sábado, 23 de agosto de 2014

DO MESMO MODO

Jo. 3: 14 a 16 - "Do mesmo modo como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado; para que todo aquele que nele crê tenha a vida eterna. Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. "
O pecado é a incredulidade no que Deus afirma em sua Palavra. Isto é confirmado pelos acontecimentos ainda no Éden, quando o homem deu crédito ao que o Diabo disse, incorporado na serpente, e não ao que Deus dissera primeiro. Para muitos esta é apenas uma lenda. Para outros é um mecanismo de controle por meio de crenças. Entretanto, aos que creem é a Palavra de Deus registrada por homens e para os homens, porém inspirada por Ele. Ao primeiro Adão fora dito: "... de toda árvore do jardim podes comer livremente; mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dessa não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás." Satanás, por instrumentação material da serpente, lhe mostrou uma segunda opção: "disse a serpente à mulher: certamente não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que comerdes desse fruto, vossos olhos se abrirão, e sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal." A árvore cujo fruto foi restringido ao homem era a do conhecimento do bem e do mal. Isto implica em que, pelo acesso a este fruto, o homem obteria autonomia, dispensando a dependência de Deus. Tal autonomia conferiria ao homem o conhecimento do certo e do errado, do bem e do mal, do bom e do ruim. Isto o dotaria de uma capacidade de agir e julgar, porém por conta própria sem a comunhão com Deus. Satanás apresentou aos ancestrais da humanidade uma outra proposta, pela qual os homens se assemelhariam a Deus, tendo plena liberdade de conhecimento, discernimento e poder de escolha livre. Entretanto, Satanás não informou aos ancestrais, as consequências desta proposta, a saber, a morte em todos os seus sentidos. Ao comparar as duas falas, não há dúvidas que a proposta do Diabo é mais atraente: desmente e desautoriza Deus, afirmando que não haveria morte;  desqualifica a palavra de Deus, colocando-o como egoísta e mentiroso, porque estaria ocultando ao homem determinadas vantagens. O homem caiu neste engodo e desacreditou da sentença afirmativa de Deus: "... certamente morrerás." Acontece que o supremo propósito de Deus era levar o homem, não apenas a ser a imagem, mas também a semelhança de Cristo por meio da árvore da vida. Este propósito não se alterou com o pecado, pois a redenção já havia sido preordenada antes dos tempos eternos. A queda do homem não foi surpresa e a provisão para a sua redenção sempre esteve providenciada. Ela se cumpriu nos eventos concretos e históricos de Jesus, o Cristo crucificado. Ele expiou a culpa do pecado e redimiu os eleitos em sua morte e ressurreição.
Gn. 3:15 - "Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua descendência e o seu descendente; este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar." Verifica-se neste texto uma estrutura gramatical muito significativa, pois, "entre ti e a mulher" indica uma inimizade entre Satanás personificado na serpente e a Igreja personificada na mulher. Ainda a expressão: "... e entre a tua descendência e o seu descendente" indica, respectivamente, a humanidade maculada pela natureza pecaminosa e Cristo nascido de mulher para redimir os pecadores. Finalmente as expressões: "...este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar" demonstra o Diabo sendo derrotado na execução da justiça de Deus contra o pecado na cruz. Esta foi a segunda profecia sobre a redenção de pecadores pela morte substitutiva e inclusiva em Cristo.
Desta forma todos os descendentes de Adão, o cabeça federal da raça, traz o veneno da serpente em seu DNA. Isto é confirmado pelo apóstolo Paulo em Rm. 5:12 - "Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram." O pecado não é uma questão de escolha ou de mau comportamento moral, mas de herança da natureza pecaminosa. Os atos pecaminosos são consequências desta natureza e não a sua causa. De maneira que o pecado é não crer na Palavra de Deus. Isto é confirmado por Cristo em Jo. 16:9 - "... do pecado porque não creem em mim." Não crer em Cristo não é apenas negar a sua existência. É antes negar as Escrituras que o previram como o Unigênito Filho de Deus que viria para redimir os pecadores. É não crer que ele mesmo é Deus, juntamente com o Pai e o Espírito Santo. É incredulidade na Palavra de Deus.
