quarta-feira, 2 de outubro de 2013

SOBRE MALDIÇÃO II

Dt. 11: 26 a 29 - "Vede que hoje eu ponho diante de vós a bênção e a maldição: a bênção, se obedecerdes aos mandamentos do Senhor vosso Deus, que eu hoje vos ordeno; porém a maldição, se não obedecerdes aos mandamentos do Senhor vosso Deus, mas vos desviardes do caminho que eu hoje vos ordeno, para seguirdes outros deuses que nunca conhecestes. Ora, quando o Senhor teu Deus te introduzir na terra a que vais para possuí-la, pronunciarás a bênção sobre o monte Gerizim, e a maldição sobre o monte Ebal."
De uma forma ou de outra, consciente ou inconscientemente, todo religioso é um místico e, por vezes, também um mítico. As pessoas, em geral, recebem enorme carga cultural das crendices e folclores da sociedade em que estão inseridas. Quando abraçam uma determinada religião levam um enorme acervo de temores e receios introjectados em suas mentes. As narrativas das religiões sempre trilham o caminho da ambiguidade entre o bem e o mal. De sorte que, atribui-se o bem apenas a Deus e o mal apenas ao Diabo. Esta visão maniqueísta é reforçada pelos líderes, pois sabem que o medo é uma das maneiras mais eficientes para manter as pessoas cativas a um sistema. Por estas razões os tais religiosos místicos leem as Escrituras com as lentes embotadas pelas suas crendices pessoais e coletivas. A questão da maldição é algo real e concreto na Bíblia. Entretanto, o entendimento deste assunto é absolutamente deturpado. A maior parte dos religiosos, que não experimentaram o novo nascimento, vê a maldição como algo ligado ao Diabo e seus seguidores. O fato de alguns homens deitar maldições sobre outros é por força da natureza pecaminosa, que, por si só é a maior maldição. Seguem a natureza da serpente neles inoculada desde o Éden. Não é sem causa que Jesus e João, o batista usam a expressão "raça de víboras". Esta não é uma expressão idiomática, mas uma constatação, tanto pelo Senhor, como pelo seu precursor.
O verbo amaldiçoar traz as seguintes acepções: 'lançar maldição, declarar mau ou funesto, praguejando contra; maldizer, abominar, execrar.' O substantivo maldição provém deste verbo e significa: 'ato ou efeito de amaldiçoar ou maldizer, infortúnio, desgraça, calamidade.' A natureza pecaminosa cria no homem uma inclinação ao que é mal e ao que é mau. Portanto, é apenas uma questão de colocar em prática esta maldade em momentos e níveis diferenciados. Neste caso, a maldição nada tem de sobrenatural. É algo produzido pelos poderes latentes da alma administrados pelo Maligno. Deus, em nenhum contexto das Escrituras autoriza, quem quer que seja, a amaldiçoar o seu semelhante. Contrariamente, o ensino cristão é para não amaldiçoar conforme Rm. 12:14 - "... abençoai aos que vos perseguem; abençoai, e não amaldiçoeis." Esta é, portanto, uma das marcas de Cristo nos nascidos do alto é abençoar, inclusive, os que os perseguem. A natureza pecaminosa é tão subversiva e arrogante que pressupõe, até mesmo, amaldiçoar o próprio Deus conforme Jó 2:9 - "Então sua mulher lhe disse: ainda reténs a tua integridade? Amaldiçoa a Deus, e morre."
No contexto do texto de abertura, Deus mostra aos hebreus que era aconselhável e prudente a que obedecessem aos mandamentos e ordenanças. Todavia, obedecer é consequência de ter uma natureza inclinada para Deus por meio do nascimento do alto. Não é uma questão de escolha, pois esta vem como consequência da natureza que persiste dentro do homem. Deus lhes traz à memória os grandes feitos quando os tirara da escravidão no Egito. Evidencia como ele agiu poderosamente diante das dificuldades e obstáculos, protegendo-os e alimentando-os pelo deserto. E finalmente, fala como os introduziria na