domingo, 20 de setembro de 2015

SAI DELA, POVO MEU III

Ap. 18:4 - "Ouvi outra voz do céu dizer: sai dela, povo meu, para que não sejas participante dos seus pecados, e para que não incorras nas suas pragas."
Está claro que o sistema mundial envolve política, economia e religião. Babilônia é uma metáfora que se utiliza dos conceitos, ideias e práticas de uma antiga civilização berço de mentira, engano e escuridão espiritual. Embora os significados se alteram com a evolução das línguas antigas para línguas modernas, entretanto, não se lhes pode retirar os primeiros significados. Desta forma sabe-se que o substantivo feminino babilônia provém do acadiano 'babil' que significa 'porta dos deuses'. A cidade de Babilônia foi a capital da Suméria e o seu primeiro rei foi Hamurábi cujo governo e administração muito influenciaram as civilizações ocidentais. Dentre os feitos deste rei apontam-se alguns, como, a criação do sistema de tempo com o dia de vinte e quatro horas e a hora de sessenta minutos. O tempo é um componente fundamental para o estabelecimento de muitos outros subsistemas, tais como cálculo matemático, comercial, bancário, financeiro, trabalhista, astronômico, agrícola, arquitetônico, etc. Após a passagem dos hebreus por Babilônia, em seu cativeiro de setenta anos, acrescentaram mais um significado à palavra babilônia como sendo "grande confusão". Isto se deve ao fato de o fundador desta cidade - Ninrode - construía uma torre para finalidades místicas e escusas, portanto, Deus confundiu a língua dos operários para dar fim ao projeto de rivalidade. Na atualidade a palavra babilônia significa: 'cidade grande edificada sem planejamento, confusão, falta de ordem'. 
O significado primitivo de Babilônia - 'porta dos deuses' - traz na essência, a ideia de contato com seres decaídos vindos do mundo espiritual. No passado qualquer ente ou ser não humano era tido como "deus" ou divindade. No início deste blog há quatro estudos sobre tais seres denominados Nephilim. Tais estudos acham-se na aba de janeiro de 2008. Desta forma não há dúvidas que são estes seres decaídos sob a liderança de Satanás que controlam invisivelmente o sistema mundial a fim de estabelecer o seu domínio total sobre a Terra. Este sempre foi o projeto do "deus" deste século cuja função é entenebrecer os entendimentos dos não regenerados conforme II Co. 4: 3 e 4 - "Mas, se ainda o nosso evangelho está encoberto, é naqueles que se perdem que está encoberto, nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus." E não se iluda, o fato de alguém estar em um sistema de crença, ainda que se intitula como cristão, não significa que seja nascido do alto. Uma das principais características da cegueira religiosa é a falta de aprofundamento na busca da verdade. Esta superficialidade se firma em manter-se preso a um sistema religioso sem testá-lo à luz das Escrituras. Todavia, os seus líderes, sabedores dessa possibilidade produzem muita literatura pretensamente esclarecendo os fundamentos da sua crença. Mostram de modo muito convincente que o seu sistema de crença é o verdadeiro. Por isso, muitos se satisfazem apenas com tais explicações epidérmicas e se acomodam. Por fim, com os anos de banco de igreja recebem uma dose tão elevada de lavagem cerebral que nada mais é capaz de penetrar em suas mentes e tudo que lhes é apresentado é rejeitado como inverídico e herético. Isto é explicado pelo apóstolo Paulo conforme I Tm. 4: 1 a 3 - "Mas o Espírito expressamente diz que em tempos posteriores alguns apostatarão da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios, pela hipocrisia de homens que falam mentiras e têm a sua própria consciência cauterizada, proibindo o casamento, e ordenando a abstinência de alimentos que Deus criou para serem recebidos com ações de graças pelos que são fiéis e que conhecem bem a verdade." Vê-se que tal processo de cegueira envolve desde práticas dietéticas, passando por moralidade e indo até questões doutrinárias. Invertem completamente os decretos eternos de Deus e torcem suas ordenanças conforme os desejos dos seus corações. 
