sábado, 30 de maio de 2015

O FATOR DILUVIANO II

Mt. 24: 37 a 39 - "Pois como foi dito nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do homem. Porquanto, assim como nos dias anteriores ao dilúvio, comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam, até que veio o dilúvio, e os levou a todos; assim será também a vinda do Filho do homem."
Recentemente foi produzido e distribuído para exibição em todo o mundo, o filme "Noah" ou Noé em português. Ainda que dirigido pelo talentoso Scott Hidley, mal chegou próximo ao relato bíblico. Obviamente, nenhum diretor ateu ou religioso fará um filme absolutamente fiel ao texto bíblico, porque a passagem da linguagem escrita para a linguagem cinematográfica traz consigo as necessidades de adaptações dos códigos linguísticos e impressões para a camada ótica pela fotografia ou imagens do filme. São eixos diferentes no processo linguístico. Entretanto, o apelo ao fantasioso é, consciente ou inconscientemente, um processo de desconstrução e de reconstrução de códigos. Visto que as artes são de cunho, muitas vezes, subjetivo, o controlador do sistema se utiliza delas para desconstruir a verdade posta. Tal controlador do sistema não é outro senão Satanás conforme II Co. 4:4 - "... nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus." Por que Satanás é o "deus" desta era? Por que ele inoculou a natureza pecaminosa na humanidade e, isto, lhe permite controlá-la em todos os aspectos. A grande obra de Satanás é construir um reino e um trono para si no Planeta Terra. Por isto é declarado sobre ele o seguinte conforme I Jo. 5:19 - "Sabemos que somos de Deus, e que o mundo inteiro jaz no Maligno." Quando o texto sacro se refere ao mundo, o faz no sentido do sistema que rege e domina o mundo em arrepio à Palavra de Deus. Trata-se, portanto, de um sistema que subjaz no mundo físico, manipulando a mente do homem.
O filme retromencionado tentou levar para o imaginário popular uma fantasia apoiada em um relato bíblico. Os que decidem sobre isto, não creem em nada do que lá está registrado. Algumas destas pessoas, inclusive, nega e renega as Escrituras de modo contundente e publicamente. Então, elas se apropriam das histórias por oportunismo comercial ou por má fé e serviço ao senhor do sistema que controla o mundo. No filme são demonstradas algumas fantasias absurdas, como os anjos de pedra que, ao final, voltam para o convívio divino, por causa de uma boa ação. Eles ficaram do lado dos homens que iriam ser destruídos pelo dilúvio. Esta é a mensagem central do Diabo ao homem: a reconquista do Paraíso perdido por meio de méritos e justiça própria. Esta é a maior ficção, tanto nas artes, como nas religiões. O único modo de reconciliar-se com a glória de Deus é por meio da justiça de Cristo executada na cruz. Há inumeráveis equívocos na história cinematográfica de Noé que não serão comentados aqui.
Neste ponto é necessária uma abordagem de Gênesis capítulo seis para que se possa entender o porquê de Deus ter enviado o dilúvio ao mundo. A maior parte da erudição bíblica focaliza apenas a maldade do homem como a causa determinante da catástrofe diluviana. Todavia, tal maldade ou impiedade, dependendo da tradução do texto original, é apenas a consequência direta. A verdadeira causa do arrependimento de Deus sobre a criação é bem maior e mais profunda que a simples maldade do homem. 
Gn. 6: 5 a 7 - "Viu o Senhor que era grande a maldade do homem na Terra, e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era má continuamente. Então arrependeu-se o Senhor de haver feito o homem na Terra, e isso lhe pesou no coração E disse o Senhor: destruirei da face da Terra o homem que criei, tanto o homem como o animal, os répteis e as aves do céu; porque me arrependo de os haver feito." Quando consideramos apenas esta parte, realmente, fica a impressão que a culpa foi a iniquidade ou maldade do homem a causadora do advento do dilúvio. Entretanto, se esta fosse a única causa ou razão, Deus teria de enviar um dilúvio todos os dias e exterminar a raça humana e recriá-la indefinidamente. Também, acrescenta-se o fato que ele separou oito pessoas para recomeçar a humanidade conforme o v. 8 - "Noé, porém, achou graça aos olhos do Senhor." Vê que Noé achou a graça diante de Deus. Não foi Deus que achou a graça em Noé. São aspectos que demonstram a misericórdia de Deus e não os méritos de Noé. Outro aspecto a ser ressaltado é o fato que Deus resolveu dar cabo, inclusive, de animais, répteis e aves. Qual a razão disto, se estes seres não possuíam a iniquidade como ato consciente? Então, conclui-se que há um fator maior e que contaminou, tanto homens, como os demais seres viventes.
