras e contendas entre vós? Porventura não vêm disto, dos vossos deleites, que nos vossos membros guerreiam? Cobiçais e nada tendes; logo matais. Invejais, e não podeis alcançar; logo combateis e fazeis guerras. Nada tendes, porque não pedis. Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites. Infiéis, não sabeis que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus. Ou pensais que em vão diz a escritura: o Espírito que ele fez habitar em nós anseia por nós até o ciúme? Todavia, dá maior graça. Portanto diz: Deus resiste aos soberbos; dá, porém, graça aos humildes."
Grande número de pessoas se magoam com Deus, porque não são respondidas em suas orações de petições. Magoam-se com Ele a ponto de dizer que o abandonaram e se consideram excluídas do Seu amor. Ora, todas estas atitudes estão perfeitamente dentro da normalidade, partindo-se do fato que Ele é soberano e responde como quer, e que, o homem natural está morto para Ele. Ao fim de tudo, não houve abandono algum, pois sequer havia ligação alguma. Após estas experiências, o homem natural se enfurece e quer resolver tudo à sua maneira, despertando contendas, guerras, cobiças, invejas, mortes. 
O religioso é tão arrogante que passa por cima de toda a Bíblia para justificar suas atitudes, e de resto, quer ser professor de Deus. Julga ser tão reto, íntegro, temente e desvia-se do mal, que pretende dizer a Deus como Ele deve se comportar. Supõe ter uma relação com Deus que jamais existiu, pois seus atos de justiça não anulam a sua natureza pecaminosa persistente, resistente, e residente. O profeta Isaías já afirma que "as vossas justiças são como panos podres de menstruação". Não se escandalize, pois é exatamente assim que se acha no texto original hebraico. Boa parte dos religiosos elaboram um sistema teológico de si para consigo, chamando isto de relação com Deus. Falta-lhes, primeiramente, uma posição para com Ele. Querem manter uma relação com a alguém com quem não mantêm nenhuma posição. Confundem religião exterior e ritualística com relação e posição. A religião é apenas uma prática criada e desenvolvida pelo homem.
Registra-se nas Escrituras que Deus não ouve a pecadores conforme Jo. 9: 31 - "... sabemos que Deus não ouve a pecadores; mas, se alguém for temente a Deus, e fizer a sua vontade, a esse ele ouve." Neste ponto o religioso e legalista diz: isso é uma heresia, pois eu não sou pecador, uma vez que "me converti", sou batizado, frequento tal igreja, contribuo nos dízimos e ofertas, participo de todas as atividades da minha igreja. Ora, então nesse caso, falta-lhe conhecer as Escrituras com mais exatidão, pois há profunda diferença entre ser pecador e cometer atos pecaminosos. Todos os homens nascem com a natureza pecaminosa por herança adâmica. Este pecado original só pode ser aniquilado por meio da morte na cruz conforme Rm. 6:6 e 7 - "... sabendo isto, que o nosso velho homem foi crucificado com ele, para que o corpo do pecado fosse desfeito, a fim de não servirmos mais ao pecado. Pois quem está morto está justificado do pecado." Entretanto, o homem natural, a saber, que não foi regenerado, comete atos pecaminosos consequentes da natureza pecaminosa. E, independentemente, de cometer muitos ou poucos atos pecaminosos, ele continua pecador por causa da natureza pecaminosa. Então, o homem natural é pecador, não apenas porque comete pecados, mas porque possui uma natureza pecaminosa. Enquanto esta matriz adâmica não morre, ele continua morto para Deus. Por esta razão as suas bondades, justiças e méritos não servem para reaproximá-lo de d'Ele. Somente o sangue do Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo anula a culpa do pecado perante a face de Deus. A isto dá-se o nome de justificação!
O texto de abertura mostra que a questão fulcral são as petições para o próprio deleite, ou seja, apenas por prazer, desejos e cobiças. Por não alcançar e satisfazer os desejos do coração dominado pela natureza pecaminosa, começam a cobiçar, invejar, contender, matar, e fazer guerras. Tudo isto prova que se trata de um homem natural, logo, como pode Deus ouvi-lo se Ele não ouve a pecadores? Por vezes não pedem, e, quando pedem, pedem mal, porque pedem segundo as suas vontades e não segundo a vontade de Deus. A vontade de Deus é que as orações sejam feitas por meio do Seu Espírito Santo que, na realidade, é quem intercede pelo homem, pois este nem orar sabe conforme Rm. 8:26 - "Do mesmo modo também o Espírito nos ajuda na fraqueza; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o Espírito mesmo intercede por nós com gemidos inexprimíveis." Portanto, a primeira confissão de quem ora, é pedir a Deus para conceder a sabedoria do Espírito Santo para orar. 
E, finalmente, se alguém quer ser ouvido por Deus, necessário é que experimente o novo nascimento, pois sem ele, não vê, e não entra nos domínios de Deus conforme Jo. 3:3 - "Respondeu-lhe Jesus: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Jesus respondeu: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus." Na mesma sequência do texto Jesus ajunta: "o que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito." Pergunta-se pode a carne invadir os domínios do Espírito? São naturezas absolutamente opostas e diferentes.
Sola Gratia!