O texto neotestamentário previne os eleitos e regenerados acerca do comportamento do sistema "Babilônia, a Grande" conforme II Tm. 4: 3 e 4 - "Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo grande desejo de ouvir coisas agradáveis, ajuntarão para si mestres segundo os seus próprios desejos, e não só desviarão os ouvidos da verdade, mas se voltarão às fábulas." Ora, há grande diversidade de religiões, não apenas as tidas como cristãs, mas em todos os grandes sistemas de crenças. Logo, se todas reclamam a verdade como sendo sua, conclui-se que nenhuma está na verdade, pois a verdade é uma só. O fato é, que, o homem morto espiritualmente para Deus busca apenas gratificação para a alma. Por esta razão é que se sente bem em um sistema onde suas demandas morais, emocionais e legalistas são gratificadas. Tais religiosos são como bombas-relógio, pois as suas naturezas pecaminosas ficam contidas e retidas pelas imposições do sistema preceitual. Assim, eles se tornam subjugados ao jugo religioso, o qual nem eles mesmos creem espiritualmente. Agarram-se a estes expedientes cerimoniais regulados por preceitos a fim de apaziguar suas almas perturbadas pelos reclames das suas naturezas pecaminosas. Não percebem no texto sagrado a diferença entre natureza pecaminosa e atos pecaminosos. Não entendem que aquela é a causa e estes os seus efeitos. Tomam os efeitos como causa e a causa como os efeitos. 
Por esta razão a ordem do anjo é "... sai dela, povo meu..." Este mensageiro está obedecendo a ordem de Deus para que os eleitos abandonem o sistema da "Grande Meretriz" e dependam plenamente da Palavra d'Ele. A ordem é escatológica, entretanto, após a ascensão de Jesus, o Cristo deu-se início à contagem do tempo escatológico. Isto fica claro no texto de I Jo. 2:18 - "Filhinhos, esta é a última hora; e, conforme ouvistes que vem o anticristo, já muitos anticristos se têm levantado; por onde conhecemos que é a última hora." Fica evidente que, mesmo no primeiro século da Era Cristã, já havia dado início à última hora. Muitos imaginam que, quem prega esta verdade está errado, porque encoraja a saída de pessoas das igrejas. Porém, há duas coisas a serem consideradas: primeiro, nem toda agregação de pessoas em um templo físico é uma congregação ou igreja; segundo, a ordem é dada por Deus e não por qualquer homem. Deus é quem conhece tudo profunda e verdadeiramente!
Sai dela, povo meu!!!
Sola Scriptura!
Sola Gratia!
Sola Fides!
Solo Christus!
Soli Deo Gloria!

sábado, 19 de setembro de 2015

SAI DELA, POVO MEU II

Ap. 18:4 - "Ouvi outra voz do céu dizer: sai dela, povo meu, para que não sejas participante dos seus pecados, e para que não incorras nas suas pragas."
Considerando a aparente confusão no trato com os símbolos do estudo anterior se faz necessária uma recapitulação dos mesmos. A dificuldade com alguns textos ocorre devido ao caráter duplo da referência profética. Portanto, um mesmo símbolo pode significar diferentes pessoas por mais de uma vez no tempo, mas o sentido espiritual é sempre o mesmo. Desta forma simplifica-se assim:
a) A mulher vestida de púrpura e de escarlata é o símbolo de uma igreja falsa e satânica. É o oposto da mulher vestida do Sol que simboliza a verdadeira Igreja. É a oposição entre Deus Pai, o Filho e o Espírito Santo e do outro lado Satanás, o Anticristo e o Falso Profeta. Esta mulher está sentada sobre uma besta escarlate que possui sete cabeças e dez chifres. A besta é uma síntese do governo mundial desde os tempos passados até os últimos tempos, tendo como cabeça deste sistema, o próprio Satanás. O representante humano deste mesmo sistema é o Anticristo apoiado pelo Falso Profeta, a saber, o líder de um grande e poderoso sistema religioso. A mulher declarada como "Babilônia, a Grande" é um sistema eclesial fora da verdade do evangelho puro, porém altamente engajada e aceita pela sociedade.
b) As muitas águas sobre as quais a mulher está assentada é o seu domínio sobre muitos povos, multidões, nações e línguas conforme Ap. 17:15.
