sábado, 30 de janeiro de 2016

DURO É O DISCURSO, QUEM O OUVIRÁ?

Jo. 6: 53 a 60 - "Disse-lhes Jesus: em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. Porque a minha carne verdadeiramente é comida, e o meu sangue verdadeiramente é bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. Assim como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo pelo Pai, assim, quem de mim se alimenta, também viverá por mim. Este é o pão que desceu do céu; não é como o caso de vossos pais, que comeram o maná e morreram; quem comer este pão viverá para sempre. Estas coisas falou Jesus quando ensinava na sinagoga em Cafarnaum. Muitos, pois, dos seus discípulos, ouvindo isto, disseram: duro é este discurso; quem o pode ouvir?"
Antropofagia é a prática em que seres humanos se alimentam de carne humana. Há inumeráveis relatos deste tipo de ritual entre povos primitivos, na era dos grandes descobrimentos, por parte dos cronistas. Segundo tais relatos, os guerreiros vencedores acreditavam que, ao alimentar-se do inimigo vencido, tomariam suas forças e seus poderes para si. Não é este o caso doutrinado por Jesus, o Cristo no contexto do texto de abertura.
Neste discurso Jesus, o Cristo utilizou-se do método da linguagem figurada, objetivando evidenciar ensino espiritual. Esta é a razão pela qual os religiosos que o ouviam não o entendiam, pois tomavam por mera lógica aquilo que, de fato, é tipológico. Por isto questionavam entre si o seguinte: v. 52 - "Disputavam, pois, os judeus entre si, dizendo: como pode este dar-nos a sua carne a comer?
No capítulo seis do evangelho de João vê-se um ferrenho debate entre religiosos judeus e Jesus, o Cristo. Os judeus não recebiam a verdade que Jesus, o Cristo é o Filho Unigênito de Deus. Negavam-lhe a origem celestial, vendo apenas o homem histórico - Jesus - no qual o Cristo eterno havia se encarnado conforme Jo. 1:14. Sem a fé é impossível receber Jesus, o Cristo como Deus. A fé se manifesta pela palavra de Deus a qual penetra, não apenas, no aparelho auditivo físico, mas também no ouvido da alma e do espírito mortos para Deus. Ainda que Jesus, o Cristo, lhes assegurasse que, para crer n'Ele como o Filho Unigênito de Deus era necessário receber revelação do próprio Deus, continuavam apoiados apenas na lógica analítica. Desta forma travou-se um embate, de um de um lado, lógico e, do outro lado, espiritual com base nas Escrituras. Tais realidades não são convergentes e, muito menos, concordantes, visto que, ao crer em um exclui-se o outro. 
Jesus demonstrou-lhes que o maná enviado por Deus, aos hebreus no deserto, durante a travessia do Egito à Canaã, era incompetente para saciar a fome daquelas pessoas para sempre conforme Jo. 6:49. Entretanto, Cristo se apresenta como o pão verdadeiro que desceu do céu, eficiente e suficiente para sanar a fome e a sede de todo aquele que n'Ele crê. Todavia, a figura do pão que satisfaz a fome e do sangue que dessedenta é a metáfora do alimento que atende a fome e a sede espirituais. Isto porque, Jesus, o Cristo é a vítima sacrificial que, tendo o corpo crucificado e o sangue vertido na cruz, ofereceu a própria vida plena em substituição e inclusão dos pecadores eleitos. Quem não crê na sua inclusão na morte com Cristo e, consequentemente, na sua ressurreição juntamente com ele, não vê e não entra no reino de Deus conforme Jo. 3: 3 e 5.
