domingo, 17 de fevereiro de 2008

A FALSA TEOLOGIA UNIVERSALISTA DO "TODOS" VII



Em língua portuguesa a palavra 'todos' ou o seu singular pode ser:
Adjetivo, neste caso, refere-se ao que não falta nenhuma parte, inteiro, completo, total. 
Pronome indefinido, onde significa qualquer, seja qual for, cada. 
Advérbio, significando, todas as coisas, tudo aquilo, tudo, de todo, totalmente, por inteiro 
Substantivo, referindo-se à totalidade, coisa completa, conjunto, ser. 
Pronome indefinido plural, significando todas as pessoas, toda gente, todo mundo.
A exposição das funções gramaticais e semânticas da palavra 'todo' ou 'todos' serve tão somente ao interesse de mostrar que o contexto é fundamental à interpretação ou aplicação de uma palavra em seu real sentido como já foi mostrado em estudos anteriores. A interpretação do texto sagrado pode ser literal ou simbólica. O maior perigo, nos casos em que o homem toma do texto sem a devida isenção ideológica é exatamente o risco da contaminação do mesmo. Um dos erros mais grosseiros ocorre quando o interprete ou hermeneuta torna literal aquilo que é figurado, ou figurado aquilo que é literal. Há uma forte tendência de o exegeta espiritualizar o texto que é histórico ou apenas descritivo, como também, tornar descritivo e histórico, o texto que é espiritual.
No texto de Rm. 6:3 - "Ou, porventura, ignorais que todos quantos fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte?" A palavra 'todos' está apenas implícita em 'osoi', sendo, portanto, um pronome relativo definido precedido da conjunção 'oti' que determina força causal. Então, fica evidente que não se refere a todos os homens, mas tão somente, aos que foram batizados em Cristo Jesus. Até porque, o batismo a que alude o texto, não é o batismo em águas, como se supõe, mas a imersão do pecador na morte de Cristo. O batismo em água é apenas o símbolo exterior do batismo na morte de Cristo. Desta forma têm-se o batismo ritualístico como símbolo do batismo espiritual. Jamais o contrário!
Há textos claros que demonstram e mostram que Cristo morreu apenas por um grupo definido de pessoas e não por todos os homens. Ele morreu por seu povo conforme Mt. 1:21 - "... porque ele salvará o seu povo dos seus pecados." Morreu pelas suas ovelhas em Jo. 10: 11 e 14 - "... o bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas... conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem..." Morreu por sua Igreja em At. 20:28 - "... para apascentardes a igreja de Deus, que ele adquiriu com seu próprio sangue." Morreu pelos seus eleitos ou predestinados em Rm. 8: 32 a 34 - "Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós, como não nos dará também com ele todas as coisas? Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica; Quem os condenará? Cristo Jesus é quem morreu, ou antes quem ressurgiu dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós." Morreu por seus filhos em Hb. 2:13 e 14b - "E outra vez: porei nele a minha confiança. E ainda: eis-me aqui, e os filhos que Deus me deu... para que pela morte derrotasse aquele que tinha o poder da morte, isto é, o Diabo"
A conclusão a que todos estes textos permite é muito simples: Cristo não morreu por todos os homens, mas por um grupo distinto de pessoas, as quais podem ser chamadas de igreja, ovelhas, meu povo, eleitos e filhos de Deus.
O fato de a morte de Cristo ter sido por um grupo de pessoas específico, não implica em que este grupo seja melhor ou mais merecedor da graça de Deus. Significa apenas que Deus, usando da Sua soberania, decidiu redimir apenas aqueles os quais Ele quis salvar. Nenhum destes eleitos ou escolhidos possui mérito ou justiça própria a ponto de ter sido salvo por isso. Visto que misericórdia é Deus "não dando ao pecador o que ele de fato merece, a saber, o inferno", então, significa que este grupo recebeu misericórdia. Também, graça é "Deus fazendo tudo por quem nada merece", logo, este grupo, pelo qual Cristo morreu, recebeu a graça incomensurável de Deus. Entretanto, se alguém quer discutir com Deus, o porquê de Ele ter agido benevolamente para com este grupo, e não, para com todos os homens é uma decisão inglória, porque Ele poderia ter deixado todos os homens entregues à sua nefasta sorte eterna, a saber, a condenação no inferno. O excepcional não é Deus eleger e ordenar alguns para a vida eterna, mas, sim, Ele não ter deixado todos entregues à condenação e ao desprezo eterno.
Em Ap. 3:19 - "Eu repreendo e castigo a todos quantos amo: sê pois zeloso, e arrepende-te." Esta palavra está sendo direcionada à Igreja de Laodicéia e não a todas as pessoas, ou a todos os homens. A palavra 'todos' vem, neste texto, implícita mais uma vez no pronome relativo 'osous' que delimita, tanto o amor, como a repreensão e a disciplina de Cristo apenas a um grupo específico. A ordem do anjo do Senhor, ao pastor ou mensageiro desta Igreja é que ele seja zeloso e que se arrependa, ou seja, mude de mente. Observe que a palavra é ao dirigente, mensageiro, pastor ou líder da Igreja, visto que está na segunda pessoa do singular "sê, pois zeloso" e "arrepende-te". O Senhor está se dirigindo aos que já são d'Ele e não a todos os homens.
Sola Gratia!

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