c) Prostituição em sentido espiritual é uma referência à adoração de ídolos, sejam eles de barro, de pedra, de metal, como também de pessoas mortas ou vivas. Recai em uma infidelidade à verdade disfarçada por meias verdades.
d) "Mistério: Babilônia" é uma referência àquilo que é hermético, ou seja, é conhecido apenas pelos iniciados. É uma forma de esoterismo religioso e místico. São práticas satânicas que apenas alguns conhecem em determinadas seitas e grupos secretos.
e) A besta é originalmente o Diabo, mas se expressa por um sistema político-econômico-religioso e também por uma pessoa, o Anticristo. 
f) As sete cabeças são sete impérios, sendo cinco já desaparecidos historicamente, mas existentes culturalmente. O sexto império dominava no tempo em que o texto foi revelado. Este sexto império, o Romano, ressurgirá no fim dos tempos formado por nações originalmente de cultura latina. Este sétimo império dará origem ao oitavo domínio ou o reino do Anticristo, o qual é uma das duas bestas de Ap. 13.
g) Os sete montes são outra referência aos sete impérios, sendo cinco já passados e um que ainda ressurgirá no final dos dias. O oitavo reino será o domínio do Diabo em pessoa e emergirá do sétimo domínio.
h) Os dez reis indicam governantes de nações poderosas e influentes que farão aliança com o Anticristo para lhe entregar o governo mundial.
A voz que vem do céu no capítulo dezoito de Apocalipse diz: "... sai dela povo meu..." É uma ordem imperativa aos eleitos e regenerados para sair do sistema político-econômico e religioso organizado e controlado pela falsa igreja denominada "Babilônia, a Grande". O poder religioso sempre esteve apoiado e apoiando-se sobre os governos e a economia. Mudou de localização geográfica ao longo da História, mas seus métodos são sempre os mesmos. Desta forma, o texto dá entender que surgirá uma grande cidade a qual receberá o nome de Babilônia e ocupará novamente o mesmo espaço geográfico da primeira Babilônia no Oriente Médio conforme Zc. 5: 5 a 11 - "Então saiu o anjo, que falava comigo, e me disse: levanta agora os teus olhos, e vê que é isto que sai. Eu perguntei: que é isto? Respondeu ele: isto é uma efa que sai. E disse mais: esta é a iniquidade em toda a Terra. E eis que foi levantada a tampa de chumbo, e uma mulher estava sentada no meio da efa. Prosseguiu o anjo: esta é a impiedade. E ele a lançou dentro da efa, e pôs sobre a boca desta o peso de chumbo. Então levantei os meus olhos e olhei, e eis que vinham avançando duas mulheres com o vento nas suas asas, pois tinham asas como as da cegonha; e levantaram a efa entre a terra e o céu. Perguntei ao anjo que falava comigo: para onde levam elas a efa? Respondeu-me ele: para lhe edificarem uma casa na terra de Sinar; e, quando a casa for preparada, a efa será colocada ali no seu lugar." Efa era um recipiente que servia para medir grãos e coisas a granel. A mulher sentada no meio da efa é uma igreja mundial que está mudando de localização. Terra de Sinar era outro nome para a região da Babilônia, o que hoje, corresponde ao Iraque.