Assim, ao se identificar como o pão e o sangue oferecidos na cruz para redenção do pecador, Jesus, o Cristo lançou mão da comunicação recursal para que, apenas os eleitos pudessem crer. Os incrédulos se escandalizam e ridiculariza tal discurso por não poder crê-lo. Ainda hoje o processo é o mesmo: o mundo incrédulo, religioso ou não, ridiculariza a fé verdadeira por meio de análises apenas racionais. A razão humana contaminada pela natureza decaída e pecaminosa jamais poderá crer na essência do evangelho. Tal verdade não se atinge por lógica, mas por revelação espiritual dada por Deus por meio do Espírito Santo. É uma ação absolutamente monergística e não sinergística.
Então, comer a carne crucificada e beber o sangue derramado na cruz é um ato totalmente assumido pela fé. Carne e sangue representam a plena humanidade do Filho de Deus, na pessoa augusta de Jesus, o Cristo conforme I Jo. 4: 2 e 3 - "Nisto conheceis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus; e todo espírito que não confessa a Jesus não é de Deus; mas é o espírito do anticristo, a respeito do qual tendes ouvido que havia de vir; e agora já está no mundo."
Nos sacrifícios oferecidos no Santo dos Santos do Templo em Jerusalém, o sangue era espargido sobre o Propiciatória, justamente, porque pertence a Deus, uma vez que é no sangue que está a vida conforme Dt. 12:23 - "Tão-somente guarda-te de comeres o sangue; pois o sangue é a vida; pelo que não comerás a vida com a carne." Esta é a razão pela qual todo o sangue de Jesus, o Cristo foi esvaído na cruz. Foi a oferta da vida pelos pecados de muitos conforme Hb. 9:28 - "... assim também Cristo, oferecendo-se uma só vez para levar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação." Os religiosos de hoje tomam os textos e os transformam em uma espécie de pantomima teatral. Falam sobre curas e libertações pelo sangue de Jesus, mas não sabem o que isto, de fato, significa porque não lhes foi revelado pelo Espírito Santo. Usam tais artifícios como uma espécie de magia branca para atrair pessoas às suas igrejas. Presumem possuir um poder que não lhes pertence e jamais pertencerá.
Diante destas realidades profundas e esplendentes, os que ouviam a Jesus, o Cristo disseram v. 60 - "Muitos, pois, dos seus discípulos, ouvindo isto, disseram: duro é este discurso; quem o pode ouvir?" A afirmação é concluída com uma pergunta: "... quem o pode ouvir?" A resposta é simples e sem interpretação alguma. Podem ouvi-lo e compreendê-lo aqueles aos quais Deus conheceu de antemão, os elegeu, os predestinou, os chamou, os justificou e os glorificou em Cristo antes dos tempos eternos conforme II Tm. 1:9 - "... que nos salvou, e chamou com uma santa vocação, não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e a graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos..."
O discurso da verdade, que é Cristo, sempre será duro e repugnante aos que se dirigem para a perdição eterna. A verdade para os que perecem é apenas um conceito!
Sola Gratia!

