sábado, 10 de janeiro de 2015

A ORDO SALUTIS E O EVANGELHO PROCLAMÁVEL

Rm. 8: 29 e 35 - "Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos; e aos que predestinou, a estes também chamou; e aos que chamou, a estes também justificou; e aos que justificou, a estes também glorificou. Que diremos, pois, a estas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós? Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós, como não nos dará também com ele todas as coisas? Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica; Quem os condenará? Cristo Jesus é quem morreu, ou antes quem ressurgiu dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós; quem nos separará do amor de Cristo? a tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada?"
'Ordo salutis' é um conceito cristão, mas não se acha grafado na Bíblia desta forma. Entretanto, existe uma ordem da salvação amplamente caracterizada nas Escrituras. Tal ordem, não é um imperativo, mas uma sequência dos eventos que determinam a salvação de pecadores. Trata-se apenas de uma expressão técnica para demonstração de como Deus amou alguns pecadores de antemão, os predestinou, e os elegeu para a redenção, criando todos os meios para que tal ação ocorresse conforme a sua vontade soberana. Tais elementos envolvem sua vontade, sua graça, sua misericórdia, o justificador, a fé, o momento histórico e o espaço geográfico. É o que se chama de 'kairós' de Deus!
O evangelho é a proclamação de boas novas para a salvação de pecadores, portanto é o resultado do poder soberano de Deus para redimir aos que amou em sua presciência, predestinou, elegeu, chamou, justificou e glorificou por meio de Jesus, o Cristo. Por esta razão está doutrinado em Rm. 1: 16 e 17 - "Porque não me envergonho do evangelho, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego. Porque no evangelho é revelada, de fé em fé, a justiça de Deus, como está escrito: Mas o justo viverá da fé." Vê-se que o evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê. E quem é aquele que crê? Aquele a quem é dado crer, pois a fé não é uma virtude do homem decaído, mas um dom de Deus. Os todos a que se referem alguns textos bíblicos, não são todos os homens, mas todos aqueles aos quais é dada a graça para crer e receber. São homens de todas as nações, tribos e línguas, os quais foram preordenados para crer. O judeu e o grego são termos puramente tipológicos: o judeu é o tipo dos que receberam a lei, as profecias e as promessas do Salvador; o grego é o tipo daqueles que seriam chamados dentre as outras nações. São homens de todas as etnias e não todos os homens. 
O ensino escriturístico da predestinação e eleição causa reações bastante adversas, especialmente entre religiosos "igrejificados", ou seja, confinados, conformados e subordinados a um sistema religioso o qual herdou por tradição ou foi estimulado a pertencer por forças circunstanciais. Estas pessoas estão conformadas aos padrões a elas  ensinados, porque foram persuadidas a acreditar que, se um sistema  afirma ser cristão, cita as Escrituras, fala sobre Deus, sobre Jesus e fala sobre o amor, a caridade e os bons costumes, logo, é a verdade. Ora, muitas seitas satânicas citam todas estas coisas. Neste sentido há demônios mais crentes que muitos religiosos, pois além de crer, eles estremecem diante da realidade de que há um só Deus conforme Tg. 2:18 - "Crês tu que Deus é um só? Fazes bem; os demônios também o creem, e estremecem." Entretanto, e apesar das tentativas de arranjar textos para negar a doutrina da eleição e predestinação tal como está nas Escrituras, o apóstolo Paulo diz que é Deus quem justifica os seus eleitos. Portanto, ainda que intentem acusações, que os condenem e levantem dúvidas sobre questões morais, nada mudará esta verdade. Por terem escamas nos olhos e cera nos ouvidos, não veem e não ouvem que é Deus quem os justificou. Tal justificação não dependeu de méritos ou justiças próprias, mas de Cristo os ter incluído em sua morte de cruz e também na sua gloriosa ressurreição dentre os mortos. A morte de Cristo foi para habilitar os eleitos, matando as suas naturezas pecaminosa. Na sua ressurreição ao terceiro dia mostrou a sua vitória sobre a morte e o inferno. Portanto, sendo a obra da regeneração atribuída apenas a Cristo e não ao pecador, nada o separará do seu amor.
