terça-feira, 5 de junho de 2012

A DIFERENÇA ENTRE OS DONS ESPIRITUAIS E AS HABILIDADES ALMÁTICAS I

I Co. 12: 4 a 11 - "Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. A cada um, porém, é dada a manifestação do Espírito para o proveito comum. Porque a um, pelo Espírito, é dada a palavra da sabedoria; a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra da ciência; a outro, pelo mesmo Espírito, a fé; a outro, pelo mesmo Espírito, os dons de curar; a outro a operação de milagres; a outro a profecia; a outro o dom de discernir espíritos; a outro a variedade de línguas; e a outro a interpretação de línguas. Mas um só e o mesmo Espírito opera todas estas coisas, distribuindo particularmente a cada um como quer."
Jd. 8 a 12 - "Contudo, semelhantemente também estes falsos mestres, sonhando, contaminam a sua carne, rejeitam toda autoridade e blasfemam das dignidades. Mas quando o arcanjo Miguel, discutindo com o Diabo, disputava a respeito do corpo de Moisés, não ousou pronunciar contra ele juízo de maldição, mas disse: o Senhor te repreenda. Estes, porém, blasfemam de tudo o que não entendem; e, naquilo que compreendem de modo natural, como os seres irracionais, mesmo nisso se corrompem. Ai deles! porque foram pelo caminho de Caim, e por amor do lucro se atiraram ao erro de Balaão, e pereceram na rebelião de Coré. Estes são os escolhidos em vossos ágapes, quando se banqueteiam convosco, pastores que se apascentam a si mesmos sem temor; são nuvens sem água, levadas pelos ventos; são árvores sem folhas nem fruto, duas vezes mortas, desarraigadas."
A diferença entre o falso e o verdadeiro é quase imperceptível ao homem natural. O verdadeiro é o que é, independentemente das avaliações a que possa ser submetido, do transcurso do tempo e das circunstâncias diversificadas. O falso não resiste ao rigor de uma avaliação, não suporta ao transcurso do tempo e se altera conforme as circunstâncias. Jesus, o Cristo demonstra isto em Mt. 13: 24 a 30  - "Propôs-lhes outra parábola, dizendo: o reino dos céus é semelhante ao homem que semeou boa semente no seu campo; mas, enquanto os homens dormiam, veio o inimigo dele, semeou joio no meio do trigo, e retirou-se. Quando, porém, a erva cresceu e começou a espigar, então apareceu também o joio. Chegaram, pois, os servos do proprietário, e disseram-lhe: Senhor, não semeaste no teu campo boa semente? Donde, pois, vem o joio? Respondeu-lhes: algum inimigo é quem fez isso. E os servos lhe disseram: queres, pois, que vamos arrancá-lo? Ele, porém, disse: não; para que, ao colher o joio, não arranqueis com ele também o trigo. Deixai crescer ambos juntos até a ceifa; e, por ocasião da ceifa, direi aos ceifeiros: ajuntai primeiro o joio, e atai-o em molhos para o queimar; o trigo, porém, recolhei-o no meu celeiro."
O joio é uma planta da mesma família do trigo, sendo em tudo semelhante a este na aparência exterior. Entretanto, a diferença se estabelece nos resultados finais, ou seja, no fruto. O joio é da espécie 'Lolium temulentum', também conhecida como cizânia. É uma planta de safra anual e pertencente à família 'Poaceae' e ao gênero 'Lolium'. Possui talo rígido, pode crescer até um metro de altura, com inflorescências na espiga e grão de cor violeta. Cresce nas mesmas zonas produtoras de trigo, sendo considerada uma erva daninha à triticultura. A semelhança entre essas duas plantas é tão grande, que em algumas regiões costuma-se denominar o joio como "falso trigo"Pode ser venenosa, e, mesmo uma pequena quantidade de joio colhida e processada junto ao trigo pode comprometer a qualidade do produto todo. Então vê-se que no discernimento das realidades o que conta não é a aparência, mas sim, a essência da natureza da coisa.