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

DEUS AMOU O MUNDO III

Jo. 3: 16 a 19 - "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. Quem crê nele não é julgado; mas quem não crê, já está julgado; porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus. E o julgamento é este: a luz veio ao mundo, e os homens amaram antes as trevas que a luz, porque as suas obras eram más."
As Escrituras tratam de uma única pessoa do início ao fim, seja por tipologia, seja por simbologia. A pessoa referenciada no texto sagrado é Cristo e somente ele. Por meio de figuras e revelações, os profetas do velho testamento predicavam o advento de Cristo para a redenção do mundo decaído. Por esta razão o velho testamento é chamado de "Velha Aliança" ou "Antigo Pacto" e o novo testamento é chamado de "Nova Aliança" ou "Novo Pacto." Na "Velha Aliança" apontava-se para o Messias, Salvador ou Redentor, enquanto na "Nova Aliança", o Cristo concretiza o plano de Deus. No "Velho Pacto", a Lei e os Profetas eram como o ponteiro da bússola, apontando sempre para o norte magnético, a saber, para Cristo. No "Novo Pacto", o Cristo está presente e mostra a Graça e a Misericórdia de Deus, como único norte possível ao pecador.
Uma das figuras mais reveladoras que a salvação é restrita a um número específico de pessoas, e não universal, é a arca de Noé. Quando Deus resolveu purificar a Terra e destruir os homens por meio da água, ordenou a Noé que construísse uma arca e nela colocasse, de cada espécie, um casal de animais. Fora ordenado a Noé que pregasse o juízo, por meio do dilúvio, aos homens por um espaço de 120 anos. Ao final, quando a arca ficou pronta, foi autorizado que apenas Noé e mais sete pessoas, filhos, genros e noras, entrassem na arca e selassem as portas. Então veio o dilúvio e destruiu a todos os demais homens, animais e plantas. Os habitantes da Terra, debocharam de Noé, porque este anunciava algo desconhecido por eles, a saber, a chuva. Até aquele tempo ainda não havia chovido sobre a Terra. O que acontecia era apenas um vapor que subia durante o dia e caía durante a noite em forma de orvalho. Então, por não conhecerem a chuva, não deram crédito à pregação de Noé, até que começou a chover e matou a todos. Assim é o homem decaído ainda hoje: não crê naquilo que não se pode ver e tocar. A arca é a figura do corpo de Cristo, no qual os pecadores eleitos e predestinados foram incluídos antes da fundação do mundo conforme Ef. 1:4 - "... como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele em amor." As oito almas que entraram na arca representavam o mundo redimido, ou seja, o grupo de pessoas pelas quais Cristo morreu. Os animais representavam as demais coisas a serem redimidas. Vê-se, portanto, que, tudo quanto possui alma é redimido pelo sangue de Cristo. Não há outros caminhos para a redenção eterna! A mentira dos diversos caminhos é mantida por Satanás para enganar os cegos e alimentar seus pecados de incredulidade em Cristo. O homem decaído substitui a fé de Cristo pela fé em si mesmo.
Tudo o que não é regenerado e salvo pela inclusão no corpo de Cristo na cruz, o será pela purificação pelo fogo. Hb. 9:22 - "E quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e sem derramamento de sangue não há remissão." Desta forma, é pelo sangue de Jesus, o Cristo vertido na cruz que ocorre a purificação do mundo contaminado pelo pecado. O que não for purificado pelo sangue d'Ele, o será pelo fogo conforme Zc. 13:9 - "E farei passar esta terceira parte pelo fogo, e a purificarei, como se purifica a prata, e a provarei, como se prova o ouro.
Deus também amou o mundo no sentido do planeta Terra e tudo o que nela há. O modo de tal purificação é indicada em Nm. 31:22 e 23 - "... o ouro, a prata, o bronze, o ferro, o estanho, o chumbo, tudo o que pode resistir ao fogo, fá-lo-eis passar pelo fogo, e ficará limpo; todavia será purificado com a água de purificação; e tudo o que não pode resistir ao fogo, fá-lo-eis passar pela água." O fogo, em termos bíblicos, sempre representa juízo de Deus para purificação das coisas. Na ignorância e cegueira espiritual muitos religiosos clamam pelo fogo de Deus em suas crendices místicas. Não sabem que estão clamando por juízos e não por poder espiritual. A água, em termos bíblicos, sempre representa a palavra de Deus. É pela pregação das Escrituras que o homem é despertado para a fé verdadeira conforme Jo. 15:3 - "Vós já estais limpos pela palavra que vos tenho falado." Por isto, é doutrinado pelo apóstolo Paulo que a fé vem pelo ouvir conforme Rm. 10:17 - "Logo a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Cristo."
A redenção executada por Deus, por meio de Cristo, envolve a criação como um todo, porque o mundo inteiro caiu sob o domínio do Diabo, por causa do pecado conforme I Jo. 5:19 - "Sabemos que somos de Deus, e que o mundo inteiro jaz no Maligno." Por isto, todos os seres que possuem alma são redimidos pela inclusão na morte de Cristo e na sua consequente ressurreição. As coisas inanimadas são igualmente redimidas pela morte de Cristo, porém, se purificarão pelo fogo na restauração final. Ao final, Deus entregará ao seu Filho Unigênito e Primogênito dentre os mortos todo o Universo. Até mesmo os condenados eternamente estarão sob o seu governo, ainda que sofrerão a pena eterna no lago de fogo e enxofre conforme Ap. 20: 9 a 15 - "E subiram sobre a largura da Terra, e cercaram o arraial dos santos e a cidade querida; mas desceu fogo do céu, e os devorou; e o Diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde estão a besta e o falso profeta; e de dia e de noite serão atormentados pelos séculos dos séculos. E vi um grande trono branco e o que estava assentado sobre ele, de cuja presença fugiram a Terra e o céu; e não foi achado lugar para eles. E vi os mortos, grandes e pequenos, em pé diante do trono; e abriram-se uns livros; e abriu-se outro livro, que é o da vida; e os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras. O mar entregou os mortos que nele havia; e a morte e o além entregaram os mortos que neles havia; e foram julgados, cada um segundo as suas obras. E a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte, o lago de fogo. E todo aquele que não foi achado inscrito no livro da vida, foi lançado no lago de fogo."
Ora, então, Maranata!