terra de Canaã habitada por outros povos que não conheciam o Deus único. O que é ensinado é muito simples: obedecendo os mandamentos dados por Deus haveriam bênçãos, porque prometidas. Escolhendo desobedecer e adorar aos deuses estranhos, atrairia a maldição. Portanto a bênção e a maldição, deveriam ser proferidas sobre os montes Gerizim e Ebal, na entrada da terra prometida, para lembrá-los como um memorial. Deus não amaldiçoou a ninguém, tão somente colocou diante do povo a lembrança das possibilidades: bênção e maldição. O mesmo método foi colocado no Éden nas figuras da 'árvore da vida' e da 'árvore do conhecimento do bem e do mal'. Assim, prosperidade e a alegria na terra prometida seriam garantidas pela obediência, independentemente das condições naturais desfavoráveis e dos ataques dos povos locais. A desobediência levaria o povo a depender apenas das condições naturais desfavoráveis e lutar contra os inimigos sozinhos. Os mandamentos e ordenanças não eram para a salvação espiritual dos israelitas, mas para a proteção contra os males e perigos na nova terra. A salvação sempre e invariavelmente foi, é e será por Jesus, o Cristo. Antes d'Ele vir, pela fé que viria, durante e depois d'Ele pela fé que ele, de fato, é o redentor Todo-suficiente dos pecadores eleitos. 
A obediência ao Senhor Deus, no contexto, era devida à sua soberania, as provas já demonstradas com sinais reais de libertação poderosa da escravidão. Ao optar pela desobediência o povo hebreu estaria optando por viver por si mesmos e descartando a dependência plena de Deus. A opção seguida pelo povo indicaria o que, de fato, estaria em seus corações: se confiança ou se medo. Não era uma escolha entre obedecer e não obedecer, seguiriam a natureza dos seus corações. A opção por obedecer indicaria que a Palavra de Deus estaria, realmente, internalizada nos corações dos israelitas, teria sido ensinada aos filhos que não o conhecera, seria mostrada em suas casas e demonstrada em diferentes e diversos modos. É a Palavra de Deus que leva à obediência e não a obediência que leva o homem a Deus. Deus estava preparando um caminho sobre-excelente para os israelitas a fim de poupá-los dos sofrimentos e dores de seguir caminhos estranhos à verdade. Deus estava preparando um povo, para, dele trazer o Cristo ao mundo.
Os religiosos místicos cujas vidas almáticas controlam suas mentes e os conduzem a crer que é a obediência que leva a uma vida espiritual plena. Por isto, sofrem e são escamoteados em diversas e diferentes igrejas. O medo é o primeiro sintoma de uma alma não regenerada, pois foi a primeira manifestação consequente do pecado em Adão e Eva. Eles se esconderam por entre os arbustos, porque tiveram medo. O medo é a desconfiança que Deus não é o que diz ser e que não é gracioso e misericordioso. Por estas razões é que o religioso místico vive à cata de profetas e manifestações sobrenaturais. A Palavra de Deus afirma que Satanás não pode sequer tocar nos nascidos do alto conforme I Jo. 5:18 - "Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive pecando; antes o guarda aquele que nasceu de Deus, e o Maligno não lhe toca." O temor e a desconfiança do religioso místico têm origem na incredulidade, pois não confia que Deus é suficientemente poderoso para protegê-lo. Crê que, se algo ruim lhe sucede é porque deu lugar ou "brecha" ao Diabo. Isto é pura crendice religiosa e nada tem a ver com a verdade. Pois, tudo o que sucede aos filhos de Deus procede de Deus, tanto o que se julga por bem, como o que se julga por mal. Nada escapa ao controle soberano de Deus no universo. Do contrário é melhor você se declarar ateu!
Sola Fide!

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