segunda-feira, 28 de maio de 2012

A DIFERENÇA ENTRE ORAÇÃO E ENCANTAMENTO


Fl. 4: 6 e 7 - "Não andeis ansiosos por coisa alguma; antes em tudo sejam os vossos pedidos conhecidos diante de Deus pela oração e súplica com ações de graças; e a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus."
Ex. 7: 10 a 12 - "Então Moisés e Arão foram ter com Faraó, e fizeram assim como o Senhor ordenara. Arão lançou a sua vara diante de Faraó e diante dos seus servos, e ela se tornou em serpente. Faraó também mandou vir os sábios e encantadores; e eles, os magos do Egito, também fizeram o mesmo com os seus encantamentos. Pois cada um deles lançou a sua vara, e elas se tornaram em serpentes; mas a vara de Arão tragou as varas deles."
Orar é, biblicamente, uma conversa sincera entre duas pessoas, ainda que uma delas esteja invisível. No sentido escriturístico orar é o ato pelo qual o homem se dirige a Deus em palavras, sejam audíveis, sejam silenciosas. Há diferentes prescrições sobre o modo de orar nas Escrituras, entretanto, a exigência é que seja ela inspirada e apresentada pelo Espírito Santo, visto que ninguém sabe orar como convém conforme Rm. 8:26 - "Do mesmo modo também o Espírito nos ajuda na fraqueza; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o Espírito mesmo intercede por nós com gemidos inexprimíveis." De fato o homem ora, mas quem dá a tradução espiritual diante do trono de Deus é o Espírito d'Ele. O verdadeiro nascido de Deus ora, não para enrolar ou vencer Deus pelo cansaço, mas até que o Espírito Santo mostre o que é melhor, ou qual seja a decisão de Deus sobre o assunto. O regenerado ora, não porque tenha direitos ou créditos, mas porque Deus o ouve por meio de Cristo, porém não há nenhuma garantia que será atendido do modo que deseja ser. Acrescenta-se ainda, que, todas as orações são respondidas por Deus, seja com um 'sim', seja com um 'não'. A questão é que o religioso, não crê na Palavra de Deus, e só entende como resposta aquela que lhe seja conveniente. 
Encantamento é um substantivo masculino que significa: "efeito sobrenatural dos supostos poderes mágicos; feitiço, sortilégio". Figurativamente, encantar significa encanto, enlevo, sedução. Na sinonímia, encantar significa atração, fascínio, sedução, fascinação. Este é o processo dos encantadores de serpentes: exercer fascínio atrair, seduzir, enfeitiçar serpentes por meio de músicas, palavras e movimentos. Por isso, registra-se em Ec. 10:11 - "Se a cobra morder antes de estar encantada, não há vantagem no encantador." Nestes sentidos há muitos encantadores hoje nas religiões predominantes e dominantes. Obtêm resultados, não porque Deus os ouve, mas por força dos poderes latentes da alma. São, de fato, encantadores de si mesmos!
Há no universo três categorias de espíritos os quais permitem contatos sobrenaturais: o Espírito Santo de Deus, o espírito de Satanás e seus anjos caídos, e o espírito colocado no homem. O espírito do homem pode se comunicar com qualquer um dos espíritos, dependendo da sua situação: se é vivificado ou se é 'morto'. O espírito do homem resulta do sopro divino, mas encontra-se separado ou morto para Deus por causa da natureza pecaminosa. Ele é vivificado por meio do nascimento do alto, e, portanto, torna-se reconciliado com Deus novamente. Quando o homem expira a sua vida terrena, o seu espírito volta a Deus de onde veio conforme Ec. 12:7 - "... e o pó volte para a terra como o era, e o espírito volte a Deus que o deu." A carne, ou seja, a dimensão física é apenas matéria perecível e se deteriora quando retorna ao pó da terra. A carnalidade, a saber, a carga almática contaminada pela natureza pecaminosa não se comunica com o Espírito Santo, e luta constantemente contra o espírito do homem conforme Gl. 5:17 - "Porque a carne luta contra o espírito, e o espírito contra a carne; e estes se opõem um ao outro, para que não façais o que quereis." A palavra grega neotestamentária para carne neste texto é 'sarks', ou seja, é o corpo físico com toda a sua carga de desejos almáticos. São as inclinações e necessidades do corpo controladas pela alma. Tal palavra na língua original, o grego koinê, é diferente de 'soma', pois enquanto esta se refere apenas ao corpo físico e suas funções fisiológicas, aquela se refere ao resto da natureza não regenerada e que ainda opera no nascido de Deus. Esta operação só cessará com a morte física. Na ressurreição final, o corpo glorificado não sofrerá mais a influência da carne e suas contingências almáticas.