domingo, 17 de janeiro de 2016

DEUS AMOU O MUNDO II

Jo. 3: 16 a 19 - "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. Quem crê nele não é julgado; mas quem não crê, já está julgado; porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus. E o julgamento é este: a luz veio ao mundo, e os homens amaram antes as trevas que a luz, porque as suas obras eram más."
O substantivo masculino "mundo" tem inumeráveis significações, dependendo do sentido e do contexto em que aparece. No texto que abre esta instância possui significação relativa à raça humana. A humanidade está alienada de Deus e hostil à verdade do evangelho de Cristo. Não se pode confundir evangelho de Cristo com dogmas, ritos e preceitos ensinados e praticados por seitas e religiões
Não há qualquer forma de universalismo da salvação no ensino das Escrituras. É ensinado apenas que Deus amou o mundo e, portanto, resolveu prover um meio de salvação para redimir uma parcela da raça humana. A evidência desta verdade é que o texto diz: "... para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna." Então, "... todo aquele que nele crê..." não é qualquer um, e não são todos os homens. É um grupo específico de pessoas, onde cada um deste grupo crê em Cristo e recebe a luz. Observa-se que o verbo crer, do texto, está no presente contínuo e não no infinitivo. É apenas aquela pessoa que crê e continua crendo indefinidamente. Tal fato pode ser demonstrado com clareza por uma conclusão simples: se a salvação fosse para todos, logo, todos seriam salvos, pois Deus não pode ser contraditado pela vontade do homem. Seus desígnios não podem ser frustrados pelo homem, ou por qualquer outra coisa.
O leitor que não tem revelação espiritual se confunde com o jogo de palavras e, como consequência disto, cria uma teologia esdrúxula. O texto diz: "Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele." O ensino é que Cristo não veio a primeira vez para estabelecer juízos contra o mundo, mas para salvá-lo. Neste ponto, alguns imaginam que não julgar o mundo e salvá-lo significaria que todos fossem salvos. No entanto, a sequência do texto entra em outro nível de especificidade: "quem crê nele não é julgado; mas quem não crê, já está julgado." Assim, o que não é julgado é a parcela do mundo que crê e não o mundo todo. Portanto, tal grupo é denominado de mundo redimido. De fato, Cristo não veio para julgar o mundo, porque tal julgamento já havia sido feito antes dos tempos eternos. O julgamento foi estabelecido por causa da incredulidade, a saber, o pecado original conforme o próprio texto esclarece: "... porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus." Sabe-se que todo homem é incrédulo por natureza, antes que por atitudes e atos morais. Os atos morais seguem a natureza do homem e não o contrário. O julgamento do mundo fica estabelecido no texto pelas seguintes assertivas: "E o julgamento é este: a luz veio ao mundo, e os homens amaram antes as trevas que a luz, porque as suas obras eram más." A luz a que alude o texto é Cristo encarnado na pessoa histórica de Jesus. Os homens amaram primeiramente as trevas e não a luz de Cristo, a saber, o conhecimento da verdade. A razão do amor dos homens às trevas é que suas naturezas são más, consequentemente, seus atos também o são. Os efeitos são aquilo que a fonte é!
Portanto, a doutrina diabólica do universalismo ganha espaço apenas em religiões desenvolvidas pelos próprios homens que não podem crer. Estas religiões são subterfúgios para aliviar a dor da alma perdida. O mundo a que Cristo veio redimir é um grande grupo conforme Jo. 12:19 - "De sorte que os fariseus disseram entre si: vedes que nada aproveitais? eis que o mundo inteiro vai após ele." Os fariseus, uma espécie de partido político-religioso identificou como "o mundo inteiro", todos aqueles que buscavam Jesus, o Cristo e criam nele. Isto incluía, tanto judeus, como estrangeiros conforme a sequência do texto citado acima. Portanto, traz sentido de um grande número de pessoas e não o mundo como totalidade de pessoas.
Um dos maiores empecilhos para alguns ter as escamas dos olhos retiradas é o aliciamento por parte das religiões. É recorrente o fato de algumas pessoas reagirem contra o ensino da verdade, quando confrontadas. Isto ocorre porque nos cursilhos e catecismos de suas crendices lhes é imposto que, qualquer ensino que fuja ao que sua religião os ensinam é mera interpretação de quem nada sabe. O inusitado, nesse caso, é que os tais religiosos seguem, exatamente, interpretações impostas por seus superiores. Neste sentido repetem os mesmos erros de milhares de anos, a saber, só seus líderes detêm o monopólio da verdade. Os "fiéis" seguem as interpretações do líderes, cegamente, sem lhes confrontar nas Escrituras. Neste caso, cumpre-se o que Jesus, o Cristo ensina: "cegos, guiando cegos."
Sola Scriptura!