O reino do Anticristo emergirá de uma síntese dos sete impérios já existentes no passado. É como se houvesse um apuramento da cultura mundial nos últimos tempos. Este será o oitavo rei e este tipo já apareceu uma vez com Antíoco Epifânio o qual invadiu Jerusalém e sacrificou um porco no altar do Templo de Salomão para afrontar os judeus. O Anticristo foi previsto em Dn. 8: 9 e 21 - "Ainda de um deles saiu um chifre pequeno, o qual cresceu muito para o sul, e para o oriente, e para a terra formosa;  Mas o bode peludo é o rei da Grécia; e o grande chifre que tinha entre os olhos é o primeiro rei." O bode peludo é uma referência a Alexandre, o Grande da Macedônia que conquistou o mundo civilizado da época. Após a morte prematura de Alexandre o seu império foi dividido entre quatro dos seus generais, cabendo a Antíoco Epifânio o domínio da Palestina, incluindo-se, Israel. Assim, o bode peludo é o império grego-macedônio e o chifre pequeno foi, no passado, Antíoco Epifânio, mas reaparecerá na pessoa do Anticristo. Jesus, o Cristo também afirma que o oitavo rei, a saber, o Anticristo voltará à Terra de Israel no fim dos tempos e fará a mesma coisa que fez Antíoco Epifânio conforme Mt. 24: 15 a 19 - "Quando, pois, virdes estar no lugar santo a abominação de desolação, predita pelo profeta Daniel (quem lê, entenda), então os que estiverem na Judeia fujam para os montes; quem estiver no eirado não desça para tirar as coisas de sua casa, e quem estiver no campo não volte atrás para apanhar a sua capa. Mas ai das que estiverem grávidas, e das que amamentarem naqueles dias!" O lugar santo é o Santo dos Santos no Templo de Jerusalém que, pelo tempo do fim será novamente reconstruído. A abominação desoladora será a tomada do templo pelo Anticristo que exigirá adoração como um "deus". Isto é ensinado também em II Ts. 2:4 - "... aquele que se opõe e se levanta contra tudo o que se chama Deus ou é objeto de adoração, de sorte que se assenta no santuário de Deus, apresentando-se como Deus." Sabe-se que, os judeus religiosos já possuem todo o material e os recursos para a reconstrução do Templo em Jerusalém. A única coisa que os impede, humana e espiritualmente, é a ocupação do local por duas mesquitas muçulmanas no Domo da Rocha.
Por estas razões a ordem de Deus é que o seu povo - eleito e regenerado - saia do ambiente da religião e se volte para a adoração em espírito e em verdade que é o culto racional.
Solo Christus!

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

SAI DELA, POVO MEU I

Ap. 18: 4 - "Ouvi outra voz do céu dizer: sai dela, povo meu, para que não sejas participante dos seus pecados, e para que não incorras nas suas pragas."
A Bíblia, notadamente o livro de apocalipse é plena de símbolos e tipos. Isto porque a sua linguagem é as vezes literal, e por vezes, figurada. Qualquer afirmação sobre o porquê de as Escrituras serem assim é mera especulação, pois seria uma incursão nas razões de Deus por conta própria. Grande parte dos comentaristas e interpretes dos textos sagrados se aventura neste campo escorregadio. Muitos foram desmascarados ao longo da História por suas afirmações sem revelação do alto.
Sabe-se que as profecias podem apresentar dupla referência, ou seja, tanto podem ocorrer em tempos diferentes, como se referir a pessoas e acontecimentos diferentes, valendo-se dos mesmos símbolos. Entretanto, sabe-se que toda profecia é voltada apenas para cumprir o projeto eterno de Deus em Cristo. Nada nas Escrituras está centralizado em homens, lugares e circunstâncias, sendo estes apenas meios e não fins em si mesmos. Tudo aponta para a obra redentora de Cristo, tanto antes, como durante e depois da sua manifestação visível ao mundo. O papel do Diabo não é, inicialmente, oprimir e destruir a humanidade, ao contrário, o seu objetivo é glorificar e exaltar o homem portador da natureza pecaminosa. Isto se dá por meio da ciência, do conhecimento dos fenômenos e de si mesmo. Isto visa negar a eficiência e a eficácia do propósito supremo e eterno de Deus. Como tal propósito é executado por meio de Cristo, implica que o objetivo maior de Satanás é desacreditar Cristo como a solução definitiva e única para o pecado que gera os atos pecaminosos no homem e o mal moral na humanidade. Por esta razão a literatura universal gira sempre em torno de auto-ajuda e do autoconhecimento humano. Multiplicam-se as pesquisas e os métodos para dar ao homem uma solução própria. A ideia por trás deste projeto paralelo é provar que o homem é o seu próprio Deus e que a obra de Cristo é uma farsa.