A carne ou a carnalidade representam a inteira natureza do homem, a sua sensibilidade e razão, porém sem o Espírito Santo. É o conjunto formado pelo espírito separado de Deus, a alma, o corpo físico e o coração que é a sede das emoções, volições e desejos. É exatamente neste ponto em que muitos praticam encantamentos imaginando que estão orando e em comunhão com Deus. Na verdade, estão tendo apenas manifestações dos poderes latentes da alma. É o que o apóstolo Paulo chama de sensualidade, a qual, muitos imaginam se referir às questões sexuais, porém, nada a ver. O fato de alguém pertencer a uma ou outra religião não lhe garante o dom do Espírito Santo como recompensa. Sem o nascimento do alto, não há o selo do Espírito Santo, consequentemente não há comunhão verdadeira.
É precisamente neste conflito entre espírito do homem e a carne que muitos religiosos tropeçam. Julgam que as emoções, a sensualidade e as experiências sensoriais são relacionados ao Espírito de Deus. Muitos praticam atos puramente humanos, e por vezes, puramente diabólicos imaginando que são dons espirituais. De fato, muitos "crentes" praticam pura feitiçaria, presumindo que sejam milagres divinos. Há no seio de algumas igrejas institucionais uma forte tendência à divinização dos frutos da alma, gerando adoração ao homem e não a Deus. O texto que cita os atos dos magos de Faraó, demonstra que as suas almas se uniram ao espírito maligno para realizar as mesmas maravilhas operadas por Moisés e Arão que estavam sob as ordens de Deus. É impressionante que Deus tenha permitido tais operações para mostrar que é possível ao mal operar milagres e maravilhas também. Entretanto, o que conta é a origem das operações, e não as suas consequências. Verificou-se, naquele episódio, que a serpente transformada pela operação de Deus engoliu as serpentes transformadas pela operação almática dos magos. Isto aconteceu para que fique claro, que, o que conta é quem é o detentor do verdadeiro poder. Os religiosos olham para os resultados, Deus vê a origem!
Muitos religiosos, especialmente, aqueles que pertencem a determinados grupos de cunho carismático e pentecostal agem da seguinte maneira: se a operação de milagre é realizada por alguém que não é da religião deles, é diabólica. Entretanto, se é realizada por alguém a quem consideram portador de dons espirituais, é divina. Neste sentido classificam as operações em: 'macumba' quando atribuem ao praticante uma origem diabólica; e 'boacumba' quando o praticante pertence ao grupo ao qual aceitam. Todavia, em muitos casos, a origem de tais operações é a mesma, a saber, a alma do homem controlada pelo Diabo. Assim, muitos vivem à cata de milagreiros, curandeiros, profetas, resolvedores de problemas e dramas, sem saber que estão entregues a uma prática abominável aos olhos de Deus. Tudo o que não procede da graça mediante a fé é anátema aos olhos de Deus. Ainda que os resultados destas operações almáticas sejam bons ao homem, na esfera espiritual, não possuem valor algum. 
Portanto, verifique tudo à luz das Escrituras! Não se deixe enganar, não se engane, e não engane a ninguém, pois muitos homens maus e dissolutos se introduzem no seio da cristandade para prestar serviço ao Diabo. São pessoas muito humanas, corretas, e praticantes de boas obras do ponto de vista humanista, mas não estão autorizadas por Deus conforme Jr. 23:21, 25 e 26, 30 e 31 - "Não mandei esses profetas, contudo eles foram correndo; não lhes falei a eles, todavia eles profetizaram.Tenho ouvido o que dizem esses profetas que profetizam mentiras em meu nome, dizendo: sonhei, sonhei. Até quando se achará isso no coração dos profetas que profetizam mentiras, e que profetizam do engano do seu próprio coração? Portanto, eis que eu sou contra os profetas, diz o Senhor, que furtam as minhas palavras, cada um ao seu próximo. Eis que eu sou contra os profetas, diz o Senhor, que usam de sua própria linguagem, e dizem: ele disse." O povo chamado "crente", geralmente, imagina que pessoas a serviço de Satanás são más exteriormente, todavia desconhecem que, quem exalta o homem em sua natureza pecaminosa é o Diabo. Portanto, de certa forma, ele faz o que agrada ao homem para que este permaneça iludido e com sua natureza pecaminosa inoculada. Deus, ao contrário, humilha o pecador para mostrar-lhe o que de fato é o pecado. 
I Sm. 15:23 - "Porque a rebelião é como o pecado de adivinhação, e a obstinação é como a iniquidade de idolatria." A rebelião a que alude o texto é o ato de buscar os encantamentos, as feitiçarias, os misticismos, as adivinhações, sortilégios, predições, enlevos sobrenaturais, ao invés de crer nas Escrituras como palavra de Deus. A maioria têm a Bíblia apenas como manual de religião de onde tiram receitas e mantras para aliviar suas dores e saciar seus desejos de fama, sucesso e vitória. Aceitam apenas o que lhes é favorável, mas rejeitam o que lhes é por disciplina e correção espiritual. É este o sentido de obstinação e de iniquidade e idolatria a que alude o texto de Samuel acima. 
