quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

O EVANGELHO ANUNCIADO, AS ESCRITURAS CONFIRMADAS, E A TRAGÉDIA DO ENGANO

I Co. 15: 1 a 19 - "Ora, eu vos lembro, irmãos, o evangelho que já vos anunciei; o qual também recebestes, e no qual perseverais, pelo qual também sois salvos, se é que o conservais tal como vo-lo anunciei; se não é que crestes em vão. Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras; que foi sepultado; que foi ressuscitado ao terceiro dia, segundo as Escrituras; que apareceu a Cefas, e depois aos doze; depois apareceu a mais de quinhentos irmãos duma vez, dos quais vive ainda a maior parte, mas alguns já dormiram; depois apareceu a Tiago, então a todos os apóstolos; e por derradeiro de todos apareceu também a mim, como a um abortivo. Pois eu sou o menor dos apóstolos, que nem sou digno de ser chamado apóstolo, porque persegui a igreja de Deus. Mas pela graça de Deus sou o que sou; e a sua graça para comigo não foi vã, antes trabalhei muito mais do que todos eles; todavia não eu, mas a graça de Deus que está comigo. Então, ou seja eu ou sejam eles, assim pregamos e assim crestes. Ora, se prega que Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, como dizem alguns entre vós que não há ressurreição de mortos? Mas se não há ressurreição de mortos, também Cristo não foi ressuscitado. E, se Cristo não foi ressuscitado, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé. E assim somos também considerados como falsas testemunhas de Deus que ele ressuscitou a Cristo, ao qual, porém, não ressuscitou, se, na verdade, os mortos não são ressuscitados. Porque, se os mortos não são ressuscitados, também Cristo não foi ressuscitado. E, se Cristo não foi ressuscitado, é vã a vossa fé, e ainda estais nos vossos pecados. Logo, também os que dormiram em Cristo estão perdidos. Se é só para esta vida que esperamos em Cristo, somos de todos os homens os mais dignos de lástima."
O anúncio do evangelho foi uma ordem dada aos discípulos pelo Mestre Jesus, o Cristo. Não é um imperativo, mas uma ação contínua e participativa da natureza dos nascidos de Deus. É como está doutrinado em II Co. 4:13 - "Ora, temos o mesmo espírito de fé, conforme está escrito: cri, por isso falei; também nós cremos, por isso também falamos..." Àquele que crê, não é dada a opção de silenciar sobre a verdade.
Em língua portuguesa o texto que trata deste tema foi traduzido com o verbo no imperativo 'ide', porque a tradução é arminiana. De fato o texto original utiliza o verbo no particípio contínuo. Portanto, o que as Escrituras afirmam em Mc. 16: 15 e 16 é "E disse-lhes: indo por todo o mundo, e pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado." A raiz do verbo usado por Cristo provém de 'poreía' que é o substantivo para caminho, jornada, caravana. A forma verbal utilizada no texto é 'poreythentes', significando que, ao longo do caminho ou da jornada da vida, os discípulos de Cristo anunciam o evangelho. O mesmo verbo é utilizado em Mt. 28:19 e em outros contextos correlatos. A forma verbal utilizada no grego koinê está no modo particípio circunstancial ou aoristo e não no imperativo. O sentido mais simplificado do 'poreythentes' é 'indo' ou 'enquanto vão'. É óbvio que o verbo indica mobilidade geográfica, mas não é um imperativo como querem os defensores de missões. É uma ação contínua nos caminhos do dia a dia de cada um dos eleitos e regenerados por todo o mundo. Há oportunidades para quem se prepara, é chamado e recebe a incumbência de pregar em qualquer parte do muando, como para quem prega em sua vizinhança e em seu bairro. Uma coisa não anula a outra, mas o fato é que se trata de uma ação contínua dada a todos e não a uma casta de pessoas especiais designadas para uma obra misteriosa. Tal urgência missionária alegada por muitas igrejas se justifica pelo suposto poder de arrebatar almas do inferno. Entretanto, as Escrituras ensinam que as almas predestinadas e eleitas  têm os  seus nomes escritos no livro da vida do Cordeiro, antes da fundação do mundo. O 'indo' é destinado apenas a despertar os predestinados e eleitos conforme Rm. 8:29 e 30 - "Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos; e aos que predestinou, a estes também chamou; e aos que chamou, a estes também justificou; e aos que justificou, a estes também glorificou." Deus não trabalha 'a posteriori', mas 'a priori'. Os que foram conhecidos de antemão e predestinados serão salvos, independentemente do envio de missionários.
No texto de abertura, Paulo traz à memória dos discípulos em Corinto que o evangelho da verdade já lhes havia sido anunciado. Relembra-lhes que o evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê. O apóstolo Paulo não elabora um evangelho alternativo, mas entrega o mesmo evangelho recebido diretamente do Cristo. A essência do evangelho verdadeiro é que Cristo morreu para aniquilar os pecados dos eleitos, foi sepultado, e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras. O evangelho não é uma fórmula mágica elaborada para impressionar os pecadores como se vê hoje. O método para a redenção do pecador foi decidido por Deus antes dos tempos eternos conforme II Tm. 1:9 - "... que nos salvou, e chamou com uma santa vocação, não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e a graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos..." Paulo ainda apela ao testemunho e autenticidade da morte, sepultamento e ressurreição de Cristo por grande número de pessoas que presenciaram todos os eventos.
Na igreja de Corinto estavam "crentes" que receberam o mesmo evangelho, da mesma fonte e com a mesma autenticidade. Todavia, os que não puderam crer à verdade criaram para si verdades alternativas. Naquela igreja havia os que afirmavam que não há ressurreição dos mortos. Estes "cristãos" não nascidos do alto, tentavam mesclar o judaísmo ao ensino do evangelho puro. Tal situação de incredulidade determina na mente contaminada pela natureza pecaminosa grande necessidade de um evangelho adaptativo às exigências da alma não regenerada. Ora, se não há ressurreição dentre os mortos, Jesus, o Cristo não ressuscitou. Sua morte se torna absurda e absolutamente desqualificada em sua finalidade última. A morte de Cristo foi para matar a morte do pecador eleito, a saber, aniquilar  o pecado que tornou o homem morto para Deus. A ressurreição de Cristo é o coroamento e a prova que ele venceu a morte, o inferno e o poder do pecado conforme Ef. 4:  8 a 10  - "Por isso foi dito: subindo ao alto, levou cativo o cativeiro, e deu dons aos homens. Ora, isto, ele subiu que é, senão que também desceu às partes mais baixas da terra? Aquele que desceu é também o mesmo que subiu muito acima de todos os céus, para cumprir todas as coisas."
A tragédia do engano religioso é pior que a tragédia do ateísmo, pois, neste caso o homem tem consciência da sua rejeição da verdade. No caso do religioso que crê no engano, o torna um praticante de ritos e preceitos, mantendo a natureza pecaminosa que os condena perante Deus. Falar das Escrituras, de Cristo, de Deus e realidades espirituais, nem sempre é anunciar o evangelho.
Sola Gratia!

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