Por símile pode-se dizer, que, na esfera espiritual há o trigo e há também o joio. O trigo é o tipo de Cristo e dos eleitos, enquanto o joio é o tipo do inimigo e dos seus seguidores. Tais realidades se percebem não pelas aparências externas e pelas ações morais como se supõe comumente. O religioso, geralmente, percebe e concebe a realidade apenas com base nos conceitos de bem e de mal. Na verdade, imputa verdade ao que considera como  sendo o bem moral, e, como mal, ao que reputa como o mal moral. As escrituras não levam em consideração estas questões para o efeito de espiritualidade. O apóstolo Paulo mostra isto claramente em Rm. 9:11 a 13 - "... pois não tendo os gêmeos ainda nascido, nem tendo praticado bem ou mal, para que o propósito de Deus segundo a eleição permanecesse firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama, foi-lhe dito: o maior servirá o menor. Como está escrito: amei a Jacó, e odiei a Esaú." Logo, em que aspecto moral se baseou Deus para escolher Jacó e repudiar Esaú? Nenhum! A ação monérgica d'Ele é sempre com base na Sua soberana vontade. O conceito de bem e de mal foi herdado da natureza pecaminosa pela qual os ancestrais humanos caíram. Em princípio, todos os homens são maus por natureza antes do que por atos. O que conta é o que Deus faz aos que conheceu de antemão, predestinou, chamou, justificou e glorificou.
O primeiro texto de abertura faz referência aos nove dons espirituais. Estes são organizados, para o efeito de compreensão, em: a) Dons de revelação: palavra de sabedoria, palavra de ciência e discernimento de espíritos; b) Dons de operações: curas, milagres e fé; c) Dons de inspiração: profecia, variedade de línguas e interpretação de línguas. O mesmo texto demonstra em todas as suas instâncias que tais dons são o resultado das operações soberanas de Deus. Os dons não são naturais, nem na origem, nem nas  finalidades e resultados. Na língua grega neotestamentária, dom é 'khárisma', que significa, dom, graça, atos, favor, benefício. Logo, é Deus quem concede o dom a cada um conforme lhe apraz. É o Espírito Santo de Deus quem  opera e reparte os dons espirituais. Os dons não resultam de méritos ou de quaisquer atos de justiça própria do homem. 
As habilidades almáticas são inatas no homem natural, porque este não discerne as coisas espirituais. O seu espírito está "morto", ou seja, separado de Deus. A alma, que é uma das dimensões tripartites do homem, assumiu o controle das emoções, volições e decisões. Isto produz no homem decaído, uma espécie de poder latente que o engana como sendo operações espirituais. O fato é que as Escrituras nunca falam sobre salvação do espírito do homem, mas apenas da sua alma. Desta forma, não se pode confundir dons espirituais com habilidades almáticas naturais conforme Tg. 3:15 - "Essa não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, almática e diabólica." Traduziram, neste texto, 'psikikê' como animal, mas, de fato significa  almática.
Sempre houve um mau entendimento acerca dos dons espirituais. Não se sabe, se por ignorância espiritual, ou proposital. As diferentes religiões institucionais ditas cristãs divergem muito acerca dos dons. Tal divergência tem gerado muitas divisões de igrejas, além de gerar inimizades entre pessoas. O fato é que se percebe uma determinada valorização dos dons que  supostamente exaltam o homem em detrimento dos dons que o humilha em atitudes e atos. A maioria busca e deseja dons que os torne conhecidos, famosos, consultados e valorizados. Isto contraria o ensino de Jesus, o Cristo em todos os sentidos, especialmente o que está registrado em Mt. 23: 11 e 12 - "Mas o maior dentre vós há de ser vosso servo. Qualquer, pois, que a si mesmo se exaltar, será humilhado; e qualquer que a si mesmo se humilhar, será exaltado."
Sola Scriptura!

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