As religiões não conseguem a unidade da fé, porque seguem uma base de crenças humanistas. Tais crenças são apenas adaptações feitas por teólogos para a gratificação das suas almas decaídas e satisfação dos seus anseios. Por tal razão é que há inumeráveis crendices, igrejas e seitas. No Catolicismo Romano, por exemplo, dizem que a ordem da salvação é: 'batismo, confirmação, eucaristia, penitência e extrema unção'. É, na verdade, apenas um conjunto de dogmas sacramentais, alguns das quais sequer estão nas Escrituras como ensino. No Luteranismo, um dos ramos da reforma protestante, a ordem é: 'chamada, iluminação, arrependimento, regeneração, justificação, união mística, santificação e conservação'. No Arminianismo a ordem é: 'presciência, predestinação, eleição, graça preveniente, chamada externa, arrependimento e fé, regeneração, justificação, santificação e glorificação'. No Calvinismo tal ordem é: 'predestinação, eleição, chamada, regeneração, fé, arrependimento, justificação, santificação, perseverança e glorificação'. Observa-se que não há unanimidade sobre algo que está perfeitamente doutrinado nas Escrituras.
Ora, esta necessidade de ordenar os elementos constitutivos da ação monergística de Deus é puramente humana. Na verdade, muitos destas etapas são sucessivas ou mesmo simultâneas. Não necessariamente, numa ordem lógica conforme o entendimento humano. Estas etapas são operadas e operacionalizadas objetivamente por Deus e recebidas subjetivamente pelo homem. Tudo se dá pela graça mediante a fé e, ambas são dom de Deus conforme Ef. 2:8 a 10 - "Porque pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie. Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus antes preparou para que andássemos nelas." Assim, o elemento iniciador e desencadeador do processo é a graça. Por graça entende-se que é Deus realizando no pecador uma obra impossível ao homem. Portanto, é Deus fazendo tudo por quem nada merece. Para tanto, ele executa a exigência da lei contra o pecado em si mesmo, na pessoa do seu filho unigênito na cruz. Ao morrer na cruz, todos os pecadores eleitos estavam incluídos nele para aniquilação da culpa do pecado. Ao ressuscitar, trouxe todos os eleitos e regenerados de volta à vida e à comunhão com Deus. Em Cristo na cruz a raça do primeiro Adão foi encerrada e dado o início de uma nova raça em Cristo, o último Adão. É neste sentido que Adão era um tipo de Cristo, pois um deu origem a uma linhagem de pecadores, o outro deu origem a uma ração de novas criaturas justificadas e imortais. 
Portanto, o evangelho proclamável é o que mostra com simplicidade o modus operandi de Deus para remissão do pecado conforme Rm. 15: 3 e 4 - "Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras; que foi sepultado; que foi ressuscitado ao terceiro dia, segundo as Escrituras."
Muitos homens inchados em sua arrogância pecaminosa se sentem ofendidos quando confrontados com estas verdades. Entretanto, aos nascidos de Deus é dada a seguinte ordem sobre o evangelho proclamável: "portanto indo, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo." Esta ordenança foi dada aos eleitos e regenerados, que são homens comuns e sujeitos a erros. Não são perfeitos como querem alguns cegos espiritualmente, porque exigem dos eleitos aquilo que eles mesmos não são. A obra do Diabo é exatamente esta: fazer o pecador rejeitar a mensagem por causa do mensageiro. Ora, basta ler as Escrituras e verificar-se-á que os homens mais usados por Deus eram de péssima qualidade moral. Todavia, foram eles regenerados e as obras deles falam ainda hoje. Eles foram conhecidos de antemão, predestinados, chamados, justificados e glorificados.
Sola Gratia!

Nenhum comentário: