sábado, 16 de maio de 2015

O DIABO, VOSSO ADVERSÁRIO VIII

I Pd. 5: 8 a 11 - "Sede sóbrios, vigiai. O vosso adversário, o Diabo, anda em derredor, rugindo como leão, e procurando a quem possa tragar; ao qual resisti firmes na fé, sabendo que os mesmos sofrimentos estão se cumprindo entre os vossos irmãos no mundo. E o Deus de toda a graça, que em Cristo vos chamou à sua eterna glória, depois de haverdes sofrido por um pouco, ele mesmo vos há de aperfeiçoar, confirmar e fortalecer. A ele seja o domínio para todo o sempre. Amém."
É fundamental que se abstraia da visão vulgar sobre o Diabo, porque esta visão impede uma compreensão mais profunda sobre o adversário. Tal visão simplista e retorcida é subproduto de uma cultura religiosa que teve sua origem na Idade Média quando a igreja dominante temia o avanço do conhecimento científico. O temor dos líderes eclesiásticos era que o povo abandonasse a submissão aos dogmas e preceitos impostos por eles. Por esta razão o chamado "Santo Ofício", ou seja, a Inquisição criou o "Index" no qual arrolava milhares de obras proibidas, sendo a maioria de caráter científico. Tudo o que o clero tomava por perigoso ao domínio da igreja era alistado como obra diabólica. O enredo do filme "O Nome da Rosa" baseado na obra de Humberto Ecco é um típico exemplo de como agia a "santa madre igreja." Ocultava as obras literárias, científicas e mesmo algumas religiosas em bibliotecas dos mosteiros trancafiados a sete chaves. A sonegação do esclarecimento ao povo era uma estratégia de sobrevivência em meio à decadência iminente. Igualmente a perseguição e condenação dos que ousavam desafiar os dogmas e crendices era uma maneira de eliminar aqueles que queriam saber mais.
Criou-se uma imagem no ideário popular que ainda hoje persiste, sendo muito difícil desconstruir. O fato é que o Diabo não é aquela figura horrenda que se pinta no inconsciente do povo. Ele é um ser espiritual e, portanto, invisível. O fato de ser espiritual não o qualifica como um ser fiel a Deus. Pode tornar-se visível por meio de materializações em forma algo ou de alguém, mas este não é o seu estado natural. Trata-se de uma situação excepcional para agir pessoalmente em algumas ocasiões quando lhe é permitido. Tal situação é retratada por Paulo conforme II Co. 11: 14 e 15 - "E não é de admirar, porquanto o próprio Satanás se disfarça em anjo de luz. Não é muito, pois, que também os seus ministros se disfarcem em ministros da justiça; o fim dos quais será conforme as suas obras." Desta forma fica evidente que suas aparências e aparições são sempre um disfarce e não uma realidade concreta e permanente. Obviamente é desta forma que ele deve se apresentar para envolver e controlar as mentes dos não regenerados. Do contrário dar-se-ia que seria absolutamente rejeitado. Vê-se, pelo texto, que os demônios que servem ao Diabo também se apresentam como ministradores de justiça. Estes demônios são os anjos que acompanharam o Diabo em sua rebelião. Então, o Diabo apresenta-se oferecendo luz e os seus demônios oferecendo justiça. Acaso não são estas coisas que atraem a maioria dos homens, em suas crenças e buscas culturais, sociais e econômicas?
O campo mais fértil às manifestações do Diabo é a religião, justamente porque é uma esfera subjetiva e que se alimenta da sensorialidade da alma e de fé almática e não espiritual. É um campo minado e perigoso, porque, de um lado há a incidência e a reincidência constante do desespero humano e, do outro lado, há uma proposta permanente dos falsos obreiros conforme fica claro no mesmo contexto de II Co. 11: 13 - "Pois os tais são falsos apóstolos, obreiros fraudulentos, disfarçando-se em apóstolos de Cristo." Um apóstolo no contexto do primeiro século da era cristã era alguém que, após experimentar o novo nascimento era enviado a anunciar o evangelho da redenção. Vê-se que desde aquele tempo estavam entre os verdadeiros, também os falsos apóstolos que realizam a sua obra por meio da fraude, disfarçando-se de enviados por Cristo. Ora, ainda hoje se vê tal prática multiplicada na mídia dotada dos mais altos requintes da comunicação sofisticada. A fraude se caracteriza exatamente por simular verdade por meio de um instrumento da mentira, a saber, falsos cristãos. Trata-se, portanto, de uma espécie de falsificação por ardil ou mentira impetrada como se verdade fosse dentro de igrejas.