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

DEUS AMOU O MUNDO I

Jo. 3:16 a 19 - "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. Quem crê nele não é julgado; mas quem não crê, já está julgado; porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus. E o julgamento é este: a luz veio ao mundo, e os homens amaram antes as trevas que a luz, porque as suas obras eram más."
O universalismo é uma doutrina teológica a qual apregoa, em alto e bom tom, que a salvação de Deus por meio de Cristo é para todos os homens. Tal doutrina era, até o século XVI, restrita apenas aos círculos não cristãos representados por espiritistas, místicos e gnósticos. Após esta época penetrou e se alastrou gradualmente nos círculos do cristianismo nominal e histórico. Entretanto, jamais achou guarida no seio da igreja verdadeira. Por igreja verdadeira entende-se o conjunto dos eleitos e regenerados no tempo e no espaço, não necessariamente, ligados a religiões, seitas ou doutrinas de igrejas denominacionais. Esta parcela do corpo de Cristo, não se conforma aos moldes do sistema dominante. Vive à margem do processo, ainda que inserida no mundo que jaz no maligno conforme I Jo. 5:19 - "Sabemos que somos de Deus, e que o mundo inteiro jaz no Maligno." Isto é ensinado pelo Senhor em Jo. 17:11, 14 a 16 - "Eu não estou mais no mundo; mas eles estão no mundo, e eu vou para ti. Eu lhes dei a tua palavra; e o mundo os odiou, porque não são do mundo, assim como eu não sou do mundo. Não rogo que os tires do mundo, mas que os guardes do Maligno. Eles não são do mundo, assim como eu não sou do mundo." Esta é, portanto, a marca dos eleitos e regenerados: estão no mundo, mas não são do mundo. A saber, estão histórica e fisicamente no mundo, mas suas naturezas regeneradas e reconciliadas com Deus não pertencem ao mundo. Não dependem do sistema mundano, mas tão somente da Graça.
O Diabo utiliza diversos expedientes para ludibriar e encantar o homem. O principal artifício utilizado pelo maligno é incutir na mente decaída, aquilo que ela mais deseja e busca. A natureza decaída e separada da glória de Deus deseja e busca, invariavelmente, a gratificação para a alma. Tal busca é uma luta incansável para se livrar da culpa do pecado. Por culpa do pecado se entende o vazio espiritual deixado pela separação de Deus gerado pelo pecado. Tal pecado não foi um ato ou uma atitude moral, mas uma atitude de incredulidade. Jesus, o Cristo ensina que a natureza do pecado é a incredulidade em Jo. 16:9 - "... do pecado, porque não creem em mim." De fato, o pecado adâmico que separou o homem de Deus foi a incredulidade na sentença divina: "... porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás."
A religião é um desses expedientes criados pelo Diabo e recebido pelo homem como uma espécie de paliativo contra a culpa do pecado. Por meio dela, o homem decaído procura oferecer sacrifícios de justiça própria para tentar aplacar a perda da glória que o unia a Deus. Esta glória dava ao homem uma incomensurável capacidade de percepção das coisas e do próprio Deus. O pecado, ou seja, a natureza de incredulidade, quebrou este ele conforme Rm. 3:23 - "Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus." A razão