quarta-feira, 11 de novembro de 2015

ESTADO, ECONOMIA E IGREJA

Mc. 12: 14 a 17 - "Aproximando-se, pois, disseram-lhe: Mestre, sabemos que és verdadeiro, e de ninguém se te dá; porque não olhas à aparência dos homens, mas ensinas segundo a verdade o caminho de Deus; é lícito dar tributo a César, ou não? Daremos, ou não daremos? Mas Jesus, percebendo a hipocrisia deles, respondeu-lhes: por que me experimentais? trazei-me um denário para que eu o veja. E eles lho trouxeram. Perguntou-lhes Jesus: de quem é esta imagem e inscrição? Responderam-lhe: de César. Disse-lhes Jesus: dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus. E admiravam-se dele."
Ao longo da história do Cristianismo muitas controvérsias têm surgido. Algumas desaparecem rápido, outras prolongam-se por algum tempo ou por muito tempo. Outras, entretanto, permaneceram até o presente quadrante da História. Em sua maior parte, tais celeumas são levantadas por homens que, não tendo uma mensagem evangélica legítima, sustentam debates e discussões a fim de manter seus ganhos por meio da religião. Grande parte dos embates entre religiosos envolvem textos bíblicos, mas, na essência, nada têm a ver com a verdade bíblica. Não se trata de apurar a verdade que comunica a vivificação ao homem decaído e absolutamente morto para Deus. Trata-se, outrossim, de discussões inócuas a fim de manter as mentes vazias de Deus ocupadas em destilar venenos e antídotos a si mesmos.
Aqui ou ali ressurgem discussões sobre separação entre Estado e Igreja. Discute-se muito sobre a laicidade do Estado e da necessidade de enquadrar as igrejas nas mesmas obrigações fiscais e penais a que as demais instituições estão sujeitas por força de lei. Por esta razão crescem as bancadas católicas, evangélicas e de outros credos nos parlamentos. Mesmo na velha Europa onde questões de fé já não causam mais grande interesse, há diversos partidos cristãos. Caso houvesse uma enquete séria para perquirir políticos destes partidos, o resumo seria desastroso relativamente à verdade bíblica sobre a pessoa de Jesus e seus ensinos dos quase dois mil anos de Cristianismo. São posições políticas sem uma relação com o Cristo. Trata-se, portanto, de oportunismo pelo poder.
O texto que abre esta instância fala por si mesmo, dispensando outros textos paralelos. No tempo em que o Grande Rei andou entre os homens, a liderança política, religiosa e econômica muito se incomodou com suas posturas não engajadas e politicamente incorretas. Sempre que surgia uma oportunidade tentavam colocá-lo em uma cilada. Tal realidade é uma constante ainda hoje quando alguém destoa do sistema vigente e dominante. Os armadores de cilada aparecem para testar e qualificar o diferente. O objetivo é exclui-lo dos seus convívios para afastar qualquer ameaça de desintegração dos seus meios de vida.
Os inquisidores, quase sempre, se aproximam com lisonjas e afagos para ganhar a confiança do inquirido. Desta forma, ao afirmar que Jesus era um mestre, verdadeiro, que não buscava apoiar-se na glória dos homens e ensinava o verdadeiro caminho de Deus pode, por alguns instante, trair as mentes não nascidas de Deus. É uma declaração sedutora, uma vez que induz à ideia que o inquiridor está perfeitamente concordante com a mensagem e a postura do inquirido. Entretanto, é um artifício que visa a introdução do real motivo. Funciona como uma espécie de facilitador ou negociador para testar o tipo de espírito que está no outro. Não há qualquer mentira nas afirmações dos inquiridores de Jesus, o Cristo. De fato, ele é um mestre, verdadeiro, que não olha para a aparência do homem e ensina o verdadeiro caminho de Deus. A questão não está no que Jesus é, mas naquilo que oculta a intencionalidade do inquiridor. Seus interlocutores estavam interessados em expô-lo ao julgamento do Estado e da elite dominante.
Após lançar suas ciladas, partiram para o ataque direto: "... é lícito dar tributo a César, ou não? Daremos, ou não daremos?" Esta questão possui uma dupla armadilha, porque se a resposta fosse afirmativa condenariam Jesus pelas leis religiosas judaicas. Caso fosse negativa condenariam Jesus por insubordinação e rebelião à autoridade de César. Olhando desta forma parecia não ter saída. Todavia, a lógica humana é nula perante a sabedoria de Deus. Assim, Jesus, serenamente, percebeu a hipocrisia deles, pois os conhecia pelo espírito e não apenas pelo exterior. Importante notar que hipocrisia provém do grego 'hupókrisis' que significa 'resposta, ou resposta de oráculo'. Analisando apenas linguisticamente não parece trazer muita luz. Entretanto, considerando que oráculo é a interpretação que o sacerdote, profeta ou pitonisa dá às respostas dos "deuses", fica evidente que se trata de uma dissimulação ou versão do intermediário. Por isto, as respostas dos agentes humanos aos que consultavam seus "deuses" eram sempre enigmáticas e indiretas. Os oráculos são sempre nebulosos por meio de metáforas, parábolas repletas de símbolos e tipos. O homem decaído ama o mistério e o oculto. 
A resposta de Jesus, o Cristo foi pragmática: "... trazei-me um denário para que eu o veja." Ora, o Cristo sabia perfeitamente o que estava cunhado na moeda do império romano. Todavia, pediu um denário para materializar a sua resposta. Então, ele pergunta de quem era a imagem e a inscrição na moeda. Os religiosos, então, responderam: "de César." Desta forma Jesus, os forçou a obter a própria resposta daquilo que perguntaram por astúcia. "É lícito dar a César o que é de César." Ajuntou à sua explicação didática: "... e a Deus o que é de Deus." O objetivo de Jesus, o Cristo é mostrar que a Economia e o Estado pertence à esfera do mundo terreno, mas a esfero do divino o Estado e a Economia não têm alcance, nem autoridade. A moeda representa a economia, os dizeres e a esfinge representam o Estado. Mas a contraposição à economia e ao Estado está a alma humana decaída e carente da graça salvadora de Deus em Cristo.
Desta maneira, o ensino de Jesus, o Cristo pode desdobrar-se na verdade que o domínio espiritual só pode ser impetrado, regido e conduzido por Deus, enquanto o Estado e a Economia são atividades puramente horizontalizadas, momentâneas e efêmeras. Para espanto de muitos, as religiões e seitas ditas cristãs estão mais preocupadas com o reino deste mundo do que com o reino vindouro. Quase todas suas atividades giram em torno do Estado e da Economia, valendo-se de meras declarações acerca de Deus, Escrituras, Jesus, Verdade, etc.
Sola Gratia!

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