O texto que abre esta instância é parte de um contexto maior que provém desde o capítulo dezessete e chega ao capítulo dezoito do livro profético de Apocalipse. Este livro conecta-se às profecias de Daniel e de Ezequiel, bem como, dos textos proféticos de Jesus, o Cristo, especialmente de Mateus capítulo vinte e quatro. Verifica-se que o versículo quatro do capítulo dezoito de Apocalipse contém uma veemente ordem dada por um anjo. A ordem é imperativa e se destina aos eleitos e regenerados a que saiam da "Grande Babilônia". Neste ponto começam as dúvidas, especialmente, para religiosos, os quais possuem apenas conhecimento informativo sobre tais assuntos. O que quer dizer "Grande Babilônia" e "Grande Meretriz"? A antiga Babilônia foi superada pelo tempo, restando apenas ruínas em seu sítio arqueológico. Bem, neste sentido é que entram os símbolos ou a linguagem figurada. Todavia, para compreender bem o sentido e a extensão dos símbolos ter-se-á de recorrer a algumas referências veterotestamentárias e outras referências paralelas neotestamentárias. O paralelismo bíblico ocorre, justamente, porque o texto escriturístico objetiva mostrar uma única verdade: Cristo.
No capítulo dezessete de Apocalipse fala-se da "Grande Meretriz". Uma mulher é sempre símbolo de um sistema religioso. Se a mulher é revestida de luz, tem a Lua sob os pés e está grávida é uma alusão à verdadeira Igreja. Se a mulher é vestida de púrpura e seda, bebe em uma taça, está montada em algum animal e é chamada de meretriz é a falsa igreja. A falsa igreja é sempre atrelada ao sistema político e econômico dominante em cada momento da História. Uma meretriz é um símbolo que indica um comportamento de infidelidade, depravação, prostituição ou mesclagem da verdade à mentira. O texto faz menção à "Grande Meretriz" como sendo "Babilônia, a Grande". Por dupla referência profética sabe-se que, a antiga cidade de Babilônia foi a sede de um vasto sistema político-econômico-militar e religioso dominante por muitos séculos. Desta forma, a alusão a ela no Apocalipse é uma segunda referência a um sistema dominante no mundo pós Cristão. É a continuidade visível do antigo sistema de controle e dominação de todos os tempos, visando ao estabelecimento do reino de Satanás na Terra. Isto se dará, inicialmente, por meio de líderes políticos e religiosos poderosos e dissimulados em regimes populares, modos de produção econômicos e crenças religiosas místicas agradáveis ao egoísmo humano. Na fase mais avançada, Satanás em pessoa assumirá o controle por um curto período de tempo antes da restauração final. Por esta razão é que a sede do sistema é identificada como a "mãe das meretrizes e das abominações da Terra". Por abominação entende-se algo que profana o sagrado por meio da idolatria de coisas e de homens. Desta forma o seu alcance não será apenas um território e um determinado governo ou país, mas o mundo todo. Há uma matriz do sistema satânico instalada no mundo desde a queda do homem. Tal sistema vem se apresentando em diversas fases, sendo a última a mais sofisticada.
A tal igreja associada ao sistema político-econômico está, desde agora, intimamente comprometida no processo de engano, mentira e dominação, pois acha-se "embriagada pelo sangue dos santos e das testemunhas de Jesus", o Cristo. A falsa igreja representada pela mulher está "montada em uma besta com sete cabeças e dez chifres". Acerca da besta é dito que era e não é mais, mas que está para emergir do abismo e caminha para a perdição. Isto implica em que, o tal sistema de crença hibrido com o sistema político-econômico-militar é apoiado e apoia-se na autoridade de sete reinos e dez governantes. Cabeças simbolicamente indicam autoridade e chifres indicam poder. A tal besta é um sistema sediado em uma cidade que foi erguida sobre sete montes. Representam também sete autoridades ou domínios. É declarado que cinco destes impérios poderosos já foram extintos. Neste caso, são eles: Egito, Assíria, Babilônia, Pérsia e Grécia. Um dos domínios temporais ainda existia no tempo em que João recebeu a revelação do Apocalipse. Neste caso, tratava-se do Império Romano que era a potência dominante de então. Também é revelado que o sétimo reino ou domínio ainda não havia chegado, mas apareceria no tempo de fim e duraria pouco tempo. Isto indica uma reedição do antigo Império Romano formado por nações atuais de origem latina. A própria besta, ou seja, o governo mundial que havia sido extinto e ressurgirá será um oitavo governo ou império que também será destruído na restauração final. Tal sistema, ao que parece, será uma espécie de tratado ou acordo firmado por governantes que estarão no comando do sistema mundial. Os chifres são governantes de dez países poderosos que serão aliados da besta, ou seja, do sistema dominante controlado pelo Anticristo. Estes dez governantes formarão uma aliança e darão total e irrestrito apoio ao governo mundial da besta. É dito que este tratado terá curta duração. Será um tempo de ações muito rápidas e curtas, porém altamente destrutivas.
