quinta-feira, 28 de julho de 2016

A EXPERIÊNCIA DO NOVO NASCIMENTO II

Jo. 3: 4 a 7 - "Perguntou-lhe Nicodemos: como pode um homem nascer, sendo velho? Porventura pode tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer? Jesus respondeu: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te admires de eu te haver dito: necessário vos é nascer de novo."
O vocábulo 'experiência' provém do latim 'experientiae', ou seja, é uma prova que leva o sujeito a experimentar pessoalmente o objeto da sua busca. É uma forma de conhecimento específico, ou perícia adquirida por meio de aprendizado sistemático. Nesta série de estudos trata-se da experiência do nascimento do alto. Tal experiência, não resulta da ação sinérgica do homem, a qual lhe confere aprendizados genéricos ou específicos ao longo da vida. Contrariamente, o conceito de experiência no sentido espiritual, é de caráter estritamente monérgico, a saber, provém absolutamente e inequivocamente de Deus. O pecador experimenta a Graça e a Misericórdia de Deus, porque foi eleito e preordenado para isto. Não envolve méritos e justiça própria, pois isto anularia a graça de Deus.
No estudo anterior viu-se a primeira parte em que Jesus, o Cristo indicou o método do nascimento do alto a Nicodemos. Foi dito a este ilustre príncipe judeu que se alguém não experimentar o nascimento do alto, não vê o reino de Deus. Esta definição deixa meridianamente claro que o homem não é o promotor da sua própria experiência de redenção. Primeiro, é necessário nascer de novo, portanto, ninguém nasce de novo sem que tenha, primeiramente, morrido. Morrer é condição sine qua non, ou seja, é pré-requisito obrigatório para nascer do alto ou espiritualmente. O novo nascimento não pertence a categoria de experiências resultantes de constantes ensaios e empirismos que produzem o ato espiritual libertador. A libertação dos vícios, doenças, possessões, fraquezas morais são da categoria da experiência humana a qual pode ser desenvolvida e conseguida por esforço e disciplina. Isto porque esta categoria de experiência é de caráter puramente sociológico e moral. Entretanto, a experiência da regeneração, a saber, de uma nova geração em Cristo é de cunho espiritual e, por isso, tem procedência do alto. Isto fica evidente no ensino paulino conforme II Co. 5:17 e 18 - "Pelo que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo. Mas todas as coisas provêm de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Cristo, e nos confiou o ministério da reconciliação." Neste texto, a expressão: "nova criatura é..." em seu original grego, diz: "nova geração é..." A experiência da nova geração não é um abstracionismo, mas ocorreu de modo concreto na cruz em Cristo. Por extensão, ela validou a experiência espiritual de todos os pecadores eleitos, os quais foram atraídos à morte de Jesus, o Cristo. Validou a redenção, tanto para os que viveram da fé antes de Cristo, como para todos os que receberão a graça para crer após ascensão de Cristo. Na cruz, Jesus, o homem histórico substituiu o homem fisicamente, enquanto, o Cristo eterno e pré-existente, substituiu o homem espiritualmente. Os pecadores de todos os tempos e lugares que foram preordenados para a salvação, foram todos incluídos e substituídos na morte de Jesus, o Cristo. A solução de Deus para a redenção dos pecadores eleitos é atemporal.
No texto que abre esta instância fica evidente que Nicodemos não compreendeu a profundidade e extensão do ensino do novo nascimento. Jesus, por seu turno, retratou o mesmo assunto em outro nível. Foi dito ao príncipe judeu que, se o mesmo não nascesse da água e do espírito, não entraria no reino de Deus. No primeiro momento, Jesus, o Cristo lhe falou em nível mais espiritualizado, indicando que o novo nascimento é uma operação monergística e que procede do alto, a saber, de Deus. Neste segundo momento, Jesus, o Cristo lhe indica que a água, símbolo da Palavra de Deus é o veículo para despertar o pecador à consciência da sua própria condição pecaminosa. Isto fica doutrinado com clareza em Rm. 10:17 - "Logo a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Cristo." Posteriormente, Jesus, o Cristo arremete Nicodemos para a verdade inteira que o processo do novo nascimento resulta do convencimento realizado no pecador pelo Espírito Santo. Isto está perfeitamente doutrinado em Jo. 16: 7 a 11 - "Todavia, digo-vos a verdade, convém-vos que eu vá; pois se eu não for, o Ajudador não virá a vós; mas, se eu for, vo-lo enviarei. E quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo: do pecado, porque não creem em mim; da justiça, porque vou para meu Pai, e não me vereis mais, e do juízo, porque o príncipe deste mundo já está julgado."
Desta forma, o novo nascimento é uma experiência originada em Deus, concretizada no pecador eleito por graça e obra de Jesus, o Cristo que se deu a si mesmo para remissão da natureza pecaminosa dos pecadores preordenados antes dos tempos eternos. Então, quem não nascer do alto - sendo convencido pelo Espírito por meio do Evangelho - não vê e não entra no reino de Deus.
Sola Scriptura!