I Tm. 4:1 a 5 - "Mas o Espírito expressamente diz que em tempos posteriores alguns apostatarão da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios, pela hipocrisia de homens que falam mentiras e têm a sua própria consciência cauterizada, proibindo o casamento, e ordenando a abstinência de alimentos que Deus criou para serem recebidos com ações de graças pelos que são fiéis e que conhecem bem a verdade; pois todas as coisas criadas por Deus são boas, e nada deve ser rejeitado se é recebido com ações de graças; porque pela palavra de Deus e pela oração são santificadas." A primeira evidência da ação fraudulenta do Diabo por meio de seus ministradores humanos é a apostasia. Por apostasia se pode entender um ato de renúncia a algum valor, princípio ou fé. Os apóstatas, na maior parte dos casos, não se afastam ou renunciam à religião, mas apenas à fé verdadeira. Permanecem dentro das igrejas, porém conduzindo-se por um padrão apenas comportamental. Ficam ali, porém em conformidade a um corolário de doutrinas e práticas que lhes são convenientes. Isto ocorre porque não experimentaram o nascimento do alto ou espiritual. Tiveram apenas uma experiência religiosa emocional ou intelectual. 
A origem da apostasia consiste em ouvir a espíritos enganadores que trazem doutrinas de demônios. Estes demônios são aqueles ministradores de Satanás que se apresentam como portadores da justiça, ou seja, daquilo que julgam ser o justo e o melhor para o homem. O objetivo de tal prática é manter os homens afastados da verdade a fim de subjugá-los a uma escravidão eterna. São homens hipócritas, pois o que falam não representa o que são e vice-versa.
Suas mentes foram cauterizadas, isto é, perderam a sensibilidade à verdade. Por isto estes sobrevivem de uma espécie de fé em si mesmos ou de uma espécie de fé na fé. Vê-se, pelo texto, que tratam estes falsos pregadores de coisas comezinhas, ou seja, das coisas do cotidiano do homem. Jesus esclarece que, quem cuida das coisas dos homens é Satanás. Muitos desses religiosos se põem como celibatários em nome de uma maior pureza e dedicação às coisas espirituais. Entretanto, suas naturezas pecaminosas os traem, levando-os às práticas sórdidas e à exposição de suas taras. Outros proíbem a ingestão de determinados alimentos a fim de trazer maior clareza mental, saúde física, e elevação ao sobrenatural. Entretanto, o texto sagrado diz que tudo quanto Deus criou é bom, desde que recebidos com ações de graça. Dar graças por todas as dádivas de Deus é o mesmo que reconhecer que ele é soberano e detém o controle absoluto sobre todas as coisas. Só os nascidos do alto podem e conseguem ver a soberania de Deus. Uma mente que é guiada por sua própria alma jamais poderá reconhecer Deus como soberano e que tem todo o controle até mesmo sobre as coisas julgadas como ruins. É a fé genuína na Palavra de Deus que tem o poder de santificar e purificar todas as coisas. Não são atos deliberados pelo homem que tornam as Escrituras autênticas e verdadeiras. Elas são verdadeiras por sua própria natureza e origem.
O texto de abertura indica que os eleitos e regenerados devem ser sóbrios e vigilantes. Sóbrio significa não estar embriagado. Entretanto, tal sentido não se aplica no texto à embriaguez com bebidas alcoólicas. Trata-se de uma extensão de sentido da embriaguez, a saber, não se envaidecer com ideias, princípios e valores morais ou sensoriais. Iludir-se e levar outros à ilusão de uma falsa verdade é uma forma de embriaguez e falta de sobriedade. Portanto, a forma que os eleitos e regenerados se mantêm sóbrios e vigiam é conhecendo a mente de Deus por meio das Escrituras. Não se trata de um exercício mental de esperteza contra evidências. Até porque, as evidências do Diabo e seus demônios muito se assemelham à verdade. Todavia, nem tudo o que se assemelha possui a mesma essência daquilo que é semelhante, a saber, a verdade. A verdade não é uma concepção, mas o próprio Cristo conforme Jo. 14:6
Sola Scriptura!

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