quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

QUEM É O DIABO III

Ez. 28: 12 a 15 - "Tu eras o selo da perfeição, cheio de sabedoria e perfeito em formosura.  Estiveste no Éden, jardim de Deus; cobrias-te de toda pedra preciosa: a cornalina, o topázio, o ônix, a crisólita, o berilo, o jaspe, a safira, a granada, a esmeralda e o ouro. Em ti se faziam os teus tambores e os teus pífaros; no dia em que foste criado foram preparados. Eu te coloquei com o querubim da guarda; estiveste sobre o monte santo de Deus; andaste no meio das pedras afogueadas. Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que em ti se achou iniquidade."
O contexto do qual esta porção foi retirada é daqueles com dupla referência, ou seja, se refere, tanto a Itobaal rei de Tiro, como ao comportamento do anjo querubim que veio a ser o Diabo. O referido rei experimentou grande progresso mercantil, diplomático e militar. Exigia tributos pesados dos povos dominados e se apoiava em um comércio intenso no Mar Mediterrâneo. Era um reinado cujos governantes e homens prósperos não tinham escrúpulos e praticavam culto pagão ao deus Baal com sacrifícios humanos, além da baixa moralidade social. Diversos profetas do velho testamento vaticinaram sobre a ruína deste reino, o que, de fato, aconteceu primeiro com a invasão de Nabucodonosor rei de Babilônia e, depois, com a total destruição por Alexandre Magno do Império Greco-Macedônio em 332 a. C.
O texto se refere, mais enfaticamente, ao governante da cidade de Tiro do verso 1 ao verso 11, sendo que, no verso 2 ele é identificado como príncipe de Tiro. Este rei foi conhecido como Ethbaal ou Itobaal foi um sacerdote que assassinou o rei anterior de Tiro - Pheletes - e usurpou o poder, tendo governado por 32 anos. A partir do verso 12, a ênfase recai, predominantemente, a um ser no reino de Deus, descrevendo como era o anjo querubim antes da queda. A partir do verso 15 passa-se a descrever o que iria acontecer, tanto ao rei de Tiro, como ao que aconteceu ao Diabo após a queda. Este artifício linguístico ocorre em diversas outras passagens, das quais focar-se-á em Mc. 8:33 - "Mas ele, virando-se olhando para seus discípulos, repreendeu a Pedro, dizendo: para trás de mim, Satanás; porque não cuidas das coisas que são de Deus, mas sim das que são dos homens." No contexto, Jesus está avisando aos discípulos que irá morrer. Entretanto, Pedro um dos discípulo de Jesus tenta convencê-lo a não morrer. Todavia Jesus o repreende, mas a repreensão é dirigida a Satanás que inspirava a Pedro neste ardil contrário ao que estava preordenado por Deus. O texto esclarece ainda que, quem cuida das coisas humanas ou terrenas é Satanás. Não era Pedro Satanás, mas estava sendo instrumento dele na sua argumentação contra a morte de Jesus, o Cristo. Tanto no hebraico, como no grego neotestamentário, estas duplas referências são, quase sempre, sarcásticas.
Neste estudo o foco é a identidade do Diabo na descrição do profeta Ezequiel. O texto descreve o Éden como jardim de Deus e diferente do Éden terrestre que foi um jardim para o homem. Sabe-se que o Éden terrestre era um domínio vegetal, enquanto o Éden descrito no texto ezequeliano era um domínio mineral. É dito que o Diabo era um anjo querubim chefe da guarda, ungido e estabelecido no monte santo de Deus, vivendo sob o brilho das pedras preciosas. A palavra querubim provém do hebraico [כרוב] "qeruv" e no texto de Ezequiel aparece no plural [כרובים] ou "queruvim". Os querubins são seres sobrenaturais, ora representados com aparência de animais, ora como anjos alados no culto mosaico. Diversas figuras de querubins foram esculpidas nas paredes e portas do primeiro templo de Jerusalém. O texto afirma que este querubim era perfeito em formosura e que, para ele foram preparados instrumentos musicais no dia em que foi criado: pífaros e tambores. Também é dito que era perfeito em seus caminhos até o dia em que, nele, foi achada a iniquidade. A iniquidade a que se refere o texto é a soberba e a arrogância de querer ser deus conforme Ez. 28:2 - "Assim diz o Senhor Deus: visto como se elevou o teu coração, e disseste: eu sou um deus, na cadeira dos deuses me assento, no meio dos mares; todavia tu és homem, e não deus, embora consideres o teu coração como se fora o coração de um deus." Lembre-se que, neste contexto inicial é uma descrição da arrogância, tanto do rei de Tiro, como da soberba do anjo querubim que quis ser deus. Trata-se de uma argumentação por símile.
A iniquidade é uma prática contrária à equidade, ou seja, ao que é justo segundo o padrão da justiça de Deus. Ocorre a iniquidade quando o pecado chega ao coração do homem e o faz perder a noção dos valores morais e espirituais. A iniquidade faz a mente do homem se corromper a ponto de não mais discernir entre o certo e o errado, o justo e o injusto. 
Portanto a identidade do Diabo é o que dele se declara nas Escrituras. O que passa disso é apenas crendice resultante do ideário popular manipulado pela religião. Outro texto que dá a noção exata do pecado do anjo querubim que veio a ser o Diabo está em Is. 14: 12 a 14 - "Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filha da alva! como foste lançado por terra tu que prostravas as nações! E tu dizias no teu coração: eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono; e no monte da congregação me assentarei, nas extremidades do norte; subirei acima das alturas das nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo." Esta descrição também segue a técnica da dupla referência, pois descreve tanto a arrogância, quanto a queda do rei da Babilônia e também os desejos e ambições do querubim chefe da guarda no Reino de Deus. Subir acima das estrelas, ou seja, dos anjos celestes, acima das nuvens, a saber, no domínio celestial, e ser semelhante ao Altíssimo é um desejo soberbo que arruinou o anjo perfeito, formoso e chefe dos demais anjos. Por isso este anjo querubim foi lançado fora da presença de Deus. O própria Jesus, o Cristo atesta esta verdade conforme Lc. 10:18 - "Respondeu-lhes ele: Eu via Satanás, como raio, cair do céu."
Solo Christus!
Soli Deo Gloria!

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