domingo, 24 de julho de 2016

A EXPERIÊNCIA DO NOVO NASCIMENTO I

Jo. 3: 1 a 3 - "Ora, havia entre os fariseus um homem chamado Nicodemos, um dos principais dos judeus. Este foi ter com Jesus, de noite, e disse-lhe: Rabi, sabemos que és Mestre, vindo de Deus; pois ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele. Respondeu-lhe Jesus: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus."
A expressão "novo nascimento" traduzida do texto grego neotestamentário significa, de fato, "nascer do alto." Embora não seja totalmente errado traduzi-la por "novo nascimento", porém importa a ênfase contida na outra tradução. Muitos religiosos imaginam em seus corações iludidos por doutrinas humanistas, que são eles os promotores da experiência do nascimento do alto. Então, a expressão nascer do alto é preferível, porque indica que a operação e a operacionalização desta verdade procedem absolutamente de Deus. Não é produzida pelas obras do homem, ou pelos seus sistemas de crenças. Nada na Terra pode mover Deus a realizar qualquer coisa, sem que isto já tenha sido preordenado antes dos tempos eternos conforme II Tm. 1: 9 - "...que nos salvou, e chamou com uma santa vocação, não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e a graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos..." Assim, o propósito é de Deus e a graça que recebemos veio d'Ele também. Tudo decidido antes dos tempos eternos. Antes que o próprio mundo houvera.
Quando se busca a concordância no texto sagrado, como um todo, o mesmo se encaixa e forma um único texto coeso e coerente. O sentido de presciência de Deus é demonstrado claramente em Sl. 139: 16 - "Os teus olhos viram a minha substância ainda informe, e no teu livro foram escritos os dias, sim, todos os dias que foram ordenados para mim, quando ainda não havia nenhum deles." Tal revelação é fundamental para desconstruir a falsa noção que as religiões passam que Deus vive de improvisos. Que ele reescreve a história do homem a cada dia em função dos seus atos e atitudes. Ora, todos os feitos do homem, certos ou errados, são do conhecimento de Deus antes que o próprio mundo existisse. Todos os dias do homem foram escritos pelo próprio Deus em seus livros eternos. 
Deus tem e mantém todos os registros dos feitos dos homens em seus livros antes que qualquer homem houvesse sobre a Terra. Tais livros serão utilizados no juízo eterno conforme Ap. 20:12 - "E vi os mortos, grandes e pequenos, em pé diante do trono; e abriram-se uns livros; e abriu-se outro livro, que é o da vida; e os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras." Vê-se que o texto fala em "uns livros", outro livro, que é o da vida. Quando às anotações dos feitos dos mortos estão nos livros e não no livro da Vida do Cordeiro que é mencionado em Ap. 21: 27 - "E não entrará nela coisa alguma impura, nem o que pratica abominação ou mentira; mas somente os que estão inscritos no livro da vida do Cordeiro." Ao fim de tudo, Deus se assentará no torno de justiça para julgar conforme o registro dos feitos dos homens conforme Dn. 7: 10 - "Um rio de fogo manava e saía de diante dele; milhares de milhares o serviam, e miríades de miríades assistiam diante dele. Assentou-se para o juízo, e os livros foram abertos."
Jesus falou sobre a experiência do nascimento do alto a um príncipe judeu chamado Nicodemos. Este membro da seita dos fariseus procurou o Mestre a noite, talvez para não ser visto pelos seus pares, pois poderia sofrer alguma censura, visto que os ensinos de Jesus se opunham ao sistema de crença deles. Nicodemos se aproximou de Jesus, o Cristo com o discurso próprio do homem que vê apenas os resultados e os sinais. Não se aproximou e não se dirigiu a Jesus, o Cristo pelo padrão da fé, isto é, crer sem ver ou sem constatação alguma. A declaração de Nicodemos parte de uma premissa de que os sinais legitimavam Jesus, o Cristo como proveniente de Deus com base no que ele fazia e não no que pregava. Esta tem sido a atitude da maioria dos religiosos: creem apenas, porque veem. Este nunca foi, não é, e jamais será o padrão da fé bíblica e verdadeira. 
Jesus, o Cristo não alimentou a crença religiosa de Nicodemos. Não lhe massageou o ego, pelo fato deste ter reconhecido os sinais como evidência da origem divina de Cristo. Ao contrário, Jesus, o Cristo lhe dirige uma sentença clara: "... se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus." Desta forma, quem não tiver a experiência do nascimento do alto, não pode ver o reino de Deus. Vê-se que não é uma questão de querer, mas de poder. Influenciados pela falsa doutrina gnóstica do "livre arbítrio", muitos religiosos imaginam em seus corações enganados que o pecador pode optar por crer ou não crer. Não querem, porque não podem, e não podem, porque não receberam graça para ganhar a fé.
Sola Scriptura!

