segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

A GRAÇA DE AMAR INIMIGOS

II Co. 5: 18 a 21 - "Mas todas as coisas provêm de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Cristo, e nos confiou o ministério da reconciliação; pois que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões; e nos encarregou da palavra da reconciliação. De sorte que somos embaixadores por Cristo, como se Deus por nós vos exortasse. Rogamo-vos, pois, por Cristo que vos reconcilieis com Deus. Àquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus."
Há uma tendência natural e recorrente entre religiosos de diferentes matizes ao considerar, após ouvir uma mensagem contundente, que a tal se aplica, tão somente, às outras pessoas. Ao ler um texto bíblico que expõe as mazelas, pecados e fraquezas imaginam que tal texto serve a algumas pessoas, especialmente aos desafetos. Muitos, no afã de usar a Palavra de Deus como agulha de crochê para espetar os outros, se valem dos textos escriturísticos como instrumento de vingança. Quase nunca tais pessoas recebem os textos e mensagens duras para si ou para a sua crença, porque suas mentes carnais apoiam-se em evidências históricas, dogmas, preceitos e ritos, os quais declaram ser inatacáveis. Este estado de torpor leva milhões de religiosos ao esgotamento almático e às doenças mentais. Alguns saem à procura de novidades e experiências diferentes. Outros permanecem ali por uma questão de tradicionalismo, pouco se importando com os profundos apelos das Escrituras. Suas mentes estão cauterizadas conforme I Tm. 4: 1 e 2 - "Mas o Espírito expressamente diz que em tempos posteriores alguns apostatarão da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios, pela hipocrisia de homens que falam mentiras e têm a sua própria consciência cauterizada..."
Neste sentido, quando um pregador, escritor ou expositor das Escrituras afirma que todos os homens são, por natureza, inimigos de Deus, isto gera um grande mal-estar e, por vezes, duras reações. Estes fatos apenas comprovam que, realmente são inimigos de Deus. O veneno da serpente que foi inoculado no primeiro Adão foi repassado aos seus descendentes conforme Rm. 5:12 - "Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram." O pecado a que alude o texto é a natureza pecaminosa que, por sua vez, gera os atos pecaminosos. A morte referida no texto não é apenas a morte física, mas a morte espiritual, a saber, a separação entre o espírito do homem e o Espírito de Deus, implicando em perda da comunhão. 
Fl. 3:18 e 19 - "... porque muitos há, dos quais repetidas vezes vos disse, e agora vos digo até chorando, que são inimigos da cruz de Cristo; cujo fim é a perdição; cujo deus é o ventre; e cuja glória assenta no que é vergonhoso; os quais só cuidam das coisas terrenas." A inimizade à cruz é a expressão exterior da inimizade interior a Deus. A cruz é o lugar onde Deus, acordou na eternidade pretérita, a redenção dos pecadores eleitos. A cruz é o lugar no tempo e no espaço onde o projeto de Deus se concretizou em Cristo, reconciliando os seus inimigos, os quais escolheu de antemão e os predestinou para serem conformes à imagem e à semelhança de si mesmo. A cruz não é um símbolo religioso, mas um princípio interior a ser seguido. A cruz não é um emblema de religião exterior, mas um caminho a ser percorrido conforme Gl. 2:20 - "Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé no filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim." Não é o "eu" quem vive, mas Cristo vive no interior dos eleitos que foram incluídos em sua morte e em sua posterior ressurreição. O "eu" humano, também chamado de "homem interior" pelo apóstolo Paulo, é o inimigo de Deus. Este ciclo só se rompe quando a maldição eterna do pecado é quebrada e a alma redimida pelo sacrifício d'Aquele que amou os inimigos e, por eles, deu a sua vida.
Cl. 1:21 e 22- "A vós também, que outrora éreis estranhos, e inimigos no entendimento pelas vossas obras más, agora contudo vos reconciliou no corpo da sua carne, pela morte, a fim de perante ele vos apresentar santos, sem defeito e irrepreensíveis..." Muitos religiosos imaginam que, ao executar as exigências de suas religiões estão salvos. Outros imaginam que, além de executar todos os ritos, normas e preceitos, ainda terão de executar muitas obras para ganhar algo mais perante Deus. Todavia, enquanto seus espíritos mortos para Deus, suas almas impregnadas da natureza pecaminosa, e seus corpos que se degeneram para o pó, não forem redimidos e reconciliados, de nada valem seus sacrifícios de tolos. Isto está claro em Sl. 40:6 - "Sacrifício e oferta não desejas; abriste-me os ouvidos; holocausto e oferta de expiação pelo pecado não reclamaste." Deus não precisa, não reclama e não deseja sacrifícios dos homens cujas almas estão contaminadas pela natureza pecaminosa e os espíritos mortos para ele. É como alguém que caiu na latrina e, ao sair de lá todo imundo, toma um pão e oferece aos amigos. Abrir os ouvidos significa a graça do amor de Deus mediante a fé e, tanto a graça, quanto a fé são dons de Deus e não virtudes humanas. É Deus quem abre os ouvidos dos pecadores eleitos. A ação é monérgica e jamais sinérgica!
Watchman Nee afirma em seu livro "Cristo, a Essência de Tudo o que é Espiritual" que, após o nascimento do alto, Deus destrói todos os atos, atitudes e obras ruins no regenerado, mas da mesma forma destrói todos os atos, atitudes e boas obras dos eleitos e regenerados. Muitos se escandalizam ao ler estas palavras, entretanto, é tudo muito simples. Todos os atos dos homens antes da experiência da regeneração estão contaminados pela natureza do pecado. Ainda que moralmente corretos e religiosamente praticantes estão irreconciliados espiritualmente. Suas experiências são apenas almáticas e não espirituais. Por isso se vê tantos desentendimentos, dores, sofrimentos, agressões, disputas, maledicência dentro de igrejas.
Sola Gratia!
Sola Fides!
Sola Scriptura!

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