Nm. 21: 4 a 9 - "Então partiram do monte Hor, pelo caminho que vai ao Mar Vermelho, para rodearem a terra de Edom; e a alma do povo impacientou-se por causa do caminho. E o povo falou contra Deus e contra Moisés: por que nos fizestes subir do Egito, para morrermos no deserto? pois aqui não há pão e não há água: e a nossa alma tem fastio deste miserável pão. Então o Senhor mandou entre o povo serpentes abrasadoras, que o mordiam; e morreu muita gente em Israel. Pelo que o povo veio a Moisés, e disse: pecamos, porquanto temos falado contra o Senhor e contra ti; ora ao Senhor para que tire de nós estas serpentes. Moisés, pois, orou pelo povo. Então disse o Senhor a Moisés: faze uma serpente de bronze, e põe-na sobre uma haste; e será que todo mordido que olhar para ela viverá. Fez, pois, Moisés uma serpente de bronze, e pô-la sobre uma haste; e sucedia que, tendo uma serpente mordido a alguém, quando esse olhava para a serpente de bronze, vivia." Como foi dito, o pecado é uma condição herdada e inata ao homem após a queda. Portanto, todo homem é uma serpente portadora da peçonha do pecado, mesmo quando não manifesta qualquer erro moral. A redenção do pecador é um ato monergístico, ou seja, operado e operacionalizado apenas por Deus em Cristo. O pecado do povo hebreu na travessia do Egito para Canaã foi incredulidade na promessa que seriam levados à terra prometida. Toda vez que a situação se tornava difícil ou desfavorável, o povo murmurava contra Deus. Por esta razão suas naturezas pecaminosas de serpente se externavam em atos e atitudes de pecados. O tratamento de Deus em relação à natureza pecaminosa é sempre por homeopatia, ou seja, administrar uma dose de remédio que desperta no homem a consciência do seu próprio pecado. É necessário ao homem reconhecer-se pecador e confessar-se pecador. É necessário conhecer e saber o que é o pecado e não apenas declarar seus atos pecaminosos. A simples declaração de seus erros, não cura a natureza pecaminosa. Passada a dificuldade, a natureza pecaminosa produz mais atos pecaminosos. Jesus, o Cristo, demonstra isto a Nicodemos em Jo. 3:6 - "O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito." As consequências são o que a causa é, ou seja, a natureza pecaminosa determina os atos pecaminosos. 
Após as murmurações dos hebreus diante das dificuldades, Deus enviou-lhes serpentes abrasadoras do deserto que lhes feriam. Morreram milhares de pessoas pelo veneno das serpentes. Isto demonstra que o pecado gera a morte e o único remédio é o homem olhar para si mesmo como uma serpente portadora do veneno pecaminoso. Deus ordenou a Moisés que fizesse uma serpente de bronze e a colocasse sobre um mastro e o pusesse no arraial. Todo aquele que olhasse para a serpente após ter sido picado, seria curado e não morreria. O ato de apenas olhar para um mero objeto de metal para ser curado de um veneno que implica em morte certa e imediata, exige apenas fé. Aquela serpente pendurada na haste para a qual o homem deveria olhar era um dos símbolos de Jesus, o Cristo pendurado na cruz para o aniquilamento do pecado conforme confirmado em Hb. 9:26 - "...doutra forma, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo; mas agora, na consumação dos séculos, uma vez por todas se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo."