domingo, 10 de julho de 2016

DESCONHECIMENTO, REJEIÇÃO E REJEITADOS

Os. 4: 6 - "O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento. Porquanto rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos."
Há profunda diferença entre saber e conhecer. O saber é apenas a apropriação de alguma informação, sem, no entanto, desenvolver uma relação direta e experimental com o objeto. O conhecimento é, além do saber, também uma relação experimental direta com o objeto. No primeiro caso, o sujeito tem apenas uma concepção informacional e retórica do objeto. No segundo caso, o sujeito possui, além de evidências, também experiência direta com o objeto. Neste sentido quase todas as pessoas possuem um saber acerca de Deus, religião, igreja, bíblia, dogmas, preceitos, superstições, misticismo. Entretanto, pouquíssimas pessoas conhecem a Deus como o Deus que se revela nas Escrituras. Há hoje profundo conhecimento de religião, teologia e práticas preceituais e cerimoniais, mas tudo isto pode não estabelecer uma relação experimental com Deus.
Mc. 7: 6 a 9 - "Respondeu-lhes: bem profetizou Isaías acerca de vós, hipócritas, como está escrito: este povo honra-me com os lábios; o seu coração, porém, está longe de mim; mas em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens. Vós deixais o mandamento de Deus, e vos apegais à tradição dos homens. Disse-lhes ainda: bem sabeis rejeitar o mandamento de Deus, para guardardes a vossa tradição." Jesus, o Cristo se confrontou com os religiosos do seu tempo no sentido em que estes sabiam muito acerca da lei e dos mandamentos, mas não colocavam tudo isto como prática interior. A hipocrisia consiste, exatamente, neste estado de relação em que o indivíduo demonstra uma coisa, enquanto é ou pensa outra coisa diferente. Trata-se de uma dissimulação da personalidade, ou uma representação teatral diante dos fatos e da vida. Isto tem produzido verdadeiras aberrações psicológicas no seio da sociedade.
As doutrinas podem ser divinas ou humanas. São divinas quando estão absolutamente de acordo com o texto sagrado, as Escrituras. Isto significa que o próprio texto se auto-explica, seja por meio de textos paralelos ou no próprio contexto em que se acha o tema retratado. Muitos tomam os textos literais e os transformam em textos simbólicos, ou tomam o texto simbólico e o torna em literal para satisfazer seus próprios interesses humanos. A maior evidência que alguma concepção é doutrina de homens ocorre quando o ensino se transforma em tradição. Isto implica em que, tal concepção é apenas repassada e reproduzida de geração em geração sem ser confrontada com o texto escriturístico. 
O homem em seu estado decaído e absolutamente depravado é totalmente inclinado a abandonar o mandamento de Deus. Tal acontece, porque a natureza pecaminosa original no homem é avessa e oposta à natureza santa e espiritual de Deus. Na impossibilidade de conciliação entre estas duas naturezas, este constrói uma terceira via adaptada à sua própria vontade e desejo daquilo que concebe como verdade. Neste sentido, surgem verdades paralelas acerca de Deus e da verdade, porém isto não é a própria verdade de Deus. Por esta razão é que existem inumeráveis religiões e todos reivindicam para si a propriedade da verdade. Entretanto, sabe-se que a verdade não é uma concepção, mas uma pessoa, a saber, o Cristo. Invariavelmente o homem prefere as suas tradições à verdade do evangelho. Embora o homem decaído denomina seus preceitos como sendo o evangelho, mas, de fato, é apenas um evangelho qualquer, mas não é o evangelho de Cristo.
O texto de abertura do profeta Oséias mostra com meridiana clareza que há um processo de desconhecimento da verdade de Deus, ainda que haja uma intensa atividade religiosa e litúrgica. Isto ocorre, porque eles preferem apenas obter saberes acerca de Deus, da igreja, de Cristo e da bíblia. Rejeitam o conhecimento verdadeiro para expandir seus desejos próprios sobre o que concebem sobre Deus e verdade.
A consequência desta hipocrisia que inverte a verdade, transformando-a em verdades particulares é a rejeição de Deus ao povo. O cenário do mundo atual demonstra que, de fato, isto está se intensificando a cada dia. Este estado de coisas irá aumentar até o retorno do Grande Rei e o juízo sobre os povos e nações. Após estes acontecimentos sobrevirá um período de reestruturação do mundo por um governo divino durante mil anos. Ao final, haverá o julgamento e condenação de Satanás e seus seguidores. Então será estabelecido o reino eterno do Cristo.
Solo Christus!