Sola Scriptura!

domingo, 20 de maio de 2012

A DIFERENÇA ENTRE O CRISTIANISMO NOMINAL E O CRISTIANISMO REAL

 At. 11: 19 a 26 - "Aqueles, pois, que foram dispersos pela tribulação suscitada por causa de Estêvão, passaram até a Fenícia, Chipre e Antioquia, não anunciando a ninguém a palavra, senão somente aos judeus. Havia, porém, entre eles alguns cíprios e cirenenses, os quais, entrando em Antioquia, falaram também aos gregos, anunciando o Senhor Jesus. E a mão do Senhor era com eles, e grande número creu e se converteu ao Senhor. Chegou a notícia destas coisas aos ouvidos da igreja em Jerusalém; e enviaram Barnabé a Antioquia; o qual, quando chegou e viu a graça de Deus, se alegrou, e exortava a todos a perseverarem no Senhor com firmeza de coração; porque era homem de bem, e cheio do Espírito Santo e de fé. E muita gente se uniu ao Senhor. Partiu, pois, Barnabé para Tarso, em busca de Saulo; e tendo-o achado, o levou para Antioquia. E durante um ano inteiro reuniram-se naquela igreja e instruíram muita gente; e em Antioquia os discípulos pela primeira vez foram chamados cristãos."
Entende-se por nominalismo cristão uma suposta capacidade de culto a Deus sem a Bíblia e seus fundamentos. É como ser cristão sem o Cristo, a saber, é o cristianismo formado pela religião vazia das Escrituras, desprovida do evangelho da verdade, e à margem da pessoa de Cristo. É uma mera formalidade para gerar aceitação moral e social, além de apaziguar os dramas de consciência. Atinge pessoas que professam ter fé, porém recebem ao Senhor Jesus apenas como perdoador de pecados, porque temem morrer com suas culpas; o cristão nominal recebe a Cristo como quem o poderá resgatar do inferno, porque não quer correr o risco de queimar eternamente; o cristão nominal  recebe uma espécie de Cristo curandeiro, porque odeia a ideia de sofrer males e enfermidades físicas; o cristão nominal recebe ao Senhor Jesus apenas como protetor, porque quer obter segurança diante dos perigos do mundo e da vida; o cristão nominal recebe a Cristo como o Senhor da riqueza e da prosperidade, porque ama o dinheiro e o que ele pode comprar; o cristão nominal recebe a Cristo como o Criador, porque necessita conceber o universo dentro de uma ordem lógica e funcional. Ele precisa justificar a existência daquilo que não pode compreender pelo intelecto. O cristão nominal recebe a Cristo como quem controla a  história, porque precisa de uma concepção estável do tempo e dos acontecimentos, justificando-o dialeticamente.
O cristão nominal não recebe ao Senhor Jesus, o Cristo como  o "Supremo Propósito" de Deus e que possui inestimável valor pessoal. Não o vê como o todo-suficiente, eficiente e eficaz contra a natureza pecaminosa dominante no homem. O nominalismo trata o cristianismo como uma espécie de ingresso comprado para garantir a entrada no céu de pecadores não regenerados. Busca uma forma e também uma fórmula para promover a salvação sem a morte inclusiva em Cristo. É a salvação sem o salvador!
O cristianismo autêntico é aquele que consta nas Escrituras, particularmente do Novo Testamento que é a concretização do Velho Testamento. Este cristianismo contém o evangelho cuja síntese foi apresentada pelo apóstolo Paulo em I Co. 15: 3 e 4 - "...Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras; que foi sepultado; que foi ressuscitado ao terceiro dia, segundo as Escrituras..." O cristianismo verdadeiro é aquele perpetuado no tempo e no espaço, de geração em geração, como a semente que serve ao Senhor. O cristão verdadeiro transmite o que também recebeu e não outro evangelho reorganizado segundo a ótica do homem. O cristão autêntico não possui uma mera concepção religiosa para satisfazer aos seus interesses, mas aquilo que está registrado nas Escrituras como a Palavra de Deus fiel e verdadeira. O evangelho não lhe é como que um manual de religião.
O cristianismo real prega a morte do pecador na morte de Cristo conforme Jo. 12: 32 e 33 - "E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim. Isto dizia, significando de que modo havia de morrer." Isto foi o segredo guardado no tempo conforme Cl. 1:27 - "...a quem Deus quis fazer conhecer quais são as riquezas da glória deste mistério entre os gentios, que é Cristo em vós, a esperança da glória." A inclusividade e a substituição do pecador são mostradas no evangelho conforme II Co. 5: 14 - "Pois o amor de Cristo nos constrange, porque julgamos assim: se um morreu por todos, logo todos morreram." Não faz sentido o Cristo ter morrido sozinho na cruz, porque Ele não tinha pecado. Ao contrário, Deus o fez pecado inoculando os pecadores em sua morte conforme II Co. 5:21 - "Àquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus."
O cristianismo nominal vê Cristo apenas como o substituto dos pecadores, mas estes, a despeito das suas naturezas decaídas, decidem como o aceitam e se o aceitam, segundo uma falsa concepção de livre escolha. Neste ensino, o pecador escravizado pelo pecado, possui "livre arbítrio" para escolher se quer ou não quer ser salvo. Nesta falsa doutrina Cristo é um mero coadjuvante no filme das vidas imundas dos pecadores perdidos em delitos e pecados. Neste ensino falso,  os homens decaídos são os promotores das suas próprias justificações. Os tais, apesar das suas condições pecaminosas, presumem poder fazer o Deus soberano se curvar às suas vontades escravizadas e portadoras da natureza pecaminosa. Neste sentido satisfazem os reais intentos de Satanás que ofereceu todos os reinos do mundo se Cristo se prostrasse diante dele para o adorar.
II Co. 4:2 a 5 - "...pelo contrário, rejeitamos as coisas ocultas, que são vergonhosas, não andando com astúcia, nem adulterando a palavra de Deus; mas, pela manifestação da verdade, nós nos recomendamos à consciência de todos os homens diante de Deus. Mas, se ainda o nosso evangelho está encoberto, é naqueles que se perdem que está encoberto, nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus. Pois não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus como Senhor; e a nós mesmos como vossos servos por amor de Jesus." O cristianismo real coloca o homem pecador em seu devido lugar, a saber, como quem nada merece e que recebe a verdade como graça e misericórdia de Deus mediante a fé. Não há adulteração da Palavra de Deus para agradar a quem quer que seja; manifesta a verdade apesar da mentira reinante e prevalecente; não pregam  a si mesmos, mas apenas a Cristo como Senhor e a si mesmos como servos d'Ele. Foi desta forma que os primeiros cristãos foram identificados como tais em Antioquia pela primeira vez.
O cristianismo nominal  vê, crê e prega uma espécie de evangelho apenas reformulado para a salvação de pecadores segundo suas próprias justiças e méritos próprios. Estes têm uma espécie de síndrome teomânica de querer construir um 'Deus' segundo à imagem e semelhança de si mesmos. Pregam um evangelho que os recupere das suas fraquezas, creditando a si mesmos o sucesso e a vitória. Acreditam, de fato, neles mesmos!
O cristianismo autêntico é renovado a cada dia na fraqueza conforme afirma o apóstolo Paulo: "... quando sou fraco, aí é que sou forte." Isto ocorre para que a excelência do poder pertença apenas a Cristo.
Sola Scriptura!

sábado, 19 de maio de 2012

A DIFERENÇA ENTRE EVANGELHO E EVANGELICALISMO

I Co. 15: 1 a 8 - "Ora, eu vos lembro, irmãos, o evangelho que já vos anunciei; o qual também recebestes, e no qual perseverais, pelo qual também sois salvos, se é que o conservais tal como vo-lo anunciei; se não é que crestes em vão. Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras; que foi sepultado; que foi ressuscitado ao terceiro dia, segundo as Escrituras; que apareceu a Cefas, e depois aos doze; depois apareceu a mais de quinhentos irmãos duma vez, dos quais vive ainda a maior parte, mas alguns já dormiram; depois apareceu a Tiago, então a todos os apóstolos; e por derradeiro de todos apareceu também a mim, como a um abortivo."
Gl. 1: 6 a 12 - "Estou admirado de que tão depressa estejais desertando daquele que vos chamou na graça de Cristo, para outro evangelho, o qual não é outro; senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos pregasse outro evangelho além do que já vos pregamos, seja anátema. Como antes temos dito, assim agora novamente o digo: se alguém vos pregar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema. Pois busco eu agora o favor dos homens, ou o favor de Deus? ou procuro agradar aos homens? se estivesse ainda agradando aos homens, não seria servo de Cristo. Mas faço-vos saber, irmãos, que o evangelho que por mim foi anunciado não é segundo os homens; porque não o recebi de homem algum, nem me foi ensinado; mas o recebi por revelação de Jesus Cristo."
Ao pé da letra, evangelho significa "boa mensagem", "boa notícia" ou "boas-novas", visto que tal vocábulo é derivado da palavra grega 'εvαγγέλιον', 'euangelion' ('eu' = bom, e 'angelion' = mensagem ou mensageiro). No primeiro texto, o apóstolo Paulo demonstra, na essência, o que é o evangelho puro. O verdadeiro evangelho é anunciado, recebido e perseverado pelos que o ouvem e o recebem para a salvação. Há muitos que ouvem e recebem a pregação do evangelho, mas não para a salvação. No evangelho puro, não se admitem mutações, adaptações, ilações, injunções, conjecturas, sofismas ou reinvenções do que já foi anunciado. Requer que seja recebido por fé e não por circunstâncias. 
Ao que anuncia o verdadeiro evangelho é exigido,  que, também, o tenha recebido sem adulterações. Nada no evangelho escriturístico é produzido pela vontade humana, pela teologia humana, pela religião humana. O evangelho produzido pela ação sinérgica do homem, para nada aproveita, senão para produzir religiões baratas, enganadores e enganados. 
O genuíno evangelho é fruto da morte substitutiva e inclusiva de Cristo, segundo as Escrituras. Isto implica em que não é segundo as concepções humanas, mas segundo a Palavra de Deus. Por esta razão é que o verdadeiro evangelho só poderá ser recebido, jamais produzido pela sabedoria humana que é terrena, almática e diabólica conforme Tg. 3:15 - "Essa não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, animal e diabólica." Por mais bem intencionada que seja a mente humana, estará originalmente contaminada pela natureza pecaminosa inoculada no homem desde as suas origens ancestrais. O evangelho de Cristo é registrado em palavras escritas por mão humanas, mas transmitido e recebido por fé, porque a fé vem pelo ouvir, e o ouvir da Palavra de Deus. O homem natural não possui inclinação alguma para o evangelho verdadeiro. Possui, outrossim, forte inclinação para a religião exterior, sacrificial, mística e ritualística. Neste ponto é que muitos confundem o verdadeiro evangelho com o falso evangelho. Confundem verdade com religião! Por isto, confundem-se e são confundidos!
As boas novas se inserem na esfera espiritual decidida por Deus antes dos tempos eternos conforme II Tm. 1: 9 e 10 - "... que nos salvou, e chamou com uma santa vocação, não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e a graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos, e que agora se manifestou pelo aparecimento de nosso Salvador Cristo Jesus, o qual destruiu a morte, e trouxe à luz a vida e a imortalidade pelo evangelho..." Os verbos "salvou" e "chamou" estão no pretérito, portanto, a salvação não depende de quaisquer obras ou ações do homem. Pelo fato de tudo ter sido decidido na eternidade pretérita, é que o evangelho se constitui em "boas-novas". Foi uma decisão bondosa e soberana de Deus concretizada no tempo e na história pela graça mediante a fé, e, ambas procedem d'Ele.  A  novidade do evangelho consiste na verdade plena que, Cristo destruiu a morte espiritual do homem  em sua morte de cruz,  assim também, concedeu a sua vida eterna na ressurreição do regenerado juntamente com Ele.  Paulo mostra que o evangelho é conforme a tudo o que está nas Escrituras e que foi  testemunhado por diversas pessoas. Por Escrituras entendem-se o velho e o novo testamentos, pois um é a concretização do outro.
O denominado evangelicalismo, provém de 'evangélico', e, historicamente se constitui em um movimento teológico e missionarista à margem do protestantismo histórico. Não está subordinado ou limitado à doutrina reformada. Tal movimento defende a necessidade de o indivíduo passar por uma experiência de conversão, a que chamam comumente de "aceitar Jesus" e afirma ser a Bíblia a sua única base de fé e prática. Há ainda, nas últimas décadas, o aparecimento do cognominado neo-evangelicalismo. Este abriu-se para o liberalismo teológico e tenta suprimir os aspectos sobrenaturais da Bíblia. Confunde-se com o neo-pentecostalismo carismático se afastando cada vez mais do evangelho segundo as Escrituras.
Sabe-se que a conversão é um ato monergístico e não o resultado de uma aceitação voluntária do homem decaído. É Deus quem dá início a todo o processo da conversão e não o  homem. O pecador não possui "livre arbítrio", pois todo o que comete pecado é escravo do pecado e o escravo não é livre. A conversão humana apenas muda o religioso de uma religião para outra, mas não lhe assegura a experiência de nascimento do alto ou de regeneração. Por esta razão há tanta movimentação e ativismo entre seitas e religiões.
O evangelicalismo por vezes se confunde com o fundamentalismo, mas também, por vezes se distancia dele, admitindo a leitura não literal da Bíblia. O evangelicalismo não se preocupa com a crítica textual ou ecdótica (do grego ékdotos = "edito") que visa aproximar o texto bíblico, tanto quanto possível da sua forma original, isto é, da forma registrada pelo autor. A ecdótica trata, portanto, de restituir, por meio de minuciosas regras de hermenêutica e exegese, a forma mais próxima do que seria a redação inicial de um texto, a fim de estabelecer a sua edição definitiva.
O evangelicalismo pragmático dos dias atuais vislumbra um "evangelho" de resultados e não a manutenção da pureza das Escrituras como ensina o apóstolo Paulo. Disputa número de "fiéis", promove grande ênfase aos milagres, defende a  acumulação de bens e o recebimento de bênçãos como manifestação visível da fé. Nada destas coisas é ensinado nas Escrituras como sendo o evangelho verdadeiro. Uma das características do evangelicalismo é tomar os efeitos pela causa e a causa pelos efeitos.
Para atingir os seus objetivos, o evangelicalismo atual apela para qualquer aspecto que exerça influência sobre as massas desorientadas e perdidas em seus dramas. Busca, entre outras coisas, a justiça social ensinando o progresso material como sinal de aprovação divina, prega a massificação do que chama de evangelho, pretende produzir arrependimento exterior no pecador, simula uma certa valorização da Bíblia, porém, apenas como um amuleto místico,  visa encher as igrejas e arrecadar muito dinheiro. Rejeita a aproximação ao protestantismo histórico e reformado, nega a chamada baixa crítica e o ecumenismo. Torna-se, assim, uma espécie de "síndrome de Lúcifer", a saber, magnifica o desejo de ser "deus" nos homens decaídos. Exalta as experiências sensoriais e almáticas como sinal de poder espiritual. Neste sentido os torna mil vezes mais perdidos, pois não lhes mostra o verdadeiro evangelho.
Sola Gratia!

domingo, 6 de maio de 2012

A DIFERENÇA ENTRE FÉ E OBRAS

Hb. 11: 1 a 3 - "Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se vêem. Porque por ela os antigos alcançaram bom testemunho. Pela fé entendemos que os mundos foram criados pela palavra de Deus; de modo que o visível não foi feito daquilo que se vê."
Tg. 2: 17 e 18 - "Assim também a fé, se não tiver obras, é morta em si mesma. Mas dirá alguém: tu tens fé, e eu tenho obras; mostra-me a tua fé sem as obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras."
A primeira coisa que se deve ter em mente ao ler as Escrituras é que ela é a Palavra de Deus e não um manual de religião ou um corolário de dogmas. Desta forma, jamais se deve afirmar aquilo que a Palavra de Deus não está afirmando. As Escrituras invariavelmente mostram que a justificação do homem é pela graça mediante a fé. Em nenhuma instância as Escrituras afirmam que a redenção é pelas obras. A justificação do pecador é pela fé na obra justificadora de Jesus, o Cristo, antes, Filho Unigênito, e, agora, Filho Primogênito de Deus. As obras dos homens não têm qualquer influência no ato da justificação. Todavia, as obras demonstram que o pecador foi justificado.
Quando se fazem tais afirmações perante um religioso arminiano, o tal logo replica: mas na epístola de Tiago não afirma que o homem é justificado, não apenas pela fé, mas também pelas obras? Bem, neste caso ter-se-ia de admitir que há contradição e antagonismo entre o ensino de Tiago e o de Paulo. Entretanto, não é este o caso, pois há perfeita concordância entre as   epístolas de Romanos, Gálatas e de Tiago. 
É muito simples a elucidação deste aparente paradoxo: basta ler a epístola de Tiago, levando em conta o que ele disse  e não o que alguém quer ou julga que ele disse. Deve-se ler apenas o que está escrito, tal como foi dito por Tiago. Não  se pode adicionar conceitos pessoais para tornar o texto aceitável ou digerível doutrinariamente. Não se deve ler as Escrituras segundo uma concepção própria, deve-se ler o que elas dizem e não o que elas não dizem. Este é um princípio elementar para receber revelação nas Escrituras: são elas que leem o homem, e não o homem que as lê.
Primeiramente, deve-se ter em mente que o assunto fundamental da epístola de Tiago é a misericórdia e não a salvação. O livro de Romanos diz que o homem é justificado pela fé. Também o livro de Gálatas diz que o homem não é justificado pelas obras. Romanos estabelece positivamente que o pecador é justificado pela fé, enquanto Gálatas estabelece negativamente que o pecador não é justificado pelas obras. Romanos aborda como o pecador é justificado, enquanto Gálatas aborda como o pecador não é justificado. 
Tg. 2: 14 a 26 - "Que proveito há, meus irmãos se alguém disser que tem fé e não tiver obras? Porventura essa fé pode salvá-lo? Se um irmão ou uma irmã estiverem nus e tiverem falta de mantimento cotidiano, e algum de vós lhes disser: ide em paz, aquentai-vos e fartai-vos; e não lhes derdes as coisas necessárias para o corpo, que proveito há nisso? Assim também a fé, se não tiver obras, é morta em si mesma. Mas dirá alguém: tu tens fé, e eu tenho obras; mostra-me a tua fé sem as obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras. Crês tu que Deus é um só? Fazes bem; os demônios também o creem, e estremecem. Mas queres saber, ó homem insensato, que a fé sem as obras é inútil? Porventura não foi pelas obras que nosso pai Abraão foi justificado quando ofereceu sobre o altar seu filho Isaque? Vês que a fé cooperou com as suas obras, e que pelas obras a fé foi aperfeiçoada. E se cumpriu a escritura que diz: E creu Abraão em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça, e foi chamado amigo de Deus. Vedes então que é pelas obras que o homem é justificado, e não somente pela fé. E de igual modo não foi a meretriz Raabe também justificada pelas obras, quando acolheu os espias, e os fez sair por outro caminho? Porque, assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem obras é morta." O assunto dominante neste texto é a misericórdia e a ajuda aos necessitados. Não está em tela a questão da justificação ou da salvação do pecador. 
No contexto de Tiago capítulo 2, versos 6 a 13, vê-se claramente que o apóstolo está demonstrando as atitudes de menosprezo aos pobres por parte dos ricos. Mostra que alguns descumpriam a lei, a qual tinha-se por preceito e regra de conduta moral.  Mostra que a misericórdia triunfa sobre a lei, e não a lei sobre a misericórdia. Isto implica dizer que, se alguém fosse cumpridor integral da lei, não poderia sonegar as obras da lei aos necessitados. Logo, se alguém nega por atos e atitudes as obras da lei, por ela condena-se a si mesmo. É mostrado que o rico deveria ter compaixão para com os pobres. Isto é ensinado também no verso 1 do capítulo 2, que, de fato, é a continuação do capítulo anterior, o qual ensina que a religião pura e sem mancha diante de Deus é visitar os órfãos e as viúvas em suas tribulações. Não fala em momento algum de justificação ou de condenação.
Tiago mostra, que, se alguém tem fé, mas sendo as obras de misericórdia ausentes, de fato, o que fica evidente é a ausência da fé no tal. A fé sem obras, nega o caráter espiritual do justificado. Assim como as obras sem a fé não promovem o pecador à justificado. Assim, obras e fé, ou fé e obras são realidades interdependentes e não independentes ou desvinculadas. É normal que laranjeiras deem laranjas e que abacateiros deem abacates. Por semelhante modo é uma questão principiológica da natureza do justificado ter misericórdia e graça para com os desvalidos.
A fé possui caráter espiritual, pois não é tangível. A fé não se vê e não se toca, portanto, se crê apenas no que afirma a Palavra de Deus. Por esta razão é que o autor da carta aos hebreus afirma que por ela os antigos alcançaram bom testemunho. Pela fé o homem entende e recebe que o universo foi criado pelo poder da Palavra de Deus. Assim, a fé é da esfera espiritual, enquanto as obras é da esfera sensorial. Com a fé se crê para a justiça, com as obras se exercita a misericórdia  para com os desprezados e humilhados deste mundo.
Então, se um homem afirma ser justificado pela fé, é natural que se manifeste nele, a misericórdia e a graça para com o próximo. Entretanto, um homem que manifesta apenas a caridade ou as obras de justiça própria, não será justificado por elas. No texto de Tiago se percebe que há uma espécie de ironia aos que afirmam ter fé, mas não apresentam misericórdia, e aos que afirmam ter obras, mas não têm fé.
Sola Scriptura!

quarta-feira, 2 de maio de 2012

A DIFERENÇA ENTRE ADORAÇÃO E ATIVISMO

Jo. 4:23 e 24 - "Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem. Deus é Espírito, e é necessário que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade."
II Sm. 18:19 a 23 - "Então disse Aimaaz, filho de Zadoque: deixa-me correr, e anunciarei ao rei que o Senhor o vingou a mão e seus inimigos. Mas Joabe lhe disse: tu não serás hoje o portador das novas; outro dia as levarás, mas hoje não darás a nova, porque é morto o filho do rei. Disse, porém, Joabe ao cuchita: vai tu, e dize ao rei o que viste. O cuchita se inclinou diante de Joabe, e saiu correndo. Então prosseguiu Aimaaz, filho de Zadoque, e disse a Joabe: seja o que for, deixa-me também correr após o cuchita. Respondeu Joabe: para que agora correrias tu, meu filho, pois não receberias recompensa pelas novas? seja o que for, disse Aimaaz, correrei. Disse-lhe, pois, Joabe: corre. Então Aimaaz correu pelo caminho da planície, e passou adiante do cuchita."