Há um relato que não consta da Bíblia, mas foi escrito por um homem aprovado por Deus a ponto de ser trasladado em vida para a presença d'Ele. Trata-se de Enoque, o sétimo depois de Adão. O relato diz: "Quando outrora aumentara o número dos filhos dos homens, nasceram-lhes filhas bonitas e amoráveis. Os anjos, filhos do céu, ao verem-nas, desejaram-nas e disseram entre si: vamos tomar mulheres dentre as filhas dos homens e gerar filhos. Disse-lhes o seu chefe Semyaza: eu receio que não queirais realizar isso, deixando-me no dever de pagar sozinho o castigo de um grande pecado. Eles responderam-lhe em coro: nós todos estamos dispostos a fazer um juramento, comprometemo-nos a uma maldição comum, mas não abrir mão do plano, e sim executá-lo. Então eles juraram conjuntamente, obrigando-se à maldição que a todos atingiram. Eram ao todo duzentos os que, nos dias de Jared houveram descido sobre o cume do Monte Hermon. Todos os demais que estavam com eles tomaram mulheres e cada um escolheu uma para si. Então começaram a frequentá-las e a profanar-se com elas. E eles ensinaram-lhes bruxarias, exorcismos e feitiços, e familiarizavam-nas com ervas e raízes. Entrementes elas engravidaram e deram à luz a gigantes de 3.000 côvados de altura. Estes consumiram todas as provisões de alimentos dos demais homens. E quando as pessoas nada mais tinham para dar-lhes, os gigantes voltaram-se contra elas e começaram a devorá-las. Também começaram a atacar os pássaros, os animais selvagens, os répteis e os peixes, rasgando-lhes com os dentes as suas carnes e bebendo-lhes o seu sangue. Então a Terra clamou contra os monstros."
Observa-se que o texto faz menção a uma mesclagem entre anjos caídos e mulheres que resultou na procriação de seres anormais. O relato fala de gigantes de 3.000 côvados. O côvado ou cúbito é a mais antiga maneira de fazer medidas lineares. O côvado possui uma extensão variável, porque toma por base parte do corpo humano, ou seja, do cotovelo até a ponta do dedo anular. Em geral, o côvado, variava entre 0,45 cm. a 0,50 cm. Então havia o côvado romano, o hebreu, o egípcio, o babilônico, o grego, etc. Em princípio parece que a descrição de Enoque é exagerada, pois 3.000 côvados convertidos, e utilizando o menor padrão de côvado (0,45 cm), multiplicando-se por 3.000 (altura dos gigantes) daria uma altura da ordem de 13,50 metros. Entretanto, vendo o registro de Ap. 21:17 - "Também mediu o seu muro, e era de cento e quarenta e quatro côvados, segundo a medida de homem, isto é, de anjo." O sentido do texto acima é: "conforme a maneira de medir dos homens, a medida de um anjo é 66, 6 m." O texto é uma referência à Cidade Santa, a nova Jerusalém, que será construída na órbita da Terra para morada dos redimidos com Cristo. Vê-se que são 144 côvados a altura dos seus muros. Então, tomando, por exemplo, o côvado hebreu (0,4625 cm) e multiplicando-se pelos 144 côvados, dá 66,6 metros. O texto afirma que esta é a altura de um anjo aos olhos dos homens. Considerando-se os dois textos e admitindo-se que se crê nas Escrituras, os gigantes não eram assim tão altos. 
O gigante Golias, o qual Davi derrubou com uma pedra de funda tinha 6 côvados e um palmo conforme I Sm. 17:4 - "Então saiu do arraial dos filisteus um campeão, cujo nome era Golias, de Gate, que tinha de altura seis côvados e um palmo." Fazendo-se a devida conversão para o sistema métrico e usando o padrão do côvado romano (0,4625 cm) dão 2,94 metros de altura. Era um anão perto dos gigantes que povoaram a Terra antes do dilúvio.
Sola Scriptura!

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