janeiro 04, 2012

A ORAÇÃO ENSINADA NAS ESCRITURAS II

Lc. 18: 1 a 8 - "Contou-lhes também uma parábola sobre o dever de orar sempre, e nunca desfalecer. dizendo: havia em certa cidade um juiz que não temia a Deus, nem respeitava os homens. Havia também naquela mesma cidade uma viúva que ia ter com ele, dizendo: faze-me justiça contra o meu adversário. E por algum tempo não quis atendê-la; mas depois disse consigo: ainda que não temo a Deus, nem respeito os homens, todavia, como esta viúva me incomoda, hei de fazer-lhe justiça, para que ela não continue a vir molestar-me. Prosseguiu o Senhor: ouvi o que diz esse juiz injusto. E não fará Deus justiça aos seus escolhidos, que dia e noite clamam a ele, já que é longânimo para com eles? Digo-vos que depressa lhes fará justiça. Contudo quando vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra?"
Sabe-se que orar é falar, dizer, pedir, suplicar, pronunciar algo a alguém. Não é um monólogo, ou um solilóquio, mas um diálogo. Em se tratando da relação homem-Deus, é também um ato de adoração, pois o verbo adorar procede do latim 'adorare' e quer dizer orar, pedir orando, adorar. A questão é,  muitos religiosos oram e adoram de modo errado, pois tentam falar e adorar a quem é Espírito, por meio da adoração carnal. Denomina-se de adoração ou oração carnal, àquela que é feita com base nos sentimentos, circunstâncias, e desejos do coração. Quando se fala em carne, ou carnalidade, fala-se, de fato, nas sensações almáticas, a saber, produzidas pela alma. Não é uma referência às necessidades fisiológicas, ou seja, do corpo físico. É algo mais sensorial e ligado à natureza decaída do homem.
O texto sagrado afirma categoricamente em Jo. 4:24 - "Deus é Espírito, e é necessário que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade." Sendo Ele Espírito puro, santo e justo, como pode o homem natural querer adorá-lo por meio da oração na carne? Vê-se que são exigidas duas condições: adorá-lo em espírito e em verdade. Sabendo-se que o espírito do homem está morto para Deus por causa da natureza pecaminosa e que a verdade é uma pessoa, e não um conceito, torna-se absolutamente frustrante a oração. Por esta razão muita gente desiste, se fecha para Cristo, e muitos negam-no para o resto da vida. O homem natural, ou seja, que não tem experiência de nascimento do alto, é por natureza imediatista, egoísta, e maniqueísta. Ele quer por que quer, na hora que quer, e como quer. Imaginam que suas orações são justas, porque tomam por base as circunstâncias e não a vontade de Deus.
Orar segundo a vontade de Deus é ensinado em Rm. 8:27 - "E aquele que esquadrinha os corações sabe qual é a intenção do Espírito: que ele, segundo a vontade de Deus, intercede pelos santos." Assim fica claro que orar segundo a vontade de Deus é a oração que o Espírito Santo coloca no espírito do homem. Entretanto, este processo simbiótico só é possível aos santos. Sabe-se que 'santo' significa separado, e neste sentido, é todo aquele que é nascido de Deus. Não pode haver comunicação entre Deus e o homem sem que este tenha sido santificado por Cristo por meio da inclusão do pecado em sua morte de cruz, e consequentemente na sua ressurreição. Portanto, nenhum homem é santo por atos e atitudes, mas por graça e misericórdia. Logo, os eleitos e regenerados são, de fato, santificados por Cristo, e não santos com base em seus méritos e justiças próprias. A estes o Espírito Santo coloca a oração e a adoração ressurrecta. Deus não se comunica com mortos em delitos e pecados, porque, contrariamente, eles estão debaixo da Sua ira conforme Ef. 2: 3 a 6 - "... entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como também os demais. Mas Deus, sendo rico em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossos delitos, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), e nos ressuscitou juntamente com ele, e com ele nos fez sentar nas regiões celestes em Cristo Jesus..."
Isto não implica que os eleitos e regenerados sejam melhores ou mais espirituais que os demais homens, mas que eles foram objetos da graça de Deus. Então, se alguém tem alguma queixa com relação a isso, reclame com Ele. Por que sendo Deus soberano, usa de misericórdia com quem quer.
Na parábola contada por Jesus, é comparada uma situação puramente forense a uma realidade puramente espiritual, mostrando que, mesmo nas relações injustas dos homens, a firmeza e a determinação em peticionar, produz os seus efeitos. Embora o juiz fosse rebelde a Deus e desrespeitador dos homens, acabou acatando a causa da viúva, para se ver livre do incômodo. Ora, Deus ouve aos que o adoram em espírito e em verdade, porque Ele é amor e é justiça. Vê-se que, na parábola, é dito que Deus ouvirá os seus escolhidos, portanto, Ele ouve a adoração ressurrecta e não a adoração carnal.
Sola Fidei!