As águas sobre as quais a cidade-sede do sistema mundial chamada "Babilônia, a Grande" está assentada são povos, multidões, nações e línguas conforme o verso quinze. Também é revelado no texto que os governantes e a besta, ou seja, o Anticristo odiarão a Grande Meretriz e a destruirão quando conseguirem o controle e o domínio mundial. Desta forma, a primeira vítima do sistema satânico será a falsa igreja, porque o Anticristo reivindicará para si o título de "deus". Ela pagará por todo o engano, a mentira e o assassinato de fiéis filhos de Deus. É dito finalmente no último versículo do capítulo dezessete de Apocalipse que a mulher é uma cidade que exerce grande influência e domínio sobre os governantes do mundo por artifícios religiosos místicos conforme Ap. 13. Tal cidade é a sede de um complexo e poderoso sistema que manipula as mentes dos homens. A religião é, de fato, um fértil campo para conseguir tal controle.
Sola Scriptura!

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

POSSO TODAS AS COISAS? QUAIS? COMO?

Fl. 4: 6 e 7 - 12 e 13 - "Não andeis ansiosos por coisa alguma; antes em tudo sejam os vossos pedidos conhecidos diante de Deus pela oração e súplica com ações de graças; e a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus.  Sei passar falta, e sei também ter abundância; em toda maneira e em todas as coisas estou experimentado, tanto em ter fartura, como em passar fome; tanto em ter abundância, como em padecer necessidade. Posso todas as coisas naquele que me fortalece."
Há uma recorrente tendência entre religiosos em dissimular exaltação a Deus, quando, de fato, exaltam-se a si mesmos. Para tanto, utilizam de expediente digressivo, o qual consiste em declarar porções bíblicas, as quais demonstram poder, santidade, superioridade e vitória, mas vivem, interiormente, dramas incontroláveis. Por vezes, são pessoas que sequer sabem diferenciar Jesus, o homem histórico, do Cristo pré-existente e eterno, porém se apropriam dos textos bíblicos sem qualquer autoridade espiritual. Pessoas que memorizam textos apenas pela beleza poética dos mesmos, ou porque tais textos e contextos expressam suas mazelas, carências e desesperos circunstanciais. Passada a refrega e a ansiedade, não são capazes de, sequer, localizar tais textos nas Escrituras. Também há aqueles que buscam nas Escrituras textos para responder ou atacar seus desafetos em uma espécie de transferência dos desacertos à esfera do sobrenatural. Ainda há aqueles que se utilizam dos textos bíblicos para aconselhar outros, quando nem eles mesmos creem no que estão aconselhando. Muitas vezes estes artifícios fazem parte de um repertório de expertises para ganhar simpatias, aliados e alguma vantagem emocional ou material sobre terceiros. As pessoas que assim agem são portadoras da "Síndrome de Lúcifer", a saber, querem uma espécie de poder supremo para si. Contrariamente, os eleitos e regenerados recebem como certa a verdade seguinte: "quando sou fraco, aí é que sou forte." No reconhecimento e confissão da própria fraqueza dá lugar à manifestação do poder unicamente de Cristo. Isto faz que o regenerado dependa exclusivamente d'Ele e do seu poder.