Quase todos os homens quando se defrontam com o ensino verdadeiro das Escrituras sobre a natureza pecaminosa se esquivam e negam que sejam portadores de tal natureza. Isto porque todos imaginam, erroneamente, que não se enquadram, visto que não fazem o mal aos seus semelhantes. Ou porque praticam alguma religião ou são caridosos.  Entretanto, todos sem exceção alguma são pecadores por natureza e não apenas por atos. Esta atitude de não se ver como pecador é o mesmo que não olhar para a serpente de bronze levantada na haste no deserto. É negar olhar para Cristo na cruz sem pecado e assumindo o pecado de todos os eleitos para aniquilação da culpa diante de Deus. Ele foi, desse modo, a propiciação do pecado. Todos os eleitos foram incluídos em sua morte, para matar a morte que o pecado trouxe. Não a morte física, mas a separação entre Deus e o homem decaído. Jesus, o Cristo ensina que, se alguém não tiver esta experiência de novo nascimento e vivificação, não vê e não entra no reino de Deus conforme Jo. 3: 3 e 5 - "Respondeu-lhe Jesus: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Jesus respondeu: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus." Nascer de novo no texto original é nascer do alto, portanto, uma ação monérgica. Nascer da água simboliza ganhar a fé pela Palavra de Deus; e nascer do Espírito é ser vivificado e reconciliado a Deus. A pregação é representada pela água que jorra para a eternidade e pelo convencimento do Espírito de Deus acerca da própria natureza pecaminosa, realizando arrependimento autêntico. Os que não olham para Cristo e se veem incluídos em sua morte para remissão da sua natureza pecaminosa são como serpentes que não se reconhecem serpentes.
Sola Scriptura!

domingo, 17 de agosto de 2014

O PECADO É SEMPRE CONTRA DEUS

Sl. 51: 4 a 7 - "Contra ti, contra ti somente, pequei, e fiz o que é mau diante dos teus olhos; de sorte que és justificado em falares, e inculpável em julgares. Eis que eu nasci em iniquidade, e em pecado me concedeu minha mãe. Eis que desejas que a verdade esteja no íntimo; faze-me, pois, conhecer a sabedoria no secreto da minha alma. Purifica-me com hissopo, e ficarei limpo; lava-me, e ficarei mais alvo do que a neve."
A doutrina bíblica acerca do pecado é denominada de Hamartiologia. Por sua vez este termo provém do grego koinê 'hamartia', que, em última análise significa errar o alvo. O alvo é a fé no que Deus diz, a saber, em sua palavra. Isto demonstra que o pecado é uma questão de incredulidade, e, consequentemente, de natureza inclinada para o erro. Por isto, o apóstolo Paulo afirma que a iniquidade é pecado. Visto que iniquidade é a falta de equilíbrio ou de equidade, logo, ela inclina o homem aos atos pecaminosos, ou seja, atos falhos, erros morais, fraquezas e tudo o que é mau. O pecado como definido neste estudo é anterior ao homem. Ele foi cometido por um dos anjos mais importantes e que assistia diretamente na presença de Deus. Tal anjo, cujo nome não se sabe era da ordem dos querubins. Acerca dele é dito em Ez. 28:15 - "Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que em ti se achou iniquidade." Então, o querubim cobridor era perfeito, pois Deus não cria nada imperfeito. Entretanto, em um determinado dia foi achada a iniquidade nele. Como já foi dito, iniquidade se resume em um tipo de desequilíbrio espiritual contrário ao que é reto, puro, santo e justo. Ora, os anjos foram feitos por Deus com a capacidade de fazer escolhas livres. Portanto, o querubim que se tornou Satanás escolheu não crer no supremo propósito de Deus conforme fora preordenado antes dos tempos eternos. Ele decidiu fundar um reino para si mesmo e se tornar um "deus" também. Isto está registrado nas seguintes palavras de Is. 14: 13 e 14 - "E tu dizias no teu coração: eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono; e no monte da congregação me assentarei, nas extremidades do norte; subirei acima das alturas das nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo." O desejo de ser "deus" e fundar um reino para si foi a consequência de não crer no que Deus havia preordenado para o mundo.
Acontece que o projeto original de Deus é que o seu filho Unigênito, o Cristo, seja o herdeiro e senhor de todas as coisas. Tal projeto estabelecia que Cristo viria no tempo predeterminado para resgatar os pecadores eleitos e restaurar a ordem no universo. O anjo querubim desejou tomar este lugar para si e agiu neste sentido, levando a terça parte dos anjos com ele. Foram expulso da presença de Deus e lançados para o espaço sideral, especialmente para a Terra. Logo, depois Deus resolveu criar o homem para povoar a Terra e honrá-lo. Porém, Satanás veio para induzi-lo ao mesmo pecado que cometera antes da queda de Adão e Eva. 