da universalidade da natureza pecaminosa é explicada pelo apóstolo Paulo em Rm. 5:12 - "Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram." O pecado entrou pela incredulidade de Adão, e passou a todos os seus descendentes, que, ficaram mortos para Deus. Esta morte não é apenas a morte física, mas, primeiramente, a morte espiritual, ou seja, a separação da glória de Deus. O profeta Isaías transmite este ensino oriundo da própria revelação de Deus em Is. 59: 1 e 2 - "Eis que a mão do Senhor não está encolhida, para que não possa salvar; nem surdo o seu ouvido, para que não possa ouvir; mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados esconderam o seu rosto de vós, de modo que não vos ouça." Aqueles que ainda não experimentaram o novo nascimento imaginam em seus corações separados de Deus que tal pecado corresponde a atos e atitudes morais. Todavia, o pecado que decretou a morte espiritual do homem foi a incredulidade em sua palavra. Os atos pecaminosos, a saber, atos falhos, fraquezas, erros, maldades, imundícies, etc são apenas consequências da natureza pecaminosa.
Em língua portuguesa é necessário ter grande atenção aos significantes, e, mais ainda, aos significados. Uma única palavra poderá ter um ou inúmeros significados, dependendo do contexto, do sentido conotativo ou denotativo que carrega em sua significação. Também, é fundamental atentar particularmente para as palavras, enquanto generalizações e particularizações. Isto dá a elas uma noção ampla ou restrita no texto escriturístico. Quando alguém diz que está no "topo do mundo", não significa que está no topo do Monte Everest, no Himalia. Significa apenas que chegou ao ponto máximo de suas aspirações humanas. Também quando alguém diz: "você vive em seu próprio mundinho", não traz sentido de dimensões do planeta ou de um espaço geográfico dado. Significa que a pessoa possui uma visão reducionista sobre algum fato ou alguma verdade. 
Jo. 1:10 - "Estava ele no mundo, e o mundo foi feito por intermédio dele, e o mundo não o conheceu." O primeiro termo no texto grego é [κόσμῳ] 'kósmô', ou seja, a Terra e tudo o que nela há. O segundo termo no texto grego é [Κοσμος] 'kósmos', a saber, o universo ou a soma das coisas criadas. E, o terceiro termo, também é 'kósmos', porém traz o sentido do mundo habitado, ou dos habitantes da Terra, da raça humana. Desta forma veem-se três sentidos para o vocábulo mundo, cada um traz sentido específico. O texto está doutrinando que Jesus, o Cristo estava no planeta Terra criado por meio dele, também que ele é o Senhor do universo e tudo o que nele há e, por último, que os povos, tribos e nações não o puderam conhecer. Obviamente, aquela gente que se aglomerava pelas cidades onde Jesus pregava e realizava seus milagres sabia quem ele era como homem histórico, mas não o conheceram espiritualmente. Aquela turba que o aplaudiu em sua entrada em Jerusalém, foi a mesma que gritou por sua crucificação logo depois. Eles preferiram a Barrabás que era ladrão e salteador. Portanto, não conheceram a Jesus como o Messias e Salvador prometido desde os tempos eternos. É neste sentido que ter muita religião e nenhuma revelação, em nada contribui para a redenção do pecador.
Sola Gratia!