Acerca dos tais que usam os textos sacros como meros expedientes, as Escrituras afirmam em Is. 29:13 - "Por isso o Senhor disse: pois que este povo se aproxima de mim, e com a sua boca e com os seus lábios me honra, mas tem afastado para longe de mim o seu coração, e o seu temor para comigo consiste em mandamentos de homens, aprendidos de cor." Portanto, aproximar-se das coisas relativas a Deus, dizer coisas bonitas acerca d'Ele, em nada consiste em confessá-lo e adorá-lo em espírito e em verdade. Eles estabelecem mandamentos, preceitos e regras conforme seus próprios desejos e atribuem à sua religiosidade um culto a Deus que, de fato, não é real. São apenas dogmas decorados e praticados em forma de rituais ou religião exterior. Aos olhos de Deus, para nada aproveita, pois tudo o que possui centralidade no homem e não em Cristo, não possui valor, senão sociológico. Portanto, é fundamental entender e receber com mansidão o fato que a religião é apenas um artifício humano e não uma ordenança divina. De fato, Deus não fundou nenhuma religião. O apóstolo Tiago esclarece que a verdadeira religião consiste em visitar as viúvas e os órfãos e fazer-lhes caridade conforme Tg. 1: 26 e 27 - "Se alguém cuida ser religioso e não refreia a sua língua, mas engana o seu coração, a sua religião é vã. A religião pura e imaculada diante de nosso Deus e Pai é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas aflições e guardar-se isento da corrupção do mundo." Primeiramente, vê-se que a religião é um cuidado humano e, secundariamente o falar deve coincidir com a prática humanitária.
O texto de abertura provém de um contexto em que o apóstolo Paulo está expondo as dores, aflições e a glória no serviço do evangelho de Cristo. Fica evidente que, a oração e súplica diante das aflições não é para convencer Deus a ser favorável aos desejos e caprichos humanos, mas para ganhar a paz que ultrapassa todos os limites da compreensão humana. Não se trata de fazer barganha, mas de reconhecer que tudo está no controle de Deus. Acrescenta-se que a paz profunda e espiritual consiste em que os corações dos eleitos e regenerados são guardados em Cristo e não em vitórias materiais como se supõe na religião comum. O texto mostra como Deus prova e aprova os seus eleitos e regenerados, tanto na abundância, como na escassez a fim de que tenham a firme confiança que todas as coisas provêm d'Ele. Desta forma, a pedagogia de Deus consiste em não deixar que a fé dos seus seja apenas apoiada em ter coisas, ou mesmo, que eles não desfaleçam os corações por sofrerem sempre escassez. 
Muitos utilizam apenas o versículo treze do referido texto para se vangloriar de uma vitória que, muitas vezes, nada tem a ver com a dependência plena de Deus. Assim, muitos afirmam: "posso todas as coisas naquele que me fortalece." Entretanto, deixam de considerar tudo o que o apóstolo Paulo fala antes e após o verso treze. Descontextualizam o texto a pretexto de exibir uma vitória que não têm e um poder que não lhes pertence. São, portanto, usurpadores da verdade! Uma visão mais acurada deste verseto, permite ver com clareza meridiana que, o poder sobre todas as coisas reside naquele que fortalece o nascido de Deus e não em si mesmo. Aquele que fortalece é Jesus, o Cristo e não fatos. Deus não tem coisas para dar aos seus, ele tem Cristo, porque Cristo é o tudo de Deus. O poder dos nascidos do alto reside, tanto em ter abundância em Cristo, como ter escassez em Cristo; passar fome em Cristo, ter fartura em Cristo. Cristo é, portanto, aquele que fortalece os nascidos de novo em quaisquer circunstâncias. São os extremos circunstanciais que provam e aprovam os eleitos e regenerados. Aquele que não recebeu a sua inclusão na morte com Cristo, bem como na sua consequente ressurreição juntamente com ele, tende a afastar-se dele tanto em um, quanto no outro extremo. A fé genuína consiste em confiar plena e incondicionalmente em Deus por meio de Cristo sob quaisquer circunstâncias. Os nascidos de Deus não olham as circunstâncias, mas olham para Cristo autor e consumador da fé.
Então, paradoxalmente, quais "todas as coisas" as quais o eleito e regenerado pode? Todas! As boas e as ruins, porque ele é conduzido pelo Espírito e não pela carne. Como eles podem todas estas coisas? Suportando-as da mesma forma em Cristo, pois ele é a vida dos justificados na cruz conforme Gl. 2:19 e 20.
Solo Christus!