janeiro 03, 2012

A ORAÇÃO ENSINADA NAS ESCRITURAS I

Mt. 6: 5 a 8 - "E, quando orardes, não sejais como os hipócritas; pois gostam de orar em pé nas sinagogas, e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa. Mas tu, quando orares, entra no teu quarto e, fechando a porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará. E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios; porque pensam que pelo seu muito falar serão ouvidos. Não vos assemelheis, pois, a eles; porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes de vós lho pedirdes."
Orar é por definição falar, implorar, pedir, suplicar, dizer algo a alguém, tanto individualmente, como a um grupo. É um verbo com múltiplas regências, além de ser intransitivo e transitivo indireto. Provém do latim "orare" que quer dizer originalmente falar, dizer, pronunciar.
A maior parte das pessoas utiliza-se da oração pra obter algum favor ou benefício de Deus. Outros, para agradecer por alguma graça recebida, e outros ainda, para reclamar e lançar diante d'Ele as suas carências e dramas. É tão notória a necessidade de desabafo, que muitos psicólogos e psicanalistas aconselham aos seus pacientes a orar. Acreditam que, independentemente de religião, ou fé, isto lhes trará algum alívio.
O ensino sobre a oração nas Escrituras é muito vasto e, por vezes, até mesmo estimulado. Entretanto, há diversas maneiras de orar segundo a compreensão comum dos homens. No texto que abre este artigo, se veem dois modos de orar: a oração hipócrita, e a oração secreta. O primeiro caso ocorre quando a oração é feita para demonstrar piedade aos olhos das outras pessoas; o segundo caso ocorre quando a oração resulta de um exercício pessoal, íntimo, e secreto entre o orador e Deus. Em ambos os casos se produzem recompensas: a oração hipócrita gera o que o orador quer, ou seja, visibilidade pelos homens, boa aceitação social, e algum tipo de prestígio humano; a oração correta traz apenas fé, pois a fé não é visível e palpável. 
Muitos religiosos imaginam que é a quantidade de oração que move e comove o coração de Deus a ouvi-lo. O texto, objeto deste artigo, mostra que não se deve usar de vãs repetições, pois isto, ao contrário, demonstra profunda ausência de fé e de confiança em Deus. Quando o homem recebe fé ele diz apenas uma vez o que deseja, sabendo que Deus o ouviu, e que o atenderá segundo a Sua vontade. Madame Guyon foi uma cristã autêntica que viveu entre o século XVII e o XVIII, e sofreu todas as agruras daquele tempo por causa da fé que recebeu. Ela afirma em um dos seus escritos o seguinte: "eu oro, não para convencer Deus, mas até que Ele me convença." Faz todo o sentido ainda hoje, pois muitos querem convencer Deus a lhes ser favorável por meio da oração.
Não é em hipótese alguma, o muito orar, o repetir as mesmas palavras pré-estabelecidas, ou o tempo gasto em oração que convencerá a Deus de alguma coisa. O fato é que muitos religiosos não sabem o real sentido de orar segundo a vontade de Deus. Neste sentido, a oração não é da pessoa, mas é a oração que procede da vontade d'Ele. Não é o homem quem ora, mas Deus ora nele por meio do Espírito Santo. Não é a pessoa que fala a Deus, mas Deus fala à pessoa.
Sola Scriptura!