Adoração é um substantivo derivado do verbo adorar, sendo este oriundo do latim 'adorare' e aquela de 'adorationis'. As significações são variadas, porque abrangem desde o sentido teológico até o sentido emocional. No contexto que hora se apresenta neste artigo pretende-se que seja o ato ou o efeito de adorar, orar ou pedir orando a uma divindade, que, neste caso, é o Deus único, soberano e verdadeiro. Muitos adoram apenas as relíquias de uma religião, tais como, a cruz, os restos mortais de um suposto santo, os objetos usados por alguém em vida, uma imagem ou um símbolo místico qualquer. Outros adoram pessoas vivas que supostamente mantêm uma relação com o divino e o sobrenatural. Outros ainda adoram lugares que supõem colocá-los em contato com o supranatural. Algumas religiões dizem que adoram somente a Deus, mas que veneram os santos e suas imagens e relíquias, entretanto, quando se consulta qualquer dicionário, os significados de adorar e venerar são sinônimos. 
O primeiro texto deixa bem claro que a adoração é um ato de natureza espiritual e não um ato religioso, exterior e ritualístico. No contexto Jesus travou um diálogo com uma mulher samaritana, a qual afirmava haver divergências entre gentios e judeus acerca do melhor local de adoração. Todavia, o Mestre disse-lhe que não era uma questão de lugar, mas de um exercício espiritual. Afirmou também que não é o adorador que procura a Deus para adorar a qualquer custo, mas que Ele procura os que adorem em espírito e em verdade. Deus é Espírito e, portanto, só se comunica com espírito com base na verdade que é o próprio Cristo conforme Jo. 14:6 - "Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim."
Adorar, portanto, não é um ato exterior e místico, mas uma comunicação espiritual, posto que entre o espírito no homem e o Espírito Santo de Deus. Tal comunicação se dá por intermédio de Cristo o Filho Unigênito e Primogênito que se assenta à destra do Pai. O homem, decaído ou mesmo redimido, não possui em si mesmo o 'munus' para comparecer diante de Deus para adorar, ou seja, orar pedindo, agradecendo, adorando. É absolutamente dependente da advogacia de Jesus, o Cristo conforme  I Jo. 2:1 - "...temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo." Também depende da tradução ou interpretação da sua adoração perante Deus feita pelo Espírito Santo conforme Rm. 8:26 - "...porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o Espírito mesmo intercede por nós com gemidos inexprimíveis."
Ativismo é um substantivo masculino que traz diversas significações, como por exemplo, o sentido filosófico: "...qualquer doutrina ou argumentação que privilegie a prática efetiva de transformação da realidade em detrimento da atividade exclusivamente especulativa, frequentemente subordinando sua concepção de verdade e de valor ao sucesso ou pelo menos à possibilidade de êxito na ação." Assim, o ativismo substitui a adoração que é de dependência plena da soberania de Deus, em ação para produzir os efeitos que se deseja. O ativismo não confia na transformação da realidade pelo poder pleno e gracioso de Deus, mas propõe à produção de uma verdade particular com base no esforço, no mérito e na justiça próprios. Visa os resultados que se desejam por meio da ação objetiva e prática, excluindo-se a fé. É o homem pelo próprio homem!
Um ser ativo é aquele que tem ação, que age e que exerce ação, estando neste caso, o foco no homem e não em Deus. Este foi o caso de Caim que apresentou a sua oferta com base no resultado do seu trabalho e esforço agrícola. Abel, ao contrário, apresentou a sua oferta com base no substituto sem a participação do seu esforço. Deus se agradou da oferta de Abel, porque ela estava na conformidade da fé, visto que ele se aproximou de Deus pela adoração substitutiva e não pela adoração ativista de si mesmo. O cordeiro oferecido por Abel era o protótipo do "Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo" e que havia sido "imolado antes da fundação do mundo" para expiar o pecado do homem. 
O segundo texto de abertura mostra dois mensageiros: o cuchita que foi escolhido e enviado pelo general Joabe a dar as notícias da guerra ao rei Davi, e o outro, Aimaaz, que se escolheu a si mesmo e saiu correndo desesperadamente para chegar primeiro, porém sem uma mensagem objetiva. Aimaaz estava mais interessado na ação de dar a notícia, do que no conhecimento da própria notícia a ser dada.  
Assim tem sido no campo da religião humanista: milhares de mensageiros apressados e sem mensagem para pregar. São ativistas que imaginam que, por empregar grandes esforços agradarão mais a Deus que os outros. Eles estão dispostos a longos auto-sacrifícios, penitências doloridas, entrega de tempo e dinheiro, esforços individuais e coletivos de ofertas, dízimos, orações, jejuns. Entretanto, a realidade do dia a dia mostra que os tais não diferem em nada dos demais homens portadores da natureza pecaminosa.
Tais ativistas desconhecem o ensino da verdade que mostra a necessidade de novo nascimento para serem aceitos por Deus em Espírito e em Verdade.
Sola Gratia!