sábado, 4 de dezembro de 2010

A ORAÇÃO SEGUNDO AS ESCRITURAS X


Lc. 18:1 - "Contou-lhes também uma parábola sobre o dever de orar sempre, e nunca desfalecer."
Orar é um diálogo entre duas pessoas que possuem afinidades e relação de confiança. É um exercício de comunhão, e não uma briga de convencimento e persuasão unilateral, na qual o suplicante lança mão de expedientes mirabolantes para convencer o suplicado a deferir-lhe sentença favorável. Orar não é um desafio, pois o suplicado não é alguém inconsciente ou inconsequente, e que não tem conhecimento de causa. Orar não é uma mera prática retórica pela qual se espera enganar o suplicado a fim de extrair-lhe benefícios. Ele não vê o suplicante e não ouve as suas palavras diretamente, ainda que sejam eloquentes. Ele ouve a intercessão do Espírito Santo e considera a petição meritocrática do "Advogado Divino", Cristo, conforme I Jo. 2:1 - "Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; mas, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo."
Quando George Muller viajava de navio, para uma série de pregações no Canadá, o navio ficou retido pelo nevoeiro a uma certa altura do curso do rio São Laurenço. Então, Muller convidou o capitão a orar, pois tinha data e horário de chegada ao seu destino. Então, o capitão começou a sua súplica como se fora um longo discurso político, visando convencer Deus a retirar a névoa. George Muller, o interrompeu, e tomando da palavra, disse: "Senhor, tu sabes que tenho de estar em tal lugar, tal dia e tal hora para pregar. Agradeço desde já em nome de Jesus, amém!" Quando ambos abriram os olhos o ar atmosférico estava limpo como um cristal. Não houve ali nenhum teatro, mas apenas disse objetivamente que reconhecia o fato de que Deus já sabia da sua necessidade de estar onde deveria estar, no horário em que deveria estar. Isto é orar sem hipocrisia!
O texto de Lucas 18 é iniciado com uma sentença afirmativa acerca do dever ou da necessidade de orar sempre. Não se deve orar apenas quando as circunstâncias são desfavoráveis, ou contrárias. Orar sempre é o mesmo sentido do texto que diz: 'incessantemente orai." A expressão 'orar sempre' equivale dizer que se deve orar por todas as coisas, em todas as ocasiões, e em quaisquer circunstâncias, não importando o julgamento que se possa fazer delas. Comumente o homem ora fervorosamente quando está feliz por achar que Deus lhe concedeu algo em função da sua capacidade de orar, ou de cumprir normas, regras e preceitos. Outras vezes, o homem ora desesperadamente em função de um sofrimento por considerar que Deus lhe é contrário, desfavorável ou adversário, porque deixou de fazer algo. Entretanto, o dever de orar tem a ver com o suplicante e não com o suplicado. É o homem quem necessita de orar para desenvolver a fé, a dependência, a esperança e o entusiasmo. O necessitado e carente é o homem, e não Deus, como parece nas rodas de orações das diferentes religiões humanas.
Na parábola que Jesus contou aos discípulos em Lucas 18, é acrescentado o seguinte: "E não fará Deus justiça aos seus escolhidos, que dia e noite clamam a ele, já que é longânimo para com eles?" A justiça é feita aos eleitos de Deus, não por que são eleitos, mas porque Aquele que a opera é o Justo. É Deus quem é longânimo para com os seus eleitos, sendo este Seu longo ânimo, fruto da Sua justiça e não de quaisquer méritos que alguém julga ter. Aos eleitos de Deus cabe apenas clamar de dia e de noite como consequência das suas fraquezas e da necessidade de orar sempre. Na realidade, se os eleitos vivessem da fé, como ensinam as Escrituras, sequer necessitariam de orar por qualquer coisa.
Há duas razões básicas pelas quais muitos não veem os resultados das suas orações: não reconhecem a oração como diálogo entre a criatura e o Criador; e não buscam Deus como o Pai que ama o filho, ou seja, não O buscam de todo o coração. Isto é ensinado em Jr. 29: 12 e 13 - "Então me invocareis, e ireis e orareis a mim, e eu vos ouvirei. Buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes de todo o vosso coração." Invocar é chamar alguém em quem se deposita toda confiança, orar é falar com alguém em quem se põe toda esperança. Entretanto, os homens não confiam em Deus, porque Ele é invisível. Não o buscam porque não O podem tocar! Alguém por mais crédulo que pareça ser invocará, irá, orará e buscará ao Senhor, quando o seu coração - alma e espírito - estiverem plenamente reconciliado com Deus por meio da sua morte, na morte de Cristo e na consequente ressurreição juntamente com Ele. Tudo isto se apropria pela fé que é, primeiramente, dom de Deus, e depois, invisível aos olhos e imperceptível à carne.
Sola Gratia!
Sola Fide!
Sola Scriptura!
Solo Christus!
Soli Deo Gloria!

Um comentário:

Anônimo disse...

=)