janeiro 02, 2012

ESCATOLOGIA LXVI

Mt. 24: 29 a 33 - "Logo depois da tribulação daqueles dias, escurecerá o sol, e a lua não dará a sua luz; as estrelas cairão do céu e os poderes dos céus serão abalados. Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem, e todas as tribos da terra se lamentarão, e verão vir o Filho do homem sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória. E ele enviará os seus anjos com grande clangor de trombeta, os quais lhe ajuntarão os escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus. Aprendei, pois, da figueira a sua parábola: quando já o seu ramo se torna tenro e brota folhas, sabeis que está próximo o verão. Igualmente, quando virdes todas essas coisas, sabei que ele está próximo, mesmo às portas."
Todo o capítulo 24 do evangelho segundo Mateus é escatológico, entretanto, algumas porções dele já foram tratadas ao longo desta série de artigos. Quando se afirma que um texto é escatológico significa dizer que se refere ao tempo do fim de uma era, de um período, de um ciclo. Tal período é retratado ao longo das Escrituras como o desfecho do processo de redenção decidido por Deus antes dos tempos eternos conforme Tt. 1:2 - "... na esperança da vida eterna, a qual Deus, que não pode mentir, prometeu antes dos tempos eternos..." É importante que se esclareça isto, porque muitos religioso, por não terem revelação, não fazem distinção do sentido entre os textos, tomando-os como válidos para toda e qualquer ocasião.
Muitos leitores das Escrituras, religiosos ou não, não creem na maior parte do que leem. Leem como que por hábito adquirido e não como as revelações do alto. Acabam buscando na Palavra de Deus uma humanização e uma conciliação entre os seus sistemas de crenças e a revelação compendiada. Para tanto, torcem, contorcem, e retorcem os textos em suas interpretações esdrúxulas até que coincidem com o que querem. Isto foi demonstrado pelo apóstolo Paulo conforme II Tm. 4: 3 e 4 - "Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo grande desejo de ouvir coisas agradáveis, ajuntarão para si mestres segundo os seus próprios desejos, e não só desviarão os ouvidos da verdade, mas se voltarão às fábulas." Vê-se claramente que não é uma questão de crer, mas de não suportar a sã doutrina. De fato, a sã doutrina em nada envaidece o homem, em nada enaltece o home, em nada exalta o homem. Ela é mesmo insuportável aos que estão em processo de perecimento conforme I Co. 1: 18 - "Porque a palavra da cruz é deveras loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus."
O homem natural gosta de ouvir canções de ninar, porque estas embalam os seus mais profundos desejos de serem "deuses" e "senhores" do seu próprio destino. Não sabem que, de fato, estão seguindo o que já lhes foi preordenado, quando os seus nomes não foram escritos no livro da vida do Cordeiro.
O texto de abertura fala da parábola da figueira: quando os seus tenros ramos brotam folhas, sabe-se que se aproxima a estação das chuvas. Os brotos da figueira são os sinais visíveis que virá uma determinada estação. Consequentemente o agricultor pode dar início a um processo encadeado para preparar a terra e plantar as suas sementes. Semelhantemente, quando os sinais prenunciados por Cristo se intensificarem saber-se-á que Ele está voltando com grande poder e glória para concluir o processo escatológico. 
Assim, a escatologia vem anunciando e enunciando todas as evidências do tempo do fim, entretanto, os homens não possuem inclinação para vê-las, quanto mais para recebê-las como procedentes de Deus. E, por todas estas realidades é que os textos são dignos de crédito, porque seja pela afirmação,  ou pela negação deles, as Escrituras estão se cumprindo à risca.
Ora, vem Senhor Jesus.
Maranata!!!

