sexta-feira, 25 de outubro de 2013

ENCANTANDO AS COBRAS SURDAS

Sl. 58: 1 a 11 - "Falais deveras o que é reto, vós os poderosos? Julgais retamente, ó filhos dos homens? Não, antes no coração forjais iniquidade; sobre a terra fazeis pesar a violência das vossas mãos. Alienam-se os ímpios desde a madre; andam errados desde que nasceram, proferindo mentiras. Têm veneno semelhante ao veneno da serpente; são como a víbora surda, que tapa os seus ouvidos, de sorte que não ouve a voz dos encantadores, em mesmo do encantador perito em encantamento. Ó Deus, quebra-lhes os dentes na sua boca; arranca, Senhor, os caninos aos filhos dos leões. Sumam-se como águas que se escoam; sejam pisados e murcham como a relva macia. Sejam como a lesma que se derrete e se vai; como o aborto de mulher, que nunca viu o sol. Que ele arrebate os espinheiros antes que cheguem a aquecer as vossas panelas, assim os verdes, como os que estão ardendo. O justo se alegrará quando vir a vingança; lavará os seus pés no sangue do ímpio. Então dirão os homens: deveras há uma recompensa para o justo; deveras há um Deus que julga na terra."
Biologicamente cobra é a forma generalizada de se referir aos ofídios peçonhentos ou não peçonhentos. Serpente é a forma específica de se referir aos ofídios peçonhentos e venenosos. As cobras e serpentes são naturalmente surdas, ainda que percebam por meio das vibrações ao seu redor e do solo. Assim, os encantadores de serpentes exercem influência sobre as cobras apenas pelo movimento das flautas e não pela música que tocam. Alguns destes artistas de rua untam suas flautas com urina de rato para atrair a atenção das serpentes pelo cheiro. 
Nas Escrituras serpentes e cobras possuem conotação com o mal insinuante e ardiloso. Também se refere a uma pessoa de índole má e traiçoeira. João, o batista antes de Jesus, o Cristo se referia a alguns dos judeus religiosos como raça de víboras conforme Mt. 3: 4 a 9 - "Ora, João usava uma veste de pelos de camelo, e um cinto de couro em torno de seus lombos; e alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre. Então iam ter com ele os de Jerusalém, de toda a Judeia, e de toda a circunvizinhança do Jordão, e eram por ele batizados no rio Jordão, confessando os seus pecados. Mas, vendo ele muitos dos fariseus e dos saduceus que vinham ao seu batismo, disse-lhes: raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira vindoura? Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento, e não queirais dizer dentro de vós mesmos: temos por pai a Abraão; porque eu vos digo que mesmo destas pedras Deus pode suscitar filhos a Abraão." João, o batista não estava ofendendo gratuitamente a estas pessoas por chamá-las de 'raça de víboras'. Apenas lhes mostrava a real natureza pecaminosa neles residente. Quando o homem optou por ser incrédulo à Palavra de Deus e crédulo à palavra de Satanás incorporado na serpente, tornou-se descendente dela. Isto está registrado em Gn. 3:15 - "Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua descendência e a sua descendência; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar." A inimizade colocada foi entre a serpente e a mulher, como também, entre a tua descendência e o seu descendente. Ora, a descendência da serpente são os homens decaídos e portadores da natureza pecaminosa. O descendente da mulher é Cristo, visto que a referência é no singular, portanto, a uma única pessoa. Desta forma todos os homens nascem na raça de víbora, pois Satanás é chamado de "antiga serpente" em Ap. 12:9 - "E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, que se chama o Diabo e Satanás, que engana todo o mundo; foi precipitado na terra, e os seus anjos foram precipitados com ele.
Após João, o batista, o próprio Jesus, o Cristo se referiu aos líderes religiosos judeus como filhos do Diabo conforme Jo. 8:44 - "Vós tendes por pai o Diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai; ele é homicida desde o princípio, e nunca se firmou na verdade, porque nele não há verdade; quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio; porque é mentiroso, e pai da mentira." Em outra ocasião Jesus, o Cristo também se referiu aos homens como raça de víboras conforme Mt. 23:33 - "Serpentes, raça de víboras! como escapareis da condenação do inferno?" O texto é auto-explicativo: a natureza de serpente e de víboras condena o homem ao inferno. 
O texto de abertura retrata a maldade humana, demonstrando que cada homem é alienado desde o ventre da mãe. Afirma que os ímpios andam errados e são mentirosos desde muito cedo. O salmista está retratando o mesmo fato, a saber, a natureza pecaminosa no homem. Muitos ao ler tais textos ou mesmo ler comentários sobre eles, se sentem agredidos. Discordam que uma criança seja má e defendem que há pessoas bondosas no mundo. Ora, o ensino sobre a natureza pecaminosa não se refere às práticas más dos homens, mas da sua natureza maléfica. Uma pessoa pode viver a vida inteira sem matar, roubar, mentir ou praticar grandes atos reprováveis. Isto não lhe torna bom,  ou mesmo isento da culpa do pecado. Uma coisa é a natureza pecaminosa inoculada no homem pela serpente, outra coisa são os atos pecaminosos dela decorrentes. Tais atos pecaminosos se manifestam ou não, podem ser mais evidentes e frequentes em uns e menos em outros. Eles podem se manifestar em uma fase da vida e em outra não. O fato é que, o que condena o homem ao inferno não são apenas os seus atos pecaminosos, mas é, essencialmente, a sua natureza pecaminosa. Tal natureza herdada de Adão foi o que determinou a perda da glória que o homem possuía antes da queda. Rm. 3:23 - "Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus." Por que todos pecaram? Por que são descendentes de Adão o 'cabeça federal de raça', segundo uma expressão hebraica. Isto é confirmado em Rm. 5:12 - "Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram."
Alguns imaginam em seus corações enganados: 'eu não sou da raça de víboras e muito menos descendente da serpente, porque sou uma boa pessoa, tenho religião, sou ético e moralmente correto'. Ora, é aí que mora o perigo, pois a natureza pecaminosa tenta, exatamente, gratificar-se para negar o pecado. Desta forma é perda de tempo pregar para que os homens escolham a Deus, aceitem a Jesus, arrependam-se dos seus pecados. Eles não podem fazer isto sozinhos e suas almas contaminadas pela natureza pecaminosa buscam, exatamente, o oposto. No máximo podem procurar uma religião, mas não a redenção da maldição do pecado. A redenção, salvação ou libertação só é possível pela ação monergística de Deus. Isto se dá por meio da fé que, ao morrer, Jesus, o Cristo atraiu o pecador eleito à sua morte de cruz. Também, pela mesma fé, o pecador eleito crê que ressuscitou juntamente com Cristo para a vida eterna.
Sola Gratia!

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