No salmo 51, que abre este estudo, o rei Davi faz uma profunda reflexão sobre sua condição de portador da natureza pecaminosa. Ele confessa o seu estado pecaminoso contra Deus desde a sua geração. Demonstra que o pecado, enquanto natureza de incredulidade é contra Deus somente. De fato, todos os atos pecaminosos que atingem a humanidade e a própria criação são consequências da natureza pecaminosa no homem. Jesus, o Cristo define claramente que o pecado é a incredulidade em Jo. 16:9 - "... do pecado, porque não creem em mim." Então, o pecado é não crer na Palavra de Deus, visto que ela previa a vinda de Cristo ao mundo antes da fundação do próprio mundo. Realmente foi o que aconteceu no Éden com Adão, pois Deus afirmara que "... no dia em que dele comeres certamente morrerás." O Diabo, no entanto, disse: "... é certo que não morrereis." O home deu crédito à palavra de Satanás, porque esta lhe pareceu mais atraente e mais lógica. Ainda hoje ocorre o mesmo, os homens são traídos por suas naturezas decaídas e absolutamente depravadas. Seguem sempre o caminho mais lógico, mais agradável, mais plausível e mais atraente. É uma questão de natureza e não apenas de atos e atitudes.
Davi, não só confessou a sua natureza pecaminosa por herança adâmica, mas também que o seu pecado era, tão somente, contra Deus. Também confessou o direito legítimo de Deus em falar e em julgar o pecado. Davi suplicou pela purificação definitiva da sua natureza pecaminosa. Tais confissões indicam o início do processo de regeneração do pecador, sendo este, apenas por iniciativa da graça de Deus. O reconhecimento de que é pecador evidencia que o homem é eleito, pois a inclinação decaída é sempre contrária à tal reconhecimento. O reconhecimento não se refere apenas aos atos falhos, fraquezas ou defeitos, pois mesmo não praticando muitos destes desvios, não anula o fato que possui a natureza pecaminosa para praticá-lo. O homem é pecador porque possui a natureza pecaminosa e não apenas porque comete atos pecaminosos.
Sola Gratia!

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

O RICO, O MENDIGO E A VIDA ETERNA

Lc. 16: 19 a 31 - "Ora, havia um homem rico que se vestia de púrpura e de linho finíssimo, e todos os dias se regalava esplendidamente. Ao seu portão fora deitado um mendigo, chamado Lázaro, todo coberto de úlceras; o qual desejava alimentar-se das migalhas que caíam da mesa do rico; e os próprios cães vinham lamber-lhe as úlceras. Veio a morrer o mendigo, e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão; morreu também o rico, e foi sepultado. No inferno, ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu ao longe a Abraão, e a Lázaro no seu seio. E, clamando, disse: pai Abraão, tem misericórdia de mim, e envia-me Lázaro, para que molhe na água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama. Disse, porém, Abraão: filho, lembra-te de que em tua vida recebeste os teus bens, e Lázaro de igual modo os males; agora, porém, ele aqui é consolado, e tu atormentado. E além disso, entre nós e vós está posto um grande abismo, de sorte que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem os de lá passar para nós. Disse ele então: rogo-te, pois, ó pai, que o mandes à casa de meu pai, porque tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, a fim de que não venham eles também para este lugar de tormento. Disse-lhe Abraão: têm Moisés e os profetas; ouçam-nos. Respondeu ele: não! pai Abraão; mas, se alguém dentre os mortos for ter com eles, hão de se arrepender. Abraão, porém, lhe disse: se não ouvem a Moisés e aos profetas, tampouco acreditarão, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos."
Os néscios, incrédulos e místicos veem nos textos das Escrituras apenas lendas e mitos. Como não alcançam revelação espiritual, preferem reduzir a Palavra de Deus a uma mera fábula inventada por homens para oprimir os pobres e desfavorecidos. Estas ideias foram disseminadas pelo marxismo cultural e correntes dele derivadas. O materialismo dialético, bem como a natureza pecaminosa levam o homem natural a substituir o que é da esfera espiritual pelo que é da esfera humana. Assim, servem ao propósito de Satanás que lhes incutiu a ideia de serem como Deus, portadores de autonomia plena, conforme o registro de Gn. 3:5 - "Porque Deus sabe que no dia em que comerdes desse fruto, vossos olhos se abrirão, e sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal." Tais ideias são disseminadas hoje por meio de uma falsa doutrina denominada de "livre arbítrio". Todavia, o homem, nem é livre, nem possui poder de arbitrar nada.