janeiro 01, 2012

ESCATOLOGIA LXV

II Tm. 3: 16 e 17 - "Toda Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente preparado para toda boa obra."
Esta é uma declaração e um testemunho de que as Escrituras são oriundas do Espírito de Deus e não de elucubrações humanas. Ainda que alguns utilizem a desculpa que a Bíblia foi escrita pelo homem, entretanto, ela é de inspiração divina. Não há dúvidas disso, pela veracidade dos acontecimentos, e pelo fato que ela não favorece o homem em seu egocentrismo.
No mínimo, ler as Escrituras trás ensino, repreensão e correção moral e ética para a vida da pessoa, independentemente de religião. Todas as pessoas deveriam ler as Escrituras para enriquecimento pessoal.
Após analisar muito superficialmente as profecias de Ezequiel, Daniel e do Apocalipse, ainda restam alguns textos que precisam ser considerados isoladamente. Uma das mais antigas profecias sobre a redenção está no primeiro livro das Escrituras. É sobre ela que se tratará agora neste artigo.
Gn. 3:14 e 15 - "Então o Senhor Deus disse à serpente: porquanto fizeste isso, maldita serás tu dentre todos os animais domésticos, e dentre todos os animais do campo; sobre o teu ventre andarás, e pó comerás todos os dias da tua vida. Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua descendência e o seu descendente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar."
Esta passagem é considerada o proto-evangelho, porque aborda o advento do Redentor que venceria o pecado na cruz. Indica que o Redentor ou Salvador purificaria o pecado, pagando a pena exigido pela justiça divina: a morte.
Após proferir a sentença contra a serpente por ter servido de aparelho físico a Satanás em sua manifestação ao homem, Deus fala sobre a luta entre os descendentes da serpente, e o descendente da mulher. Ora, sabe-se que a serpente em si, não teria a menor condição de realizar esta obra maligna, pois se trata apenas de um réptil, que não possui a capacidade da articulação da fala, ou mesmo que teria qualquer poder de convencimento racional. A serpente a que alude o texto original era uma espécie muito bonita, era colorida e reluzente, e alada. É dito no contexto que era a mais sagaz entre os animais do campo. 
O texto é muito elaborado gramaticalmente, pois os pronomes "ti", "tua" e "seu", "este", e "tu" indicam com perfeita segurança os sujeitos das ações, bem como os objetos das mesmas. Assim, "... porei inimizade entre ti e a mulher" enuncia a "serpente", a saber, o Diabo, e a mulher é o coletivo da humanidade. Mas, quando diz, "...entre a tua descendência e o seu descendente" a elaboração é bem mais específica. A descendência da serpente é toda a raça humana contaminada pelo pecado original, mas o descendente da mulher é uma pessoa específica, porque está no singular. A descendência da serpente é uma coletividade, mas o descendente da mulher é uma pessoa. Neste caso é uma referência a um homem nascido de mulher e não todos os seres humanos. Este descendente da mulher, a saber, Jesus, o Cristo seria ferido no calcanhar pelos descendentes da "serpente", mas este lhe feriria a cabeça, ou seja, lhe derrotaria. 
As profecias acerca do advento do Messias, do Ungido, do Redentor dizem, por exemplo, em Mt. 1:23 - "Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, o qual será chamado EMANUEL, que traduzido é: Deus conosco." O próprio Jesus, o Cristo se auto-designava de "o Filho do Homem" numa referência à sua humanidade herdada do nascimento da mulher. Assim, tem-se que Cristo é o Filho Unigênito de Deus, que encarnou no homem Jesus filho de Maria. Portanto, Cristo é anterior a Jesus, mas quando encarnado se tornou um ser portador da natureza divina e da natureza humana. Não são duas pessoas vivendo em uma, mas uma pessoa com duas naturezas.
O descendente da mulher venceu a descendência da serpente quando foi levantando na cruz e morreu atraindo os eleitos e preordenados para a salvação conforme o texto de Rm. 8: 29 a 30 - "Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos; e aos que predestinou, a estes também chamou; e aos que chamou, a estes também justificou; e aos que justificou, a estes também glorificou."
Esta é, portanto, uma profecia muito clara a respeito do advento do Salvador, o qual é Jesus, o Cristo que sofreu todas as penas do pecado para salvar e redimir os eleitos de Deus. Assim, Ele feriu a cabeça da serpente e venceu a morte e o inferno ressuscitando ao terceiro dia.
Gloria in excelsis Deo"