sábado, 14 de maio de 2016

IGREJA, CONGREGAÇÃO E CORPO DE CRISTO I

Hb. 10: 19 a 25 - "Tendo pois, irmãos, ousadia para entrarmos no santíssimo lugar, pelo sangue de Jesus, pelo caminho que ele nos inaugurou, caminho novo e vivo, através do véu, isto é, da sua carne, e tendo um grande sacerdote sobre a casa de Deus, cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé; tendo o coração purificado da má consciência, e o corpo lavado com água limpa, retenhamos inabalável a confissão da nossa esperança, porque fiel é aquele que fez a promessa; e consideremo-nos uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras, não abandonando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia."
Congregar é um verbo transitivo e pronominal, o qual traz os seguintes significados: "unir-se inteiramente, ficar junto ou juntar-se, reunir-se, convocar, ligar-se, misturar-se." Deste verbo provém o substantivo congregação, como sendo o ato ou efeito de congregar-se. Consequentemente, tal ato implica em diversos aspectos: "assembleia de fieis, reunião de pessoas em função de uma fé única, conclave, congresso et coetera."
Já o verbete agregação traz os seguintes significados: "conjunto de objetos, pessoas, reunião, aglomeração." Portanto, difere substancialmente um grupo de pessoas ajuntar-se em um determinado lugar, data e hora, sem necessariamente, haver uma fé una e única. Ajuntar-se para comemorar alguma efeméride não é congregar. Uma reunião de pessoas pode ocorrer até mesmo sem uma razão específica ou justificada. Aglomerar-se pode ser até mesmo para se agredir e se ofender mutuamente. Um conjunto de pessoas em um mesmo local não significa unidade de pensamento, objetivos e fé. Há muitas razões por que as pessoas se aglomeram, se ajuntam e formam grupos.
Por diversas vezes se ouve no contexto de igrejas institucionais a justificativa que alguém se afastou ou está desviado da congregação. Outros preferem usar do eufemismo que os tais estão frios na fé. Ainda outros preferem culpar Satanás pelo afastamento daqueles que não querem mais se aglomerar em uma determinada crença. Aqueles que se põem na perspectiva de muito espirituais chegam a dizer, citando a bíblia: "saíram dentre nós, porque não eram dos nossos." Tais santarrões isolam parte de um versículo sem percorrer toda a sua extensão, propositadamente. O verso completo de I Jo. 2:19 diz - "Saíram dentre nós, mas não eram dos nossos; porque, se fossem dos nossos, teriam permanecido conosco; mas todos eles saíram para que se manifestasse que não são dos nossos." Primeiramente, os que saíram não eram definitivamente membros do corpo de Cristo. Quem não possui natureza recriada em Cristo não suporta muito tempo na congregação dos eleitos e regenerados. Tal congregação é pouco atraente, pois não exalta o homem e suas inclinações. O texto é muito claro quando diz: "saíram dentre nós". Isto é profundamente diferente de dizer: "saíram dos nossos." Quando o nascido de Deus é confrontado ele sempre é vencido pelo que diz as Escrituras em Jo. 6: 68 e 69 - "Respondeu-lhe Simão Pedro: Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna. E nós já temos crido e bem sabemos que tu és o Santo de Deus." O que faz os nascidos do alto se congregar são as palavras da vida eterna. É a fé produzida pelo ouvir a Palavra de Deus e a firme convicção que Cristo é Deus. Não é a beleza estética da igreja, não é o murmúrio dos cânticos, não é a confraria dos que se colocam como iguais, não é a efervescência dos que buscam barganhar com Deus.
Atualmente, muitas igrejas são meras agregações de pessoas em busca de alívio dos problemas financeiros, de saúde e de falta de afeto. Quando não ouvem o que desejam saem à cata de outra agregação que oferece mais resultados. Neste sentido, são meros barganhadores cuja fé é na própria fé e não no autor e consumador da fé. 
Na revista da CPAD "Cristianismo Hoje", edição 51, ano 9, página 31 publicou-se uma entrevista de um jovem que abandonou a igreja a qual pertencia. O entrevistado é economista, jornalista e consultor editorial. Na entrevista o referido moço aponta dez razões que o faria retornar à igreja. As mudanças exigidas por ele são as seguintes:
  1. Respeito às minorias.
  2. Respeito a outras crenças.
  3. Fim dos dogmas.
  4. Emancipação da mulher.
  5. Manifestação política.
  6. Ação social e defesa dos direitos humanos.
  7. Sermões inteligentes.
  8. Excelência artística.
  9. Fim do gueto.
  10. Laicidade.
O entrevistado afirma o seguinte em suas declarações: "cheguei a um ponto em que, simplesmente, cansei da cultura evangélica, das atitudes descriminatórias dos crentes e da hipocrisia generalizada." Olhando com mais acuidade as colocações do entrevistado percebem-se dois aspectos: a) ele não quer uma igreja, mas uma assembleia de ativistas políticos e de ações afirmativas; b) ele está profundamente decepcionado com a qualidade moral, cultural e espiritual dos membros da igreja. Conclui-se, assim, que, tanto ele, como a igreja em que frequentara estão fora da cruz e do Cristo crucificado e ressurreto. Em uma congregação puramente bíblica e fundada na fé de Cristo não seria necessário reivindicar qualquer destas queixas. Os nascidos de Deus têm a natureza de Cristo e cumpre todas estas coisas sem que ninguém os ensine ou diga para cumpri-las. Ocorrem por uma mudança na disposição espiritual e não por meio de práticas preceituais. Não é por meio de exercício de piedade imposto e orientado que faz um cristão autêntico. Não é a religião exterior que determina o nível ou caráter da fé. A fé é um dom e não uma virtude humana.

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