domingo, 10 de maio de 2009

TEOLOGIA REFORMADA x TEOLOGIA DEFORMADA XII


Judas 3 e 4 - "Amados, procurando eu escrever-vos com toda a diligência acerca da salvação comum, tive por necessidade escrever-vos, e exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos. Porque se introduziram alguns, que já antes estavam escritos para este mesmo juízo, homens ímpios, que convertem em dissolução a graça de Deus, e negam a Deus, único dominador e Senhor nosso, Jesus Cristo." Aqueles que estão submetidos à soberania de Deus não são donos de si mesmos. Judas, procurando escrever sobre salvação, acabou escrevendo sobre a fé. Vê-se pelo texto, que a fé realmente é dom de Deus e não uma virtude humana. 
O texto, sem prejuízo do seu contexto, mostra que até mesmo os que se introduzem no seio da Igreja para o erro, o são pela ação de Deus. Embora os religiosos insistam em categorizar o bem como sendo originado de Deus e o mal, do Diabo, as Escrituras mostram sem rodeios que tudo procede de Deus. O que conta para Deus é a realização plena do seu "supremo propósito" e não a satisfação de sistemas religiosos humanos. A primeira vista isto parece forte demais para ser recebido, entretanto, ao eleito de Deus cabe apenas uma alternativa, crer na Palavra d'Ele. Não são nossos gostos que determinam a vontade de Deus, mas ela é soberana até mesmo sobre o que desejamos ou queremos. Is. 54:16 - "Eis que eu criei o ferreiro, que assopra o fogo de brasas, e que produz a ferramenta para a sua obra; também criei o assolador, para destruir." Tudo está absolutamente sob o controle de Deus.
A primeira característica dos deformatas da verdade única e soberana de Deus é a dissolução da graça. Diluir é um verbo que indica o enfraquecimento ou o esmaecimento de algo por adulteração. No passado quando o leite era distribuído diretamente pelos produtores aos consumidores havia a prática de misturar a ele um pouco de urina da vaca ou mesmo água para fazê-lo render. A urina da vaca possui pH mais ou menos compatível com o pH do leite. Desta forma rendia-se a produção e ganhava-se mais, todavia, a aparência do leite permanecia basicamente inalterada. Uma coisa pode ter, na superfície, uma aparência aceitável, mas na profundidade, uma essência heterogênea e refutável. Este é o problema dos que foram escritos nos livros eternos para trazer a teologia deformada ao mundo. Eles são como joio que cresce no meio dos trigais, semelhantes na aparência e opostos na essência. As Escrituras não podem ser diluídas, mas a teologia sim, porque é uma produção humana. A verdade é, por natureza, inatacável, a mentira é diluível, e maleável, posto ser originada na vontade humana deformada pela natureza pecaminosa.
A finalidade última da diluição da graça de Deus em mentira é a negação da soberania d'Ele e da justiça de Cristo contra o pecado na cruz. Sendo Cristo a única e definitiva solução contra a natureza pecaminosa do homem, o papel da deformação teológica é negá-Lo. Negando-o, imagina-se que se possa embotar a verdade e evitar que os pecadores sejam atingidos pela salvação eterna. Todavia, nada e ninguém pode impedir a ação monérgica de Deus. Aos que Ele conheceu de antemão, a estes predestinou, aos que predestinou, a estes chamou, aos que chamou, a estes justificou em Cristo por meio da Sua morte de cruz, e aos que justificou na morte de Cristo, a estes glorificou. Assim, os que se achavam destituídos da glória de Deus por conta do pecado, agora foram restituídos a ela por meio da salvação estritamente monérgica de Deus em Cristo.
Nada, e ninguém pode dissuadir a vontade de Deus, porque ela é soberana eternamente.

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