O texto que abre esta instância é um dos mais profundos ensinamentos de Jesus, o Cristo. Por meio do recurso didático de parábola, o Mestre ensina que há sim, o céu, o inferno e a impossibilidade de movimento entre os mortos e os vivos. Todavia, na contramão dos ensinos de Cristo estão as doutrinas espiritistas, as quais postulam que não há condenação, pecado, Satanás e inferno. É exatamente esta ideia que o Diabo quer que se divulgue, pois isto mantém o homem engajado em seus sistemas religiosos e humanistas que não produzem a regeneração. Em muitos casos tais crenças e religiões produzem gente arrogante, perversa, enganada e enganadora. Isto porque, os tais presumem ser algo que não o são.
As figuras do rico e do mendigo não se propõem a condenar um por suas posses e a exaltar o outro por sua pobreza. A questão tratada no texto não se circunscreve à esfera do bem e do mal. O rico é uma tipificação de pessoas que confiam apenas em si mesmas e no que possuem. o mendigo é o tipo dos que, desprovidos de bens e prestígio, se põem humilhados e dependentes do que lhes é dado. O rico é o tipo dos que se julgam autossuficientes, enquanto o mendigo é o tipo dos que dependem plenamente da graça e da misericórdia. Verifica-se que, tanto a riqueza do rico, como a pobreza do pobre foram recebidas por eles e não como fruto do esforço ou do ócio de ambos.
Verifica-se ainda que, tanto o mendigo como o rico morreram indicando o fim comum a todos os homens. Todavia, a destinação final de ambos é que foi diferente. O seio de Abraão simboliza a bem aventurança eterna ou aqueles que foram redimidos pela graça mediante a fé. Visto que Abraão creu e isto lhe foi imputado por justiça, semelhantemente os que vivem da fé são chamados de filhos de Abraão. O inferno para onde foi o rico, não porque era rico, mas porque se julgava autossuficiente é, na verdade, o mundo dos mortos denominado no texto grego de Hades ou Tártaro. É um lugar de trevas e de tristeza e angústia daqueles que aguardam o juízo final. O inferno como lugar de tormento eterno ainda está sendo preparado para Satanás e seus seguidores conforme o texto apocalíptico. Neste caso é chamado de "lago de fogo e enxofre".
O texto, em seu contexto, ensina claramente que não há qualquer chance de os mortos se comunicarem com os vivos e vivos se comunicarem com os mortos. É dito que existe um grande abismo entre o mundo dos mortos e o mundo dos regenerados no céu, como também do mundo dos vivos. O rico ao ver a felicidade do mendigo no céu pediu que se permitisse a algum dentre os mortos ir à casa dos seus familiares para lhes anunciar a verdade. Entretanto, é dito ao rico, agora atormentando, que isto não produz os efeitos que se esperam. É exigido que os vivos busquem a verdade simbolizada por Moisés e pelos profetas. Moisés, neste caso, representa a lei moral estipulada por Deus aos homens. Os profetas representam os ensinos sobre a vinda do Redentor Filho de Deus e Salvador. Todas as profecias apontavam para Jesus, o Cristo, portanto é ele a centralidade do texto bíblico e não o homem. O ensino central é que a justificação do pecador é pela fé e não por sinais e evidências de seres do mundo dos mortos.
Ainda sobre o apelo do rico para que fosse enviado alguém dos mortos a fim de pregar a verdade aos seus parentes observa-se a negação irrevogável. Foi-lhe dito que este método não funcionaria, pois quem não ouve e não crê nas Escrituras, tão pouco crerá ainda que alguém dentre os mortos ressurgisse para lhes anunciar qualquer ensino ou mensagem. Desta forma fica evidente, pela Escrituras, que quaisquer ensino que põe em contato vivos e mortos não procede da verdade do Deus Altíssimo.
Sola Gratia!